quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As grandes civilizações africanas - A evangelização da África

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

Durante séculos a missão africana viveu em estreita dependência das potências colonizadoras, sobretudo, aquelas que eram consideradas católicas como Portugal, França e Bélgica. Junto a isso se cona também uma dependência quase que total do trabalho missionário das congregações religiosas, com a ausência de uma Igreja local mais estruturada.

Quando chegamos ao século XIX a missão católica já estava melhor estruturada e alguns fatos vieram alavancar o trabalho missionário, especialmente nos países localizados abaixo do Deserto do Saara, onde a concorrência com o islamismo era bem menor.

Nesse sentido merece destaque a criação dos primeiros Vicariatos Apostólicos com a ação da Sagrada Congregação de Propaganda Fide, onde se destaca o trabalho do cardeal redentorista Van Rossun, braço direito do Papa Pio XI para o campo da evangelização.

A publicação de diversas Encíclicas missionárias por diversos papas, sobretudo, a Fidei Donun (1957) do Papa Pio XII abre os olhos da Igreja para o trabalho Missionário.

Entre fins do século XIX e primeiras décadas do século XX se dá a criação das primeiras circunscrições eclesiásticas, com a nomeação de bispos para os territórios de missão.

A evangelização na África

Sudão

Em 1846, o Papa Gregório XVI criou o Vicariato Apostólico da África Central que abrangia uma imensa região, da Guiné até o Nilo, com sede em Cartum. Foram feitas cinco expedições tentando atingir o centro de missão em 1846,1857,1862 e 1867. Aqui o destaque fica com São Daniel Comboni (+1881), fundador da Congregação dos filhos do Sagrado Coração e do Instituto Pias Madres da Negritude. 

Etiópia

A expedição missionária de Justino de Jacobis realizada em 1838 converteu os monofisitas, mais por motivos econômicos do que religiosos. Entre 1839-41 De Jacobis viveu como monge, conquistando a confiança do povo e das autoridades. Em 1849, foi sagrado bispo, mas a partir de 1855 veio a perseguição contra os católicos. De Jacobis morre em 1860.

Outros destaques desta área missionária ficam com Guilherme Massaia (+1889), frade capuchinho nomeado cardeal em 1884 e com o cardeal Lavigerie e a fundação dos padres brancos

Uganda

Com o Papa Pio IX o cardeal Lavigerie foi nomeado delegado apostólico para a África Equatorial e em 1879, os padres brancos atingiram a Uganda, em Entebe, mas foram expulsos em 1882, por motivos políticos, sendo chamados de volta em 1885.

Desta área missionária merecem destaque São Carlos Lwanga e seus companheiros mártires. Hoje 36% da população ugandense professa a fé católica.

Madagascar

A colonização e a penetração católica aconteceram de forma paralela. A primeira expedição aconteceu em 1855, com o jesuíta Finaz. Aqui, porém, as dificuldades foram muitas com perseguições e massacres.

Depois da guerra Franco-Malgache, Madagascar se tornou um protetorado francês e colônia em 1896. Apesar da luta com o governo francês pela escola, o desenvolvimento foi bem continuado.

Congo

O rei Leopoldo II criou o Estado livre do Congo, lutando contra as pretensões de ingleses, franceses, portugueses e dos escravistas árabes, mas ele submeteu o Congo a um duro regime de escravidão e exploração.

O método missionário conhecido como ″Fermes Chapelles’, uma espécie de missão agrícola com escolas profissionais para jovens foi bem aceito no princípio, mas depois sofreu bastante críticas. Entre 1904 e 1906 ocorreu uma campanha de acusação contra as missões católicas e elogios ao governo de Leopoldo II. A polêmica voltou em 1911, com o Congo sendo anexado à Bélgica. Com isso, as missões não puderam ser continuadas.

Avaliação da metodologia missionária

Aos poucos as missões se tornaram menos dependentes dos velhos regimes coloniais, com amplas vantagens, devido a isenção frente aos colonizadores que passara a ser criticados pela Igreja em vista de alguns métodos brutais utilizados.

Também de tornou de grande importância a ação da Sagrada Congregação de Propaganda Fide pelo estímulo à ação missionaria com impulso dado à criação dos Vicariatos apostólicos e independência da Santa Sé na nomeação dos bispos.

Dois problemas, porém, ainda continuam :  o pouco respeito à cultura local e a dificuldade de transformar as missões em Igrejas locais. Nesse sentido, a Encíclica Maximum Illud de Bento XV (1919) destacou cinco pontos globais em relação às missões : Condenação do Feudalismo Colonial e da não colaboração, a necessidade de colaboração entre as diversas missões, a urgência de se formar um clero autóctone, a condenação do nacionalismo dos missionários e a valorização da língua e da cultura local.

 

Fonte  : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-09/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas-evangelizacao.html