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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

O ardor missionário na comunicação de Santo Antônio Maria Claret

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Padre Brás Lorenzetti


‘Vivemos na era da comunicação. Em alguns casos, excessiva, tamanha ligação com alguns de seus meios. Os jovens que o digam! Nós mesmos, se ficamos uns dias sem acesso às redes sociais, sentimo-nos deslocados. As crianças trocam bonecas e carrinhos por celulares, com todas as consequências que daí decorrem.

Uma tendência na pastoral é seguir esse mesmo esquema comunicacional. Hoje parece trabalhoso demais manusear uma Bíblia. Preferimos confiar em líderes influenciadores religiosos, que nos dão o Evangelho do dia e a mensagem pronta.

Convido todos a fazermos um retrocesso na história : voltarmos duzentos anos, tempo em que viveu Santo Antônio Maria Claret, bispo e fundador dos Missionários Claretianos (1807-1863).

Nessa época, a comunicação dependia de reunir multidões nas celebrações em festas especiais ou na presença de algum pregador de prestígio. O pregador se colocava em um lugar elevado para que sua voz chegasse a todos, sem os recursos da ampliação do som. O pregador era conhecido por seu ardor, vivacidade na pregação e pela capacidade de envolver os ouvintes no tema abordado. O ardor missionário em Santo Antônio Maria Claret procedia do seu amor a Jesus Cristo e o desejo profundo de levar a rodo o povo a salvação.

Claret definia o missionário como alguém que ‘arde em caridade e abrasa por onde passa’. Na verdade, a definição procede da própria experiência de vida : ele mesmo ardia em caridade e abrasava por onde passava. 

Ele alimentava seu ardor missionário pela leitura diária da Palavra de Deus. Chegou a deixar para a posteridade uma verdadeira chave, uma proposta, uma maneira de ler a Bíblia toda. O que percebemos em Claret é um verdadeiro apaixonamento pela Palavra. Sua leitura pessoal dela o motivava, estimulava e fazia arder na caridade amorosa; era também uma leitura vocacional, no sentido de confirmação da vocação e do agir profético.

O ardor missionário era também alimentado pelo desejo sincero e radical de doar sua vida a serviço dos demais, sem excluir a possibilidade do martírio, tanto é que, ao sofrer um atentado em Holguín (1856), Cuba, seu coração sentia um consolo espiritual por ter derramado ao menos parte de seu sangue pela causa de Cristo.

Ardor alimentado por um profundo amor à Eucaristia, que fez dele um ‘sacrário vivo’, carregando em seu peito o Cristo eucarístico de uma comunhão a outra; isso o fazia estar em constante contemplação a Ele, graça especialíssima, poucas vezes encontrada na literatura cristã.

O ardor missionário de Claret tem dimensão e sensibilidade feminina : reflete-se no terno amor a Maria, mãe de Jesus, a ponto de incluir o nome Maria em seu próprio nome e de dar às congregações por ele fundadas nomes marianos : Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria e Missionárias Religiosas de Maria Imaculada – Missionárias Claretianas.

Na trajetória biográfica de Claret, percebemos um grande número de iniciativas fundacionais : Irmandade da Instrução e da Doutrina Cristã; Casa de Caridade; Academia de São Miguel; escrita de inúmeros livros, folhas avulsas, inumeráveis sermões, tudo com a finalidade de dar vazão ao seu ardor missionário. 

Como homem da Palavra e da Eucaristia, seu ardor missionário o impelia a fazer o máximo que podia para que a salvação chegasse a um número maior possível de pessoas. Seu pensamento e atuação pastoral sempre estiveram ligados à ideia de evangelização em grupo ou em comunidade. Não bastava evangelizar com as próprias forças; Claret almejava sempre buscar colaboradores para ampliar sua atuação.

Que o ardor missionário de Claret seja um estímulo para que vivamos também um ardor sempre crescente como testemunhas e servidores da Palavra, alimentados pela Eucaristia e inflamado no amor materno de Maria!

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-ardor-missionario-na-comunicacao-de-santo-antonio-maria-claret.html


quarta-feira, 17 de julho de 2024

Claretianos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Diego Lelis, cmf


Há 175 anos, um homem chamado Antônio Maria Claret deixou os teares de sua infância na pequena vila de Sallent, na Espanha, para iniciar uma missão que transformaria inúmeras vidas ao redor do mundo. Claret, que era filho de um tecelão, trocou os fios de algodão pelos fios da fé, da esperança e do amor, tornando-se um verdadeiro tecelão de vidas e sonhos.

No dia 16 de julho do ano de 1849, na cidade espanhola de Vic, Santo Antônio Maria Claret reuniu um grupo de cinco sacerdotes – Estevan Sala, José Xifré, Manuel Vilaró, Domingos Fábregas, Jaime Clotet – e com eles fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, posteriormente denominados missionários claretianos.

Claret, homem do coração forjado ao modo do coração de Maria e que carregava em suas mãos habilidosas a arte de tecer fios, tornou-se um grande tecelão de sonhos, de ideias, de vidas e projetos. Assim como os fios de algodão são entrelaçados para formar uma peça única e forte, ele acreditava que as vidas humanas poderiam ser entrelaçadas pela fé e pelo amor de Deus para unir o povo de Deus em direção ao Céu.

Ao longo destes 175 anos, a Congregação dos Missionários Claretianos se expandiu pelo mundo, chegando a todos os continentes e a diferentes culturas. Os missionários claretianos têm trabalhado incansavelmente em prol da educação, da justiça social e da evangelização por todos os meios possíveis. Cada obra, cada projeto, cada vida tocada representa um fio nesse vasto tecido claretiano.

No campo educacional, os missionários claretianos têm sido faróis de conhecimento e valores cristãos, formando gerações de jovens comprometidos com a construção de um mundo mais justo e fraterno. Nas comunidades mais carentes, têm sido vozes proféticas, lutando pela dignidade e pelos direitos dos marginalizados. Nas paróquias, têm sido presença e cuidado com todos aqueles que buscam na casa de Deus um lugar para repousar suas dores e entrar em contato com o divino. Na comunicação, utilizam-se da palavra, da imagem e do som para fazer ecoar ao mundo a mensagem do Verbo Encarnado. Nesse campo, a Revista Ave Maria é um testemunho concreto da evangelização por meio da comunicação.

Esses fios – os missionários e as vidas que eles tocaram – foram se entrelaçando ao longo dos anos, formando um tecido forte, vibrante e marcado por tantas histórias. Cada história de transformação, cada sorriso recuperado, cada esperança renovada é um testemunho do poder dessa tecelagem humana e divina iniciada na congregação por meio de Claret e seus companheiros.

No dia 16 de julho celebramos com alegria e gratidão os 175 anos da Congregação dos Missionários Claretianos. Celebramos o legado de Santo Antônio Maria Claret, que deixou os teares de sua infância para tecer um mundo melhor, e celebramos todos aqueles que, ao longo dos anos, contribuíram para essa obra grandiosa.

Esse aniversário é mais do que uma celebração do passado, é um convite a todos nós para continuarmos a ser fios nesse grande tecido, trabalhando juntos para tecer um futuro em que a fé, a esperança e o amor continuem a transformar vidas e a construir um mundo mais justo e fraterno.

Parabéns, missionários claretianos, pelos 175 anos de dedicação e amor! Que Santo Antônio Maria Claret continue a iluminar nossos caminhos e a inspirar nossas ações.’

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/claretianos.html

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Santo Antonio Maria Claret, Bispo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


A Liturgia da Horas e a reflexão : 

 Ofício das Leituras 

Segunda leitura
Das Obras de Santo Antonio Maria Claret, bispo
(L’Egoismo vinto, Romae 1869,60)   (Séc. XIX)

 O amor de Cristo nos impele 

Impelidos pelo fogo do Espírito Santo, os apóstolos percorreram o orbe da terra. Incendiados do mesmo fogo, os missionários apostólicos chegaram, chegam e chegarão até o fim do mundo, de um extremo da terra a outro, para anunciar a palavra de Deus, podendo, assim, com justiça dizer de si mesmos as palavras do apóstolo Paulo : O amor de Cristo nos impele (2Cor 5,14). 

A caridade de Cristo estimula, incita-nos a correr e voar com as asas do santo zelo. Quem ama a Deus de verdade, também ama o próximo. O verdadeiro zeloso é o mesmo que ama, mas em grau maior, conforme o grau de amor : quanto mais arde de amor, tanto mais é impelido pelo zelo. Se alguém não tem zelo, testemunha por isto que em seu coração o amor, a caridade se extinguiu. Quem tem zelo deseja e faz as maiores coisas e se esforça para que Deus seja sempre mais conhecido, amado e servido nesta e na outra vida, já que este amor sagrado não tem fim. O mesmo faz com o próximo : sua ambição e esforço são para que na terra todos estejam contentes, e na pátria celeste felizes e ditosos; que todos se salvem, nenhum pereça eternamente nem ofenda a Deus, nem permaneça mesmo por breve instante no pecado. É isto que vemos nos santos apóstolos em todos os que são movidos pelo espirito apostólico. 

A mim mesmo eu digo : Um filho do Imaculado Coração de Maria é aquele que arde de caridade e, por onde quer que passe, incendeia : que deseja eficazmente, por todos os meios, que todos os homens se inflamem com o fogo do amor divino. Não se amedronta com coisa alguma; goza com as privações; vai ao encontro dos trabalhos; abraça as tristezas; nas calúnias está contente; alegra-se nos tormentos; pensa unicamente em como seguir e imitar Jesus Cristo, rezando, trabalhando, sofrendo sempre e unicamente preocupado com a glória e a salvação dos homens. 

Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, pg. 1406 a 1407