Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A vida é
soberana. As teorias e ideias estão sob a força que a vida exerce sobre tudo e,
muitas vezes, são quebradas, arrebentadas quando não são revisadas e
ressignificadas. Assim também ocorre com a musicalidade: está imersa nas leis
da vida e do universo.
O corpo
humano é palco onde todas as questões psíquicas são encenadas, dramatizadas e
expressas. A musicalidade não existe sem o corpo, por isso, a música sempre
teve como base a corporeidade que o humano comporta. Pode-se até mesmo dizer
que música é corporeidade.
O próprio
Evangelho apresenta um sentido de corporeidade ao afirmar que ‘a fé sem obras é
morta’ (Tg 2,17) e que ‘conhece-se uma árvore pelos frutos que ela dá’ (Mt
7,20). A mensagem é clara : não se pode permanecer no mundo das ideias sem
alcançar o mundo das atitudes.
O canto
gregoriano é uma imensa expressão da corporeidade católica e base das mais múltiplas
formas musicais. A herança dele está incorporada nos instintos musicais por
conta de sua estrutura tão refinada entre palavra e melodia, o que traz uma
constância entre ideia e ação. Não há canto sem o corpo e, assim, a oração se
torna instinto de vida no corpo e na alma. Infelizmente, o canto gregoriano tem
sofrido muitas deformações devido a um modismo que, como outros, logo passa
porque a verdade das estruturas é permanente.
O canto
gregoriano soube conduzir os mais nobres sentimentos entre o humano e o divino
e sempre faz o coração humano retornar aos seus instintos de harmonia, paz e
concórdia. É um canto que precisa do corpo em sua totalidade e do pleno
desenvolvimento dos instintos musicais.
São Gregório
Magno soube fazer do canto a maior arte e ciência na escola da oração.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/instintos-sonoros.html