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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A missão e a revolução da ternura

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Brás Lorenzetti


‘Um dos aspectos importantes da vida de um cristão é a sua disposição para partilhar a fé em que acredita. Em outros tempos, falava-se em missão; atualmente, preferimos o termo ‘evangelização’. Esse ‘embeber-se’ do espírito missionário tem como finalidade que nos sintamos comprometidos e identificados com a própria missão da Igreja, que é anunciar o Evangelho ao maior número possível de pessoas. Se acreditamos que viver em profundidade a fé dá sentido à vida e nos faz felizes, queremos que outros também tenham a mesma oportunidade e sintam essa alegria e felicidade em suas vidas.

Existem muitas formas de ser evangelizador, de acordo com o dom de cada um. Uma dessas formas é a oração, que não pode faltar nunca na ação missionária. O fruto que colhemos é a paz : em nossos corações, nas famílias e na sociedade.

A humanidade vive hoje uma situação preocupante : nunca houve no mundo tantos conflitos armados ao mesmo tempo, desde a Segunda Guerra Mundial. Atualmente assistimos a um triste recorde de guerras e conflitos entre países e grupos; os continentes todos possuem essa ‘mancha’ da violência em seus territórios. 

Em nosso país, não temos conflitos armados de grandes proporções, porém, os grupos armados e facções promovem uma verdadeira guerra urbana, vivendo do assalto e do roubo que, junto com a droga, levam ao medo e à morte. A sociedade, sobretudo nos grandes centros urbanos, convive com o medo que, no fundo, tem como raízes a desigualdade e o incentivo ao acúmulo descontrolado de bens. 

A proposta da Igreja é que essa guerra só pode ser vencida com a revolução da ternura. A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho) propõe ‘(…) um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto’ (288). De fato, a presença de Maria, estrela da nova evangelização, estimula-nos a confiar no seu poder intercessor como forma de combater o ódio, a intolerância e a violência na sociedade. De nossa parte, o convite é que colaboremos com a promoção da justiça social, fator que leva à pacificação da sociedade.

Os cristãos católicos, juntamente com o empenho pela igualdade e pela justiça, estão redescobrindo a força da oração, especialmente mediada e motivada pela intercessão de Maria, especialmente por meio do santo Rosário. Que esse movimento mariano progrida cada vez mais como um verdadeiro modo de evangelizar e de fazer frente à violência e às guerras existentes no mundo. Confiemos, pois, no poder intercessor da nossa mãe Maria e tenhamos como missão acreditar e colaborar pela paz no mundo.

Ó Maria, mãe da ternura e estrela da evangelização, rogai por nós!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-missao-e-a-revolucao-da-ternura.html

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Leão XIV e a Quarta Revolução

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Miguel Oliveira Panão 

 

‘Vivemos na quarta revolução da visão do mundo e o Papa Leão XIV, ao referir a questão da inteligência artificial (IA) subjacente à escolha do nome, assume este como um desafio para a missão cristã no futuro.

A primeira foi a revolução espacial que aconteceu com Copérnico ao ampliar a nossa noção de espaço da Terra ao Cosmos. A segunda revolução foi temporal e aconteceu quando Darwin ampliou a nossa noção da vida à de uma evolução ao longo de muitos anos. A terceira revolução é mais subtil, a mental, que aconteceu com Freud e a ideia do inconsciente ou uma maior apreensão da realidade da nossa consciência.

Segundo o filósofo Luciano Floridi, a quarta revolução é a informacional onde nos tornamos, juntamente com as máquinas, inforgs ou organismos informacionais, conectados através da infosfera e partilhando um espaço de ação com o mundo artificial por nós criado. Esse mundo começou a ser habitado por agentes virtuais com os quais interagimos diariamente.

Há dias precisei esclarecer um assunto sobre o pagamento do alojamento do meu site e o agente que a empresa me facultava para interagir era, por padrão, o virtual. Para poder estabelecer um diálogo aberto, sem que estivesse restrito à base de dados das questões mais comuns, precisei explicitar a necessidade de conversar com um ‘agente humano’. A expansão da agência baseada em IA será útil por não estar restrita aos ritmos normais de um humano que precisa de voltar a casa do trabalho. Uma IA não dorme, não come (embora precise de eletricidade para alimentar os servidores), não julga, não perde a paciência, não se cansa e procura ser sempre simpática sem qualquer hipocrisia. Tudo isto porque não sente nenhuma emoção. Quando queremos resolver problemas técnicos e diretos, uma IA será o ideal, mas se existirem nuances relacionadas com aspectos ou fases particulares da nossa vida, a compaixão, a compreensão, o pôr-se no lugar daquele que sofre com o problema exige um coração humano.

Os problemas da revolução industrial que levaram Leão XIII a escrever a Rerum Novarum são diferentes dos desafios que começamos a enfrentar com a quarta revolução informacional prenhe de agentes virtuais nos quais as empresas começam a conferir algum poder de decisão. As questões éticas e de responsabilidade são enormes e sérias.

Um papa cuja escolha é uma inspiração do Espírito Santo implica que Deus vê o sentido para onde tende o mundo e oferece-nos um pastor para nos orientar pelos montes e vales da vida profunda. A Quarta Revolução será um inequívoco desafio pastoral porque afetará a vida de todo o ser humano, a sua dignidade, sentido de justiça e trabalho. Porém, não serão apenas as questões relacionadas com a justiça social e o trabalho, mas também com a vida das nossas comunidades onde há décadas que os agentes virtuais começaram a entrar através de toques de telemóvel durante a consagração eucarística. Ainda não é claro o caminho a seguir, mas a eleição de Leão XIV é um sinal de Deus Conosco.’ 


Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1369/leao-xiv-e-a-quarta-revolucao/

quinta-feira, 17 de março de 2016

Drogas digitais?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre José Rebelo,
Missionário Comboniano


 As redes sociais podem ser usadas para o bem ou para o que é indigno.


‘O efeito do uso da tecnologia informática e das novas mídias no comportamento humano é indiscutível. Muitas pessoas já não conseguem viver sem estarem permanentemente online, têm dificuldade em guardar silêncio e vivem numa realidade virtual. Já é bastante conhecida a caricatura de pessoas que, apesar de estarem lado a lado, preferem a comunicação virtual à pessoal e direta, mas nem por isso menos verdadeira.

O sociólogo polaco Zygmunt Bauman, numa entrevista ao El País, manifesta o seu pessimismo sobre alguns comportamentos da era cibernética : «As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente usa-as não para unir, não para ampliar os seus horizontes, mas, pelo contrário, para se fechar no que eu chamo zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco das suas próprias vozes, onde a única imagem que vêm são os reflexos das suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.»

A revolução digital em curso «está a alterar a nossa noção sobre o que é ser humano», diz o filósofo italiano Luciano Floridi numa entrevista concedida ao Observador no início deste ano. O professor de Filosofia e Ética da Informação tem estudado o impacto que a respectiva tecnologia tem nas nossas sociedades, nas nossas vidas, no modo como nós percebemos, entendemos e interagimos com o mundo, para concluir que a tecnologia digital está a transformar radicalmente a nossa percepção do ser humano e o modo como conceitualizamos o mundo.

Segundo o investigador, houve, antes desta, três revoluções em que o ser humano foi sucessivamente «destronado» do «centro do Universo» (por Copérnico), do «centro da Natureza» ou da vida biológica (por Darwin) e do «centro da vida mental», como senhores dos nossos pensamentos (por Freud). Agora a revolução digital, dos computadores ou da informação, como se lhe queira chamar, está a «destronar» os seres humanos como «únicos seres inteligentes» do planeta. Até aqui pensávamos, diz ele, que éramos os únicos capazes «de jogar xadrez, estacionar um carro, pilotar um avião e resolver problemas matemáticos», mas temos criado artefatos com inteligência artificial que, não sendo de modo algum inteligentes como nós, podem fazer certas coisas melhor do que nós.

Esta quarta revolução está a mudar a ideia que temos de nós mesmos e do que significa ser inteligente, autônomo e livre. Floridi pensa que se justifica alguma precaução com a transformação que está a ocorrer e que compara à aterragem numa ilha ou continente desconhecido. Depende de nós o que será este mundo da «info-esfera» – uma confusão ou algo positivo, criativo que leve as gerações futuras a ficar-nos gratas pela herança. O pior que nos pode acontecer, que ele define como o pior cenário realista, é «usar as tecnologias para nos entretermos até à morte, distrairmo-nos de tudo o resto no mundo (usá-las como se fossem drogas digitais) e até usá-las para assegurar que aqueles que não são privilegiados como nós fiquem fora da nossa sociedade», através da vigilância e da guerra cibernética.

A realidade é multifacetada. As redes sociais são seguramente «lugares» de encontro e partilha de informação. Podem ser usadas para o bem – para criar redes de diálogo, partilha e compromisso – ou para o que é indigno como denegrir outros, espalhar o ódio e o medo. Depende de nós usá-las para crescer em humanidade, conhecimento e solidariedade.’


Fonte :
* Artigo na íntegra