Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
Abadia de Maredsous, Vice-postulador da causa do Bem-aventurado
‘A comunidade
beneditina de Maredsous teve o privilégio de ter entre seus membros o seu 3º
abade (1909-1923) reconhecido como ‘Bem-aventurado’ pela Igreja universal
durante o Grande Jubileu do ano 2000.
Joseph
Marmion, irlandês nascido em Dublin em 1858, foi primeiro padre da diocese de
Dublin após realizar brilhantes estudos de teologia em Roma. Atraído para o
mosteiro de Maredsous por um de seus colegas de estudos belgas, ele se encantou
com o mosteiro que concretizava o renascimento católico do final do século XIX.
Ele entrou em Maredsous em 1886.
Já em 1899,
ele foi enviado para fortalecer a equipe fundadora da Abadia de Mont-César em
Louvain (Leuven). Lá, desenvolveu seus talentos como pregador e diretor
espiritual, tornando-se, entre outras coisas, o confessor, confidente e amigo
daquele que se tornaria o Cardeal Mercier, Primaz da Bélgica.
Como abade de
Maredsous (eleito em setembro de 1909), ele teve que administrar com prudência
todos os problemas de um grande mosteiro em plena expansão.
A partir de
1917, suas palestras espirituais foram publicadas sob o título Cristo, Vida
da Alma. Este compêndio foi seguido por outros dois : Cristo em seus
Mistérios e Cristo, Ideal do Monge. Esses escritos tiveram uma
influência considerável na formação espiritual de seminaristas, clero,
religiosos, religiosas e leigos comprometidos, apresentando a fé cristã
centrada na pessoa de Jesus Cristo e fundamentada nas Sagradas Escrituras.
O cerne de
sua mensagem era fazer com que os batizados tomassem consciência de que
poderiam se tornar, imediatamente e verdadeiramente, filhos de Deus em Jesus
Cristo.
Após a
Primeira Guerra Mundial, ele fundou, junto com a Abadia de Mont-César (Louvain)
e a Abadia de Santo André (Bruges), a Congregação Beneditina Belga da
Anunciação, distinta da Congregação Alemã de Beuron, que fundou Maredsous
(1920-1922).
Dom Marmion
presidiu as celebrações do cinquentenário da fundação de Maredsous em 15 de
outubro de 1922. Entretanto, ele faleceu durante uma epidemia de gripe em 30 de
janeiro de 1923.
Seu processo
de beatificação foi iniciado na diocese de Namur em 1957. Seus restos mortais
foram transferidos do cemitério monástico para uma das capelas laterais da
basílica abacial em 1963. Foi durante uma visita a essa tumba em 1965 que uma
mulher americana recebeu a graça miraculosa da cura de um câncer.
A
beatificação de Dom Columba Marmion pelo Papa João Paulo II ocorreu em Roma em
3 de setembro de 2000. A celebração litúrgica de sua festa foi estabelecida em
3 de outubro pela Santa Sé.
Um número
cada vez maior de peregrinos vem invocá-lo em seu túmulo ou orar a ele em todo
o mundo.
Uma
publicação anual (Le Courrier du Bienheureux dom Columba Marmion) mantém
informadas as pessoas interessadas sobre informações, publicações e eventos
relacionados a essa personalidade agora proposta ao culto público da Igreja
Católica.
Extratos
Cristo, Vida
da Alma
‘Eu vos
enviarei o Espírito Santo’, prometeu-nos Jesus; ‘Ele mesmo vos lembrará tudo o
que Eu vos disse’ (Jo 14, 26). O Espírito da Verdade nos ‘lembra as palavras’
de Jesus. O que isso significa? Quando contemplamos as ações de Cristo Jesus,
seus mistérios, há momentos em que uma palavra, que lemos e relemos muitas
vezes sem que ela nos tenha chamado a atenção, de repente ganha um relevo
sobrenatural que antes não lhe conhecíamos. Essa palavra divina, o Espírito
Santo, que a liturgia chama de ‘o dedo de Deus’, a grava, a entalha na alma;
ela permanece ali para ser uma luz e um princípio de ação; se a alma for
humilde e atenta, essa palavra divina realiza seu trabalho silencioso, mas
fecundo.
A Fonte da
Paz Interior
Desejo
sinceramente que você possa adquirir a calma e a paz. O melhor meio de adquirir
essa calma é uma resignação absoluta à santa Vontade de Deus; é nessa região
que a paz se encontra... Tente não desejar nada, não apegar o seu coração a
nada sem antes apresentá-lo a Deus e colocá-lo no Sagrado Coração de Jesus, a
fim de querê-lo nele e com ele.
Uma das
principais razões pelas quais perdemos a paz da alma é que desejamos algo, que
prendemos nosso coração a algum objeto, sem saber se Deus o quer ou não; então,
quando um obstáculo se opõe aos nossos desejos, ficamos perturbados, saímos da
conformidade com a santa Vontade e perdemos a paz.
Quando somos
fiéis em dedicar todos os dias um tempo maior ou menor, de acordo com nossas
habilidades e deveres, para conversar com nosso Pai celestial, recolher essas
inspirações e ouvir esses ‘lembretes’ do Espírito, então as palavras de Cristo,
as Verba Verbi (as palavras daquele que é a Palavra), como Santo Agostinho as
chama, multiplicar-se-ão, inundando a alma com Luz divina e abrindo fontes de Vida
nela, para que ela possa sempre se saciar. Assim se cumpre a promessa de Jesus
Cristo : ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba; aquele que crê em mim, do
seu interior fluirão rios de água viva’. E, acrescenta São João, ‘Ele disse
isso a respeito do Espírito que aqueles que nele cressem iriam receber’ (Jo 7,
37-38).’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.aimintl.org/pt/communication/report/124