Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Bispo de Apucarana, PR
‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja
morto, viverá’ (Jo 11,18)
Ao nos aproximarmos do final do Ano Litúrgico, teremos duas celebrações
importantes nos dois primeiros dias do mês de novembro : a solenidade de Todos
os Santos e o Dia de Finados. Ambas, ligadas à vida de santidade e à morada
eterna que está reservada na Pátria Celeste aos que creem no Cristo Morto e
Ressuscitado para nossa salvação. ‘Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a
santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor’ (Heb 12, 14).
A solenidade de Todos Santos recorda que somos chamados a uma vida de
santidade, coerência e fé, com base nos ensinamentos de Jesus e da Igreja.
Inúmeros são os santos e santas na morada celeste. Muitos conhecemos pelo nome,
porém, a maioria deles, embora não saibamos o nome, estão na Glória,
contemplando a face da Trindade, ao lado da Virgem Maria e de São José. Fomos
criados por Deus para a vida e não para a morte, tanto que fomos resgatados
pelo Sangue Precioso do Filho, derramado para que pudéssemos, um dia,
contemplá-Lo e adorá-Lo em verdade.
Todos os batizados têm em si a graça necessária para viver em santidade e
alcançar, pelos méritos de Cristo, a Glória do Céu. Buscar o caminho da
santidade e vivê-la no dia a dia é um desafio que pode ser vencido pela fé e
perseverança da oração, da vivência dos sacramentos e da escuta e prática da
Palavra. A Pátria Celeste é para todos os que, de livre vontade, escolhem viver
em Cristo e para Cristo. Para sermos santos no céu, é preciso passar pela
morte. A morte é a separação física do homem com a terra, e é, pelos méritos da
Morte e Ressurreição de Cristo, que se dá nossa entrada na vida eterna. Essa
entrada na eternidade pode ser ao lado do Pai ou na ausência eterna de seu
Amor. Isso depende também de nosso comportamento, de nossas ações e de nossa fé
em Cristo Jesus.
Temos as regras para caminhar com Cristo na terra, e essas regras são os
Mandamentos Sagrados e a Santa Palavra de Deus, que nos ensina a buscarmos uma
vida de santidade, para vivermos como santos no Céu. Muitos Santos e Santas da
nossa Igreja encontraram, em vida, o verdadeiro sentido para a morte e, com
isso, aprenderam a viver bem sua vida terrena, na esperança e na certeza de que
a morte os levaria aos céus. É pela fé na ressurreição de Cristo que
encontramos o sentido da morte, pois Jesus a venceu e nos abriu as portas do
Céu. A Mãe Igreja, ao relembrar os fiéis defuntos, convoca seus filhos a se
confrontarem com o enigma da morte.
O dia de Finados suscita questionamentos e várias interpretações : muitos
pensam que não há o que fazer pelos que já morreram, pois acreditam que a morte
é o fim de tudo. Para outros, ainda, é um dia trágico, pois, de certa forma,
antecipa a cada ano o que seremos todos, um dia. Mas, graças a Deus, para
muitos, é um dia de esperança e comunhão com quem amamos e continuamos a amar,
apesar de termos perdido sua presença física neste mundo chamado de vale de
lágrimas.
É importante e salutar enfeitar os túmulos, levar flores, acender velas e,
mais importante ainda é oferecer o sacrifício da Missa em sufrágio das almas de
nossos entes queridos. Sempre pensamos que quem amamos e morre, imediatamente
está na Glória de Deus, mas a Igreja nos confirma categoricamente a existência
do Purgatório, onde se encontram os que necessitam de purificação, em virtudes
das faltas cometidas. Nosso corpo perece e morre para a vida nesta terra, mas a
alma vive eternamente e nossas orações podem atingi-las. Ao rezar pelas pessoas
que não estão mais presentes no meio de nós, quem sabe, se nesse dia, graças às
nossas preces e orações, elas não alcancem a necessária purificação e entrem,
definitivamente na Pátria Celeste? O nosso Deus é ‘o Deus dos vivos, e não dos
mortos’ (Lc 20,38).
A celebração do dia de Finados é uma oportunidade para fazermos uma
reflexão sobre a vida. Ela terminará para todos nós aqui neste mundo, é apenas
uma questão de tempo. Além disso, para a eternidade não poderemos levar nada de
material. Levaremos apenas o bem que tivermos feito para nós e para os outros.
Logo, deve ser uma tomada de consciência de que ser feliz e viver bem não quer
dizer acumular tesouros, prazeres ou glórias, mas fazer o bem e preparar uma
vida eterna com Deus. Que a Virgem Maria e São José intercedam por nós!
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.cnbb.org.br/finados-e-santidade/