Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
‘Localizado
na África Oriental a Etiópia, frequentemente é chamada de berço da humanidade
porque na região foi encontrado fóssil de Lucy, em 1974, na região
de Hadar, no deserto de Afar. A descoberta foi feita por uma equipe
liderada pelo paleoantropólogo Donald Johanson, revelando um hominídeo bípede
que viveu há milhões de anos, preenchendo lacunas na árvore evolutiva humana. O
esqueleto estava 40% preservado.
A Etiópia é
um dos países mais antigos do mundo e um dos únicos da África que nunca foi
colonizado. Próxima do Oriente Médio sua posição geográfica é muito estratégica.
Possivelmente
a palavra signifique ‘caras queimadas’, devido à cor da pele de seus habitantes
queimada pelo sol do deserto. Na época greco-romana, a alcunha etíope se tornou
a designação genérica dos habitantes desde o sul do Egito, passando por toda a
África até os países em torno do Oceano Índico e à India.
Com raízes no
antigo Império de Axum, (século I a.C.), a nação adotou bem cedo o
cristianismo, resistiu ao colonialismo europeu no século XIX, sendo um reino
independente até 1974, quando se tornou uma república.
Principais
Períodos Históricos
O Reino de
Aksum ou Axum prosperou bastante como intermediário comercial, convertendo-se
ao cristianismo no século IV. Localizado ao sul do Egito, que abrigou uma das
maiores civilizações de todos os tempos, incluía também a Núbia, o Sudão e o
norte da Etiópia dos tempos modernos.
Em hebraico
esse país se chamava Cuxe ou Cuse, nome de um dos filhos de CAM. Segundo alguns
livros bíblicos Israel teve contatos com a Etiópia (Nm 12.1; 2Cr 12.3; 14.9-13;
2Rs 19.9) e a tradição conta que a dinastia Salomônica se originou da Rainha de
Sabá e do Rei Salomão.
Na Idade
Média ocidental se deu a consolidação da cultura cristã ortodoxa e construção
das igrejas de Lalibela.
Mesmo
sofrendo várias incursões militares ao longo de sua história, desde árabes até
italianos, a Etiópia sempre conseguiu manter sua autonomia.
No século
XIX, sofreu incursões de tropas italianas, no contexto do processo da
colonização africana. A Itália tinha como objetivo instalar uma colônia na
Etiópia, porém os etíopes resistiram e conseguiram estabelecer novamente a
sua autonomia, contando com o apoio de forças estrangeiras, como dos ingleses.
A Etiópia
chegou a ser governada como uma colônia do Império Italiano de 1936
até 1941, quando os britânicos, apoiados pelos partisans antifa da Etiópia e
pelas tropas coloniais dos Franceses Livres, conquistaram a Etiópia.
A Etiópia na
atualidade
Os etíopes
possuem um longo histórico de disputas com a vizinha Eritreia, mas em âmbito
local, tem enfrentado muitos distúrbios, em especial, a partir da segunda
metade do século XX, com a instalação de diversos governos extremistas. As
disputas internas resultaram em graves problemas sociais, como grandes ondas de
fome entre a população. A Etiópia é considerada um dos países mais pobres
do mundo.
As primeiras
eleições democráticas no país ocorreram apenas em 1995. Atualmente, apesar dos
avanços em termos políticos e econômicos, a Etiópia ainda enfrenta graves
problemas sociais.
A cultura
rastafári está diretamente relacionada à história da Etiópia e as ‘cores do
reggae’ são uma referência à bandeira etíope.
Presença
portuguesa na Etiópia
A presença
portuguesa na Etiópia entre os séculos XV e XVII, foi marcada primeiramente
pela procura do mítico reino cristão do Preste João, resultando em
alianças militares cruciais, como o apoio de Cristóvão da Gama em 1542, contra
o Sultanato de Adal, e tentativas de conversão da Igreja Ortodoxa etíope ao
catolicismo, influenciando a cultura e a política local.
Em 1492, Pero
da Covilhã, um espião de Dom João II chegou à região, estabelecendo os
primeiros contatos. O Império Etíope, pressionado por forças muçulmanas,
solicitou ajuda a Portugal. Em 1541-1543, um contingente de 400 soldados
liderados por Dom Cristóvão da Gama interveio, vencendo batalhas cruciais,
apesar de sua morte na luta.
Essa presença
incluiu o envio de missionários jesuítas que tentaram converter o imperador e a
população ao catolicismo, gerando tensões internas.
Os
portugueses também introduziram técnicas militares europeias, mas a sua
influência diminuiu no século XVII devido à resistência etíope à conversão
religiosa, resultando na expulsão dos jesuítas em torno de 1630-1640.
Uma obra
intitulada ‘Verdadeira Informação sobre a Etiópia’, de Francisco Álvares,
descreve o império e destaca o papel de Portugal na preservação da Etiópia
cristã no Chifre da África.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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