quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Instintos sonoros

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Ricardo Abrahão 


‘A vida é soberana. As teorias e ideias estão sob a força que a vida exerce sobre tudo e, muitas vezes, são quebradas, arrebentadas quando não são revisadas e ressignificadas. Assim também ocorre com a musicalidade: está imersa nas leis da vida e do universo.

O corpo humano é palco onde todas as questões psíquicas são encenadas, dramatizadas e expressas. A musicalidade não existe sem o corpo, por isso, a música sempre teve como base a corporeidade que o humano comporta. Pode-se até mesmo dizer que música é corporeidade.

O próprio Evangelho apresenta um sentido de corporeidade ao afirmar que ‘a fé sem obras é morta’ (Tg 2,17) e que ‘conhece-se uma árvore pelos frutos que ela dá’ (Mt 7,20). A mensagem é clara : não se pode permanecer no mundo das ideias sem alcançar o mundo das atitudes.

O canto gregoriano é uma imensa expressão da corporeidade católica e base das mais múltiplas formas musicais. A herança dele está incorporada nos instintos musicais por conta de sua estrutura tão refinada entre palavra e melodia, o que traz uma constância entre ideia e ação. Não há canto sem o corpo e, assim, a oração se torna instinto de vida no corpo e na alma. Infelizmente, o canto gregoriano tem sofrido muitas deformações devido a um modismo que, como outros, logo passa porque a verdade das estruturas é permanente.

O canto gregoriano soube conduzir os mais nobres sentimentos entre o humano e o divino e sempre faz o coração humano retornar aos seus instintos de harmonia, paz e concórdia. É um canto que precisa do corpo em sua totalidade e do pleno desenvolvimento dos instintos musicais.

São Gregório Magno soube fazer do canto a maior arte e ciência na escola da oração.’

 

Fonte  : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/instintos-sonoros.html