Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
Missionário Comboniano
‘Pouco depois
de ter sido eleito como sucessor do Papa Francisco, Leão XIV publicou o
primeiro texto oficial do seu pontificado, com o título Eu te amei (Dilexi
te). Fica assim claro que o programa do novo papa é continuar com toda a
Igreja o caminho que estávamos a fazer com o Papa Francisco : olhar para o amor
divino e humano do Coração de Jesus para encontrar aí a força e a alegria que
nos leva a amar os outros. E não se trata de um «amor genérico», ou um simples
sentimento que nos dá a ilusão de estarmos com Deus. Já Francisco dizia que o
amor do Coração de Cristo sempre nos leva ao encontro daqueles que eram os
amigos preferidos de Jesus, os pobres, os últimos.
Leão XIV, um
bispo habituado a ver a sua vida como um serviço à Igreja, já nos muitos anos
de vida missionária no Peru, em contacto direto com a gente simples e pobre da
sua diocese, e também nos poucos anos em que ele tinha começado a colaborar com
o Papa Francisco, em Roma, não admira que ele continue a ver também a sua
missão como papa como um novo serviço à mesma Igreja.
Podemos bem
dizer que em Roma, chega um novo papa, mas é o mesmo serviço que continua. E
assim Leão escreve, logo ao início desta exortação apostólica, que deseja
simplesmente continuar o trabalho e a reflexão que Francisco já tinha começado.
E diz mesmo que uma boa parte deste documento já tinha sido preparado pelo seu
antecessor. É o mesmo serviço que continua, com um servidor novo.
A intenção do
Papa Leão, com este novo documento, é, como ele mesmo diz, contribuir para que
«todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de
Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres» (Amei-te,
3).
Os seus vinte
anos de serviço missionário entre a gente simples do Peru, na América do Sul,
levaram-no a compreender que o amor cristão não pode ser vivido com
autenticidade só no pequeno círculo onde nos sentimos confortáveis. Se é
verdadeiro em nós o amor do Coração de Cristo, ele move-nos sempre ao encontro
dos mais necessitados. E se já pertencemos a essa parte da Humanidade que
precisa de lutar todos os dias para sobreviver, diremos como diziam os meus
paroquianos no Quênia : somos cristãos, precisamos de ajudar os que são ainda
mais pobres do que nós.
O amor que
vem do Coração de Jesus nunca nos deixa quietos no nosso conforto, move-nos
sempre ao encontro de quem mais precisa. E isto não como uma obrigação que nos
é imposta, mas como uma necessidade que nasce do próprio amor que vivemos.
Viveríamos frustrados se o amor de Deus em nós não transbordasse também para
muitos outros.
Francisco
ajudou-nos a ver como o Coração de Jesus é a fonte de onde jorra o amor que
enche de sentido e de alegria o nosso viver. O Papa Leão vem agora guiar-nos no
caminho que do Coração de Cristo nos conduz ao encontro dos mais pobres da
nossa sociedade e do nosso mundo, para que sintam na nossa presença a voz de
Deus que lhes diz : «Amei-te.»’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1529/papa-leao-os-pobres-ao-centro/