Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Os versículos acima, que inspiram esta página,
fazem parte do texto bíblico de Lucas, referente à visita de Maria a Isabel e o
início do cântico do Magnificat. Com razão diz o comentário
da Bíblia Ave-Maria que dificilmente se vê uma atenção tão
grande e detalhada do que acontece com os pobres. Nesse ponto, mais que um
acontecimento, o texto fala de uma experiência de vida que vai ter
consequências não só para si e suas famílias, mas para a história da salvação e
para a humanidade inteira. O texto mostra a ação de Deus na história por meio
dos pobres.
O Magnificat mostra que enquanto
os grandes e poderosos dominam o mundo, eles o fazem pelo poder, e nessa ação
fica à margem uma imensidão de excluídos e marginalizados. A ação e a obra de
Deus, porém, são realizadas por meio de pessoas insignificantes a essa
sociedade do poder. O que se percebe é que, em nossos dias, os grandes do mundo
não agem de forma diferente : o exercício do poder ainda acontece pela
violência e pela guerra que destroem vidas.
Justamente por isso, o Magnificat se
transforma em um hino revolucionário, pois reflete a liberdade de uma alma
autenticamente livre e mais, um verdadeiro convite à libertação. O que Maria
proclama equivale a ver e sentir a ação de Deus no coração, na vida do crente,
que não só deve proclamar a ação de Deus que liberta, mas também ser um convite
a alcançar a libertação pela força do seu Espírito. Por outro lado, se a
sociedade é injusta e opressora, significa que ela não é obra de Deus.
Assim, mais do que um cântico de resignação,
o Magnificat é uma verdadeira força libertadora e, como tal,
fruto do encontro com o Deus da vida, gerador de uma alegria profunda, própria
daqueles que se colocam a serviço do Reino e não visam primeiramente à sua
pessoa, mas à obra que gera vida em nome do próprio Deus.
O Magnificat proclama a alegria do
autêntico encontro com Deus, alegria que se baseia não na derrota dos
opositores ou no acúmulo de bens, mas na ação e na presença do próprio Deus,
dando força a pessoas consideradas desqualificadas da sociedade. Deus age em
favor dos pobres e humildes, mas é preciso que da parte desses humilhados haja
também uma disposição em dar início à ação de Deus.
De onde vem a nossa alegria e qual a sua fonte?
Olhando para Maria, do seu coração imaculado sentimos essa força e essa graça,
que são as verdadeiras e autênticas alegrias de nossas vidas. No encontro com
Deus buscamos a verdadeira alegria da vida!’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/maria-alegria-no-encontro-com-deus.html