Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A partir do
século IX, na região da atual Nigéria foram formadas várias cidades da
civilização iorubá. Essa região já era habitada por esse povo desde o século
IV.
Os iorubás
nunca unificaram suas cidades, porém, mantiveram a mesma cultura como língua,
religião e costumes. Era uma espécie de cidades-estado que existiram em outras
regiões, sendo cada uma delas relativamente autônoma em relação às demais.
A cidade
iorubá mais importante foi Ifé, sendo considerada sagrada, por ser o berço dos
iorubás, segundo a crença local. Outra cidade importante era Oyo, um centro
militar que no final do século XVII, já tinha se expandido até Daomé, no atual
Benin.
Ifé foi um
grande centro artesanal e artístico, sendo governada por um rei-sacerdote que
tinha o título de Oni, enquanto nas outras cidades os governantes recebiam o
título de Oba.
Outros
grandes centros históricos eram Ibadan,
Abeokuta), Ilorin, Ondo, Oxobô (Oshogbo), Ilesha e a cidade
existente onde hoje temos moderna metrópole de Lagos, capital da Nigéria.
Essas
cidades-estado formaram uma rica civilização que se organizava em torno de
centros como Ifé e Oió, com forte tradição política e religiosa
Apesar do
cristianismo e do islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo
sempre se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás
os seus deuses. Daí provém uma influência muito grande nas religiões de matriz
africanas existentes, por exemplo, no Brasil.
Ao contrário
do que se acredita, a crença nos orixás não se expandiu pela África,
mantendo-se exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás também chamados de
nagôs ou anagôs pelos portugueses foram transformados em escravos e levados à
força para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto
por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem
parte da cultura americana como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no
Brasil e o Vodu no Haiti, apesar de o Vodu também receber influências de outras
culturas africanas.
A partir do
século XV, as cidades iorubás também entraram num processo de declínio, apesar
da cidade de Oyo ter se mantido até o século XIX. Muitos pesquisadores
acreditam que a falta de unidade política foi uma das causas desse declínio, já
que os iorubás não tiveram condições de se fortalecer para enfrentar o processo
de escravização que lhes foi imposto.
Onde
floresceram essas cidades estão hoje alguns países independentes como Nigéria,
Benim e Togo. O iorubá é um dos mais de 250 idiomas falados
na Nigéria e em alguns outros países da África Ocidental.’
Fonte : *Artigo na íntegra