segunda-feira, 20 de abril de 2026

«Que os fortes nos ouçam para que não se tornem fracos na injustiça»

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Andrea Tornielli


‘Nasceu a 2 de março de 1876, há cento e cinquenta anos. Foi eleito a 2 de março de 1939, dia do seu aniversário. Eugenio Pacelli, Papa Pio XII, escolheu para o seu brasão episcopal a imagem de uma pomba com um ramo de oliveira e o lema Opus iustitiae pax («A paz é fruto da justiça»). Assumiu o pontificado nas vésperas da Segunda Guerra mundial. Assim que tomou posse, tudo fez para evitar o início do conflito. As suas palavras são atuais como nunca.

Na sua mensagem radiofônica de 24 de agosto de 1939, imediatamente após o Pacto Molotov-Ribbentrop e uma semana após a invasão da Polónia pelo exército alemão, Pio XII disse : «Hoje, quando, apesar das Nossas repetidas exortações e do Nosso particular interesse, os receios de um sangrento conflito internacional se tornam cada vez mais persistentes; hoje, quando a tensão dos ânimos parece ter atingido um ponto em que o desencadear do terrível turbilhão da guerra parece iminente, dirigimos com espírito paternal um novo e mais fervoroso apelo aos Governantes e aos povos : aos primeiros, para que, deixando de lado as acusações, as ameaças e as causas de desconfiança mútua, procurem resolver as diferenças atuais pelo único meio adequado para tal, ou seja, através de acordos comuns e leais aos últimos, para que, com calma e serenidade, sem agitação indevida, incentivem as tentativas pacíficas daqueles que os governam».

«É com a força da razão — acrescentou o Papa Pacelli — e não com a das armas, que a Justiça avança. E os impérios não fundados na Justiça não são abençoados por Deus. A política emancipada da moral trai aqueles que a desejam assim». Estas palavras da mensagem radiofônica permanecem célebres : «O perigo é iminente, mas ainda há tempo. Nada se perde com a paz. Tudo se pode perder com a guerra».

O Pontífice apelou à negociação e à diplomacia : «Que os homens voltem a compreender-se uns aos outros. Que retomem as negociações. Negociando com boa vontade e com respeito pelos direitos mútuos, perceberão que negociações sinceras e eficazes nunca estão impedidas de alcançar um sucesso honroso. E que se sintam grandes — verdadeiramente grandes — se, silenciando as vozes da paixão, tanto coletiva como individual, e permitindo que a razão reine suprema, tiverem poupado o sangue dos irmãos e a ruína da pátria».

Esta mensagem incluía ainda um apelo direto aos ‘fortes’ : «Que os fortes nos ouçam, para que não se tornem fracos na injustiça. Que os poderosos nos ouçam, se desejam que o seu poder não seja de destruição, mas sim para apoiar o povo e salvaguardar a tranquilidade, a ordem e o trabalho».

Este apelo, como se sabe, foi ignorado. Durante os anos da guerra, Pio XII, através das suas mensagens radiofônicas, lançou as bases para um novo equilíbrio global, saudando a instituição das Nações Unidas. Poucos meses após o fim do sangrento conflito que custou a vida a mais de 60 milhões de pessoas, na sua mensagem radiofônica de Natal de 1945, afirmou : «Quem procura segurança para o futuro não deve esquecer que a única verdadeira garantia reside na própria força interior, isto é, na proteção da família, dos filhos, do trabalho, no amor fraterno, no abandono de todo o ódio, de toda a perseguição ou opressão injusta contra cidadãos honestos, na leal concórdia entre os Estados, entre os povos».

Na passagem seguinte, o Papa falou sobre aquilo a que hoje chamamos fake news, a manipulação da opinião pública, crucial na promoção de guerras : «Para isso, é necessário que renunciemos em todos os lugares à criação artificial, pelo poder do dinheiro, pela censura arbitrária, pelos julgamentos unilaterais e pelas declarações falsas, de uma suposta opinião pública que move o pensamento e a vontade dos eleitores como caniços agitados pelo vento. Deve-se dar o devido valor à verdadeira e grande maioria, composta por todos aqueles que vivem honesta e pacificamente do seu trabalho, no seio das suas famílias, e que desejam fazer a vontade de Deus».

Pio XII concluiu : «A futura obra da paz visa banir do mundo qualquer uso agressivo da força, qualquer guerra ofensiva. Quem não acolheria de bom grado tal propósito, e especialmente a sua efetiva implementação? Se isto não for apenas um gesto de boa vontade, porém, é necessário excluir toda a opressão e toda a ação arbitrária, tanto interna como externa».’

 

Fonte  *Artigo na íntegra

https://www.osservatoreromano.va/pt/news/2026-04/por-004/que-os-fortes-nos-oucam-para-que-nao-se-tornem-fracos-na-injust.html