Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Muitas vezes
não é tão simples encontrar os fatos que envolvem uma história, ainda que
busquemos documentos ou fatos científicos em imagens que carregam com seu
simbolismo uma história. Assim, ao tratarmos dos ícones atribuídos a São Lucas,
se realmente são originais ou réplicas, não podemos afirmar com certeza
histórica, porém, essa piedosa origem formou devoções que marcaram e marcam em
nossos dias a história da Igreja e se tornaram verdadeiras relíquias, ainda que
não se possam provar origens apostólicas.
A Igreja
distingue a sagrada tradição e a tradição de uma história. Enquanto a sagrada
tradição é a transmissão da Palavra viva de Deus e sua revelação, a tradição
religiosa está ligada a ela mas não possui a infalibilidade.
Ícones
sagrados são portadores da sagrada tradição em sua iconografia, mas muitas
vezes possuem uma piedosa tradição quanto à sua origem. A veneração dessas
imagens é atestada na era patrística. Em um movimento iconoclasta no século
VII, originado possivelmente por influência do surgimento do Islã e sua
influência intelectual, foram destruídos testemunhos antigos da veneração
cristã, por isso, fora a tradição, perdemos muitos testemunhos históricos que
poderiam ser provas das histórias que a seguir apresentaremos.
Antigos
relatos contam que São Lucas, além de médico, pintou imagens da Virgem (se não
pintou com cores, com certeza ‘pintou’ a imagem da Virgem escrevendo em seu
Evangelho e nos Atos).
Conta-se que
produziu 72 ícones que entregou aos 72 discípulos do Senhor, dos quais fazia
parte. A tradição também identificou muitos desses ícones que seriam cópias,
herdeiros da graça de uma imagem original, ícones da Virgem como o de Częstochowa,
que se acredita estar pintado no tampo da mesa da casa de Nazaré, e Salus
Populi Romani, que teria sido pintado em parte do tampo da mesa da última
ceia, pois trazem na atribuição da origem referências ao evangelista.
Não queremos
ignorar essa origem, pois o que levou muitos santos a venerar esses ícones
seria atribuir as pinturas ao Evangelista, porém, essas imagens hoje por si se
tornaram relíquias e histórias vivas da Igreja. Os dois mencionados ícones já
estão ligados às histórias de muitos papas, além da presença na vida de muitos
santos.
Como a
tradição eclesiástica atribui o número 70 de forma simbólica, sem que exista um
documento histórico único com exatamente setenta nomes, listei a seguir os
ícones mais famosos atribuídos a São Lucas na Grécia, Chipre, monte Athos e no
resto do mundo.
Na tradição
oriental uma imagem não é pintada, mas escrita, o que nos aponta para a
Palavra, a busca pela verdadeira imagem da Virgem; no fundo é a busca de
trazermos ou escrever essa imagem em nós.
‘Portanto,
todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa
glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais
parecidos com o Senhor, que é o Espírito.’ (2Cor 3,18)’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/as-virgens-de-sao-lucas.html