Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Sede bem
humildes; é nosso Senhor quem faz tudo; nós somos seus simples instrumentos.
Confiai sempre e muito na divina providência; nunca, jamais, desanimeis, embora
venham ventos contrários. Novamente vos digo : confiai em Deus e em Maria
Imaculada; permanecei firmes e adiante! Recomendo-vos muito e muito a santa
caridade entre vós e especialmente para com os doentes das santas casas, dos
asilos etc. Tende grande amor à prática da santa caridade. Está terminada minha
missão; morro contente e dou, de todo coração, a vós toda a minha bênção.’ (Testamento
espiritual de Santa Paulina)
Amabile Lucia
Visintainer, em religião Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus,
fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, nasceu em
Vigolo Vattaro, Diocese de Trento (Itália), filha de Antonio Napoleone e Anna
Pianezzer, a 16 de dezembro de 1865, segunda de catorze filhos, nove homens e
cinco mulheres.
Foi batizada
no dia seguinte ao nascimento e, segundo o uso do tempo, foi crismada a 27 de
abril de 1874, durante a visita pastoral do bispo de Trento.
Pela pobreza
dos familiares, como as outras meninas da localidade já aos 8 anos ajudou os
pais no trabalho da filanda (fábrica de tecidos), atividade
comum naquela região do Trento.
Durante a
emigração sul-tirolesa de 1875 para o Brasil, a família de Napoleone
Visintainer e Anna Pianezzer emigrou juntamente com cinco filhos, entre os
quais Amabile, que contava com 10 anos.
Vida nova em
Vigolo, Santa Catarina
Para o grupo
trentino foram assinaladas terras para colonizar na província, hoje Estado, de
Santa Catarina, ao sul do Brasil, onde logo nasceram vilas que, tendo no centro
Nova Trento, tomaram os nomes das terras deixadas : Vígolo, Bezenello,
Valsugana etc.
Religiosamente,
a região era confiada ao pároco de Brusque, região alemã, mas, em 1879, por
causa da presença de imigrantes italianos, foi confiada aos padres jesuítas da
Província Romana.
Amabile,
tendo mais ou menos 12 anos, fez a Primeira Comunhão e começou a ler.
Logo depois
de sua chegada, o Padre Augusto Servanzi, superior da Residência de Nova
Trento, confiou a Amabile, de 15 anos, e a uma sua amiga a limpeza da Capela de
São Jorge, a leitura do Catecismo da Igreja Católica às crianças
e a visita aos doentes.
Durante dez
anos, dos 15 aos 25, ela foi fiel ao mandato recebido do Padre Servanzi, embora
em 1887, ano da morte da mãe, devesse acudir à família : pai e sete irmãos, dos
quais três em tenra idade, porque nasceram no Brasil.
O
hospitalzinho, o inicio de tudo
Em 1890, o
Padre Marcello Rocchi, missionário da Residência de Nova Trento, transformou a
assistência aos doentes em domicílio naquele tipo hospitalar, naturalmente nos
limites do possível, confiando, a pedido do povo, o serviço a Amabile e à sua
amiga.
Com a
transferência de Amabile e da companheira da casa paterna à limitadíssima
habitação (de quatro por seis metros), já batizada pelo povo ‘hospitalzinho’, e
onde foi recolhida a primeira cancerosa, a 12 de julho de 1890, nasceu aquela
que, nos planos da providência, devia se tornar a Congregação das Irmãzinhas da
Imaculada Conceição.
O instituto
começou na extrema pobreza, pelo que as primeiras irmãs, além do cuidado dos
doentes e das órfãs e dos trabalhos na paróquia, para viver deviam trabalhar na
roça, à meia, e na pequena indústria da seda, muito conhecida, segundo a
tradição e a capacidade trentinas.
O instituto
nasceu e permaneceu sob a direção dos padres da Companhia de Jesus : de 1890 a
1895, Padre Marcello Rocchi; de 1895 a 1921, Padre Luigi Maria Rossi; de 1921
em diante, Padre Giuseppe Gianella etc.
A primeira aprovação
O primeiro
ato do Padre Rossi foi obter do bispo de Curitiba (PR) a aprovação do nascente
instituto, em 25 de agosto de 1895, e regularizar a profissão dos votos a 7 de
dezembro de 1895, quando Amabile tomou o nome religioso de Irmã Paulina do
Coração Agonizante de Jesus.
Quando, em
1903, Padre Rossi foi transferido de Nova Trento para a cidade de São Paulo
(SP), quis constituir Madre Paulina superiora-geral das duas comunidades,
Vígolo e Nova Trento, já com cerca de trinta religiosas.
No mesmo ano,
Padre Rossi chamou Madre Paulina para São Paulo e lhe confiou a direção de um
orfanato na colina do Ipiranga.
A dura prova
de Madre Paulina em São Paulo
De 1903 a
1909, o instituto passou para São Paulo com novas fundações, quatro sob o
governo de Madre Paulina.
Em 1909,
Madre Paulina precisou afrontar uma prova que duraria até sua morte. Por
artimanhas de uma irmã, secretária e assistente, e pela ingerência de uma
benfeitora, a autoridade da fundadora foi, dia por dia, diminuída.
Em agosto de
1909, por ordem do arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, e com a
aprovação do Padre Rossi, Madre Paulina não foi reeleita pelas irmãs,
artificiosamente preparadas e convocadas para o capítulo-geral, que foi chamado
o primeiro do Instituto.
De 1909 a
1918, Madre Paulina foi designada para Bragança Paulista (SP), como súdita, mas
sempre tratada como ‘Veneranda Madre Fundadora’.
A nova
superiora-geral, Madre Vicência Teodora da Imaculada Conceição, serviu-se dela
não somente no governo mas também nas novas fundações e nas visitas canônicas,
especialmente quando, depois de 1918, Madre Paulina foi chamada pela superiora-geral,
com a permissão do Padre Rossi, para a casa-mãe em São Paulo.
Um exemplo de
vida religiosa
Seja na vida
de família, seja na vida religiosa, como fundadora, superiora-geral e súdita,
Madre Paulina deu provas de intenso espírito religioso e de heroicas virtudes,
sendo exemplo às religiosas no serviço aos doentes, às órfãs, aos idosos, na
aceitação dos sofrimentos físicos causados pelo diabetes, em razão do qual
precisou sofrer a amputação do braço direito. Morreu piamente no dia 9 de julho
de 1942.
Em 31 de maio
de 1967, seus restos mortais foram transladados do Cemitério Santíssimo
Sacramento, em São Paulo, onde fora enterrada, para a casa-geral no Ipiranga,
na mesma cidade.
Foi
beatificada pelo Papa João Paulo II, em Florianópolis (SC), aos 18 de outubro
de 1991. Pelo mesmo Sumo Pontífice, foi canonizada, em Roma, Itália, aos 19 de
maio de 2002.
Sua festa
litúrgica é no dia 9 de julho.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/santa-paulina-do-coracao-agonizante-de-jesus-2.html
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