Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Nasceu a 2 de março de 1876, há cento e cinquenta
anos. Foi eleito a 2 de março de 1939, dia do seu aniversário. Eugenio Pacelli,
Papa Pio XII, escolheu para o seu brasão episcopal a imagem de uma pomba com um
ramo de oliveira e o lema Opus iustitiae pax («A paz é fruto
da justiça»). Assumiu o pontificado nas vésperas da Segunda Guerra mundial.
Assim que tomou posse, tudo fez para evitar o início do conflito. As suas
palavras são atuais como nunca.
Na sua mensagem radiofônica de 24 de agosto de
1939, imediatamente após o Pacto Molotov-Ribbentrop e uma semana após a invasão
da Polónia pelo exército alemão, Pio XII disse : «Hoje, quando, apesar das
Nossas repetidas exortações e do Nosso particular interesse, os receios de um
sangrento conflito internacional se tornam cada vez mais persistentes; hoje,
quando a tensão dos ânimos parece ter atingido um ponto em que o desencadear do
terrível turbilhão da guerra parece iminente, dirigimos com espírito paternal
um novo e mais fervoroso apelo aos Governantes e aos povos : aos primeiros,
para que, deixando de lado as acusações, as ameaças e as causas de desconfiança
mútua, procurem resolver as diferenças atuais pelo único meio adequado para
tal, ou seja, através de acordos comuns e leais aos últimos, para que, com
calma e serenidade, sem agitação indevida, incentivem as tentativas pacíficas
daqueles que os governam».
«É com a força da razão — acrescentou o Papa
Pacelli — e não com a das armas, que a Justiça avança. E os impérios não
fundados na Justiça não são abençoados por Deus. A política emancipada da moral
trai aqueles que a desejam assim». Estas palavras da mensagem radiofônica
permanecem célebres : «O perigo é iminente, mas ainda há tempo. Nada se perde
com a paz. Tudo se pode perder com a guerra».
O Pontífice apelou à negociação e à diplomacia :
«Que os homens voltem a compreender-se uns aos outros. Que retomem as
negociações. Negociando com boa vontade e com respeito pelos direitos mútuos,
perceberão que negociações sinceras e eficazes nunca estão impedidas de alcançar
um sucesso honroso. E que se sintam grandes — verdadeiramente grandes — se,
silenciando as vozes da paixão, tanto coletiva como individual, e permitindo
que a razão reine suprema, tiverem poupado o sangue dos irmãos e a ruína da
pátria».
Esta mensagem incluía ainda um apelo direto aos ‘fortes’
: «Que os fortes nos ouçam, para que não se tornem fracos na injustiça. Que os
poderosos nos ouçam, se desejam que o seu poder não seja de destruição, mas sim
para apoiar o povo e salvaguardar a tranquilidade, a ordem e o trabalho».
Este apelo, como se sabe, foi ignorado. Durante os
anos da guerra, Pio XII, através das suas mensagens radiofônicas, lançou as
bases para um novo equilíbrio global, saudando a instituição das Nações Unidas.
Poucos meses após o fim do sangrento conflito que custou a vida a mais de 60
milhões de pessoas, na sua mensagem radiofônica de Natal de 1945, afirmou :
«Quem procura segurança para o futuro não deve esquecer que a única verdadeira
garantia reside na própria força interior, isto é, na proteção da família, dos
filhos, do trabalho, no amor fraterno, no abandono de todo o ódio, de toda a
perseguição ou opressão injusta contra cidadãos honestos, na leal concórdia
entre os Estados, entre os povos».
Na passagem seguinte, o Papa falou sobre aquilo a
que hoje chamamos fake news, a manipulação da opinião pública,
crucial na promoção de guerras : «Para isso, é necessário que renunciemos em
todos os lugares à criação artificial, pelo poder do dinheiro, pela censura
arbitrária, pelos julgamentos unilaterais e pelas declarações falsas, de uma
suposta opinião pública que move o pensamento e a vontade dos eleitores como
caniços agitados pelo vento. Deve-se dar o devido valor à verdadeira e grande
maioria, composta por todos aqueles que vivem honesta e pacificamente do seu
trabalho, no seio das suas famílias, e que desejam fazer a vontade de Deus».
Pio XII concluiu : «A futura obra da paz visa banir
do mundo qualquer uso agressivo da força, qualquer guerra ofensiva. Quem não
acolheria de bom grado tal propósito, e especialmente a sua efetiva
implementação? Se isto não for apenas um gesto de boa vontade, porém, é
necessário excluir toda a opressão e toda a ação arbitrária, tanto interna como
externa».’
Fonte : *Artigo na íntegra