Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo de
Bispo de Marabá, PA
‘Nós estamos próximos de Pentecostes, a solenidade
na vida eclesial, espiritual, religiosa nas quais nós comemoramos a vinda do
Espírito Santo sobre os Apóstolos com Maria Santíssima no Cenáculo. Pentecostes
foi o grande acontecimento salvífico que marcou a vida da Igreja fazendo os
apóstolos, testemunhas dignas de serem os discípulos missionários de Jesus
Cristo na Obra da redenção pelo mundo, proveniente do Pai. Na realidade atual,
nós almejamos um Novo Pentecostes para que a paz e o amor reinem nos corações
das pessoas e dos povos, em vista de uma vida humana conforme o plano do
Senhor. Nós veremos a seguir a visão de São Basílio a respeito do Espírito
Santo, a sua Pessoa e os dons que Ele concede à humanidade.
As noções do Espírito Santo a partir das Escrituras
O Espírito Santo recebe os nomes de Espírito de
Deus, o Espírito da Verdade, que vem do Pai (Jo 15,26). Ele é também conhecido
como Espírito reto, Espírito principal (Sl 50, 12-14). Segundo São Basílio, é o
Espírito Santo o seu nome próprio, Ele é o ser incorpóreo, inteiramente
imaterial e simples [1]. A natureza humana tem estas noções em relação ao
Espírito Santo.
Deus é Espírito
O Senhor Jesus disse à samaritana que acreditava
necessário adorar em um determinado lugar, que o Ser incorpóreo é
incircunscrito afirmando que Deus é Espírito (Jo 4,24). Desta forma ao ouvir
falar do Espírito Santo, a pessoa fiel não deve imaginar uma natureza
circunscrita ou sujeita a mudança, alteração semelhante à uma criatura. Por isso
ao pensar ao Ser sublime, o Espírito Santo, dever-se-á ter presente uma
substância inteligente, de poder infinito, de grandeza ilimitada, fora do tempo
e dos séculos [2].
A busca da santificação
O Espírito Santo faz do ser humano uma contínua
busca de santificação, porque Ele é Santo. Para Ele se dirigem os desejos
intensos das pessoas que vivem segundo a virtude, quantas recebem o calor de
seu sopro sendo amparadas para alcançar o fim adequado a sua natureza, que é a
divina. Ele sempre aperfeiçoa às pessoas que o buscam de coração sincero, sem
contudo, Ele mesmo de nada carecer [3].
Provedor de vida
Ele é o Ser que é provedor de vida, porque nele não
há morte, destruição. Ele é a vida em plenitude junto com o Pai e o Filho. Ele
não aumenta, mas possui a plenitude da vida, é consistente por si mesmo,
estando em toda a parte. Ele concede a iluminação a toda a faculdade racional,
para que descubra a verdade. Seu poder enche todas as coisas, comunicando-se às
pessoas que são dignas, operando conforme à fé, a caridade [4].
Simples por essência
O Espírito Santo é simples por essência, e o seu
poder se manifesta em milagres variados (Cfr. Hb 2,4). Ele está presente todo
inteiro em cada ser. Ele é impassível na partilha, Ser que não falha na
comunicação, iluminando a todo o ser que nele se volta com amor. Ele está
presente em tudo, como se fosse o único às pessoas que são capazes de
acolhê-lo, e Ele comunica a graça suficiente para todas as pessoas que usufruem
da sua graça o quanto é possível por sua natureza [5].
A aproximação do Paráclito
São Basílio afirmou que é possível aproximar-se do
Paráclito, do Espírito Santo se o ser humano fizer a sua parte, através da
purificação e a recuperação da beleza própria da nossa natureza, na sua
primitiva forma [6]. O Paráclito como um sol, penetrará os olhos purificados e
mostrará em si a Imagem do ser Invisível. Na feliz contemplação da Imagem, a
pessoa verá a inefável beleza do modelo originário [7].
As ações do Espírito Santo
É importante ver as ações que o Espírito Santo
realiza nas pessoas, porque por meio Dele, elevam-se os corações, os fracos são
conduzidos pela mão, os que progridem chegam à perfeição. Através da conversão
de vida das pessoas, transforma o Espírito as pessoas em espirituais, através
da comunhão com Ele [8]. O Espírito Santo dá a graça da inteligência dos
mistérios, a percepção das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a
cidadania celeste, o canto em coro com os anjos, a alegria interminável, a
habitação junto de Deus, a semelhança com Deus [9].
Crer no Filho e no Pai
São Basilio disse que a pessoa unida ao Espírito
acredita no Filho, da mesma forma a pessoa unida no Espírito crê no Pai.
Ninguém pode dizer Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo (Cfr. 1 Cor
12,3). Desta forma é impossível adorar o Filho, a não ser no Espírito Santo,
nem é possível invocar o Pai, a não ser no Espírito de adoção filial [10]. Por
isto o Espírito Santo nos une com o Pai e o Filho e a todas as criaturas.
Nós almejamos um novo Pentecostes de modo que é
preciso rezar e trabalhar para que Ele aconteça para a toda Igreja, para o
mundo e a todos nós para que vivenciamos sempre mais o amor a Deus, ao próximo
a como a si mesmo.’
[1] Cfr. Tratado sobre o Espírito Santo,
9,22. In: Basílio de Cesaréia. São Paulo: Paulus,
1998, pg. 114.
[2] Cfr. Idem, pgs. 114-115.
[3] Cfr. Ibidem, pg. 115.
[4] Cfr. Ibidem.
[5] Cfr. Ibidem.
[6] Cfr. Ibidem, 9, 23, pg.
116.
[7] Cfr. Ibidem.
[8] Cfr. Ibidem.
[9] Cfr. Ibidem.
[10] Cfr. Ibidem, 11, 27, pg.
120.
Fonte : *Artigo na íntegra