Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Em nossas
últimas publicações ou gravações temos revisto algumas das páginas mais tristes
da história do Continente Africano como ditaduras que se estabeleceram em
diversões países, massacres, regimes brutais que se instalaram e guerras em
diversas partes do continente.
Uma página
que não pode ser esquecida e que precisa ensinar às gerações de hoje e de
amanhã foi o triste genocídio que aconteceu em Ruanda.
Razões de uma
guerra
Há muito
tempo Ruanda vinha vivendo uma guerra civil que já durava cerca de 4 anos. O
sangrento conflito tinha de um lado a etnia hutu, que dirigia o governo do país
e do outro lado a etnia tutsi, da Frente Patriótica da Ruanda (RPF). Naquele
ano, os hutus deram início a um movimento de extermínio dos rivais, numa das
maiores atrocidades já acontecidas na era contemporânea. Durante o conflito, as
Forças Armadas de Ruanda (FAR) deram aos civis da etnia hutu armas brancas para
que pudessem se defender, mas elas acabaram sendo usadas no genocídio.
O estopim do
conflito aconteceu no dia 6 de abril de 1994. O avião que levava o presidente
de Ruanda Juvenal Habyarimana e o presidente do Burundi Cyprien Ntaryamira,
ambos da etnia hutu foi derrubado enquanto se preparava para pousar no
aeroporto de Kigali, capital de Ruanda, provocando a morte de todos os seus
ocupantes. Mesmo sendo posteriormente descoberto que o míssil que provocou a
queda foi lançado por extremistas hutus, forças tutsis foram culpadas pelo atentado.
A morte dos dois líderes hutus é vista como o fato catalisador do massacre.
A etnia hutu
deu início ao assassinato em massa dos tutsis e de hutus moderados logo nas
primeiras horas depois que o avião foi derrubado. Líderes militares que deviam
ser apaziguadores insuflaram a multidão que foi aconselhada a ‘dar início ao
trabalho e não poupar ninguém. Já no dia seguinte a matança se espalhou por
várias províncias do país.
Nos meses
seguintes, a matança da população tutsi alcançou índices alarmantes. Algumas
contagens indicaram depois que cerca de 800 mil ruandeses foram mortos nos
primeiros seis meses de genocídio num trabalho sistemático orientado pelos
líderes do movimento.
O massacre
foi maior, sobretudo, nas áreas urbanas do país e durante o genocídio até mesmo
hutus acusados de serem simpatizantes ou simplesmente por parecerem tutsis
foram também mortos.
Rádios e
jornais locais foram usados para espalhar propaganda, incitar a violência e
orientar os assassinos.
A tensão
entre as duas etnias que já existia no passado foi intensificada no período de
colonização, primeiro pela Alemanha e depois pela Bélgica, que favorecia a
minoria tutsi para exercer cargos de poder. Quando o país se tornou
independente, a maioria hutu assumiu o controle, gerando perseguições e fugas
de tutsis para países vizinhos.
Desdobramentos
do conflito
Em resposta
ao genocídio, a RPF ligada aos tutsis começou também a planejar seus ataques e,
começando pelo norte, avançou até a capital Kigali, cercando a cidade e
cortando a linha dos suprimentos que a abasteciam. Desta forma conseguiu o
controle de grandes áreas do interior e também os arredores da capital.
No dia 4 de
julho, a RPF finalmente retomou a capital Kigali, derrotou as forças
governistas ruandesas e encerrou os mais de 100 dias de massacre enquanto o
governo hutu fugiu para o vizinho Zaire, atual Congo.
Em Ruanda
hoje existem dois feriados públicos para lembrar o genocídio. O ‘Genocide
Memorial Day’ celebrado no dia 7 de abril e o ‘Liberation Day’ que acontece no
dia 4 de julho e a semana posterior ao dia 7 de abril é considerada luto
oficial.
O governo de
Ruanda contabiliza o número de 1.174.000 pessoas mortas no genocídio, numa
média de 10 mil por dia e apenas cerca de 300 mil tutsis conseguiram
sobreviver, mas muitas mulheres são portadoras de HIV, por terem sido
violentadas durante o conflito
Hoje o país
continua sofrendo as consequências do genocídio. Milhões de pessoas da etnia
hutu se refugiaram nos países vizinhos temendo a retaliação tutsi. Além dos
enormes campos de refugiados, no período subsequente a situação levou a duas
guerras contra o Congo e a morte de milhões de outras pessoas.
A comunidade
internacional foi muito criticada por não ter feito os esforços suficientes
para evitar o que estava acontecendo em Ruanda.
Em novembro
de 1994, o Conselho de Segurança da ONU instituiu o Tribunal Criminal
Internacional por Ruanda (ICTR, na sigla em inglês) para julgar os líderes do
genocídio, como também houve julgamentos locais no próprio país.’
Fonte : *Artigo na íntegra