Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Estamos estudando a história da África Portuguesa,
formada pelos países marcados pela língua, por elementos culturais e religiosos
advindos dessa metrópole europeia que, apesar de sua pequena dimensão conseguiu
consolidar um vasto império colonial a partir dos séculos XV e XVI.
Nos textos passados conhecemos um pouco da
história, da organização e da atual situação de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau
e São Tomé e Príncipe. Hoje nos debruçamos sobre mais um país da África
Portuguesa, Moçambique.
Rica tradição de povos e culturas
Situado no sudeste da África, Moçambique é um país
que possui uma rica história que remonta a muitos séculos. Desde o período
pré-colonial, passando pela luta pela independência até chegar na era
pós-colonial, Moçambique passou por diversas mudanças e transformações
políticas, sociais e culturais que influenciaram profundamente sua história.
O nome Moçambique, primeiramente utilizado
para a Ilha de Moçambique, primeira capital da colônia seria derivado
do nome de um comerciante árabe que ali viveu, Musa Al
Bik, Mossa Al Bique ou Ben Mussa Mbiki.
Moçambique era habitado por várias tribos e reinos
ligados ao povo Bantu nos séculos III a V da Era Crista, quando parte considerável
da Europa e do norte da África faziam parte do Império Romano. Foram eles que
introduziram a agricultura e o sedentarismo, substituindo comunidades nômades.
Depois disso, veio a influência Suíli-Árabe a
partir do século X. A costa marítima da região foi dominada por entrepostos
comerciais árabes, com a ilha de Moçambique tornando-se um centro comercial.
Moçambique era habitado então por várias tribos e
reinos, incluindo o Império Monomotapa, que governou a região entre os séculos
XV e XVII. O império ficou famoso por causa de suas minas de ouro que atraíam
comerciantes árabes e portugueses para a região.
Durante esse período, a região também era conhecida
por ser um importante centro de comércio de escravos, com muitos africanos
sendo capturados e vendidos como escravos para outras partes do mundo. No
entanto, também existiam rotas comerciais prósperas que ligavam Moçambique a
outros países africanos, como Zimbábue, Malawi e Tanzânia.
Foi aí que em 1498, chegaram os portugueses
chegaram, liderados pelo navegador Vasco da Gama que buscava o caminho das
Índias. A presença portuguesa concentrou-se inicialmente na costa, com o nome
do país.
A partir daí, começou o processo de colonização do
país, que durou até a independência em 1975. Durante o período colonial, os
portugueses exploraram os recursos naturais de Moçambique e utilizaram a
mão-de-obra africana para trabalhar nas plantações e minas.
Portugal, porém, somente consolidou o controle
sobre todo o território no final do século XIX, criando fronteiras e
administrando através de companhias concessionárias com trabalho forçado.
O processo de colonização não foi aceito livremente,
acontecendo resistência indígena, com líderes como Ngungunhana, até o início do
século XX.
O processo de independência
A colonização provocou muitos malefícios, trazendo
conflitos e tensões, com a população nativa sendo reprimida e discriminada
pelos colonizadores. Houve várias revoltas e insurreições contra o domínio
português, como a Guerra de Libertação, que durou de 1964 a 1974 e culminou na
independência de Moçambique.
A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)
iniciou a luta armada em 25 de setembro de 1964 e a independência foi
proclamada onde anos depois em 25 de junho de 1975, Samora Machel o líder da
luta contra Portugal tornou-se o primeiro presidente.
Aqueles que haviam atuado na luta pela
independência não se entendiam explodindo então no país a Guerra Civil que
durou de 1977 a 1992. A FRELIMO enfrentou a RENAMO numa guerra civil que causou
grande sofrimento para a população, contando também com o apoio de potências
estrangeiras de um lado e de outro.
Na atualidade
Moçambique continua enfrentando significativos desafios
na reconstrução do país e na consolidação da democracia. Sua economia continua
sendo frágil e a infraestrutura limitada e os serviços básicos bastante
limitados.
A capital e maior cidade do país, Maputo, chamada
de Lourenço Marques, durante o domínio português concentra uma grande
população.
Nos últimos anos, Moçambique tem registrado um
crescimento econômico significativo, impulsionado principalmente pelo setor de
mineração e gás natural. No entanto, o país ainda enfrenta desafios
significativos em áreas como pobreza, corrupção e desigualdade social.
A história de Moçambique é rica e complexa,
refletindo as influências de várias culturas e povos ao longo dos séculos.
Desde o período pré-colonial até os dias atuais, Moçambique passou por muitas
mudanças e transformações, enfrentando desafios significativos ao longo do
caminho. No entanto, a resiliência e a força do povo moçambicano permitiram que
o país se recuperasse e prosperasse, abrindo novas oportunidades para o futuro.’
Fonte : *Artigo na íntegra