Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Crianças enterrando crianças. Também se depara com essas cenas angustiantes na Faixa de Gaza, e é a
segunda vez em um mês que são realizados funerais em massa, durante os quais as
crianças depositam flores e acendem velas sobre os corpos de seus coetâneos.
A tragédia
dos resgates
No início do
mês de setembro, foram recuperados dos escombros de um prédio residencial no
sudeste da Cidade de Gaza — destruído há mais de dois anos por um ataque aéreo
israelense — 106 corpos, entre os quais os de 73 crianças. Os corpos
permaneceram presos durante todo esse tempo sob os escombros do prédio, antes
que as equipes de resgate conseguissem abrir caminho entre o concreto armado e
retirá-los. E o que torna ainda mais dramático o processo de resgate é a
paralisia logística imposta no local.
Não fiquemos
de braços cruzados
‘Essas vidas
ceifadas são o testemunho do custo brutal que esta guerra está impondo às
crianças. A humanidade não pode aceitar que os funerais em massa de crianças
palestinas se tornem uma realidade cotidiana. Não podemos ficar parados
assistindo enquanto tudo isso continua’, disse Ahmad Alhendawi, diretor
regional da Save the Children para o Oriente Médio, Norte da África e Europa
Oriental. De acordo com o relatório da Comissão Internacional Independente de
Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo
Jerusalém Oriental, e Israel, pelo menos 20.179 crianças foram mortas na Faixa
de Gaza entre 7 de outubro de 2023 e 31 de março de 2026. E mais. Mais de
44.000 ficaram feridas e muitas outras ainda estão soterradas sob os escombros;
dezenas de milhares perderam um ou ambos os pais, enquanto cerca de 21.000
vivem hoje com deficiências permanentes, incluindo inúmeras amputações. No
total, entre mortos e feridos, o número ultrapassa 50.000 crianças. Estima-se,
além disso, que cerca de 17.000 crianças tenham ficado sozinhas, sem pais ou
parentes de referência, muitas vezes separadas de suas famílias devido a
deslocamentos forçados ou a perdas de vidas durante os bombardeios.
O drama da
desnutrição
O acesso a
alimentos e bens essenciais (farinha, pão, leite) continua extremamente
limitado. Centenas de milhares de pessoas correm risco ou sofrem diretamente de
desnutrição aguda, com graves consequências para o desenvolvimento normal e
para a saúde. Os danos contínuos às infraestruturas hídricas e aos estoques de
ajuda humanitária limitam a disponibilidade de água potável, expondo-as ao
risco constante de infecções e epidemias. A desnutrição crônica afetou 12,2%
das crianças menores de cinco anos e, segundo Edouard Beigbeder, diretor regional
do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África, ‘a situação nutricional das
crianças melhora quando a ajuda e os suprimentos comerciais chegam até elas, e
piora com a mesma rapidez quando isso não acontece’.
O colapso do
sistema de saúde em Gaza
Recentemente,
graças ao apoio de agências humanitárias, foram prestados serviços de saúde e
nutrição essenciais à sobrevivência a dezenas de milhares de crianças, mulheres
e famílias vulneráveis em todo o enclave palestino. Esse apoio contribuiu para
sustentar os serviços de saúde para mães, recém-nascidos e crianças pequenas,
ampliar o acesso à atenção primária à saúde e fortalecer a capacidade de
terapia intensiva, em um momento em que as hostilidades em curso, os repetidos
deslocamentos, as infraestruturas danificadas e a grave escassez de suprimentos
médicos essenciais continuam a exercer uma enorme pressão sobre o sistema de
saúde de Gaza. Ao mesmo tempo, devido à escassez de recursos financeiros, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que, a partir de 19 de setembro,
interromperá o fornecimento de diesel a cerca de 20 unidades hospitalares.
Enquanto
isso, nos territórios, a violência e os ataques continuam. Um ataque das Forças
de Defesa de Israel (IDF) a oeste da Cidade de Gaza, no norte do território,
matou na segunda-feira pelo menos uma pessoa e deixou vários feridos, segundo a
Al Jazeera.’
Fonte : *Artigo na íntegra