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sábado, 22 de novembro de 2025

Sao Columbano, Abade (543-615)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo da redação da revista Ave Maria

 

‘‘Precisamos passar pela estrada real para a cidade de Deus por meio da aflição da carne e da contrição do coração, com a dura fadiga do corpo e a humilhação do espírito (…); se te distancias da batalha, também te distancias da coroa.’

Columbano ficou famoso pela severidade da sua ascese, embora poucos conheçam o seu ânimo delicado de poeta. Assim ele descreve uma viagem sua de barco descendo o rio Moselle para subir ao longo do Reno : ‘É belo entre os bosques cortar com a quilha a correnteza do Reno, deslizando docemente sobre as ondas. Povo meu, ouve-se o eco de cada grito. Levanta-se o vento, virá terrível a chuva, mas a força do homem domina a tempestade’.

A palavra da santa reclusa

Columbano nasceu na Irlanda, na província de Leinster, filho único de uma família rica que não teve necessidade de enviá-lo à escola do mosteiro, podendo oferecer-lhe excelentes mestres em casa. É compreensível que o mantivessem no lar, sonhando para ele uma vida feliz e uma bela descendência.

Entretanto, ao chegar à adolescência, gostava de dirigir o olhar para além das quatro paredes da nobre casa paterna, buscando horizontes mais amplos. Um dia foi aconselhar-se com uma reclusa famosa por sua santidade. Perguntou-lhe o que deveria fazer da sua vida. A mulher, fitando o jovem de coração puro e físico forte, com o gesto decidido dos profetas, não hesitou : intimou-o a deixar tudo e dirigir-se ao mosteiro mais próximo.

Columbano, sem se comover diante das lágrimas da mãe, despediu-se dos pais e mestres, colocando-se sob a orientação firme do Abade Sinell, do mosteiro de Clain-Inis.

Em casa, havia estudado com interesse não só a Bíblia, mas também os sábios e poetas pagãos – Sêneca, Virgílio, Ovídio, Lucano, Juvenal – e os poetas cristãos dos primeiros séculos, tendo alcançado sucesso em composições poéticas. No entanto, seu coração estava totalmente tomado pela observância monástica irlandesa, que não deixava espaço ao homem velho. No estudo da Sagrada Escritura e na leitura dos padres, alimento quotidiano do monge, descobria dimensões novas e insuspeitadas.

A santa reclusa dissera-lhe para fugir do mundo e ele o fez, mas, permanecendo ainda na sua terra e pertencendo à nobreza, parentes e amigos vinham visitá-lo com frequência, o que não o ajudava a romper com o antigo ambiente. Pediu então transferência para o norte, ao mosteiro de Bangor, sob a austera direção do Abade Comgallo.

Foi uma escolha feliz : a sintonia entre ambos era perfeita. O jovem Columbano compartilhava plenamente as diretrizes do abade e praticava com fervor a severa disciplina de Bangor. Sua inteligência livre impressionava o abade, que logo o promoveu a mestre dos noviços e pensava tê-lo, um dia, como sucessor.

A paixão do missionário

Esse desígnio, porém, não se concretizou. Columbano foi tomado pela febre missionária que, naquele tempo, ardia nos monges irlandeses : o desejo de evangelizar o continente europeu, mergulhado na barbárie e no paganismo após as invasões dos povos do norte e do leste.

A Irlanda havia sido poupada desse flagelo e conservara, em seus mosteiros, tanto a pureza da fé quanto a herança da civilização cristã trazida por São Patrício. Columbano convenceu o abade a deixá-lo partir com doze monges – um novo ‘colégio apostólico’ – para reevangelizar a Europa.

Após passarem pela Cornualha, desembarcaram na Gália por volta de 588-590. Apresentaram-se ao rei Gontrano, da Borgonha, a quem Columbano expôs seu plano : levar o Evangelho aos pagãos e construir um mosteiro entre eles, pedindo apenas um pedaço de terra inculta e liberdade para viver sem interferências.

O rei concedeu o pedido e logo começaram o trabalho. Cortaram árvores, reconstruíram muralhas e tetos, abriram portas e janelas. Antes do inverno, tinham já abrigo, lenha e uma igreja para orar.

O inverno foi rigoroso e as provisões, escassas. Na primavera, prepararam o solo e semearam. Um bispo local enviou víveres, comovido pela pobreza deles. Columbano agradeceu, mas advertiu o bispo para não interferir na vida interna do mosteiro.

O éden na floresta

Com o tempo, o povo acorria de longe para contemplar o milagre : a floresta transformada num jardim, um novo Éden. Diziam que os monges, silenciosos no trabalho e melodiosos na oração, tinham o dom de transformar tudo o que tocavam.

Certo dia, faltava-lhes água potável. Um monge lamentou-se ao abade, que indicou um local junto a uma grande árvore : ‘Cavem aqui, teremos água em abundância’. Brotou, de fato, uma fonte inesgotável, o que o povo considerou um milagre.

A vida na floresta harmonizava-se com a natureza : monges, animais e plantas conviviam em paz. Passarinhos não fugiam deles; cabritos e corças comiam em suas mãos.

O historiador Jonas de Bobbio, que escreveu a vida de Columbano, relata que ele se retirou certa vez para orar numa gruta, antiga morada de um urso. Ao regressar, o urso o encontrou, mas não o atacou. Depois de comer sua presa, retirou-se, deixando a pele, da qual o santo aproveitou para fazer sandálias para os monges.

A comunidade crescia, recebendo jovens e até bandidos arrependidos. Columbano discernia cada vocação, acolhendo os sinceros e afastando os dissimulados. Fundou outros dois mosteiros – Luxeuil e Fontaine – e escreveu as Regras dos Monges e Regras Domésticas, que estabeleciam a disciplina e as penitências.

A maldade de Bruneilde

A corte do rei Teodorico era marcada pela corrupção. Quem governava de fato era a rainha-mãe Bruneilde, que impedia o casamento do filho e o cercava de vícios. Columbano, firme na fé, recusou-se a abençoar os filhos ilegítimos do rei, dizendo ‘Estes não levarão jamais o cetro.’

Bruneilde, furiosa, perseguiu o abade, decretando seu exílio. Columbano e os monges irlandeses foram presos e enviados a Besançon. Mais tarde, libertado, regressou brevemente a Luxeuil, mas a perseguição continuou. Expulso novamente, escreveu aos monges : ‘Se afastares os adversários, não existe mais luta; e sem luta, não existe coroa. Com a luta vêm a coragem, a vigilância, o fervor, a paciência, a fidelidade, a sabedoria, a firmeza, mas, se suprimes a liberdade, suprimes também a dignidade’.

A viagem para Bobbio

Columbano partiu então para novas terras. Após evangelizar na região do lago de Constança e enfrentar resistências, atravessou os Alpes e chegou à corte do rei dos longobardos, Agilulfo. Por intermédio da rainha Teodolinda, recebeu terras às margens do rio Bobbio, onde fundou o seu último mosteiro.

Ali, já idoso e enfermo, trabalhou até a morte, em 23 de novembro de 615. Seus mosteiros formaram uma rede que unia povos diversos na fé cristã e reavivava a cultura à luz do Evangelho.

A espiritualidade columbana

A espiritualidade de Columbano era simples e firme : o Evangelho vivido com radicalidade. Em suas Instruções aos monges, ele escreveu : ‘Se o homem usar retamente as faculdades que Deus concedeu à sua alma, será semelhante a Deus (…). O primeiro mandamento é amar o Senhor com todo o coração, porque Ele nos amou primeiro. O verdadeiro amor, porém, não se demonstra com simples palavras, mas com fatos e na verdade’.

Columbano ensinava que o amor renova a imagem de Deus em nós : ‘Precisamos restituí-la na caridade, porque Ele é caridade (…). Precisamos restituí-la na bondade e na verdade, porque Ele é bom e verdadeiro (…). Intervenha o próprio Cristo e trace no nosso espírito os traços específicos de Deus, infundindo-nos a sua paz’.

Em um mundo marcado por rivalidades e vinganças, Columbano pregava que os discípulos de Cristo deveriam ser ‘espirituais e unânimes’, vivendo em concórdia fraterna e unidade eclesial, reflexo da própria unidade de Deus.

Para ele, chegar à unanimidade exigia seguir Cristo crucificado – um seguimento que não gera tristeza, mas alegria : ‘Não existe sofrimento no amor, naquele amor de Deus que renova em nós a sua imagem’.

 Assim viveu e ensinou São Columbano, abade e missionário, cuja vida uniu fé, cultura e civilização sob o sinal da cruz e da liberdade cristã.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/sao-columbano-abade-543-615-23-de-novembro.html

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A missão e a revolução da ternura

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Brás Lorenzetti


‘Um dos aspectos importantes da vida de um cristão é a sua disposição para partilhar a fé em que acredita. Em outros tempos, falava-se em missão; atualmente, preferimos o termo ‘evangelização’. Esse ‘embeber-se’ do espírito missionário tem como finalidade que nos sintamos comprometidos e identificados com a própria missão da Igreja, que é anunciar o Evangelho ao maior número possível de pessoas. Se acreditamos que viver em profundidade a fé dá sentido à vida e nos faz felizes, queremos que outros também tenham a mesma oportunidade e sintam essa alegria e felicidade em suas vidas.

Existem muitas formas de ser evangelizador, de acordo com o dom de cada um. Uma dessas formas é a oração, que não pode faltar nunca na ação missionária. O fruto que colhemos é a paz : em nossos corações, nas famílias e na sociedade.

A humanidade vive hoje uma situação preocupante : nunca houve no mundo tantos conflitos armados ao mesmo tempo, desde a Segunda Guerra Mundial. Atualmente assistimos a um triste recorde de guerras e conflitos entre países e grupos; os continentes todos possuem essa ‘mancha’ da violência em seus territórios. 

Em nosso país, não temos conflitos armados de grandes proporções, porém, os grupos armados e facções promovem uma verdadeira guerra urbana, vivendo do assalto e do roubo que, junto com a droga, levam ao medo e à morte. A sociedade, sobretudo nos grandes centros urbanos, convive com o medo que, no fundo, tem como raízes a desigualdade e o incentivo ao acúmulo descontrolado de bens. 

A proposta da Igreja é que essa guerra só pode ser vencida com a revolução da ternura. A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho) propõe ‘(…) um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto’ (288). De fato, a presença de Maria, estrela da nova evangelização, estimula-nos a confiar no seu poder intercessor como forma de combater o ódio, a intolerância e a violência na sociedade. De nossa parte, o convite é que colaboremos com a promoção da justiça social, fator que leva à pacificação da sociedade.

Os cristãos católicos, juntamente com o empenho pela igualdade e pela justiça, estão redescobrindo a força da oração, especialmente mediada e motivada pela intercessão de Maria, especialmente por meio do santo Rosário. Que esse movimento mariano progrida cada vez mais como um verdadeiro modo de evangelizar e de fazer frente à violência e às guerras existentes no mundo. Confiemos, pois, no poder intercessor da nossa mãe Maria e tenhamos como missão acreditar e colaborar pela paz no mundo.

Ó Maria, mãe da ternura e estrela da evangelização, rogai por nós!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-missao-e-a-revolucao-da-ternura.html

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Ser monge num monaquismo jovem

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Dom Alex Echeandia, OSB

Prior da Comunidade de Lurin, Peru

 

‘A palavra ‘experiência’ é habitualmente usada para uma pessoa mais velha, um homem, ou uma mulher, que viveu no quadro de uma grande tradição de hábitos, costumes e de um estilo de vida. Neste sentido a tradição do monaquismo peruano é bastante nova, pois é recente, data da fundação do primeiro mosteiro beneditino que foi fundado nos anos 1960.

A Igreja do Peru não conhecia a palavra ‘monaquismo’ quando as ordens mendicantes chegaram. De fato, a Coroa espanhola não autorizava os monges a entrar nas Novas Índias, porque eram consideradas terra de missão. A história conta que quando Cristóvão Colombo fez a segunda viagem à América já havia frades franciscanos. O objetivo principal era evangelizar o Novo Mundo. A evangelização precisava de catequese e do desaparecimento de toda a forma de idolatria.

Mas, a evangelização foi realizada por monges, bem antes que as ordens mendicantes existissem na Igreja. Na Igreja dos primeiros séculos houve monges missionários muito célebres, como São Columbano, Santo Agostinho de Cantuária, São Bonifácio de Fulda e muitos outros, que levaram o Evangelho para a Europa e para o Leste.

O fato das Ordens mendicantes estarem muito vivas no final do século 15, foi crucial para a decisão dos espanhóis em enviar sobretudo franciscanos e dominicanos para evangelizar a América. Aliás a vida monástica na Espanha estava em fase de reforma. Por isso a Coroa não pediu aos monges para se juntarem ao novo movimento de evangelização. Só as monjas dessas Ordens foram convidadas a ajudar na intenção dessas missões, com sua oração e seu modo de vida. Na história do Peru, contudo, diz-se que houve um pequeno grupo de monges que veio da Espanha. De fato, os Jeronimitas e os monges de Monserrate estabeleceram-se no país, mas como uma simples presença, sem nenhum desenvolvimento.

Houve também, e é admirável, um mosteiro cisterciense fundado no século 16 em Lima, por uma mãe e sua filha, Lucrécia de Sanzoles e Mencia de Vargas : o mosteiro da Santíssima Trindade. Com aprovação do Papa, a fundação foi erigida por São Turíbio de Mongrovejo, então arcebispo de Lima. O mosteiro existiu desde o século 16 até aos anos 1960, quando foi supresso. As monjas cistercienses de Huelgas (Espanha) vieram em 1992 para refundar o mosteiro na periferia de Lima, em Lurín, onde retomaram a história desse mosteiro. Elas voltaram para Espanha em 2017, por falta de vocações, e pediram-nos para assumir o lugar onde estão enterradas as fundadoras e monjas cistercienses, que morreram. É lá que nós vivemos, continuando a história e a tradição, e sobretudo a oração de uma comunidade monástica na Igreja do Peru. Os fatos históricos manifestam, seguramente, que Deus trabalha segundo perspectivas inesperadas.

Menciono estes fatos históricos porque depois de quatro projetos abortados, vindos de regiões e de congregações beneditinas diferentes, nós sobrevivemos pela graça de Deus. Somos a primeira comunidade beneditina no Peru, vivendo a vida monástica com, unicamente monges peruanos. O monaquismo masculino é quase desconhecido no Peru. Mas o Senhor inspirou homens a viverem um estilo de vida, que existe desde os primeiros séculos da Igreja no seio de uma rica tradição.

Pessoalmente não conhecia muita coisa da vida monástica, por não existirem muitas informações sobre o assunto na Igreja do Peru. As primeiras Ordens estabelecidas no país eram mais conhecidas. No entanto, o Senhor chama homens e mulheres para o procurarem na perspectiva dinâmica de uma vida de oração e de trabalho, com o Ofício Divino, a lectio e o estudo, o acolhimento e o acompanhamento espiritual, no interior do claustro e para a Igreja e o mundo inteiros.

Entrei no mosteiro quando tinha 20 anos. Encontrei uma pequena comunidade fundada em 1981 (2 anos antes de eu nascer) pela abadia de Belmont na Inglaterra. Fui convidado a visitá-lo, sem saber a imensa alegria que ia produzir em mim aquela hora de oração em que iria participar : as Completas. Fui cativado e tocado no mais profundo do meu ser. Algo de estranho e de novo aconteceu. Experimentei o conhecimento do que era a vida monástica. Rezar os salmos foi, concretamente, para mim um encontro com Deus, na minha própria vida de fé.

Não conhecia nada da cultura monástica. Progressivamente aprendi mais sobre sua história, o sentido, a riqueza e o objetivo desse tipo de vida. Foi um encontro com Deus por meio de um caminho bem misterioso. O Senhor me fez fazer a experiência do seu chamado e da minha resposta no contexto da vida monástica.

Como já disse, não havia verdadeiramente história monástica nos países de língua espanhola na América do Sul. Diferentemente do Brasil, de língua portuguesa, os outros países da América do Sul só receberam as primeiras fundações monásticas no final do século 19. É interessante notar que se o monaquismo é o ponto de partida da vida religiosa na Igreja, na vida religiosa do continente latino-americano, é uma realidade totalmente nova.

Minha comunidade e eu mesmo no Peru fizemos a experiência da presença de Deus à medida que nos desenvolvemos na terra deserta deste país. A comunidade tem, agora, sete monges de votos solenes, há dois noviços e um certo número que se prepara para entrar.

O Senhor me chamou para viver a vida monástica num tempo e num espaço determinado. Convidou-me, assim como a meus irmãos, a seguir o Cristo segundo a Regra de São Bento. É assim que a vida monástica se estabeleceu no nosso país, para que em tudo seja Deus glorificado.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.aimintl.org/pt/communication/report/117


domingo, 16 de março de 2025

São Patrício

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

17 de março – O apóstolo da ilha verde (385-461)

*Artigo da redação da revista Ave Maria


 ‘Patrício não nasceu na Irlanda; pelo contrário, o primeiro encontro com aquela belíssima terra foi para ele muito desagradável. Tinha apenas 16 anos quando os piratas o levaram da Grã-Bretanha, sua terra, e o venderam como escravo nas costas nórdicas da Ilha Verde a um desconhecido, talvez um chefe de tribo.

Um sonho desfeito

Foi o período mais duro de sua vida. O seu pensamento retornava continuamente à casa paterna, à mãe, uma cristã autêntica, e ao pai, diácono da comunidade de Bannhaven Taberniae, onde Patrício nasceu em 385 e onde tinha recebido uma educação muito esmerada.

Talvez naquele período tivesse pensado em dirigir uma comunidade cristã como o pai ou de se tornar monge para difundir o Evangelho, mas então o tempo dos sonhos tinha tragicamente acabado! Sim, encontrava-se em terra estrangeira, no meio de um povo que até o momento não era cristão, do qual não entendia uma palavra e passava o dia todo cuidando dos animais, coisa que jamais tinha feito em toda a sua vida.

Por duas vezes tentou fugir, mas, inutilmente. Terá duvidado de que talvez Deus o quisesse naquelas terras e no meio daquele povo? À medida que se adaptava aos costumes de seus patrões e aprendia sua língua, descobria com surpresa que não eram assim tão rudes como lhe parecera no início. Também a organização tribal revelava qualquer coisa de nobre e os relacionamentos entre as famílias e entre as tribos eram fundamentados no respeito recíproco.

Certamente que lhes faltava a fé cristã, adoravam ainda os ídolos, mas o que ele poderia ter feito sozinho e sem nenhuma experiência nesse campo? E ele não era sempre um pobre escravo? Que sentido tinha a sua permanência nesse país estrangeiro? Precisava fugir a todo custo.

Organizou pela terceira vez um plano de fuga e dessa vez conseguiu perfeitamente. Havia seis anos que estava longe de casa. 

À escola de São Germano

Não sabemos se o navio o repatriou ou se o deixou nas costas francesas. Sabe-se com certeza que em determinado momento Patrício apareceu em Auxerre, junto ao bispo São Germano (†448), homem de profundo conhecimento de ciência e de grande santidade que, por sua vez, estivera na Inglaterra para restabelecer a paz naquela Igreja perturbada pela heresia pelagiana.

São Germano acolheu com muita satisfação o jovem britânico e ouviu com interesse a descrição das suas peripécias. Ali descobriu o dedo da providência. Quem melhor do que ele, que conhecia por experiência pessoal a língua e os costumes dos celtas e dos escoceses – como eram chamados os irlandeses –, poderia levá-los à fé cristã? É verdade que o Papa Celestino já tinha mandado um bispo para a Irlanda, mas este não tinha conseguido entrar no coração daquela gente.

A ideia não desgostou a Patrício, que, depois de ter completado em Auxerre a sua formação cristã e cultural sob a direção do santo bispo, esteve por um tempo em Lérins, centro monástico de fama europeia, defronte à Provença, onde mergulhou com todas as suas forças na vida monástica, convencido de que só com esse carisma poderia plantar a Igreja de maneira duradoura entre os povos da Irlanda.

Tendo vivido com eles por seis anos, tinha notado que havia uma grande diferença entre a psicologia dos habitantes das ilhas juntos em uma mesma cultura mais familiar e mais estática e a dos habitantes do continente, continuamente imersos em acontecimentos históricos e mais movimentados e com mais fôlego, por isso quis visitar os numerosos pequenos mosteiros das ilhas do mar Tirreno, em frente à atual Toscana, e ver com os próprios olhos o método adotado pelos monges para cristianizar os habitantes das ilhas.

O evangelizador da ilha

Naquele período, teria visitado Roma e falado com o Papa? É possível, mas, não o sabemos com certeza; ao contrário, sabemos com segurança que no ano de 432, com a morte de Palladio, o primeiro bispo da Irlanda, Patrício foi nomeado seu sucessor e partiu o mais rápido possível com um grupo de monges rumo à sua missão. Estabelecendo-se em Armagh, começou a preparar seus planos. A Irlanda, de modo diverso da Inglaterra, não tinha conhecido o domínio romano e, portanto, não havia naquela ilha nenhuma estrutura social sobre a qual basear-se para iniciar a evangelização. Seus habitantes eram subdivididos em clãs, bem unidos internamente e bem diferentes entre si. Tinham cultura e organização tribal próprias, às quais eram muito apegados.

Patrício aproximou pessoalmente os chefes dos clãs, favorecido pelo fato de que conhecia bem sua língua e costumes. Mostrou-lhes a sua primeira abadia e propôs-lhes construir outras para servir sua gente. Fez-se ajudar por eles na construção e os fez corresponsáveis também pela manutenção. Não lhe foi difícil enchê-las de jovens irlandeses, educando-os com a ajuda de seus monges.

Os chefes, respeitados nos seus cargos, foram os primeiros a abraçar a fé, arrastando consigo os próprios clãs. As abadias se multiplicavam e ao redor surgiam as habitações dos chefes e do povo, embriões das futuras cidades. Os monges, sob a sábia direção de Patrício, conseguiram englobar na fé cristã tudo o que a religiosidade anterior continha de positivo, deixando de lado o que por sua vez era inconciliável. Essa capacidade genial de Patrício de se identificar com a alma irlandesa e de compreendê-la até o fundo explica por que a pregação da nova fé não teve nenhum mártir naquela terra, mesmo que seus habitantes fossem um povo de guerreiros e frequentemente em luta entre si. Assim, a cultura monástica conseguiu encarnar-se na vida daquele povo generoso e altivo sem provocar traumas com o seu passado.

Patrício escolhia entre os jovens do lugar seus monges e padres. Entre eles não havia muita diferença, pois os monges sacerdotes exerciam com empenho o ministério pastoral e os padres diocesanos viviam com prazer com os monges ao redor do seu bispo que, por sua vez, ou era o abade ou o monge escolhido pelo mesmo abade e, portanto, entregue à sua responsabilidade. Sobre todos estava a figura paterna e carismática de Patrício. Ele percorria a ilha em todas as direções para visitar os mosteiros e as dioceses sob sua responsabilidade e para que fossem sempre o centro da vida evangélica à altura de seu carisma e missão.

Nos últimos dias de sua vida, contemplando a obra que Deus tinha realizado na ilha, exclamava comovido : ‘De onde me veio essa sabedoria que antes eu não tinha? Eu não sabia nem mesmo contar os dias, nem era capaz de amar a Deus. Como então me foi dado um dom assim tão grande e salutar como este de conhecer a Deus e de amá-lo? Quem me deu forças para abandonar a pátria e os meus pais e rejeitar as honras que me foram oferecidas e vir a pregar o Evangelho para o povo da Irlanda, suportando os ultrajes dos incrédulos e a infâmia do exílio, sem contar as numerosas perseguições e até mesmo as correntes da prisão e o cárcere? Assim, eu sacrifiquei minha liberdade pela salvação dos outros. Se não sou digno estou pronto também para oferecer, sem hesitar e com muito prazer, minha vida pelo seu nome. Se o Senhor me der a graça, desejo consagrar as minhas forças a essa causa’.

Patrício terminou sua vida em paz em Ulster em 461, em Down, cidade que se chamaria Downpatrick (cidade de Patrício). Sua missão já se podia dizer cumprida, pois ninguém até hoje conseguiu arrancar o cristianismo do coração dos habitantes da Ilha Verde.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/author/da-redacao

sábado, 30 de novembro de 2024

Santo André, Apóstolo (século I)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo da redação da revista Ave Maria


‘Maravilha e encanta a espontaneidade de André, irmão de Simão, nascido em Betsaida. Junto com o pai, Jonas, e com o irmão dedicava-se à pesca no lago de Tiberíades, na Galileia, e morava em Cafarnaum. No seu nome percebe-se que a influência da cultura grega tinha chegado também àquela região.

O episódio mais simpático de sua vida nos é narrado no Evangelho de João (cf. Jo 1,35-42). André tinha ido para as margens do Jordão junto com João, o futuro evangelista, para escutar João Batista. Este, indicando-lhes Jesus, disse : ‘Eis o Cordeiro de Deus! ‘E os dois discípulos, ouvindo-o falar assim, seguiram Jesus. Jesus então se voltou e, vendo que o seguiam, disse : ‘Que procurais?’. Responderam-lhe : ‘Rabi (que significa ‘mestre’), onde moras?’. Disse-lhes : ‘Vinde e vede’. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram aquele dia junto dele; eram cerca de quatro horas da tarde’ (Jo 1,36-39).

O encontro deve ter sido particularmente marcante, visto que os dois recordavam até mesmo a hora daquele dia inesquecível : ‘Eram cerca das quatro horas da tarde’ (diz o texto bíblico ‘Era cerca da hora décima’ (Jo 1,39) e a nota confirma a equivalência, pelas quatro horas da tarde].

‘Um dos dois que tinham ouvido as palavras de João e o haviam seguido era André, irmão de Simão Pedro’ está escrito em João1,40. São João Crisóstomo faz este comentário : ‘André, tendo ficado perto de Jesus e tendo aprendido muitas coisas, não manteve escondido em si esse tesouro, mas apressou-se a correr para junto de seu irmão para torná-lo participante disso’. Já o destino dos dois estava marcado para sempre, porque o Mestre havia colocado seus olhos neles.

Esse, de fato, segundo a narrativa do evangelista Marcos, ‘passando junto do mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, enquanto lançavam as redes ao mar; eram de fato pescadores. Jesus disse-lhes : ‘Segui-me, eu vos farei pescadores de homens’. E logo, deixadas as redes, seguiram-no’ (Mc 1,16). André foi com João entre os mais íntimos de Jesus. A ele se dirigiu Filipe para que dissesse a Jesus que os gregos o queriam ver (cf. Jo 12,20-23). Quando Jesus pediu que dessem de comer à multidão que o havia escutado, André apresentou ao Mestre um menino com cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6,8-9).

No monte das Oliveiras perguntou a Jesus, junto com Pedro, Tiago e João, quando aconteceria a destruição do maravilhoso templo que brilhava diante dos seus olhos (cf. Mc 13,3). Depois da paixão, André estava com os outros apóstolos no Cenáculo aguardando a vinda do Espírito Santo (cf. At 1,13) e depois de Pentecostes, segundo a tradição, teria encorajado o apóstolo São João a narrar os fatos e as palavras de Jesus no seu Evangelho. Segundo Orígenes, André teria pregado o Evangelho na Cítia, no Ponto Euxino, na Capadócia, na Galácia e na Bitínia. Depois, segundo São Jerônimo, teria passado a evangelizar a Acaia, firmando-se em Patrasso, onde teria sofrido o martírio aproximadamente nos anos 60, pregado em uma cruz, cujos braços eram dispostos diagonalmente. Daí o nome de cruz de Santo André. 

Mais tarde, no século IV, suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, que o escolheu como seu padroeiro. A nova Roma possuía o ‘troféu’ do irmão de Pedro e deu a André o título de Protocleto, isto é, de primeiro chamado, mesmo que o mesmo título diga respeito igualmente a São João evangelista.

Em 1208, os alfenenses levaram para a sua cidade as relíquias do apóstolo e, em 1462, deram sua cabeça à Igreja de Roma. Em sinal de reconciliação, o Papa Paulo VI, em 1964, restituiu essa relíquia para a igreja irmã de Constantinopla.

Atualmente, a relíquia da cabeça de Santo André é conservada em Patrasso.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/santo-andre-apostolo-seculo-i.html

sábado, 28 de setembro de 2024

Evangelizando superamos a solidão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Padre Thales Maciel Pereira


A evangelização na Igreja decorre da missão messiânica de Jesus, pois Ele foi constituído pelo Pai como o evangelizador por excelência. De fato, toda a vida de Cristo pode ser interpretada a partir da noção de evangelização. Ele, desde sua concepção até sua glorificação no mistério pascal, viveu para evangelizar os pobres, isto é, para comunicar uma boa notícia de salvação. Qual boa notícia é essa?

Suponhamos uma pessoa que sucumbisse a um terreno movediço. Imaginemos sua angústia ao tentar voltar integralmente à superfície. Tal pessoa, abandonada à própria sorte, certamente malograria em seu intento de autossalvação. Dali não sairia sem uma mão amiga que se lhe oferecesse como auxílio necessário. Assim é a evangelização, assim é a vida de Cristo.

Quando estamos sós, não conseguimos conferir sentido às nossas próprias vidas. Nós, seres de relação, necessitamos da interação e dos relacionamentos com os outros seres humanos para mantermo-nos nesta vida. No horizonte espiritual, também ocorre a mesma coisa : precisamos de uma presença amiga para que sejamos mantidos no horizonte da vida.

Isso parece tão verossímil a ponto de Joseph Ratzinger, o saudoso Papa Bento XVI, indicar que o medo mais radical do ser humano é o da solidão. Segundo ele, ‘A criança perderá o seu medo no momento em que uma mão se oferecer para guiá-la e uma voz falar com ela; no momento, portanto, em que a criança viver a experiência da presença de um ser humano amoroso. Mesmo aquele que estiver em companhia de um morto deixará de sentir um assomo de medo quando houver alguém junto dele, de modo que sinta sua presença. Na superação do medo se revela a sua natureza mais intrínseca, ou seja, o medo da solidão, que é o medo de um ser que só pode viver junto dos outros. O medo essencial do ser humano não pode ser superado pelos argumentos da razão e sim pela presença de alguém que ama’ (Introdução ao cristianismo, 221).

Assim, evangelizar significa comunicar uma notícia muito boa : você não está sozinho. A solidão radical do ser humano é superada mediante a abertura do coração a Deus e às pessoas que estão ao nosso redor para que nos completemos e nos compreendamos como seres de relação.

A salvação, portanto, não é uma realidade própria de indivíduos isolados e autocentrados, mas, fruto de uma relação íntima de comunhão entre a vida humana e a vida divina.

Evangelizar é superar a solidão. Ser evangelizador é participar da missão de Jesus, é proclamar – com a boca e com a vida – que sozinhos nada podemos, mas que, juntos, avançamos no aprofundamento da vida e no melhoramento do mundo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/evangelizando-superamos-a-solidao.html


sábado, 21 de outubro de 2023

Touro, águia, leão, homem: por que os evangelistas estão associados a essas criaturas?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Daniel R. Esparza


Um dos temas mais comuns da arte cristã é o quase onipresente Tetramorphos ou Tetramorfos. Do grego tetra (‘quatro’) e morphé (‘forma’ ou ‘forma’) a palavra aplica-se, em geral, a qualquer representação de um conjunto de quatro elementos.

Mas na arte cristã, o Tetramorphos refere-se quase exclusivamente à maneira mais comum de descrever os quatro evangelistas, cada um deles acompanhado ou representado por uma figura, três deles sendo animais e apenas um (aquele que acompanha ou representa Mateus) humano ou, mais frequentemente, uma figura angelical alada.

Tais imagens, ao contrário de alguns outros motivos zoomórficos tradicionais da arte cristã, têm bases bíblicas. Elas correspondem à visão dos chamados ‘quatro seres viventes’ de Ezequiel, o profeta descreve quatro seres : ‘Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia.’ Esse Tetramorphos carregou o trono ou carruagem do Senhor.

Pode-se apenas imaginar de onde Ezequiel tirou essas imagens complexas.

Todos sabemos que a combinação de diferentes seres e símbolos era bastante comum no antigo Egito, assim como na antiga Mesopotâmia. Lembremo-nos das esfinges egípcias, dos touros babilônicos alados e das harpias gregas. Curiosamente, o próprio Ezequiel foi um dos profetas judeus que viveu durante o exílio na Babilônia por volta do século 6 antes de Cristo, então sua visão poderia ter sido influenciada pelos antigos motivos da arte assíria, na qual essas combinações eram de fato bastante comuns.

A Revelação de João (isto é, o livro do Apocalipse) ecoa a visão de Ezequiel em seu quarto capítulo : ‘O primeiro animal vivo assemelhava-se a um leão; o segundo, a um touro; o terceiro tinha um rosto como o de um homem; e o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo’.

Agora, por que essas criaturas são designadas para um evangelista específico? Por que a águia está emparelhada com João, por exemplo? Há razões associadas às particularidades dos Evangelhos de cada autor, segundo São Jerônimo. Procure esses quatro símbolos nas gravuras dos evangelistas ou, por si só, decorando as fachadas dos livros e dos púlpitos do Evangelho.

  • Mateus é associado ao homem alado, ou anjo, porque o seu Evangelho se concentra na humanidade de Cristo, afirma São Jerônimo. O Evangelho de Mateus inclui uma narrativa sobre a genealogia de Jesus.
  • O leão é relacionado a São Marcos, porque o seu Evangelho enfatiza a majestade de Cristo e sua dignidade real, assim como o leão é tradicionalmente considerado o rei dos animais. O Evangelho de Marcos começa com a voz profética de João Batista, clamando no deserto como um rugido de leão.
  • A Lucas associa-se o touro, porque seu Evangelho se concentra no caráter sacrificial da morte de Cristo, e o touro sempre foi um animal sacrificial por excelência, tanto para o judaísmo quanto para o paganismo romano.
  • Por, João está associado à águia por duas razões : primeiro, porque seu Evangelho descreve a Encarnação do Logos divino, e a águia é um símbolo daquilo que vem de cima. A segunda, porque como a águia, João, em sua Revelação, viu além do que está imediatamente presente. Por isso São João Evangelista é chamado de ‘Águia de Patmos’.’


Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2019/08/20/touro-aguia-leao-homem-por-que-os-evangelistas-estao-associados-a-essas-criaturas/

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Missionários do Ressuscitado

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Bernardino Frutuoso,

Jornalista


No dia 22 de Outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Na mensagem para este ano, com o lema «Corações ardentes, pés ao caminho», o Papa Francisco tem como referência o episódio dos discípulos de Emaús, contado com mestria narrativa por Lucas (cf. Lc 24,13-35). Sendo este trecho evangélico uma síntese do que é o Evangelho e do que é o caminho dos cristãos, o papa apresenta três imagens sugestivas : corações ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer e pés ao caminho. Referimos brevemente estes três aspectos que, nas palavras do papa, traçam o itinerário dos discípulos-missionários e nos permitem «renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje».

A primeira cena do texto evangélico apresenta os protagonistas da história : dois discípulos que não têm nome – são paradigma dos discípulos de todos os tempos e lugares – que deixavam Jerusalém frustrados e desiludidos depois da morte de Jesus. No caminho, aproxima-se deles um homem e começam a caminhar juntos; o desconhecido interpela-os, escuta-os com atenção e explica-lhes as Escrituras. Essa exegese bíblica, transformando-os e iluminando-os, dá-lhes um novo olhar, faz-lhes perceber a história da Salvação e o projeto de Deus realizado em Jesus. Refere o papa que, também hoje, estamos chamados a deixar «que Ele faça arder o nosso coração, nos ilumine e transforme, para podermos anunciar ao mundo o Seu mistério de salvação com a força e a sabedoria que vêm do Seu Espírito».

Lucas continua a narração assinalando que os discípulos pediram ao misterioso Viandante que ficasse com eles, pois estava a anoitecer. Encontrando-se sentados à mesa, Ele fez memória da Última Ceia. Com esse gesto de partir e repartir o pão, os olhos dos discípulos abriram-se e eles compreenderam que era Jesus, que o Senhor verdadeiramente tinha ressuscitado.  Nesse momento, deixaram de O ver, mas isso não foi um problema, pois eles sabiam que o Ressuscitado permanecerá com os seus seguidores para sempre. O papa refere que este texto convida cada discípulo-missionário a «tornar-se, como Jesus e n’Ele, graças à ação do Espírito Santo, aquele-que-parte-o-pão e aquele-que-é-pão-partido para o mundo».

Finalmente, Lucas conta-nos que, com o fogo de Jesus no coração e a visão alargada pelo acontecimento pascal, os discípulos levantaram-se e com pés céleres puseram-se ao caminho, pois queriam testemunhar a todos a experiência do encontro com o Senhor da Vida. Uma imagem, sublinha Francisco, que nos recorda «a validade perene da missio ad gentes, a missão confiada pelo Senhor ressuscitado à Igreja : evangelizar toda a pessoa e todos os povos até aos confins da Terra».

A evangelização da África foi a paixão de São Daniel Comboni, a quem o Papa Francisco dedicou a audiência geral do passado dia 20 de Setembro. Ele, «uma pessoa enamorada por Deus e pelos irmãos», é um santo universal que continua a inspirar a missão da Igreja. Uma tarefa evangelizadora que todos os batizados estão chamados a assumir com paixão, coragem e alegria, pois hoje, mais do que nunca, «a Humanidade, ferida por tantas injustiças, divisões e guerras, precisa da Boa Nova da paz e da salvação em Cristo».’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1021/missionarios-do-ressuscitado/


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Profissionalizar para avançar na evangelização

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Dom Edson Oriolo,

Bispo de Leopoldina, MG


‘A Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, ensina que a Igreja é mistério. Ela não tem origem sociológica ou cultural e, ‘para perscrutar este mistério, convém meditar primeiro sobre sua origem no desígnio salvífico da Santíssima Trindade e sua realização progressiva no curso da história’ (CIC, §758). A Igreja foi sendo revelada progressivamente na História da Salvação e como afirmou Hermas : ‘O mundo foi criado em vista da Igreja’ (Hermas, Pastor 8, 1 - Visio 2,4,1).

O mistério da Encarnação do Verbo, na plenitude dos tempos, dá pleno cumprimento ao desígnio salvífico da Trindade. Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino de Deus. A Igreja ‘é o Reino de Cristo já misteriosamente presente’ (LG 3: AAS 57 - 1965). Cumprida a missão do Filho e instituída a Igreja de seu ‘lado aberto na Cruz’, ela é capacitada para continuar na história humana a obra de salvação, por meio da ação do Espírito Santo, até sua consumação escatológica.

Assim, a Igreja – Una, Santa, Católica e Apostólica – é, ao mesmo tempo, sobrenatural (mistério) e visível (instituição). No decorrer da história, muitos teólogos questionaram sobre a relação existente entre as realidades da Igreja sobrenatural, nascida nas relações intratrinitárias e da Igreja enquanto instituição, dotada de hierarquia, tradição e de um estatuto legal.

Para os padres do Concílio Vaticano II, a Igreja institucional ou peregrina é sacramento da Igreja sobrenatural. Não há substituição, tampouco negação de uma pela outra, que, na verdade, são expressões de uma única realidade. Assim, de acordo com a definição eclesiológica clássica : A Igreja é sacramento do Reino de Deus.

Tais conclusões evidenciam a sintonia entre a Igreja, organizada como instituição, e o desígnio salvífico de Deus. A instituição eclesial (Igreja Católica Apostólica Romana), com toda a sua hierarquia, conjunto de normas e estruturas, existe em função da continuidade da missão salvífica de Jesus. Os responsáveis por essa continuidade, capacitados pelo Espírito Santo, são os apóstolos, sucedidos por gerações infindáveis de ‘dispensadores da graça de Deus’ até os nossos dias.

Destarte, a missão da Igreja é evangelizar. A Igreja sempre procurou ser fiel ao anúncio da Boa-Nova, segundo a ordem de Jesus : ‘Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura’ (Mc 16,15), assim como sempre se preocupou em responder a essa nobilíssima vocação de ser portadora da Boa-Nova e sacramento universal de salvação (cf. LG 48).

A Igreja assume o mandato missionário de Jesus – ‘Ide’ – e ela anuncia a Boa-Nova da dignidade humana (cf. DAp 104-105), da vida (cf. DAp 106-113), da família (cf DAp 114-119), da atividade humana : trabalho, ciência, tecnologia (cf DAp 120-124), do destino universal dos bens e da ecologia (cf DAp 125-126), do continente da esperança e do amor (cf DAp 127-128), nas cidades.

No entanto, a Igreja é convidada a anunciar o Evangelho, com discernimento e ousadia, cumprindo sua missão nos ‘areópagos’ do nosso tempo. Uma Igreja em saída será, necessariamente, uma comunidade eclesial missionária que dialoga com as expressões características de nosso tempo.

O Papa Francisco afirma : ‘Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o evangelho’ (EG 69). ‘A pastoral da Igreja não pode prescindir do contexto histórico onde vivem seus membros. Sua vida acontece em contextos socioculturais bem concretos’ (DAp 267).

Nunca será possível haver evangelização sem ação do Espírito Santo. É um fato que o Espírito Santo de Deus tem um lugar eminente em toda a vida da Igreja, mas, é na missão evangelizadora da mesma Igreja que Ele mais age (Cf. EN 75). ‘As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem Ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem Ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E ainda os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem Ele, em breve se demonstram desprovidos de valor’ (EN 75).

‘A crise de paradigmas que caracteriza o tempo presente indica que o momento é novo e intrigante, exigindo o repensar da evangelização. Diante destas mudanças profundas e rápidas que caracterizam a sociedade de hoje, o agente de evangelização deve se esforçar para compreender e enfrentar as grandes questões desencadeadas por esta realidade que naturalmente afeta a sua ação pastoral’ (Di Flora, M.C. O novo tempo, os novos atores sociais e a nova evangelização, p. 44).

A importância da evangelização não se deve levar a descuidar das vias. O problema do ‘como evangelizar’ apresenta-se sempre atual, porque as maneiras de o fazer variam em conformidade com as diversas circunstâncias de tempo, lugar e de cultura e, por isso mesmo, lançam, de certo modo, um desafio a nossa capacidade de descobrir e adaptar’ (cf. EN 40).

O profissional

O profissional é a pessoa dotada de habilidades e experiências que o habilitam para desempenhar determinadas tarefas específicas, recompensadas materialmente ou não. Há habilidades (Estudos teóricos – formação); Treinamentos (Cursos profissionalizantes específicos) e experiência prática (atividade rotineira e continuada). O profissional é aquela pessoa que deve, por oficio, apresentar resultados concretos. O nível de profissionalismo em nosso país é ainda deficiente. Falta combinação entre o profissional e o profissionalismo. Nessas perspectivas, necessitamos pensar metodologias, estratégias e ferramentas para lançar a Boa-Nova, isto é, para que a ação evangelizadora da Igreja seja mais ousada, visionária e proativa.

Dez passos da profissionalização que ajudam a evangelizar

1) Clareza na missão

Em um mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder. Diante de tantas informações irrelevantes que recebemos todos os dias, esclarecer é lucidez para percebermos as questões cruciais que estão por trás das promessas e dos números (de pesquisas e projetos), declarados com tanta eloquência por pessoas absolutamente despreparadas para ocupar cargos relevantes no governo (cf. Yuval Harari – 21 Lições do Século XXI).

Destarte, o evangelizador não será um autêntico profissional em sua missão, se não possuir clareza sobre as esperanças e os limites dela. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, isto é, o mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus, não for anunciado.

2) Estratégia adaptativa (flexibilidade, adaptação e inovação)

A Estratégia Adaptativa é consequência de um sistema que considera dados, agilidade e cultura gerenciados de forma integrada, tendo a pessoa como orientação principal e a geração contínua de inovações como resultado. Todo processo emerge e é orientado à pessoa, que é a causa e consequência de todas as iniciativas geradas pelo sistema. A centralidade está na pessoa. Toda a iniciativa emerge dele, ao mesmo tempo em que é orientada a ele, em um movimento cíclico interminável. Temos que focar o fiel que é a Imago Dei.

A título de exemplo, trago a estratégia adaptativa da Amazon, Uber e 99. A Amazon : O principal objetivo é contribuir para que os clientes tomem a melhor decisão diante de uma compra para suas vidas. Entregar os produtos adquiridos com mais agilidade e menor custo mostra a organização da empresa e a centralidade do cliente no início do projeto. A Uber e a 99 tentam evoluir de acordo com as atividades que o cliente deseja realizar, alinhadas com as competências e vocação da empresa (Cf. Magaldi Sandro e Neto Salibi José, Estratégia Adaptativa, p. 170-177).

Portanto, o evangelizador deve ter ciência da realidade e dos anseios daqueles que vão receber as ‘sementes do verbo’. ‘A realidade é mais importante do que a Ideia’ (EG 231-233). 

3) Liderança Shakti 

Shakti é uma palavra originada da cultura Hindu (sânscrito) e significa, em resumo, uma força criativa, feminina, que envolve a todos e tudo o que existe. Essa força, presente em todos nós, precisa ser revelada e restaurada. É uma força generosa que, em contato com o masculino, tudo cria e transforma. Estamos falando de um feminino e de um masculino adultos, conscientes e orientados pelo propósito (Cf. Bhat Nilima e Sisodia Ray, Liderança Shakti, p. 17-33).

A liderança Shakti valoriza tanto os traços femininos quanto os masculinos. Ambos têm um papel importante na liderança eficaz. Necessitamos de qualidades femininas e masculinas para restaurar, equilibrar, valorizar e revigorar todas as ações que afetarão o outro nas metodologias da evangelização.

Esse conceito se baseia na energia e no poder feminino para influenciar e liderar. Valoriza características como intuição, empatia, colaboração, resiliência e sensibilidade. Como unir as forças feminina e masculina para uma tomada de decisão mais assertiva?

O processo de evangelização necessita do toque feminino. O Papa Francisco enfatiza a urgência de oferecer espaço às mulheres na vida da Igreja e superar a manipulação biológica e psíquica da diferença sexual. Na homilia de 9 de fevereiro de 2015, na Casa Santa Marta, disse ‘que a mulher, traz essa harmonia que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bonita’. Uma ternura, que o pequeno Jorge recebeu de sua mãe e da sua avó e que agora Francisco doa ao mundo. 

4) Time competente

Necessitamos de um time que construa um futuro. Temos que formar um time certo! Escolher um time parte das seguintes premissas : a) saber escolher a equipe certa, isto é, pessoas que possam gerar confiança para os dois lados envolvidos; b) enxergar pessoas que nos ajudam – um verdadeiro amor pela camisa. Nem sempre as pessoas que têm amor à camisa e vontade são, necessariamente, as que têm mais competência, energia e, acima de tudo, conexão com o nosso propósito; c) pessoas certas nas posições certas; d) equipe de alta performance; e) membros que se identifiquem com os propósitos e objetivos da instituição.

O time, ou melhor, a comunidade dos que ‘vejam como eles se amam’ (Tertuliano, Apolog 39) devem formar um corpo missionário. Devem pensar a comunidade eclesial. A comunidade prevalece sobre o individuo, isto é, sobre a individualidade. Conectividade, multidimensionalidade, abertura, dinamismo e descentralização são características para evangelizar

5) Planejamento – Plano – Cronograma

Planejamento : É o processo de refletir, decidir, montar o plano, acompanhar a ação e avaliar. Acompanha todo o trabalho e vai indicando o caminho o tempo inteiro.

Plano : É o registro por escrito das decisões tomadas. Ajuda a organizar o pensamento, a não esquecer dados e a confrontar resultados.

Cronograma : Listagem de ações, com prazos, locais, agentes.

O evangelizador deve redesenhar, repensar, descobrir, reestruturar sua ação evangelizadora na perspectiva de planejamentos, plano e cronograma, à luz do Evangelho. Em Lucas 10, 1-12 percebemos a necessidade da evangelização, metodologia da ação, dinâmica metodológica (Cf. Oriolo, dom Edson. Gestão Paroquial para uma Igreja em Saída, p. 79). 

6) Multidisciplinariedade

A multidisciplinariedade é um conjunto das qualidades pessoais de quem evangeliza. É o que leva cada evangelizador a relativizar suas potencialidades. São habilidades individuais se complementando e todos colaborando a fim de alcançar os resultados positivos. Profissionais de diferentes competências para proporcionar trocas de experiências e conhecimentos.

7) Gestão de processos

Nos processos, podemos perceber alinhamento de objetivos, entrosamento da equipe e o desempenho de todos bem focados. Nada acontece de forma isolada, tudo tem um motivo. Nossa atenção é limitada, mas temos que olhar o todo. Tudo o que devemos fazer deve ser executado com uma ordenação lógica. Nada podemos fazer de maneira aleatória. Os processos devem ter padrões e regras a serem seguidos. O processo é um conjunto de atividades realizadas pelas pessoas e gerarão resultados.

Atuar na compreensão do todo permite o surgimento de articulações, conexões, vínculos, ações complementares, parcerias, participação, espaços para análises e posicionamentos a respeito dos serviços já prestados (Cf. Oriolo, dom Edson. Cúria Diocesana, gestão organizacional, p. 98).

O Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium, vem nos ensinar como evangelizar de forma diferente, em uma dimensão de caráter programático. Ele diz ser importante propor ‘diferentes ações que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo’ (EG 17). 

8) Design thinking

Design thinking é uma maneira de resolver problemas e de desenvolver projetos baseada no processo cognitivo utilizado pelos designers. A ideia é pensar diferentes maneiras a fim de modificar processos de forma criativa. Olhar para os desafios como oportunidades para encontrar soluções.  Trata-se de uma metodologia, um processo de inovação, que ajuda a satisfazer a pessoa, conhecendo suas reais necessidades, desejos e percepções. É um processo centrado no ser humano, que o ajuda a mergulhar no mais profundo de suas carências (Cf. Oriolo, dom Edson. Pastoral do dízimo : da comunicação ao comprometimento, p. 111-115).

Assim, a pessoa é capaz de pensar novos caminhos, transformar ideias em algo mais atrativo para os clientes, além de pensar em produtos atraentes, assumindo, assim, a parte estratégica do processo. Por meio de métodos, procedimentos e passos são criadas soluções que se elevam ao patamar de inovações.

O evangelizador, na ação pastoral, tem que ser diferente. Embora devemos ter horizontes e metas, faz-se necessário pensar em estruturas pastorais que favoreçam a realização atual da consciência missionária de todo e de cada membro da comunidade eclesial. 

9) Pensamento flexível elástico

Esse tipo de pensamento não é linear e se processa em múltiplas linhas ao mesmo tempo. Ele é desenhado para integrar diversas informações, resolver enigmas e encontrar novas abordagens para problemas. Está fora da zona de conforto – é algo diferente, aceita visões diferentes. Leva as ideias acima do senso comum e reformula questões. Propõe que se lute contra o medo do fracasso, de falar, elimina distrações e interrupções ruins, aceita a incerteza, expõe coisas diferentes, que ampliam a capacidade de tornar mais imaginativos.

Ter pensamento elástico na evangelização é ‘recuperar o frescor original do Evangelho, despontar novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual’ (EG 11). 

10)  Servir a Deus na pessoa de Jesus Cristo

Não existe missão mais grandiosa que servir a Deus na pessoa de Jesus Cristo, por meio do serviço aos outros. O sucesso não está em fazer algo, mas ir além desses alvos. O mais importante é que as pessoas comprometidas com a missão de evangelizar sejam altruístas com relação a Deus e aos seus semelhantes.

Quanto mais comprometidas essas pessoas estiverem, mais produtivas elas serão e toda a organização será beneficiada. Esta realidade é um componente crucial para o sucesso da missionariedade.

 Considerações finais 

A evangelização, isto é, o avançar para águas mais profundas (Cf. Lc 5,4), carece de técnicas e metodologias que contemplem o horizonte humano sob a perspectiva de Jesus de Nazaré (Cf. EG 24). É salutar, com efeito, pensar de forma sistêmica e sistemática todo o caminhar da Igreja, no intuito de aprimorar os meios necessários para que a Palavra seja melhor anunciada, os sacramentos sejam mais satisfatoriamente administrados e a Eucaristia seja mais perfeitamente celebrada, haja vista que o Mistério do Criador se revela pelo mistério das criaturas.

As perspectivas apresentadas nesta reflexão não pretenderam abarcar a totalidade de possibilidades de trabalho, mas antes contribuir para a questão estrutural, oferecendo passos e reflexões para o modo atual de evangelizar. É preciso dialogar com as estruturas oferecidas hoje, discernir suas inclinações. Nesse ínterim, propor parcerias cuja finalidade é o melhor conhecimento das propostas de Jesus de Nazaré e, dessa forma, recordar que a Igreja existe para evangelizar e faz dessa missão o horizonte de sua vida.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2023-08/profissionalizar-para-avancar-evangelizacao.html