Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘A Igreja Católica, desde muitos séculos, proclama
os seus santos. O primeiro processo formal de canonização foi realizado pelo
Papa João XV, que elevou aos altares o bispo de Augsburgo, Dom Ulrique, no ano
993.
Os santos refletem a graça de Cristo. Eles não são
importantes por si mesmos, mas porque são reflexos de Cristo Jesus. Para alguns
a santidade é exclusiva de alguns escolhidos, no entanto, todos os fiéis são
chamados à santidade. A santidade não é algo inatingível. Os santos podem
brotar em todas as épocas, em qualquer cultura ou em qualquer condição social.
Cada santo manifesta um aspecto do mistério de Cristo com sua história e
personalidade específica. São João Paulo II refletiu a misericórdia, São Francisco
a pobreza radical, Santo Agostinho o intelecto a serviço da fé e outros, a
força do martírio. Diante disso, o que vemos é a infinita riqueza de
Cristo.
A Igreja não ‘produz’ santos : ela os reconhece
mediante a manifestação do povo. Por meio da canonização, a Igreja confirma
formalmente que a pessoa viveu as virtudes cristãs de forma heroica e que sua
intercessão junto a Deus é eficaz. A pessoa foi uma imagem viva do Evangelho de
Jesus Cristo. Para a Igreja, o santo também é modelo de vida, é um itinerário
seguro a ser seguido. A canonização afirma que aquela pessoa já tem a visão de
Deus e que pode interceder por todos os fiéis. Isso reafirma a comunhão dos
santos : que os fiéis estão ligados intimamente àqueles que nos precederam e
que há uma troca de dons entre o Céu e a Terra.
A santidade não é um privilégio de alguns, mas um
chamado universal : ‘Sede santos, porque eu, vosso Deus, sou santo’ (Lv 19,2).
A Constituição Dogmática Lumen Gentium (Concílio Vaticano II)
apresenta um capítulo inteiro sobre a santidade, o ‘Chamado universal à
santidade’.
Não é preciso ser padre, bispo ou o fundador de
alguma ordem para ser santo. A santidade é para todos os crentes. Os leigos em
sua vida cotidiana podem ser santos. Exemplos de leigos santos : Santa Gianna Beretta
Molla, mãe de família; São Luís Martin, pai de família; São Domingos Sávio e
Santo Carlos Acutis, os jovens; São José, o trabalhador; São Tomás More, o
intelectual. Para ser santo não é preciso ser protagonista de grandes feitos,
mas viver o amor de Deus nos pequenos gestos. Santa Teresinha chamava isso de ‘a
pequena via’.
A virtude básica da santidade é a humildade. O
santo não se reconhece como santo e se o assim fizesse deixaria de sê-lo. A
santidade é uma prerrogativa de Deus, que nela participa o santo.
Por fim, as vidas dos santos são itinerários de fé,
confirmações de que o Espírito Santo continua agindo na história do povo de
Deus. Os santos são os nossos irmãos exemplares, que testemunharam a
ressurreição. No fim fica o chamado do Apocalipse : ‘Quem tem sede, venha; quem
deseja, receba de graça a água da vida’ (22,17). ’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/qual-o-sentido-dos-santos-da-igreja.html