Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Começamos a estudar a África Portuguesa, formada
pelos países marcados pela língua, por elementos culturais e religiosos
advindos dessa metrópole europeia que, apesar de sua pequena dimensão conseguiu
consolidar um vasto império colonial a partir dos séculos XV e XVI.
Como bem sabemos, o atual território africano foi
retalhado numa série de colônias propriedade de várias nações europeias, e o
país lusitano foi aquele que consolidou um dos maiores impérios.
O nome Angola deriva da palavra banto n’gola,
título utilizado pelos reis do antigo Reino de Ndongo, no século XVI,
localizado na atual região do país. Os portugueses adaptaram o título do
monarca, como o ‘Angola Kiluange’, para ‘Angola’ ao se referirem às terras de
Ndongo. Ngola era um termo banto que significa ‘força’ ou ‘rei/poderoso’
na língua quimbundo.
Da ocupação à colonização portuguesa
Localizada na costa ocidental da África, Angola
conta com uma rica e diversificada história que remonta aos tempos antigos. Sua
história é marcada por períodos de colonização, em que fez parte do Império
Colonial Português, conflitos internos e lutas pela independência, seguidos por
anos de instabilidade política e guerra civil.
Os primeiros habitantes conhecidos da região eram
os San, grupo de caçadores-coletores que deixaram evidências de sua presença na
forma de pinturas rupestres em várias partes do país. Esses grupos foram
posteriormente deslocados pelos povos bantos, que chegaram à região por volta
do século III a.C. formando diversos reinos ao longo da costa e no interior.
Durante a Idade Média europeia, o Reino do Congo se
tornou uma importante potência na região, formando um dos grandes reinos
africanos, estendendo-se seu domínio numa grande parte do que é hoje Angola,
bem como em partes da atual República Democrática do Congo e Gabão. O
comércio de marfim e escravos era importante para a economia do reino e a
religião cristã foi introduzida pelos missionários portugueses no final do
século XV.
Em 1482, o navegador português Diogo Cão chegou à
foz do rio Congo, marcando o início do contato português com os povos da
região. Em 1575, os portugueses fundaram a cidade de Luanda, que se tornou a
capital da colônia de Angola. Durante o período colonial, os portugueses
estabeleceram plantações de café, algodão e sisal, bem como exploraram minas de
diamantes e cobre.
Durante o século XIX, Angola tristemente se tornou
um importante centro de comércio de escravos, com milhares de pessoas sendo
capturadas e levadas para trabalhar nas plantações das Américas. A abolição da
escravatura em 1865, teve um impacto significativo na economia de Angola,
levando à mudança para o comércio de matérias-primas.
Na década de 1950, surgiram os primeiros movimentos
nacionalistas em Angola, com o objetivo de conquistar a independência em
relação a Portugal. O Movimento Popular de Libertação de Angola (conhecido pela
sigla MPLA) foi fundado em 1956, seguido pelo Exército de Libertação Nacional
de Angola (ELNA) em 1961 e pela União Nacional para a Independência Total de
Angola (UNITA) em 1966.
A luta pela independência se intensificou durante a
década de 1960, com os movimentos nacionalistas lutando contra as forças
portuguesas. A guerra se estendeu até a década de 1970, quando a Revolução dos
Cravos em Portugal levou à retirada das forças portuguesas de Angola. Em
novembro de 1975, o MPLA, que contava com o apoio da União Soviética e Cuba
declarou a independência de Angola.
A independência não trouxe a desejada paz para
Angola. A luta pelo poder entre o MPLA e a UNITA provocou uma guerra civil que
durou quase 30 anos. Ainda hoje existem milhões de minas terrestres plantadas
em diversas regiões do país e essa continuam fazendo suas vítimas.
Angola hoje
O português é a língua oficial de Angola e 60% dos
moradores declararam ser sua língua materna, embora estimativas indiquem que
70% da população fale uma das línguas nativas como primeira ou segunda língua.
Além do português, Angola abriga cerca de onze grupos linguísticos principais,
que podem ser subdivididos em cerca de noventa dialetos.
Alguns dos mais importantes escritores em língua
portuguesa da atualidade são angolanos. Sua literatura costuma representar com
realismo a dor e o preconceito sofridos pelo povo do país. Entre os principais
nomes da literatura angolana estão José Luandino Vieira, José Eduardo Agualusa
e Pepetela.
O cenário de Angola hoje é marcada por um
contexto socioeconómico desafiador, caracterizado por elevada pobreza,
desigualdade e insegurança alimentar, afetando grande parte da população.
Apesar de ser um país rico em recursos como petróleo e diamantes, os desafios
incluem a necessidade de muitas melhorias na saúde, educação e infraestrutura,
além do combate à corrupção. Apesar dos esforços de reconstrução, a
infraestrutura ainda enfrenta dificuldades em todo o país.’
Fonte : *Artigo na íntegra