Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

‘Ó coração de
Maria, frágua e instrumento de amor, inflamai-me no amor de Deus e do próximo!’
(Santo Antônio Maria Claret)
Em outubro, a Igreja celebra a memória de Santo Antônio Maria Claret,
missionário que percorreu cidades, povoados, caminhos e mares anunciando a
Palavra de Deus. Pregava, confessava, escrevia livros e folhetos, promovia
missões populares e procurava alcançar as pessoas por todos os meios possíveis.
No centro de toda essa atividade havia um coração profundamente unido a Jesus e
formado pela presença materna de Maria.
Em sua Autobiografia, Claret recorda que, ainda criança, recebeu um
rosário e o acolheu como se tivesse recebido o maior dos tesouros. Aprendeu a
contemplar os mistérios, começou a conduzir a oração com os colegas da escola
e, mais tarde, rezava enquanto trabalhava na fábrica de tecidos de sua família.
Também visitava, com sua irmã Rosa, o Santuário de Nossa Senhora de Fusimanha.
Ao avistar a capela de longe, seus olhos se enchiam de lágrimas e seu coração
era tomado por uma profunda ternura.
Essas lembranças revelam uma devoção nascida dentro da vida cotidiana,
entre a casa, a escola, o trabalho e os caminhos percorridos com a família.
Maria tornou-se uma presença próxima, uma mãe com quem Claret conversava e
diante de quem apresentava seus desejos e projetos. Ele mesmo escreveu que seu
maior prazer era trabalhar, rezar, ler e pensar em Jesus e em Maria Santíssima.
Com o passar dos anos, aquela experiência amadureceu e passou a sustentar
sua missão. Antes de iniciar suas pregações, Claret dirigia-se a Maria dizendo
que era seu ‘filho e ministro, formado por vós mesma na frágua de vossa
misericórdia e amor’. Em seguida, colocava-se nas mãos da mãe como uma flecha
pronta para ser lançada na direção das realidades que necessitavam da luz do Evangelho.
A imagem da frágua possui uma força muito particular. Claret conhecia o
trabalho das oficinas e sabia que o ferro precisava permanecer no fogo para ser
moldado. Em sua experiência espiritual, o coração de Maria era essa frágua na
qual sua vida recebia forma, calor e direção. Ali, o missionário aprendia a
amar a Deus, a entregar-se ao próximo e a oferecer suas forças para a
evangelização, por isso, em uma de suas orações mais conhecidas, Claret chama o
coração de Maria de ‘frágua e instrumento de amor’ e pede que ele o inflame no
amor de Deus e do próximo. Quanto mais Claret se reconhecia filho de Maria,
mais crescia nele o desejo de cuidar das pessoas, anunciar o Evangelho e
consolar os que sofriam.
Esse amor fez dele um incansável propagador da devoção mariana. Durante
suas missões, ensinava o povo a rezar o Rosário, promovia celebrações dedicadas
à Virgem, escrevia orações, distribuía folhetos e convidava as famílias a
recorrerem à proteção de Maria. A devoção que havia aquecido seu coração desde a
infância tornou-se parte de sua maneira de evangelizar.
No dia 16 de julho de 1849, Claret reuniu em Vic cinco sacerdotes que
partilhavam do mesmo espírito missionário e fundou a Congregação dos
Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, nome daqueles que hoje são
conhecidos como missionários claretianos. A escolha expressava a experiência
espiritual que ele desejava transmitir aos seus companheiros.
Ao recordar a fundação, Claret agradeceu a Maria por ter adotado aqueles
missionários como filhos do seu imaculado coração e pediu que fossem humildes,
fervorosos e zelosos. Em seguida, registrou uma das definições mais importantes
da espiritualidade claretiana : ‘Um filho do imaculado coração de Maria é um
homem que arde em caridade e abrasa por onde passa’. Esse filho procura
inflamar o mundo no fogo do amor divino, seguindo Jesus Cristo e dedicando a
própria vida à glória de Deus e ao bem das pessoas.
A filiação cordimariana recebida de Claret continua viva na congregação.
Ser filho do imaculado coração de Maria constitui uma maneira de compreender a
vocação, a comunidade e a missão. O coração materno de Maria torna-se uma
escola onde os claretianos aprendem a escutar a Palavra, acolher a vontade de
Deus, perceber as dores do povo e responder com generosidade às necessidades de
cada tempo.
Essa espiritualidade acompanha os missionários nas paróquias, escolas,
universidades, meios de comunicação, obras sociais e comunidades. Em cada
lugar, o filho do coração de Maria é chamado a levar consigo a ternura de uma
mãe e o ardor de um missionário. Sua presença deve comunicar proximidade,
confiança e cuidado, fazendo com que a Palavra de Deus encontre espaço na vida
das pessoas.
A celebração de Santo Antônio Maria Claret, no dia 24 de outubro, convida
toda a Igreja a reencontrar esse coração missionário. Sua vida nos ensina que a
devoção mariana conduz ao Evangelho, fortalece a missão e desperta o
compromisso com o próximo. Maria acolheu a Palavra, guardou-a em seu coração e
a entregou ao mundo em Jesus. Claret desejou seguir esse caminho e ensinar seus
filhos a percorrê-lo.
Que o coração de Maria continue sendo a frágua onde nossas vidas sejam
formadas no amor. Que Santo Antônio Maria Claret nos ajude a cultivar uma fé
próxima das pessoas, sensível às dores do mundo e disponível para a missão. Que
os Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria saibam corresponder ao
nome que receberam, levando por onde passarem o fogo do amor de Deus e do
cuidado com cada irmão e irmã. Amém.
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/formados-no-coracao-de-maria.html
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