Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
Durante séculos a missão africana viveu em estreita dependência das
potências colonizadoras, sobretudo, aquelas que eram consideradas católicas
como Portugal, França e Bélgica. Junto a isso se cona também uma dependência
quase que total do trabalho missionário das congregações religiosas, com a
ausência de uma Igreja local mais estruturada.
Quando chegamos ao século XIX a missão católica já estava melhor
estruturada e alguns fatos vieram alavancar o trabalho missionário,
especialmente nos países localizados abaixo do Deserto do Saara, onde a
concorrência com o islamismo era bem menor.
Nesse sentido merece destaque a criação dos primeiros Vicariatos Apostólicos
com a ação da Sagrada Congregação de Propaganda Fide, onde se destaca o
trabalho do cardeal redentorista Van Rossun, braço direito do Papa Pio XI para
o campo da evangelização.
A publicação de diversas Encíclicas missionárias por diversos papas, sobretudo,
a Fidei Donun (1957) do Papa Pio XII abre os olhos da Igreja para o trabalho
Missionário.
Entre fins do século XIX e primeiras décadas do século XX se dá a criação
das primeiras circunscrições eclesiásticas, com a nomeação de bispos para os
territórios de missão.
A evangelização na África
Sudão
Em 1846, o Papa Gregório XVI criou o Vicariato Apostólico da África
Central que abrangia uma imensa região, da Guiné até o Nilo, com sede em
Cartum. Foram feitas cinco expedições tentando atingir o centro de missão em
1846,1857,1862 e 1867. Aqui o destaque fica com São Daniel Comboni (+1881),
fundador da Congregação dos filhos do Sagrado Coração e do Instituto Pias
Madres da Negritude.
Etiópia
A expedição missionária de Justino de Jacobis realizada em 1838 converteu
os monofisitas, mais por motivos econômicos do que religiosos. Entre 1839-41 De
Jacobis viveu como monge, conquistando a confiança do povo e das autoridades.
Em 1849, foi sagrado bispo, mas a partir de 1855 veio a perseguição contra os
católicos. De Jacobis morre em 1860.
Outros destaques desta área missionária ficam com Guilherme Massaia
(+1889), frade capuchinho nomeado cardeal em 1884 e com o cardeal Lavigerie e a
fundação dos padres brancos
Uganda
Com o Papa Pio IX o cardeal Lavigerie foi nomeado delegado apostólico para
a África Equatorial e em 1879, os padres brancos atingiram a Uganda, em Entebe,
mas foram expulsos em 1882, por motivos políticos, sendo chamados de volta em
1885.
Desta área missionária merecem destaque São Carlos Lwanga e seus
companheiros mártires. Hoje 36% da população ugandense professa a fé católica.
Madagascar
A colonização e a penetração católica aconteceram de forma paralela. A
primeira expedição aconteceu em 1855, com o jesuíta Finaz. Aqui, porém, as
dificuldades foram muitas com perseguições e massacres.
Depois da guerra Franco-Malgache, Madagascar se tornou um protetorado
francês e colônia em 1896. Apesar da luta com o governo francês pela escola, o
desenvolvimento foi bem continuado.
Congo
O rei Leopoldo II criou o Estado livre do Congo, lutando contra as
pretensões de ingleses, franceses, portugueses e dos escravistas árabes, mas
ele submeteu o Congo a um duro regime de escravidão e exploração.
O método missionário conhecido como ″Fermes Chapelles’, uma espécie de
missão agrícola com escolas profissionais para jovens foi bem aceito no
princípio, mas depois sofreu bastante críticas. Entre 1904 e 1906 ocorreu uma
campanha de acusação contra as missões católicas e elogios ao governo de
Leopoldo II. A polêmica voltou em 1911, com o Congo sendo anexado à Bélgica.
Com isso, as missões não puderam ser continuadas.
Avaliação da metodologia missionária
Aos poucos as missões se tornaram menos dependentes dos velhos regimes
coloniais, com amplas vantagens, devido a isenção frente aos colonizadores que
passara a ser criticados pela Igreja em vista de alguns métodos brutais
utilizados.
Também de tornou de grande importância a ação da Sagrada Congregação de
Propaganda Fide pelo estímulo à ação missionaria com impulso dado à criação dos
Vicariatos apostólicos e independência da Santa Sé na nomeação dos bispos.
Dois problemas, porém, ainda continuam : o pouco respeito à cultura
local e a dificuldade de transformar as missões em Igrejas locais. Nesse
sentido, a Encíclica Maximum Illud de Bento XV (1919) destacou cinco pontos
globais em relação às missões : Condenação do Feudalismo Colonial e da não
colaboração, a necessidade de colaboração entre as diversas missões, a urgência
de se formar um clero autóctone, a condenação do nacionalismo dos missionários
e a valorização da língua e da cultura local.
Fonte : *Artigo na íntegra
