Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Uma das principais reclamações que se escuta por
todos os lados é a sensação de estar perdido, sem condução, sem direção. Não se
sabe bem de onde se vem nem para onde se vai. Muitos chegam a dizer que
perderam o sentido da vida.
A busca por sentido, por certa estabilidade
emocional e por um propósito claro faz parte das questões existenciais. Há uma
angústia natural que constitui a existencialidade do sujeito.
Os gregos desenvolveram um sistema sonoro, entre outros
processos artísticos, que ajudava, de forma catártica, no alívio das angústias
humanas e no desenvolvimento do pensamento filosófico. O teatro, por exemplo,
foi uma das mais profundas terapias corporais e mentais entre os gregos. Nossa
escala musical nasce nesse contexto e o cristianismo desenvolveu, de forma
única e esplêndida, a junção da melodia com sua doutrina de vida.
A música cristã tem relação direta com os instintos
vitais em todos os sentidos. Jesus é o pastor, o Pastor Belo. Ele é aquele que
conduz o rebanho e a melodia que direciona o sentido da vida, trazendo àquele
que escuta sua voz a vitória da vida sobre a morte. É uma melodia que
transcende a existência e desenvolve o eu mais profundo que habita cada um: o
eu do ser. ‘Ser’ significa aqui existir plenamente, sentir a vida de dentro
para fora.
A melodia na liturgia é fundamental na condução das
ovelhas sob a voz do pastor, que as chama não mais de servos, mas de irmãos.
Quando a melodia é bem estruturada, composta com a necessária espiritualidade e
bem cantada, conduz o coração ao sentimento de que a vida vale a pena ser
vivida’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/melodia-e-espiritualidade.html