teóloga
‘O tema da
sinodalidade não é um capítulo de um tratado de eclesiologia, menos ainda, uma
moda, um slogan ou um novo termo a utilizar ou a explorar em nossas reuniões.
Não! A sinodalidade expressa a natureza da Igreja, sua forma, seu estilo, sua
missão.’ [2]
‘O Papa
Francisco que se dirigia à sua diocese de Roma, explicava em termos simples,
mas, todavia, incisivos, a tomada de consciência, que ele desejaria suscitar
toda a Igreja. A sinodalidade diz algo sobre nós, sobre nossa identidade, sobre
esse entre nós, que devemos fazer crescer, para expandir em seguida.
Uma Igreja
sinodal é uma Igreja da escuta, com a consciência de que escutar é mais do que
ouvir. É uma escuta recíproca na qual cada um tem algo a aprender [3]. Isto nos
coloca imediatamente na pista do que há para escutar e da maneira que nós
escutamos e comunicamos. São somente palavras que trocamos, palavras que passam
entre nós, ou é mais? Para explicar o modelo de sinodalidade que ele gostaria
de promover na vida da Igreja, o Papa Francisco nos oferece um exemplo na
pessoa do santo que lhe é caro : são Francisco de Assis escutou a voz de Deus,
escutou a voz do pobre, escutou a voz do doente, escutou a voz da natureza e
transformou tudo isso em um modo de vida [4].
A escuta da
Palavra
É aqui que
começamos a entrever um paralelo entre são Francisco e Tibirine. Porque
Tibirine é também um estilo de vida, uma vida de escuta. Quando lemos os
escritos que desvendam essa espiritualidade, percebemos que o que foi primeiro
em sua experiência foi a escuta da Palavra de Deus. Para monges, não há nada de
original... Por tudo isso, os monges são uma lembrança permanente para toda a
Igreja daquilo que é essencial na vida cristã : viver a partir do Outro,
encontrado primeiro, nesta Palavra que chega a nós.
Aqui está um
primeiro texto de Cristiano de Chergé, o prior dessa comunidade, que partilha
conosco um pouco de sua experiência desta Palavra.
A Palavra de
Deus é um poço. Toda Palavra, cada Palavra... No deserto de nossa linguagem há
‘palavras vazias’, e há também ‘poços’ (como a torneira de água morna, a
palavra fria ou calorosa), a palavra da boca para fora e a palavra do coração.
Quem quiser escutar Deus descobrirá esses poços, cada um, o seu. A Palavra que
é entregue, ainda deve ser perfurada, sondada...[5].
A partir do
momento em que nos arriscamos à beira deste poço, entramos no dinamismo da
Palavra que revelará palavras que vivem em nós. Estamos do lado da água morna,
da água fria ou da água quente? De quê nossas palavras são preenchidas? Esta é
uma pergunta diante da qual a Palavra nos colocará constantemente. Somos
efetivamente o lugar da encarnação para a Palavra? Correspondemos ao Amor que
nos chama quando a lemos ou quando a escutamos?
Escutemos
nosso irmão Cristiano aos seus irmãos, num Capítulo :
É Ele [Deus]
que escutamos [Palavra], é Ele que celebramos, é sua obra que queremos fazer.
Isto quer dizer que aprendemos a nos ANULAR : investimos inteiramente sem
ocupar espaço. A Palavra conheceu o risco de se confiar a nós... não é para que
A encerremos em nosso sentido (isto seria contrassenso), nem em nossa maneira
de lê-La, como se fôssemos nós que devíamos torná-La viva. Ela VIVE diferente
de nós. Não temos que dar sopro a Ela... em vez disso, descobrir que Ela é
realmente nosso SOPRO [6].
Quando abrimos
o livro, o que nos acontece é efetivamente o sopro do outro. Como a vela de um
barco que infla, não somos nós que fazemos o barco avançar, é o sopro, o vento.
Cabe a nós expor-nos, aceitar deixar-nos levar por este vento, este sopro que é
o do Espírito. Irmão Cristóvão, o mais jovem da comunidade, avança a mesma
ideia à sua maneira :
Permanecer em
sua palavra : não repeti-la docilmente como uma lição aprendida, mas habitá-la,
enraizar-se nela, viver nela, morrer nela até se conformar a ela, pouco a pouco,
desposar seu movimento, o Sopro [7].
Então, o que
devemos esperar quando abrimos o livro? Devemos esperar uma conversão, um
profundo movimento de conversão ao outro : um êxodo e uma conversão para todos.
Voltemos ao
irmão Cristiano que, em outro Capítulo aos seus irmãos vai nos permitir dar um
passo a mais :
O objeto da lectio
: um meio privilegiado na escola da contemplação e para o despertar ‘da fé
na realidade da presença de Deus em si e ao redor de si’. Ela é ‘fonte de
oração contínua’ que é união do coração a Deus que fala ao coração. ‘Descubra o
Coração de Deus na Palavra de Deus’ (são Gregório). O resultado? Quem ler vai
receber a graça de encarnar esta Palavra em sua vida, que será totalmente
transformada. Cf. a pergunta de Jesus ao escriba : ‘O que você lê na Escritura :
O que está escrito’? A TEB traduz ‘Como você lê’? (Lc 10, 26)... Faça isto e
viverá [...].
‘Conformemo-nos
interiormente à Escritura’, diz são Bernardo. Isaac de l’Étoile : ‘Que Cristo
seja para nós, exterior e interiormente, o Livro escrito. Apresente sua vida
para que os outros leiam’! Uma verdadeira ascese da inteligência e do
comportamento [8].
Um longo
texto muito denso : façamos alguns destaques...
Primeiramente,
quanto mais lemos a Palavra de Deus, mais entramos no mistério de uma Presença :
a realidade da presença de Deus em nós. Pouco a pouco nos tornamos cada vez
mais sensíveis a esta presença de Deus em nós, mas também ao nosso redor. A
sensibilidade do ouvido interior vai aguçar a escuta exterior. Descobrimos que
Deus fala... e que Ele o faz através dos outros e dos acontecimentos...
Segundo
destaque : quanto mais lemos a Palavra de Deus, mais recebemos a graça, de
encarnar o que esta Palavra significa em nossa vida, se acreditamos nela, e de
partilhar o que esta Palavra quer trazer de fruto em nossa vida.
Por fim : Apresente
sua vida para que outros leiam. Parece-me que devemos encontrar ali, a força e
o desejo do testemunho, algo que fale naturalmente, que transpire Deus, e que
leve os outros a se perguntarem sobre a fonte profunda de nossa existência.
Irmão Roger de Taizé tinha esta belíssima recomendação : Fale de Deus somente
se lhe fizerem perguntas, mas viva de maneira que lhas façam.
Todos os dias
somos desafiados a escutar : Você escutará hoje sua Palavra? (Sl 94). Interpele
o salmista, toda manhã, no Ofício de Vigílias... Irmão Cristiano comenta aos
seus irmãos :
É HOJE que a
Palavra será lida no HOJE de Deus, é hoje, também, que devemos acolhê-La,
ESCUTÁ-La. Eternamente, o Pai diz do Verbo : Eu hoje Te gerei! No mistério da
encarnação a geração do verbo se realiza em todos os que nasceram de Deus,
porque O acolheram todos os dias. Este Salmo nos lembra que a eternidade só tem
hoje para se significar, para se encarnar [9].
É hoje que a
Palavra será lida no hoje de Deus. A fórmula é muito elegante... Há como dois
hoje : o nosso, o de Deus, e toda a graça a receber e a viver, é que os dois
hoje se tornem apenas um. E quando os dois hoje coincidem, é isso que cria
eternidade. A eternidade só tem hoje para se significar e se encarnar.
Geralmente o irmão Cristiano se lembra disso em seus escritos. É uma bela
missão, pessoal e comunitária.
Por que irmão
Cristiano insiste neste hoje? Passamos nosso tempo em comunidade, lendo e relendo
a Palavra; a liturgia no-la apresenta ano após ano, e podemos ter a impressão
de conhecer os textos de cor! Por que lê-los e relê-los senão por que devemos
recebê-los hoje? A Palavra não muda, nós é que mudamos... Então, a Palavra que
não muda poderá, portanto, nos dizer algo novo a nós que mudamos... vamos
escutar algo diferente para a nossa vida hoje. A Palavra solicita nosso coração
todos os dias para despertá-lo. Cabe a nós saborear cada vez mais o que há de
único no nosso hoje [10]. Maravilha! Ali sentimos o contemplativo que nos
convida a viver nossa vida como ela é. E sabemos que o hoje em Tibirine não foi
sempre fácil. Foi até mesmo extremamente penoso, trágico, e até ao fim sob
pressão dos acontecimentos. Então, podemos receber essas palavras com sua
história como pano de fundo, que nos atesta que só há poesia e mística em seus
escritos e em sua experiência. Existe um realismo e um segredo espiritual ali,
para nos fazer atravessar toda a nossa existência, com todo o seu peso de
alegrias e sofrimentos. Existe ali uma vitalidade que pode nos atingir a
qualquer momento em nossa leitura da Palavra : é o Espírito Santo. Irmão
Cristiano nos explica...
O Espírito
Santo é a vida de Deus. Ele é a vida do Verbo. É Ele, então, que dá vida à
Palavra de Deus... que mantém a vida desta linguagem humana confiada à fé da
Igreja para que ela descubra incessantemente o falar de Deus. Como qualquer
vida, esta é feita para ser dada, para ser recebida, para ser vivida. Depende
de nós que esta Palavra seja para nós, e no mundo de hoje Palavra de vida ou,
ao contrário, ‘letra morta’.
Quanto mais
lemos a Palavra, mais nos familiarizamos com a maneira de falar de Deus.
Sabemos que Ele fala de múltiplas maneiras na Bíblia. Portanto, cabe a nós
escolher entrar em conivência com o falar de Deus para que esta Palavra se
torne exatamente a palavra de vida que os outros esperam, porque necessitam
dela. Esta é a nossa missão : oferecer aquilo de que os outros precisam. E Deus
conta conosco para fazer isso.
Mais uma vez
um certo realismo nos será oferecido nestas linhas do prior de Tibirine :
A volta à
Palavra é onerosa. Ela implica uma ‘lectio’, ou seja, acolhimento do Espírito
Santo com, no começo, esta atitude de pobreza, de escuta, de silêncio interior
que é a única que pode fazer 'desta' Palavra a nossa 'vida' de hoje. Irmão
Henrique [Vergès [11]] dizia ao irmão Michel : o que esperamos do senhor são
textos, palavras que foram meditadas (seja os Salmos, as leituras, as intenções
do Ofício, as introduções ou as homilias na missa). Isso também significa que
se é legítimo confiar no que os outros escreveram, pregaram, pensaram sobre os
textos que necessitamos comentar (e não me privo disso), é preciso sempre, para
que nossa palavra seja viva e dê vida, que ela seja o fruto de nossa própria
experiência, que se misture ali alguma coisa de nosso próprio sangue [12].
Poderíamos
pensar que esta reflexão diz respeito apenas aos padres, mas, de fato, já que
devemos apresentar nossa vida para os outros LEREM, toda a nossa vida pode
tornar-se uma pregação, sob a ação do Espírito Santo. No entanto, há muitas
condições para que este seja efetivamente o caso.
Primeiro,
realmente acolher o Espírito Santo em nós, acreditar em sua ação. Porque o
desafio é que nos tornemos palavra de vida para os outros. E para isto é
preciso que algo de nosso próprio sangue se misture à nossa palavra. Para
escapar das palavras vazias precisamos deixar o Espírito Santo apoderar-se de
nossa vida e consentir que a Palavra nos conduza aos lugares que necessitam de
conversão, não visitados por nós mesmos, para que a força do amor se manifeste
em nossa fraqueza. Há, portanto, no Espírito, esta força capaz de nos colocar
no caminho, de nos colocar na vida e, assim, nos colocar em alerta diante da
palavra do outro.
A escuta
recíproca
Isto nos leva
à segunda dimensão da escuta : a escuta recíproca. Retomemos o fio de nossa
reflexão com o Papa Francisco :
O Espírito
Santo, em sua liberdade, não conhece fronteiras e, também, não se deixa limitar
pelas filiações [...]. O Espírito Santo precisa de nós. Escute-O, escutando-se
mutuamente [13].
Poderíamos
ser tentados a dizer que, em vez disso, é uma visão horizontal, mas é o
contrário : é uma visão teologal de nossas relações. Quando recebemos o
Espírito Santo na Palavra de Deus, nossos ouvidos e nossos corações se abrem e
se conjugam para escutar mais amplamente e fazer leitura divina dos outros, que
por sua vez se tornam, para nós, uma palavra da parte de Deus.
Todos podem
participar desse esforço de tradução contínua da Palavra [...]. Jamais
tiraremos uma foto do Espírito Santo. Na diversidade de nossos temperamentos e
de nossas culturas, cada um de nós tem algo a dizer sobre esta Palavra que é
nossa vida [14].
Isto é o que
estamos tentando viver como cristãos : uma tradução contínua da Palavra. Irmão
Cristiano tem outra bela fórmula para dizer o que é a Igreja : A Igreja é a
encarnação contínua. Isto é lindo! Façamos para que a encarnação continue sendo
verdadeira, em nós e entre nós. Isto é sério e importante. Façamos para que a
encarnação continue sendo verdadeira, em nós e entre nós. Isto é sério e
importante. Façamos para que a encarnação continue sendo verdadeira, em nós e
entre nós. Então, coloquemo-nos muitas vezes diante deste convite. Mas, jamais
percamos de vista, para não sermos vencidos, porque é o Espírito Santo que é o
agente de nossas boas relações!
Para que essa
tradução seja ativa, temos que alargar muito a nossa atenção para entrarmos
nesta riqueza do Espírito Santo que fala em cada um de nós. Não deixar ninguém
de lado : isto começa a se tornar difícil porque temos tendências – muito
naturais – a nos retrairmos, quando não nos reconhecemos verdadeiramente no que
é dito pelos outros. Nesse esforço de tradução – que é um processo -, o
essencial é conservar sempre no coração o desejo de estar junto dessa Palavra,
de estar pessoalmente e junto aderindo a essa Palavra de vida e, então, em
conversão perpétua, em escuta dessa diferença que nos obriga e nos mover
através do outro em direção ao Único.
É pela
bondade que o homem é chamado a dominar o universo, mas desviando- se do bem,
ele cedeu à tentação da ilusão e da força. E a confissão da bondade de Deus
reflete-se no acolhimento do semelhante : Esta é a carne da minha carne... Deus
necessita de minha conversão ao outro para continuar a criar-me livremente à
sua imagem, homem e mulher, de geração em geração [15].
Este trecho
do Capítulo é muito importante, pois ressalta o critério de boa saúde de nossas
comunidades, que é exatamente o acolhimento do semelhante. No fundo, quanto
mais acolhedor eu sou, mais acolhedoras são as nossas comunidades, e mais
estamos nesta confissão da bondade de Deus, e vice-versa. A saúde espiritual é
isto. Ela implica uma conversão permanente ao outro. Que exigência! Tibirine
era uma pequena comunidade... menos de dez irmãos, então : impossível fugir!
Aliás, diziam que esta comunidade seria impossível, com temperamentos fortes,
origens sociais diferentes, teologias diferentes, opções diferentes... e, no
entanto, juntaram forças, formaram uma comunidade... e que comunidade! Então,
tudo é possível na força, na adesão que o Espírito Santo nos oferece para
entrarmos na conversão permanente aos outros. O prior de Tibirine tem uma bela
maneira de expressar isso :
O que
buscamos entre nós, em nossas comunidades, não está à flor da pele, nem mesmo
do coração. Acabamos sabendo que isso nos mantém profundamente!
Assim, a
contemplação só é possível onde há abertura à comunidade de vida, a toda a
família humana...
E só há
comunidade possível onde houver abertura à contemplação das maravilhas de Deus
escondidas em cada um, sinais do Único que estão escritos em nossos rostos como
tantas diferenças prometidas à comunhão dos santos.
Mesmo que
ainda seja necessário isso, por pouco tempo, é difícil a gente enxergar [16].
Que lucidez!
Claro, isso não é fácil de ver! O olhar contemplativo ao qual Cristiano nos
convida, pode salvar-nos de muitas coisas. Evidentemente ele vai além do olhar
superficial, ou de uma reação epidérmica. Vamos bem mais profundamente, na raiz
do que permite considerar o outro, vê-lo na luz de sua mais verdadeira
identidade.
Porque somos
todos feitos de carne e de sangue, nos tornaremos todos membros do corpo de
Cristo. O Verbo se faz carne em cada um de nós, isto é, todo irmão segundo a
carne pode tornar-se Palavra de Deus para mim [17].
Esta citação
desafia-nos, e o que ela aponta, deve ainda poder fazer uma viagem dentro de
nós : isto exige acreditar nela. Acreditar que há crescimento, que as coisas
andam. Isso significa que você não pode congelar ninguém, não pode enquadrar
ninguém : o outro tem sempre a capacidade de crescer, de ser até maior do que a
imagem que tenho dele agora. E isso é uma boa notícia : Todo irmão segundo a
carne pode tornar-se Palavra de Deus para mim, lembrava irmão Cristiano, com
razão. No entanto, seu realismo ainda se junta a nós neste novo trecho :
Não se
surpreenda que a Palavra seja difícil de aceitar e que ela nos leve sempre mais
longe, além de nossas margens ou dos nossos pontos e apoio. Chegará o dia em
que, parando de atolar na lama, aceitaremos em cair definitivamente, e isso
será a vida.
Não se
surpreenda que o outro tenha uma palavra a nos transmitir e se tornar, em nome
de Deus, junto de mim. Se acolho esta palavra que é vida, para ele, eu me
exponho a descobrir nela um eco do Verbo único e eterno. Comunhão profunda
entre dois seres, quando se tornaram verdadeiramente nutritivos um para o
outro, e estão inclinados a ficarem juntos em silêncio, porque a palavra que os
une é espírito e vida, e Presença real e inexprimível.
Também não se
surpreenda que este irmão seja uma Palavra difícil de entender e que seja
preciso superar muitos murmúrios internos ou externos antes que seja criado
entre nós o clima de amor que lhe permitirá entregar-se ao que há de melhor e
de eterno [18].
Quando nos
arriscamos a seguir o Evangelho, até em sua radicalidade, devemos estar à
espera de uma viagem, para largarmos as amarras, longe de nossas zonas de
conforto. Este é também um tema caro ao Papa Francisco. As periferias não são
apenas as periferias externas; existem nossas próprias periferias internas. É
preciso igualmente ir encontrá-las. Preparemo-nos, então, para uma viagem, para
irmos escutar até ao fim os ecos do Verbo. O Vaticano II nos ofereceu uma
fórmula interessante. Os Padres conciliares falavam das Sementes do Verbo,
escondidas, entregues à nossa escuta. Precisamos redescobri-las em todas as
coisas, em toda pessoa.
Mas temos que
reconhecer que não vemos imediatamente nosso irmão, nossa irmã, como uma
Palavra de Deus. Os murmúrios internos, mesmo se não sejam verbalizados,
existem no mais profundo de nós mesmos, e não devemos nos entregar a isso, mas
realmente perseverar para contribuir com o clima de amor. Irmão Cristóvão tem
uma bela maneira de formular o desejo que pode nos inspirar : Gostaria de
juntar-me a essa terra pacificada onde rezo o Nosso Pai, sem esquecer ninguém.
Talvez isso
possa nos convidar a entrar nessa benevolência que nos permitirá ver, discernir
no outro, o que ele tem de melhor e eterno. Aqui, também, a maneira monástica
de vive-la, é esclarecedora :
A escuta
recíproca é um justo equilíbrio entre palavra e silêncio [...]. Porque a
palavra é também um valor monástico [não a tagarelice nem a palavra
barulhenta].
Sou cristão, cordial
o suficiente, com cada irmão? Isto não exclui as tensões, as divergências, os
pontos de vista. Meu irmão é sempre maior do que eu imagino. Na pior das
hipóteses ele vale muito mais do que a ideia que ele tem de mim!
Tenho a
coragem da correção fraterna evangélica : vá procurar seu irmão... ganhe- -o
(Mt 18,15ss).
Qual é o teor
da palavra, a coloração das palavras que penso (sem dizer forçosamente que
habitam em mim ? [19]
O que jogamos
na atmosfera, com nossos pensamentos, com nossas palavras...?
Quanto à
correção fraterna, é difícil e, raramente, falamos dela... ela desagrada,
mesmo. Sou o guardião do meu irmão? Sim, somos o guardião do nosso irmão, de
nossa irmã. Resta encontrar o clima de amor interior, a terra pacificada que
nos permitirá encontrar a atitude e a palavra certas. Exercício difícil, mas
que não deve se abandonado. No fundo, o maior realismo para o cristão é o da
esperança :
Assumir a
esperança será experimentar a ressurreição na ação em todas as realidades
humanas, mesmo as mais opacas, mesmo aquelas pelas quais aparentemente
passamos. [...].
Em todo
lugar, onde o diálogo ocorre para dar origem a uma linguagem nova.
Em todo
lugar, onde o medo é levado firmemente, desarmado, como encantamos uma
serpente.
Em todo
lugar, onde cobras e palavras venenosas são engolidas, sem que sejam
modificadas as razões profundas que, mesmo assim, temos que amar.
Em todo lugar
em que a doença se torna um lugar de encontro, de partilha, de solicitude,
lugar de purificação, lugar de um SIM à saúde de Deus. [20]
Experimentar
a ressurreição pode ser um belo convite : a ressurreição está operando em minha
vida? Onde a vejo ganhar terreno em mim? Irmão Cristiano nos dá alguns
elementos como resposta : em todo lugar onde há diálogo, então, em todo lugar
onde podemos dialogar mais, haverá mais comunidade, haverá mais vida, mais
ressurreição; em todo lugar onde o medo cede terreno, onde o encaramos, o
desarmamos. Não é mais ele que assume, somos nós que o sufocamos e, então, a
vida pode recomeçar. O que nos governa? O contrário do medo não é a coragem, é
a confiança... Acampados no terreno da confiança, podemos, então, resistir em
outro nível : o da palavra.
E em todo
lugar onde as cobras e as palavras venenosas são engolidas – elas estão em toda
parte! -; como desarmamos isso? Bem : amando mesmo assim. O abade Pedro tinha
essa fórmula recorrente : Amar mesmo assim... apesar de tudo. Acima de tudo,
não abandone esta missão de amar mesmo assim. Isso nos mantém saudáveis
espiritualmente, e é um sim franco e maciço à saúde de Deus em nós, como uma
esperança obstinada. Irmão Cristiano desenvolve muito este aspecto da esperança
em suas diversas comunicações :
Definitivamente,
este é o plano da esperança que abrange todos os outros, e podemos considerar a
paciência como a expressão cotidiana, como, de alguma forma, a encarnação da
‘pequena esperança’. E quanto mais for assim, mais paciência você terá para se
dedicar! Não é de admirar, então, que a vida religiosa no seu conjunto,
colocada na órbita da esperança do Reino vindouro, seja o crisol por excelência
das mais variadas e refinadas paciências. Paulo VI afirmava nas entrelinhas,
quando definia a caridade na vida comunitária (Evangelica Testificatio
39) como esperança ativa do que os outros podem tornar-se, com a ajuda do nosso
apoio fraterno. ‘O sinal da verdade é encontrado na feliz simplicidade com que
todos se esforçam para compreenderem o que importa a cada um’. [21]
Entramos aqui
no núcleo duro do que é a escuta recíproca : tentar ir ao encontro do que
importa a cada um. Estamos longe da epiderme! Devemos cavar a Palavra de Deus
que é meu irmão, minha irmã; desejar profundamente encontrá-los, e ali ajudá-los
também a se descobrirem e a se tornarem sempre mais irmão, irmã. Temos parte
ativa nesse crescimento, como guardião. Este é o nosso trabalho de esperança em
nós mesmos, mas também no outro - nunca renunciar de ser verdadeiramente irmão,
verdadeiramente irmã -: permanecer no clima de amor, de esperança, de caridade
e sentir a comunidade crescer em si e ao redor de si.
A escuta dos
acontecimentos
Quanto mais
crescemos na escuta da Palavra de Deus que nos transforma, mais ela nos ajuda a
encontrar e a ver o outro, como uma palavra para nós. Bem mais : a escuta se
faz extensiva, abraça a totalidade do real e tudo que nos acontece. Assim,
progressivamente, são também os acontecimentos que se tornam uma palavra
significativa para nós e para nosso caminho para Deus.
Escutemos
novamente o Papa Francisco :
É preciso
sair dos 3-4% que representam os mais próximos, e ir mais longe para escutar os
outros que, às vezes, lhe insultarão, lhe expulsarão, mas é preciso escutar o
que eles pensam, sem querer impor nossas coisas : deixe o Espírito nos falar. [22]
É interessante...
Ficar nos 3-4% que nos cercam e que nos são próximos, é realmente privar-nos de
uma grande parte do real... A ideia defendida pelo Papa é, então, ir encontrar
os 96% que nos faltam – as famosas periferias – com a consciência real de que
sentimos profundamente a falta desses outros. Isto nos ajuda igualmente a
compreender a dimensão essencial da Igreja: a catolicidade.
Não podemos
compreender a ‘catolicidade’ sem nos referirmos a este campo amplo e
hospitaleiro, que nunca marca as fronteiras. Ser Igreja é uma maneira de entrar
na grandeza de Deus. [23]
Este é um
pensamento muito sedutor : ser Igreja é entrar na grandeza de Deus! É
necessário flexibilidade, saber esticar, levantar e acolher Deus como Ele é :
maior do que nosso coração. Uma nova citação nos permite perceber a maneira
pela qual a comunidade de Tibirine viveu isto :
Certamente
você teria notado que ele [Monsenhor Teissier] falou o significado da nossa
presença se ela passasse por essa crise dolorosa em seu ambiente. A menção de
nossa vizinhança é justa : não podemos ser sinal de um dom se eles não estão
ali para acolhê-lo, para desejá-lo. Melhor... Não podemos pretender dar Jesus a
eles, de alguma forma, sem receber Jesus deles, de alguma forma. Isto também
faz parte do próprio condicionamento da encarnação. Há interdependência. Muitos
não receberam Jesus... mas aos que O receberam, Ele concedeu se tornarem o que
Ele mesmo era, não apenas cristãos, mas bem melhor do que isto, filhos de Deus [24].
Entrar na
grandeza de Deus significa que não somos cristãos, muçulmanos, budistas...
somos em última análise, essencialmente, filhos de Deus. E ali, há apenas um
acampamento : o dos amados de Deus. Voltamos à perspectiva da escuta recíproca.
Devemos ser capazes de receber a vida de Deus de todos os outros, dos 96% que
nos esperam no exterior de nosso ciclo de proximidade.
Então, o que
isso deu de muito concreto para a história dos monges de Tibirine? Anualmente,
na carta circular dirigida aos pais, amigos e próximos da comunidade, podemos
colher algumas das audácias, fruto da escuta do ambiente, que os levou a viver
coisas, às vezes, surpreendentes.
E aqui
estamos no capítulo numa votação um tanto revolucionária. Trata-se de oferecer
dois cômodos de um edifício, quase desocupado, às Irmãzinhas de Jesus, que
procuram um lugar de descanso e de oração, propício e seguro para a
fraternidade, em que as Irmãzinhas da região, particularmente as do Saara,
poderão recuperar suas forças, durante o tempo de calor muito forte. Nosso
recinto se torna misto, é certo, mas sua vocação contemplativa é, assim,
multiplicada por dois (pelo menos!). Consultado, o cardeal foi categórico :
esta á a melhor solução. Evidentemente, há cinco anos eu teria dito a você...
(?). Não! Há cinco anos você não teria nem mesmo pensado em apresentar tal
questão! E isto é verdade, obviamente [25].
Estamos em
1977, no meio muçulmano... uma comunidade contemplativa de homens, que abre
espaço no interior da clausura, numa ala de um de seus edifícios, para acolher
as Irmãzinhas de Jesus... Há um momento favorável, uma escuta do Espírito que
torna as coisas maduras.
Segundo
exemplo :
O Ribât
(vínculo da Paz), há dez anos segue seu caminho unindo cristãos que querem
estar diretamente atentos às dimensões espirituais da vida dos muçulmanos e
integrando em sua abordagem de oração nossos irmãos de Alawiyyines de
Medeia. Na primavera, nos perguntamos : Como a vida espiritual do outro me
desafia na minha? [26]
Este grupo, o
Ribât, era originalmente um grupo de cristãos que queriam compartilhar
sua experiência do cotidiano vivido com os muçulmanos. Logo, eles se juntaram
aos muçulmanos. Eles se reuniam duas vezes por ano, com uma questão para
trabalhar pessoalmente com a finalidade de compartilhamento, durante os seis
meses que não estavam juntos. Naquele ano, a pergunta era : Como a vida
espiritual do outro me desafia na minha? Em seguida, passavam dois dias juntos
compartilhando o fruto de sua experiência e da escuta profunda do seu
cotidiano. Bela fecundidade no Espírito!
Novas
realizações...
… Oferecemos
uma grande sala (ex-sala de espera do referido PMI) aos nossos vizinhos como
sala de oração, enquanto aguardamos a construção de uma mesquita prevista para
o lugarejo. Assim, nossas orações coabitam há seis meses no mesmo recinto, e muitos
de nós pensamos, de ambos os lados, que elas também mesclam bem no coração de
Deus.
Desenvolvemos
também a experiência de associação na exploração de parte do jardim fora dos
muros. Quatro jovens pais de família compartilham conosco o trabalho e a venda
de produtos de horticultura [27].
Também aí,
uma originalidade : o acolhimento dos vizinhos muçulmanos para que venham rezar
enquanto esperam a construção da mesquita do lugarejo. Esta é uma solidariedade
bastante notável na oração e na partilha. A solidariedade também no trabalho,
com a igualdade concretizada na parceria. Esta é uma forma original quando
pensamos que normalmente as comunidades monásticas asseguram, antes, os
serviços dos assalariados...
Essa escuta
do Espírito ainda virá para apressar os irmãos em outro registro :
O que Berdine
pede? A presença no meio deles de um homem de oração (monge) para confirmá-los
e apoiá-los no desejo de se afastarem definitivamente da espiral das drogas, do
álcool, da deriva... e, também, para compreendê-los em suas quedas, em suas
recaídas, em seus desejos e sua sede secreta. Padre João da Cruz ajudou a
iniciar esta comunidade em 1972 como abade de Aiguebelle. Ele não cessou de
acreditar nisso. Foi ele que nos pediu, e em tempo integral. E nós, também fomos
responsáveis por um chamado da Igreja que se apresenta de outra forma. E o
nosso irmão só partiu ao envio, em obediência... Um longo discernimento,
resultando num emparelhamento acordado aqui e ali, na fé, talvez simplesmente
porque, aqui e ali, a oração e o trabalho sejam os dois pulmões insubstituíveis
da fidelidade à Vida (ora et labora)! [28]
O Redil de
Berdine é uma comunidade no Sudeste da França que acolhe aqueles que ninguém
mais quer acolher : drogados, alcoólatras, pessoas desagregadas... Esta
comunidade pedia, então, que um dos monges de Tibirine se juntassem a eles em
tempo integral. Como conciliar isso com a vocação monástica? Mais uma vez, a
criatividade do Espírito levou-os a imaginar a fórmula de um emparelhamento,
enviando o monge solicitado durante os dois meses de verão a Berdine com,
reciprocamente, estadas de moradores de Berdine que também vinham a Tibirine
para passar um tempo com a comunidade. A demanda unilateral se transformou em
troca. Esta é uma ilustração perfeita de tudo que evocamos anteriormente :
arriscamo-nos à escuta das necessidades dos outros e inventamos...
Um último
exemplo é retirado da carta circular de 1992, dirigida aos pais, amigos e
próximos da comunidade. Foi o início do que foi chamado de década negra, ou
seja, o início das violências na Argélia que levou ao assassinato de dezenas de
milhares de argelinos e religiosos beatificados que se recusaram a deixar o
país.
Em uma
recente meditação, Mons. Teissier evoca Maria aos pés da cruz : ‘Quando o povo
sofre, já é muito estar ali, para suportar juntos este sofrimento agora. Não
devemos esperar para fazer algo, até que sejam superados os difíceis
acontecimentos pelos quais estamos passando... É também nesse momento que Jesus
supera seu sofrimento e o grito de desesperança, com um pequeno gesto de
afeição filial e de amizade fraterna : - Aqui está sua mãe... aqui está seu
filho -! Este é o pequeno gesto de ternura humana. Aparentemente não está no
nível do drama..., entretanto, anuncia e prepara o futuro’. Nesse contexto,
concordamos em participar do Conselho Presbiteral e, também, em acolher e
conduzir um retiro para os padres da diocese (liderado pelo bispo) [29].
Termino de
propósito com este exemplo e, finalmente, com esta pergunta que nunca deixou de
acompanhar os irmãos de Tibirine até ao seu sequestro : que ternura humana
podemos oferecer nas atuais circunstâncias? Esta pergunta está bem ao nosso
alcance. Ela não para de nos solicitar. Para qualificar a nossa presença
cristã, a palavra ternura não seria tomada sobre si, consigo, como uma busca
permanente? O que podemos jogar na atmosfera hoje, senão esta ternura que toca,
que vai ao coração, sem muitas palavras, mas que diz o essencial?
Rumo a uma
escuta completa
Concluamos...
O que lemos, ouvimos, esboçamos por intermédio da comunidade Tibirine?
Abordamos o
que vislumbramos ser uma lectio completa. Estes monges nos ensinam o que
é uma escuta completa que tem a sua origem no acolhimento amplo, franco e
obstinado da Palavra de Deus. Um acolhimento determinado da Palavra que aumenta
a escuta recíproca entre nós, e nos faz entrar numa capacidade mais ampla de
escutar toda a vida, acontecimentos, contexto, e assim reassumir tudo o que nos
acontece à luz da presença de Deus em cada um de nós.
Esta escuta
completa nos impulsiona a restaurar a criatividade do Espírito, aqui e agora.
Isto é o que chamamos discernimento. O Papa Francisco, que é jesuíta, teria
colocado imediatamente esta palavra. Apresentando-lhes o testemunho desta
comunidade cisterciense-trapista cujo centro da vida é a lectio divina,
vemos claramente o convite que nos é feito para redescobrir esta fonte em
nossas comunidades cristãs. É uma herança para toda a Igreja e é ela que nos
ajuda a viver ajustados aos desafios do nosso tempo.
Com o seu
impulso e o seu convite dirigido a toda a Igreja para entrar na sinodalidade, o
Papa Francisco põe no centro da nossa vida pessoal e eclesial esta escuta
completa, este movimento profundo para entrarmos juntos na grandeza de Deus.
Movimento extensivo, de abertura, que é o movimento da cruz, movimento de
Cristo que, de braços abertos, nos chama incessantemente a este acolhimento
franco, amplo, a ser oferecido a todos, a ser inventado todo hoje. A Palavra
ainda e sempre quer produzir algo novo em nós. E este é o Espírito que está no
comando para nos manter vivos… até à morte, se necessário (Irmão Cristóvão).’
[1] Esta
conferência foi pronunciada no quadro das festividades do 150º aniversário da
paróquia de Vevey (Suiça), em 5 de maio de 2022. O texto foi adaptado para a
publicação, mas o estilo oral foi conservado.
Marie-Dominique
Minassian é uma teóloga suíça, professora na Universidade de Friburgo,
especialista da herança espiritual dos monges de Tibirine, membro da Associação
para a proteção dos escritos dos sete irmãos de Tibirine.
[2] Papa
Francisco, Discurso na Diocese de Roma, reunido em assembleia diocesana, 18 de
setembro de 2021.
[3] Papa
Francisco, Discurso pela comemoração do 50º aniversário da instituição do
sínodo dos bispos, sala Paulo VI, sábado, 17 de outubro de 2015.
[4] Papa
Francisco, Fratelli tutti, 48.
[5] Irmão
Cristiano, homilia do 3º domingo da Quaresma, 14 de março de 1982, O Outro que
esperamos, p. 57.
[6] Irmão
Cristiano, Capítulo de terça-feira, 2 de julho de 1991, Deus para cada dia,
p. 373.
[7] Irmão
Cristóvão, nota da lectio não datada, sobre Jo 8,31.
[8] Irmão
Cristiano, Capítulo do sábado, 23 de novembro de 1991, Deus para cada
dia, pp. 384-385.
[9] Irmão
Cristiano, Capítulo de 6 de março de 1986, Deus para cada dia, pp.
106-107.
[10] Irmão
Cristiano, Capítulo de quinta-feira, 18 de julho de 1991, Deus para cada dia,
p. 376.
[11] Irmão
marista, próximo da comunidade, e um dos primeiros religiosos assassinados em 8
de maio de 1994, com irmã Paul-Hélène.
[12] Irmão
Cristiano, Capítulo de terça-feira, 14 de junho de 1994, comentário do CEC
1100, Deus para cada dia, pp. 490-491.
[13] Papa
Francisco, Discurso à diocese de Roma reunida em assembleia diocesana, 18 de
setembro de 2021.
[14] Irmão
Cristiano, Capítulo de terça-feira, 14 de junho de 1994, comentário do CEC
1100, Deus para cada dia, p. 491.
[15] Irmão
Cristiano, Capítulo de quarta-feira, 23 de julho de 1986, Deus para cada dia,
pp. 138-139.
[16] Irmão
Cristiano, Capítulo de terça-feira, 12 de março de 1996, Deus para cada dia,
p. 549.
[17] Irmão
Cristiano, homilia do 21º domingo do Tempo Comum, 22 de agosto de 1982, O
outro que esperamos, p. 74.
[18] Ibid.,
p. 74.
[19] Irmão
Cristiano, Capítulo de sábado, 10 de fevereiro de 1990, Deus para cada dia,
p. 315.
[20] Irmão
Cristiano, homilia para a Ascensão quinta-feira, 20 de maio de 1982, O outro
que esperamos, pp. 67-68.
[21] Irmão
Cristiano, Capítulo de segunda-feira, 9 de dezembro de 1985, Deus para cada
dia, p. 80.
[22] Papa
Francisco, Discurso à diocese de Roma reunida em assembleia diocesana, 18 de
setembro de 2021.
[23] Papa
Francisco, Discurso à diocese de Roma reunida em assembleia diocesana, 18 de
setembro de 2021.
[24] Capítulo
do irmão Cristiano, de terça-feira, 9 de fevereiro de 1995. Nossa comunidade em
seu ambiente, Deus para cada dia, p. 516.
[25] Cristiano
de Chergé, Crônica da esperança 13 (Natal de 1977)., 13 de dezembro de 1977, Felizes
os que esperam, p. 411.
[26] Carta
circular da comunidade Notre Dame de l’Atlas 1988, Felizes aqueles que
esperam, p. 706.
[27] Carta
circular da comunidade Notre Dame de l’Atlas 1988, Felizes aqueles que
esperam, pp. 707-708.
[28] Carta
circular da comunidade Notre Dame de l’Atlas 1990, Felizes aqueles que
esperam, p. 719.
[29] Carta
circular da comunidade Notre Dame de l’Atlas 1992, Felizes aqueles que
esperam, p. 733.
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.aimintl.org/pt/communication/report/123