Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo de Jackson Erpen
A reflexão sobre a comunicação social e a missão evangelizadora da Igreja
ganha especial atualidade diante das profundas transformações tecnológicas que
marcam o nosso tempo. Muito antes da revolução das redes sociais, da
comunicação digital e da inteligência artificial, São João Paulo II já percebia
que os meios de comunicação não eram apenas instrumentos para transmitir uma
mensagem, mas espaços capazes de moldar a cultura, as relações humanas, a
formação da consciência e os próprios comportamentos. Na Carta
apostólica O rápido desenvolvimento, publicada em 2005, o Pontífice
polonês retomou o caminho aberto pelo Concílio Vaticano II e insistiu que a
Igreja não poderia permanecer à margem dessa nova realidade : era preciso
entrar no ‘areópago da comunicação’, compreender suas linguagens e integrar o
Evangelho na nova cultura criada e amplificada pelas tecnologias.
Ainda no âmbito das comunicações, Pe. Gerson Schmidt nos propõe
hoje a reflexão ‘O complexo mundo novo da tecnologia’ :
‘A Carta apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, ‘o rápido
desenvolvimento’, dirigida aos responsáveis pelas comunicações sociais, premia
a introdução desse nosso aprofundamento de hoje. Diz assim, no número 01, a
introdução desse documento pontifício : ‘O rápido desenvolvimento das tecnologias
no campo da mídia é certamente um dos sinais do progresso da sociedade de hoje.
Olhando para estas novidades em constante evolução, torna-se ainda mais atual o
que se lê no Decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II Inter Mirifica,
promulgado pelo meu venerado predecessor, o servo de Deus Paulo VI, a 4 de
Dezembro de 1963 : ‘Entre os maravilhosos inventos da técnica que,
principalmente nos nossos dias, o engenho humano extraiu, com a ajuda de Deus,
das coisas criadas, a Santa Igreja acolhe e fomenta aqueles que dizem respeito,
principalmente, ao espírito humano e abriram novos caminhos para comunicar
facilmente notícias, ideias e ordens’(Inter Mirifica, n.1).
Segue, Papa João Paulo II, no número 2, dizendo assim : ‘A mais de
quarenta anos após a publicação daquele documento – Inter Mirifica - é muito
oportuno voltar a refletir sobre os ‘desafios’ que as comunicações sociais
constituem para a Igreja, a qual, como realçou o Papa Paulo VI, ‘se sentiria
culpável diante do seu Senhor se não usasse estes poderosos meios’(Exortação
Apostólica Evangelii Nunciandi, número 35). Ou seja, Se a Igreja não utilizar
os Modernos Meios de Comunicação – o rádio, a TV, o telefone, a internet, hoje
a Inteligência Artificial, etc. será culpada diante de Deus no seu trabalho de
levar o Evangelho a todos os povos. Continua essa Carta Apostólica do Santo
Polonês : ‘Com efeito, a Igreja não está chamada unicamente a usar os mass
media para difundir o Evangelho mas, hoje como nunca, está chamada também a
integrar a mensagem salvífica na ‘nova cultura’ que os poderosos instrumentos
da comunicação criam e amplificam. Ela sente que o uso das técnicas e das
tecnologias da comunicação contemporânea é parte integrante da sua missão no
Terceiro Milênio. Movida por esta consciência, a comunidade cristã deu passos
significativos no uso dos instrumentos da comunicação na informação religiosa,
na evangelização e na catequese, na formação dos operadores pastorais do setor
e na educação para uma responsabilidade madura dos usufruidores e destinatários
dos vários instrumentos da comunicação’.
João Paulo II recorda essa mudança de época, de um mundo conectado numa
grande aldeia global. Lembramos que a ‘aldeia global’ é o conceito cunhado pelo
sociólogo canadense Herbert Marshall McLuhan para explicar a ideia de que o
avanço tecnológico tende a encurtar distâncias, recriando no planeta a situação
social que ocorre em uma aldeia. Pelos meios eletrônicos, as pessoas estariam
se reconectando em um mundo globalizado. Segundo McLuhan, as mídias de massa,
fruto da evolução das Tecnologias da Informação e da Comunicação, interligaram
o mundo, estreitando suas relações econômicas, políticas e sociais. Diante
desse fato e realidade moderna ou pós-moderna, essa Carta Apostólica do Sumo
Pontífice São João Paulo II, ‘O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO’, diz assim no número 03
: ‘São numerosos os desafios para a nova evangelização num mundo rico de
potencialidades comunicativas como o nosso. Tendo isto em consideração, na
Carta encíclica Redemptoris missio quis realçar que o primeiro areópago
do tempo moderno é o mundo da comunicação, capaz de unificar a humanidade
tornando-a como se costuma dizer ‘uma aldeia global’. Os meios de comunicação
social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal
instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais,
familiares e sociais. Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura
nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos
modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas. A nossa época é uma
época de comunicação global, onde muitos momentos da existência humana se
desenrolam através de processos mediáticos, ou pelo menos, se devem confrontar
com eles. Limito-me a recordar a formação da personalidade e da consciência, a
interpretação e a estruturação dos vínculos afetivos, o desenvolvimento das
fases educativas e formativas, a elaboração e a difusão de fenômenos culturais,
o desenvolvimento da vida social, política e econômica’. O documento
referendado é assinado e publicado por Joannes Paulus II, em 24 de
janeiro de 20205, memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas. É
o dia também que todos os anos os Papas divulgam a Mensagem para o dia Mundial
da Comunicações Sociais. Atento aqui que há mais de 20 anos, o santo de nosso
tempo, alertava para visão nova da realidade onde o indivíduo nasce já
mergulhado na tecnologia. Repetimos o que já apontamos. Atentos ao que o Papa
falava já em 2005, 39 dias antes de sua morte, em 02 de abril daquele ano, na
festa do Domingo da Misericórdia por ele instituído : Os meios de
comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o
principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos
individuais, familiares e sociais. Trata-se de um problema complexo, visto que
esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que
existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas’.
Fonte : *Artigo na íntegra
