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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo da redação da revista Ave Maria


‘Sede bem humildes; é nosso Senhor quem faz tudo; nós somos seus simples instrumentos. Confiai sempre e muito na divina providência; nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários. Novamente vos digo : confiai em Deus e em Maria Imaculada; permanecei firmes e adiante! Recomendo-vos muito e muito a santa caridade entre vós e especialmente para com os doentes das santas casas, dos asilos etc. Tende grande amor à prática da santa caridade. Está terminada minha missão; morro contente e dou, de todo coração, a vós toda a minha bênção.’ (Testamento espiritual de Santa Paulina)

Amabile Lucia Visintainer, em religião Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, nasceu em Vigolo Vattaro, Diocese de Trento (Itália), filha de Antonio Napoleone e Anna Pianezzer, a 16 de dezembro de 1865, segunda de catorze filhos, nove homens e cinco mulheres.

Foi batizada no dia seguinte ao nascimento e, segundo o uso do tempo, foi crismada a 27 de abril de 1874, durante a visita pastoral do bispo de Trento.

Pela pobreza dos familiares, como as outras meninas da localidade já aos 8 anos ajudou os pais no trabalho da filanda (fábrica de tecidos), atividade comum naquela região do Trento.

Durante a emigração sul-tirolesa de 1875 para o Brasil, a família de Napoleone Visintainer e Anna Pianezzer emigrou juntamente com cinco filhos, entre os quais Amabile, que contava com 10 anos.

Vida nova em Vigolo, Santa Catarina

Para o grupo trentino foram assinaladas terras para colonizar na província, hoje Estado, de Santa Catarina, ao sul do Brasil, onde logo nasceram vilas que, tendo no centro Nova Trento, tomaram os nomes das terras deixadas : Vígolo, Bezenello, Valsugana etc.

Religiosamente, a região era confiada ao pároco de Brusque, região alemã, mas, em 1879, por causa da presença de imigrantes italianos, foi confiada aos padres jesuítas da Província Romana.

Amabile, tendo mais ou menos 12 anos, fez a Primeira Comunhão e começou a ler.

Logo depois de sua chegada, o Padre Augusto Servanzi, superior da Residência de Nova Trento, confiou a Amabile, de 15 anos, e a uma sua amiga a limpeza da Capela de São Jorge, a leitura do Catecismo da Igreja Católica às crianças e a visita aos doentes.

Durante dez anos, dos 15 aos 25, ela foi fiel ao mandato recebido do Padre Servanzi, embora em 1887, ano da morte da mãe, devesse acudir à família : pai e sete irmãos, dos quais três em tenra idade, porque nasceram no Brasil.

O hospitalzinho, o inicio de tudo

Em 1890, o Padre Marcello Rocchi, missionário da Residência de Nova Trento, transformou a assistência aos doentes em domicílio naquele tipo hospitalar, naturalmente nos limites do possível, confiando, a pedido do povo, o serviço a Amabile e à sua amiga.

Com a transferência de Amabile e da companheira da casa paterna à limitadíssima habitação (de quatro por seis metros), já batizada pelo povo ‘hospitalzinho’, e onde foi recolhida a primeira cancerosa, a 12 de julho de 1890, nasceu aquela que, nos planos da providência, devia se tornar a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

O instituto começou na extrema pobreza, pelo que as primeiras irmãs, além do cuidado dos doentes e das órfãs e dos trabalhos na paróquia, para viver deviam trabalhar na roça, à meia, e na pequena indústria da seda, muito conhecida, segundo a tradição e a capacidade trentinas.

O instituto nasceu e permaneceu sob a direção dos padres da Companhia de Jesus : de 1890 a 1895, Padre Marcello Rocchi; de 1895 a 1921, Padre Luigi Maria Rossi; de 1921 em diante, Padre Giuseppe Gianella etc.

A primeira aprovação

O primeiro ato do Padre Rossi foi obter do bispo de Curitiba (PR) a aprovação do nascente instituto, em 25 de agosto de 1895, e regularizar a profissão dos votos a 7 de dezembro de 1895, quando Amabile tomou o nome religioso de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

Quando, em 1903, Padre Rossi foi transferido de Nova Trento para a cidade de São Paulo (SP), quis constituir Madre Paulina superiora-geral das duas comunidades, Vígolo e Nova Trento, já com cerca de trinta religiosas.

No mesmo ano, Padre Rossi chamou Madre Paulina para São Paulo e lhe confiou a direção de um orfanato na colina do Ipiranga.

A dura prova de Madre Paulina em São Paulo

De 1903 a 1909, o instituto passou para São Paulo com novas fundações, quatro sob o governo de Madre Paulina.

Em 1909, Madre Paulina precisou afrontar uma prova que duraria até sua morte. Por artimanhas de uma irmã, secretária e assistente, e pela ingerência de uma benfeitora, a autoridade da fundadora foi, dia por dia, diminuída.

Em agosto de 1909, por ordem do arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, e com a aprovação do Padre Rossi, Madre Paulina não foi reeleita pelas irmãs, artificiosamente preparadas e convocadas para o capítulo-geral, que foi chamado o primeiro do Instituto.

De 1909 a 1918, Madre Paulina foi designada para Bragança Paulista (SP), como súdita, mas sempre tratada como ‘Veneranda Madre Fundadora’.

A nova superiora-geral, Madre Vicência Teodora da Imaculada Conceição, serviu-se dela não somente no governo mas também nas novas fundações e nas visitas canônicas, especialmente quando, depois de 1918, Madre Paulina foi chamada pela superiora-geral, com a permissão do Padre Rossi, para a casa-mãe em São Paulo.

Um exemplo de vida religiosa

Seja na vida de família, seja na vida religiosa, como fundadora, superiora-geral e súdita, Madre Paulina deu provas de intenso espírito religioso e de heroicas virtudes, sendo exemplo às religiosas no serviço aos doentes, às órfãs, aos idosos, na aceitação dos sofrimentos físicos causados pelo diabetes, em razão do qual precisou sofrer a amputação do braço direito. Morreu piamente no dia 9 de julho de 1942.

Em 31 de maio de 1967, seus restos mortais foram transladados do Cemitério Santíssimo Sacramento, em São Paulo, onde fora enterrada, para a casa-geral no Ipiranga, na mesma cidade.

Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em Florianópolis (SC), aos 18 de outubro de 1991. Pelo mesmo Sumo Pontífice, foi canonizada, em Roma, Itália, aos 19 de maio de 2002.

Sua festa litúrgica é no dia 9 de julho.’

 

Fonte  *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/santa-paulina-do-coracao-agonizante-de-jesus-2.html


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Qual o sentido dos santos da Igreja?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Adelmo Sergio Gomes

  

‘A Igreja Católica, desde muitos séculos, proclama os seus santos. O primeiro processo formal de canonização foi realizado pelo Papa João XV, que elevou aos altares o bispo de Augsburgo, Dom Ulrique, no ano 993.

Os santos refletem a graça de Cristo. Eles não são importantes por si mesmos, mas porque são reflexos de Cristo Jesus. Para alguns a santidade é exclusiva de alguns escolhidos, no entanto, todos os fiéis são chamados à santidade. A santidade não é algo inatingível. Os santos podem brotar em todas as épocas, em qualquer cultura ou em qualquer condição social. Cada santo manifesta um aspecto do mistério de Cristo com sua história e personalidade específica. São João Paulo II refletiu a misericórdia, São Francisco a pobreza radical, Santo Agostinho o intelecto a serviço da fé e outros, a força do martírio. Diante disso, o que vemos é a infinita riqueza de Cristo. 

A Igreja não ‘produz’ santos : ela os reconhece mediante a manifestação do povo. Por meio da canonização, a Igreja confirma formalmente que a pessoa viveu as virtudes cristãs de forma heroica e que sua intercessão junto a Deus é eficaz. A pessoa foi uma imagem viva do Evangelho de Jesus Cristo. Para a Igreja, o santo também é modelo de vida, é um itinerário seguro a ser seguido. A canonização afirma que aquela pessoa já tem a visão de Deus e que pode interceder por todos os fiéis. Isso reafirma a comunhão dos santos : que os fiéis estão ligados intimamente àqueles que nos precederam e que há uma troca de dons entre o Céu e a Terra. 

A santidade não é um privilégio de alguns, mas um chamado universal : ‘Sede santos, porque eu, vosso Deus, sou santo’ (Lv 19,2). A Constituição Dogmática Lumen Gentium (Concílio Vaticano II) apresenta um capítulo inteiro sobre a santidade, o ‘Chamado universal à santidade’. 

Não é preciso ser padre, bispo ou o fundador de alguma ordem para ser santo. A santidade é para todos os crentes. Os leigos em sua vida cotidiana podem ser santos. Exemplos de leigos santos : Santa Gianna Beretta Molla, mãe de família; São Luís Martin, pai de família; São Domingos Sávio e Santo Carlos Acutis, os jovens; São José, o trabalhador; São Tomás More, o intelectual. Para ser santo não é preciso ser protagonista de grandes feitos, mas viver o amor de Deus nos pequenos gestos. Santa Teresinha chamava isso de ‘a pequena via’. 

A virtude básica da santidade é a humildade. O santo não se reconhece como santo e se o assim fizesse deixaria de sê-lo. A santidade é uma prerrogativa de Deus, que nela participa o santo. 

Por fim, as vidas dos santos são itinerários de fé, confirmações de que o Espírito Santo continua agindo na história do povo de Deus. Os santos são os nossos irmãos exemplares, que testemunharam a ressurreição. No fim fica o chamado do Apocalipse : ‘Quem tem sede, venha; quem deseja, receba de graça a água da vida’ (22,17). ’

 

Fonte  *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/qual-o-sentido-dos-santos-da-igreja.html

 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Ritmo do céu

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Ricardo Abrahão 


‘Ouve-se que o ritmo de vida anda difícil. A aceleração tomou conta dos seres humanos enquanto a natureza dança sob o ritmo do Criador. A Terra gira num ritmo invariável dentro de um universo que define bem o que é ritmo. A natureza do micro ao macro responde o que é ritmo e vida. O ser humano tornou-se ‘surdo’ ao próprio ritmo do corpo; o coração bate involuntariamente, mantém o ritmo da vida e a maioria não presta atenção a isso. Não há mais tempo nem mesmo para sentir a vida dentro de si. Medo, violência, ambição, inveja, mentira, corrupção e maldade são ruídos que tomam o lugar da vida nas pessoas onde deveria pulsar o ritmo do amor.

O cristão é alguém que escolhe escutar o ritmo do amor para desenvolvê-lo de modo consciente e ativo. Ritmo é direção. Cristão é aquele cuja direção é a caridade plena, amando ao próximo mais do que a si mesmo. É o ritmo do Espírito Santo. Murray Schafer escreve no livro O ouvido pensante : ‘Originalmente, ‘ritmo’ e ‘rio’ estavam etimologicamente relacionados, sugerindo mais o movimento de um trecho do que sua divisão em articulações’. A única certeza que um cristão tem de estar fluindo, caminhando, movimentando-se na direção certa é uma verdadeira vida de oração. Dela depende todo o restante. Dela brota a verdadeira caridade. É por meio da oração que se conquista o ‘fazer o bem sem olhar a quem’. Gestos caritativos sem vida de oração correm o risco de ser narcísicos : ‘eu faço’, ‘eu sou’, ‘eu tenho’, ‘eu…’. A verdadeira oração direciona o espírito para o ‘nós’ e o ego não mais se sustenta cedendo ao amor divino. Por isso, orar com o coração e a voz em comunidade é fundamental ao ritmo da Igreja. 

Anselm Grün esclarece bem a oração em comunidade no livro Liturgia das horas e contemplação : ‘A salmodia comunitária se limita a ‘recitar’ os textos sagrados, para que eles se façam presentes não só na escrita e na letra, mas também ao som da voz da comunidade que reza e para que possam ser absorvidos também pela audição e pelo coração. Mas são justamente o comedimento reverente com o qual isso acontece e a simples uniformidade da execução musical que permitem – e isso é confirmado pela experiência de muitos cantores e ouvintes da salmodia ao longo dos séculos – a criação de uma atmosfera na qual o coração é conduzido a um silêncio atento e receptivo’. 

Recitar significa simplicidade. Quem entendeu a mensagem contida no sexto capítulo do Evangelho de Mateus entenderá com facilidade o texto de Anselm Grün acima transcrito, do contrário, ainda não entendeu muitas coisas e corre grandes riscos de deturpar a mensagem de Jesus. 

 Santa Teresa de Calcutá disse que ‘É difícil rezar se você não sabe como rezar, mas devemos nos ajudar a rezar. A primeira coisa a fazer é recorrer ao silêncio. Não podemos nos colocar diretamente na presença de Deus se não praticarmos o silêncio interno e externo. (…) No silêncio encontraremos uma nova energia e a verdadeira unidade’.

O coração manso e humilde solfeja o ritmo do Céu!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/ritmo-do-ceu-2.html

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Perdoa-nos, Senhor

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Rivelino Nogueira


‘Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’ é uma frase da oração do Pai-Nosso, que se encontra em Mateus 6,12. A frase significa que a oferta de perdão de Deus está relacionada com a vontade de perdoar os outros. Para os cristãos, perdoar os outros não é uma opção, mas um mandamento : ‘Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta’ (Mt 5,23.24).

O perdão brota do amor de Deus e a necessidade de perdoar vem do amor dele e não do merecimento humano.

A falta de perdão e uma prisão

Quem não perdoa está preso. A falta de perdão tem sido forte motivo de paralisia espiritual, imaturidade emocional e desenvolvimento de doenças físicas e emocionais. Existem pessoas que ficam presas no cativeiro da falta de perdão, sendo atormentadas em suas vidas durante anos.

Muita gente tem sofrido com a falta de perdão. Outro dia, ouvi alguém dizendo que ressentimento é o mesmo que você tomar diariamente um pouco de veneno, esperando que quem o magoou venha a morrer. A falta de perdão produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. 

A ausência do perdão está diretamente ligada à saúde física, mental e emocional. A Sociedade de Cardiologia de São Paulo recentemente levantou essa questão, apresentando uma pesquisa com 65 pacientes sem histórico de doença cardiovascular e 65 que infartaram. Foi mostrado que existe uma relação entre não perdoar e a ocorrência de infarto agudo do miocárdio. Foram dois quesitos, ‘quebra de confiança’ e ‘rejeição/desprezo’. No primeiro, a maioria, 65% dos que tiveram infarto não estavam dispostos a perdoar. Esse número foi de 35% no outro grupo. No segundo quesito, 54% dos que infartaram perdoariam, já entre os que não tiveram infarto o percentual subia para 72%. 

Carregar consigo ressentimentos e dores que as relações humanas nos expõem pode gerar um peso paralisador.

A partir das últimas décadas, as pesquisas sobre o perdão e seu impacto na saúde das pessoas vêm se ampliando; há, inclusive, relação entre os ressentimentos e o aparecimento de doenças físicas e mentais. As amarguras e a presença do rancor podem gerar efeitos psicossomáticos no corpo, traduzindo essas dores emocionais em patologias como depressão, ansiedade, gastrite nervosa, hipertensão, obesidade, entre outras.

Por meio do perdão é possível deixar para trás a dor e o ressentimento provocados por uma mágoa. É uma maneira de se libertar da lembrança de um acontecimento ruim para que ela não afete mais a sua vida. O perdão é necessário para muitos processos de cura de traumas e desapego do passado.

Que a falta de perdão pode provocar?

Amargura, tristeza, raiva e baixa autoestima. Com o tempo, você pode passar a deixar ressentidas todas as pessoas à sua volta e não apenas quem lhe causou mal.

Problemas de saúde mental como ansiedade e depressão.

O medo, a amargura, os conflitos internos e o ressentimento podem dificultar a manutenção de relacionamentos saudáveis.

Apego ao passado. 

Resiliência
Aprender a perdoar ajuda a desenvolver a resiliência. Essa competência emocional está relacionada à capacidade de passar por situações estressantes sem sucumbir a seus efeitos negativos.

Quando não sabe lidar com uma adversidade, a pessoa resiliente procura ferramentas para ajudá-la a passar por isso, como, por exemplo, a psicoterapia. 

Empatia
O ato de perdoar também desenvolve a empatia, a competência emocional que envolve a compreensão das perspectivas e emoções do outro. Quando você se dispõe a perdoar alguém, precisa se colocar no lugar dessa pessoa primeiro.

Como praticar o perdão?

Praticar o perdão envolve uma série de passos que, muitas vezes, são desconfortáveis. Dependendo da situação, pode ser muito doloroso revisitar lembranças e tentar encontrar razões para perdoar quem lhe causou mal. Acima de tudo, tenha compaixão por você ao iniciar essa jornada.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/perdoa-nos-senhor.html

terça-feira, 11 de junho de 2024

Musicalidade e mansidão

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Ricardo Abrahão 

 

‘Tem circulado entre a fala de pacientes do meu consultório de psicanálise e pessoas da minha convivência diária a constatação de que, em geral, a maioria não tem escutado bem. Não são questões auditivas. São questões de escuta atenta. Então, reflito bastante sobre tudo o que me dizem e prefiro não encontrar ‘culpados’, ou seja, colocar a culpa em redes sociais e aparelhos digitais, o que muitos terapeutas tem feito. Minha preferência é pensar que não estamos nos concentrando o suficiente na musicalidade da escuta. Afinal, música e escuta necessitam concentração.

Proponho uma reflexão baseada na escuta musical : Jesus concentrou com precisão o coração como o lugar onde a escuta é eficaz. Ele diz que o caminho é fazer como Ele mesmo, ou seja, sendo manso e humilde de coração. Mansidão e humildade são palavras que fundamentam a história da escuta humana. Os sábios nos guiaram por caminhos seguros e foram homens de excelente escuta. Atualmente há uma grande procura sobre a música como ferramenta de cura, meditação, equilíbrio e paz.

O cristianismo é mansidão e humildade e, para ser chamada música cristã, os sons musicais na Igreja necessitam veicular e promover acesso à mansidão e à humildade no coração humano. Do contrário, torna-se muito grande o risco de colocar o coração nas deturpações da vida. O Coração de Jesus é a música do Amor por excelência.

É tempo de parar e aprender a escutar a Voz que canta no Sagrado Coração de Jesus, evitando a dispersão e promovendo a concentração. A musicalidade do Coração Divino rege acordes que conduzem, os que verdadeiramente escutam, ao caminho seguro da verdadeira paz. Nossa única tarefa é aprender a escutar sempre. Que o Amor seja nossa música!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/musicalidade-e-mansidao.html

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Sinceridade e direção espiritual

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Eduardo


Costumamos chamar de ‘direção espiritual’ esse meio de formação da consciência que alinha o indivíduo com o seu fim sobrenatural, primeiramente em nível moral, mas sobretudo em nível ascético. Ora, a matéria desse direcionamento outra coisa não é senão a vida mesma do dirigido, que se expõe com total simplicidade ao médico que lhe pode ajudar a não fazer a sua própria vontade, mas a vontade de Deus.

A direção espiritual, portanto, deveria ser o momento em que nós livremente nos abrimos, expondo todos os aspectos da nossa personalidade perante o infinito, contando com a graça de estado daquele que nos orienta para sermos tratados em todos os pontos da nossa indolência, da nossa claudicação, da nossa fragilidade.

Se o ponto mais alto da maturidade humana é viver, por assim dizer, ‘in conspectu Dei’, na presença de Deus, é justamente nesses momentos em que nós o comprovamos para nós mesmos. Para quem quer ser santo, a sinceridade deixa de ser uma obrigação e passa a ser o tema mesmo de sua existência, com todos os seus ônus, visto que ela não é senão um aspecto daquela humildade fundamental, sem a qual jamais podemos ser verdadeiramente conscientes diante de Deus.

O homem vaidoso, insincero, que quer parecer bom aos olhos do seu diretor e, por isso, oculta-lhe, talvez com o pretexto de não o decepcionar, as suas próprias misérias, nada mais é que um extraviado que fez a opção de perder-se de modo cada vez mais irreversível. Não há nada mais patético do que um dirigido que se apresenta como quem lesse a ‘positio’ do seu próprio processo de beatificação : tudo são qualidades, tudo são méritos, recheados de lirismo pseudo-místico, de poesia e de orgulho espiritual.

Quem quer parecer santo diante do seu diretor deve simplesmente interromper esta encenação e reconhecer humildemente o quanto é hipócrita, cínico e palhaço, pois o crescimento em santidade é tão maior quanto maior é o reconhecimento da nossa precariedade, do nosso nada. E não se trata de um reconhecimento retórico, mas da coragem de demolir a própria autoimagem e demonstrar-se como verdadeiramente se é, com todas as sutilezas da sua própria canalhice, ignorância, fraqueza e malícia.

Ir à direção espiritual é dispor-se para falar mal de si mesmo, para revelar-se em toda a amplidão da sua própria virulência, a fim de receber o remédio adequado.

Um diretor experiente sabe quando está lidando com uma pessoa ou com um personagem. Pessoas têm fraquezas, lutas, tentações; personagens têm proezas, para o bem ou para o mal: suas virtudes são façanhas de Hércules, seus pecados são as desventuras de Hazazel e os seus problemas são o tormento de Sísifo; tudo para esconder, por detrás de desproporções, a mediocridade real de sua miséria.

Não existe santidade sem humildade. Qualquer sacerdote sabe disso. E, para além da parlóquia inútil, os santos têm virtudes reais, radicais, heroicas.

Portanto, se alguém pretende autobeatificar-se, não está buscando um diretor espiritual, mas um fã. E isso é uma grande falta contra a justiça e a caridade. Se o dirigido não tem pena de sua própria alma, vitimada por sua própria mentira e fingimento, ao menos deveria ter pena de perder o próprio tempo com conversa tão inútil, bem como deveria ter misericórdia de fazer perder o tempo àquele pobre sacerdote, que tem muitas ovelhas para cuidar e que não pode se dar ao luxo de trabalhar inutilmente, deixando de rezar e de estudar para simplesmente debalde pastorar bodes.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/11/23/sinceridade-e-direcao-espiritual/

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Por que às vezes parece que Deus não nos escuta?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
De Michael Angelo Immenraet - Dominio público

*Artigo de Mónica Muñoz 


‘Quando as coisas vão bem, muitas pessoas raramente se lembram de Deus. Mas, assim que chega a provação, elas imediatamente voltam os olhos para os céus e clamam pela ajuda divina. Não que isto seja errado : mas bem podemos falar com Deus o tempo todo, tanto nos bons quanto nos maus momentos.

Acontece com as nossas orações o mesmo que ocorreu com a mulher cananeia mencionada no Evangelho de São Mateus : Jesus e os seus discípulos tinham ido para Tiro e Sidônia, num território que nada tinha a ver com o povo eleito. E ali estão eles quando uma mulher começa a gritar : ‘Senhor, Filho de Davi, tem piedade de mim! A minha filha está terrivelmente atormentada por um demônio’ (cf. Mt 15,22). Mas o Senhor não lhe respondeu.

Insista sem desânimo

O relato prossegue falando da intercessão dos discípulos, que pedem a Jesus que a atenda porque ela está gritando atrás deles – o que os irritava. Mas o Senhor lhes responde : ‘Fui enviado apenas às ovelhas perdidas do povo de Israel’. Apesar disso, a mulher não se retira nem se deixa derrotar : volta ao ataque, vai para a frente do grupo e se prostra aos pés de Jesus, implorando novamente, já diante dele : ‘Senhor, ajuda-me!’ (cf. Mt 15, 25).

Vem então a resposta dura e até ofensiva do Senhor para provar até onde aquela mãe é capaz de ir, suplicando um milagre não para si, mas para a filha : ‘Não é certo tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos’ (cf. Mt 15, 26), diz Jesus. Ela então apela certeiramente à misericórdia de Deus, alcançando assim o seu objetivo : ‘E, mesmo assim, Senhor, os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!’ (cf. Mt 15, 27).

A humildade sempre conquistará o Senhor

Jesus finalmente cede, atendendo ao pedido que lhe foi solicitado com clamores insistentes, com uma frase em que se lê uma pitada de admiração por aquela incansável cananeia : ‘Mulher, quão grande é a tua fé! Que o teu desejo se torne realidade’. E, naquele momento, a sua filha foi curada (cf. Mt 15, 28).

Deus sempre nos escuta, mas quer que não nos cansemos de pedir : e não é por capricho, mas sim para que nos acostumemos a confiar-nos totalmente a Ele.

Oremos, portanto, incansavelmente – e insistamos para que o Senhor ouça as nossas orações humildes e sinceras. Tenhamos a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, Ele nos concederá o que for conveniente para a nossa salvação.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/09/04/por-que-as-vezes-parece-que-deus-nao-nos-escuta/

sábado, 26 de dezembro de 2020

Natal: tempo propício para meditar sobre a humildade

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

*Artigo de Philip Kosloski,

escritor e designer gráfico

 

‘Enquanto a Quaresma e a Semana Santa se concentram no imenso sofrimento de Jesus por nós, o Advento e o Natal representam a oportunidade perfeita para se concentrar na humildade e na pobreza.

Isso ganha vida principalmente quando sentamos e meditamos na cena humilde do nascimento de Jesus. Muitas vezes, os presépios modernos não comunicam essa verdade central com força suficiente, pois o estábulo moderno pode parecer quase aconchegante e quente, em vez do que provavelmente era a realidade fria, bagunçada e brutal por trás de tudo.

Uma meditação encontrada em um livro de oração do século XIX destaca esse profundo mistério :

‘É meia-noite. O vento do inverno é frio. Veja um estábulo sem conforto, em parte galpão e em parte caverna, escavado ao lado de uma rocha. Um lugar pobre mesmo. A brisa afiada encontra seu caminho livremente. Nesse estábulo está um bebê. Seu único berço é uma manjedoura na qual o gado se alimenta. Ele está deitado sob a palha áspera – um bebê recém-nascido. Seus pequenos membros estão enrolados em faixas, como as crianças dos mais pobres.’

Sente-se e imagine essa cena por alguns minutos. Pense na pobreza de tudo ao redor e quão desconfortável deve ter sido! Estar em um quarto de hospital moderno não é nada bom, mas pense em como era dar à luz em tais circunstâncias.

A cena deve nos levar a pedir a Deus o dom da humildade e a examinar nossas próprias vidas, perguntando a nós mesmos se nossos confortos modernos têm alguma influência sobre nossas vidas espirituais.

Aqui está uma breve oração que vem após a meditação acima. Peça a Deus que nos preencha com um espírito de humildade :

Jesus, agradeço-te por ter vindo assim. Grande Deus, como te humilhaste! Parece demais, maravilhoso demais, mas sei que é verdade.Nada é maravilhoso demais para o Teu grande e eterno amor.Por amor a Ti, serei humilde. Tira o meu orgulho e a minha vontade própria.Maria, eu te agradeço e te abençôo por amar a Deus tão nobremente, tão puramente e tão humildemente, que Ele nos deu Seu querido Filho através de ti. Roga a esse Filho, para que eu tenha a graça de aprender com Ele e contigo a ser manso e humilde de coração. José, pai adotivo de Jesus, o coração daquela criança santa bate por mim. Maria é minha mãe; ora por mim para que eu seja verdadeiramente humilde e pertença a esta Sagrada Família, agora e na hora da minha morte. Amém.

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2019/12/11/natal-tempo-propicio-para-meditar-sobre-a-humildade/

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Delírios e lições

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

  Achar-se a única referência ou a exclusiva fonte para se alcançar soluções é não se perceber como aprendiz

*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG

Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

 

‘A pandemia da Covid-19 expõe, ao mesmo tempo, delírios e lições. Os delírios tornam-se evidentes nos descompassos sociais, a exemplo do descaso com os pobres, ou a partir das inabilidades dos representantes do povo. Situações que pedem mudanças, a partir do aprendizado de muitas lições. Esse aprendizado requer renovação de mentalidades, de práticas e de estilos de vida. Um reconhecimento dos equívocos em determinadas escolhas que incidem não apenas no mundo da política, mas também no campo da cultura e, lamentavelmente, até mesmo na esfera religiosa. Diante da necessidade de se aprender muitas lições, oportuno é lembrar-se de que a eficácia na aprendizagem depende de um importante aspecto : as pessoas, indistintamente, assumirem a condição de discípulos, uma nuance compartilhada por Jesus, em sua maestria.

Ensina muito e bem quem se coloca na condição de aprendiz. Essa condição permite o compartilhamento de convicções e experiências. E a atitude de compartilhar é vetor de mudanças, caminho para alcançar metas capazes de responder ao clamor do povo sofrido. Por isso, precisam estar matriculados na condição de aprendizes, prioritariamente, os que sufragam seus nomes em eleições, pois é lastimável constatar o despreparo de representantes do povo no exercício de suas funções. Falta substrato humanístico e há indiferença em relação à meta de se edificar uma sociedade solidária. Quando se analisa o conjunto de situações da atualidade, avaliando o desempenho de líderes de diferentes lugares do mundo, chega-se facilmente a uma conclusão : mudanças são necessárias. Percebe-se que a humanidade está aprisionada em entendimentos equivocados. E a qualidade de entendimentos é importante termômetro para avaliar a condição de uma civilização.

Essa qualidade depende dos processos educativos responsáveis pela formação do ser humano. Por isso mesmo, é preocupante quando um país convive com o sucateamento do campo educacional, confiando-o a mãos inábeis, a agentes pouco lúcidos. A consequência desse mal é a desconsideração e o desperdício da capacidade humana para promover o desenvolvimento integral da sociedade. Urgente é, pois, investir educativamente no desenvolvimento de entendimentos adequados, de pessoas capazes de conduzir a sociedade a partir de valores que sustentam a vida, promovendo relações sociais, políticas e culturais justas. Esses processos educativos qualificados exigem uma condição fundamental : cada pessoa se coloque na condição de aprendiz.

Ninguém pode acreditar que tudo sabe, particularmente no mundo contemporâneo, caracterizado também pela velocidade das mudanças e por suas muitas complexidades. Perceber-se, permanentemente, como aprendiz é também caminho para vencer delírios, que se propagam especialmente neste tempo de pandemia, afetando mentes, vidas e corações. Há os que se acham onipotentes. Outros se tornam vítimas do medo. E muitos se apegam a convicções equivocadas, que podem levar a graves enfraquecimentos institucionais, a partir de extremismos, por exemplo.

Achar-se a única referência ou a exclusiva fonte para se alcançar soluções é não se perceber como aprendiz. Isso leva a equívocos nos diferentes campos da vida, inclusive em contextos institucionais.  Trata-se de uma postura que deve, urgentemente, ser substituída pela humildade. Somente assim é possível seguir um percurso que vai possibilitar diálogos e, consequentemente, permitir encontrar a solução mais eficaz para diferentes desafios. Reconhecer-se aprendiz, sempre e de modo humilde, é uma atitude indispensável para ajudar a recompor os tecidos socioculturais, político e religioso da civilização contemporânea, sanando delírios, enquanto são aprendidas novas lições.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/artigo/8942/2020/07/delirios-e-licoes/


sábado, 16 de maio de 2020

Uma Igreja humilde para uma humanidade sofredora

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

The Compass Magazine Living in the Shadow of the Cross: How Jesus ...
*Artigo d0 Padre Federico Lombardi, SJ 




‘Na conclusão do Grande Jubileu do ano 2000 que ele viveu e nos convidou a viver como um grande encontro entre a graça de Cristo e a história da humanidade, João Paulo II escreveu à Igreja uma bela Carta intitulada : ‘No início do Terceiro Milênio’, na qual ressoavam as palavras de Jesus a Pedro : ‘Duc in altum… Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca’ (Lc 5, 4). O Papa nos convidou a ‘lembrar o passado, viver o presente com paixão, e abrir-nos com confiança ao futuro’, porque ‘Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e nos séculos’. Como sabemos, Papa Francisco retomou e relançou o tema falando desde o início do seu pontificado da ‘Igreja em saída’, uma Igreja evangelizadora animada pelo Espírito que lhe foi doado por Cristo ressuscitado.

Na noite de 12 de outubro de 2012, o Papa Bento XVI fez um breve discurso da mesma janela da qual, 50 anos antes, João XXIII havia saudado, sob o olhar benevolente da Lua, a multidão que tinha afluído à Praça São Pedro no final do dia de abertura do Concílio. Enquanto Bento, com o olhar dirigido para o alto, fez uma reflexão que foi muito marcante, pois não suscitou o desejado entusiasmo fácil, mas sim – mesmo em confiança – inspirava grande humildade, característica do final de seu pontificado. Ele recordou como nos 50 anos anteriores a Igreja havia experimentado o pecado, o joio no meio do trigo, a tempestade e do vento contrário. Mas também o fogo do Espírito, o fogo de Cristo. Porém como um fogo que não é devorador, mas humilde e silencioso, uma pequena chama que suscita carismas de bondade e caridade que iluminam o mundo e testemunham a sua presença conosco.

À medida que Pentecostes se aproxima, penso nas palavras de nossos três papas do Terceiro Milênio. Na realidade, este novo Milênio, em que entramos há vinte anos, não tem sido, no conjunto, uma era de progresso luminoso para a humanidade. Abriu-se com o 11 de setembro de 2001 e com a guerra do Golfo, depois tivemos a grande crise econômica e a guerra mundial ‘aos pedaços’, a destruição da Síria e da Líbia, o agravamento da crise ambiental, muitos outros problemas, e agora a pandemia global com suas consequências, experiência inédita que marca este papado. Certamente não faltam novos sucessos científicos e progressos em saúde, educação e comunicação, por isso não seria correto apressar balanços negativos. Mas certamente não podemos falar de um caminho linear e seguro para a humanidade em direção ao melhor. A experiência da pandemia, mesmo que seja superada, é certamente uma experiência comum de incerteza, de insegurança, de dificuldades em governar o caminho cada vez mais complexo da sociedade contemporânea. Não sabemos se no futuro vamos ler isso como uma oportunidade de crescimento solidário ou de novas tensões internacionais e internas e desequilíbrios sociais. Provavelmente, ambas as dimensões serão misturadas: o trigo e o joio.

A Igreja deste início de milênio, do ponto de vista humano, não é forte. Sua fé é testada pelas desertificações espirituais de nosso tempo. Sua credibilidade é testada pela humilhação e pela sombra do escândalo. A história continua e a Igreja continua a aprender que sua única força verdadeira é a fé em Jesus Cristo Ressuscitado e o dom de seu Espírito. Um frágil vaso de barro no qual está contido o tesouro de um poder de vida além da morte. Seremos nós uma Igreja humilde capaz de acompanhar fraternalmente uma humanidade provada, com caridade e bondade? Com uma caridade tão difundida que também anima as inteligências e as forças sociais a buscar e encontrar os caminhos do bem comum e da melhor vida? Uma Igreja do ‘lava-pés’ do nosso tempo, como diz o Papa Francisco? Em alto mar, num mar imóvel e sempre desconhecido para todos nós, mas nunca estranho pelo amor de Deus.

Na maravilhosa Sequência de Pentecostes invocamos o dom do Espírito como pai dos pobres e luz dos corações, como consolador e conforto, como força que cura as culpas, a aridez, as feridas, que aquece o que está gelado, que orienta o que está mal orientado. Oferecer ao Espírito do Senhor um espaço aberto de expectativa e desejo, um espaço concreto de mentes e corações, de almas e carne humana, para que possa operar e manifestar-se no tecido profundo da nossa humanidade - o das guerras e pandemias - como um poder de salvação da fragilidade e solidão, da aridez, da confusão, dos enganos das ilusões e do desespero, como um poder de esperança de vida eterna. Isto pode fazer uma Igreja humilde, irmã, companheira e serva de uma humanidade sofredora. E isso é o mais importante.



Fonte :
*Artigo na íntegra