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domingo, 7 de abril de 2024

Jesus ressuscitado está no meio deles (JO 20,19-31)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
 *Artigo d0 Padre Antônio Ferreira, cmf


No Tempo Pascal, o texto referência é o de João 20,19-31. Os acontecimentos presentes no texto acontecem na parte da manhã (cf. Jo 20,1-18) e à tarde do primeiro dia depois do sábado e oito dias depois, no mesmo local (cf. Jo 20,26). 

João relata alguns dos sinais que Jesus realizou. Ele escreve ‘para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome’ (cf. Jo 20,31). Crer é ter vida. Para João, tudo começa com a experiência e o encontro com Jesus (cf. Jo 1,35-39). O evangelista apresenta-se como testemunha dos atos e das palavras daquele que venceu a morte e ressuscitou. Esse testemunho é próprio dos discípulos, daquelas pessoas que o seguiam. Quando Jesus morreu, eles temeram que tudo estivesse acabado, ficaram desorientadas, mas o Senhor ressuscitado apareceu para eles. Sua presença dá-lhes paz – ‘A paz esteja convosco!’ (cf. Jo 19-21.26) – ao mesmo tempo que significa uma nova exigência – ‘Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós’ (cf. Jo 21). Eles são os continuadores da sua obra. Nós recebemos esse testemunho e, com ele, a paz e a missão. João insiste na experiência como fundamento da fé.

Inicialmente, os discípulos têm dificuldade em reconhecer o Ressuscitado, julgam ver um fantasma. É por isso que o pedido de Tomé para ver e sentir as marcas em suas mãos e no seu lado é muito interessante para sublinhar que o Crucificado e o Ressuscitado são a mesma pessoa, mesmo que seu modo de vida seja diferente. A ressurreição de Jesus não é o regresso de um cadáver à vida, mas a plena participação de um ser humano na vida divina. Tomé não acredita por intermédio das outras testemunhas oculares, ele quer fazer sua própria experiência, assim, o Evangelho apresenta a dificuldade de qualquer pessoa acreditar na ressurreição, sobretudo aqueles que não viram o Senhor. Tomé está disposto a acreditar, mas, quer resolver, pessoalmente, as dúvidas por temor de errar. Jesus vê em Tomé um homem em busca da verdade e lhe permite fazer a experiência; é, portanto, a ocasião de dizer aos futuros crentes ‘Felizes aqueles que creem sem ter visto!’ (Jo 20,30).

Tomé é apresentado como o representante daqueles que não querem acreditar sem ver. Vencida sua incredulidade, o evangelista apresenta-o como um modelo de fé. Suas palavras contêm a autêntica confissão da fé cristã : ‘Meu Senhor e meu Deus’ (Jo 20,28). Com essas palavras, o Evangelho de João atinge seu ponto mais alto : o reconhecimento de Jesus como Senhor e Deus. Essa clareza só tinha sido anunciada no prólogo ‘O Verbo era Deus’ (Jo 1,1).

Ao verem Jesus ressuscitado no meio deles, os discípulos têm suas vidas transformadas. Experimentam o Espírito de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados a viver a mesma missão que Jesus havia recebido do Pai. Também hoje o cristão precisa colocar Cristo ressuscitado no centro da sua vida e agir com todas as suas forças.

Pode suceder que a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença no meio de nós seja mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida. Jesus ressuscitado está no centro da Igreja, mas sua presença precisa estar mais viva em nós e na vida das nossas comunidades para, assim, alimentar e orientar os nossos passos e projetos.

Após vinte séculos de cristianismo, Jesus ainda não é conhecido e compreendido em toda a sua originalidade. Só a presença viva de Cristo ressuscitado pode dar-nos hoje a força, a alegria e a criatividade de que necessitamos para enfrentar a crise por que passamos na sociedade, no mundo. Nada nem ninguém mais o pode fazer. Sem a força do Ressuscitado, do seu Espírito, não sairemos da nossa passividade, continuaremos com as portas fechadas, sem alegria, nem convicção. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos viver da sua presença, de recordar em todas as ocasiões a sua Palavra e o seu Espírito, de repensar a sua vida, de deixá-lo ser o inspirador de nossa ação. Ele está no meio de nós, comunicando-nos sua paz, sua alegria e seu Espírito. 

Envia-nos em missão!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/jesus-ressuscitado-esta-no-meio-deles-jo-2019-31.html


domingo, 31 de março de 2024

Ser testemunha do Ressuscitado

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Rosa Maria Dilelli Cruvinel


A notícia da Páscoa sempre é impulso a uma postura evangelizadora ativa e urgente. Jesus foi crucificado, morto e sepultado e Deus o ressuscitou como havia prometido a nossos pais (cf. At 13,32-33). Jesus deixou à Igreja o mandato de pregar e dar testemunho de tudo o que lhe aconteceu (cf. At 10,39-42). 

O Senhor é quem confia aos seus a missão do anúncio da sua ressurreição. Ele aparece primeiro a Maria Madalena e a envia a anunciar a alegre mensagem da Páscoa : ‘Vai a meus irmãos e dize-lhes : ‘Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. Então, Maria foi imediatamente anunciar aos discípulos : ‘Vi o Senhor! E ouvi o que Ele me disse’’ (Jo 20,17-18). Maria Madalena tornou-se, assim, a primeira testemunha da ressurreição do Senhor. 

Em nossa época, na qual a Igreja é convocada a levar a alegria do Evangelho por meio de uma nova evangelização e a espalhar a grandeza do mistério da misericórdia divina, o testemunho de Santa Maria Madalena é um sinal de esperança de salvação aos pecadores, pois essa mulher, da qual Jesus expulsou sete demônios (cf. Lc 8,2), dá o testemunho de muito amor a Cristo e foi por Ele também muito amada. Ela foi ‘chamada por São Gregório Magno ‘testemunha da misericórdia divina’ e por São Tomás de Aquino ‘apóstola dos apóstolos’’, declarou o Cardeal Robert Sarah (Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 2016). 

A Páscoa é tempo para que cada cristão dê um testemunho autêntico de amor ao Ressuscitado, assim como fez Maria Madalena. Ser testemunha fiel de Cristo é a principal postura de todo verdadeiro evangelizador, pois o testemunho coerente é condição essencial para uma evangelização eficaz. Para evangelizar os homens de hoje, faz-se necessário que sejam impactados a partir do encontro pessoal com Jesus ressuscitado. O mundo precisa de ‘evangelizadores que lhe falem de um Deus que eles conheçam e lhes seja familiar’ (Exortação Apostólica Evangelii Nutiandi, 76). 

Urgem em todo o orbe terrestre testemunhas da fé que foram profundamente transformadas em seus corações, cuja experiência transborda em santidade de vida e comunica às estruturas humanas a santificação operada por Cristo por meio do Espírito Divino (cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 36). 

Não tema! Tenha consigo o Espírito Santo, protagonista de toda missão evangelizadora. É hora de anunciar com fervor o imenso amor de Deus presente no mistério pascal. Alegre-se! O Senhor o(a) chama pelo seu nome a testemunhar com renovado ardor que Ele está vivo! Feliz Páscoa!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/ser-testemunha-do-ressuscitado.html

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Missionários do Ressuscitado

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Bernardino Frutuoso,

Jornalista


No dia 22 de Outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Na mensagem para este ano, com o lema «Corações ardentes, pés ao caminho», o Papa Francisco tem como referência o episódio dos discípulos de Emaús, contado com mestria narrativa por Lucas (cf. Lc 24,13-35). Sendo este trecho evangélico uma síntese do que é o Evangelho e do que é o caminho dos cristãos, o papa apresenta três imagens sugestivas : corações ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer e pés ao caminho. Referimos brevemente estes três aspectos que, nas palavras do papa, traçam o itinerário dos discípulos-missionários e nos permitem «renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje».

A primeira cena do texto evangélico apresenta os protagonistas da história : dois discípulos que não têm nome – são paradigma dos discípulos de todos os tempos e lugares – que deixavam Jerusalém frustrados e desiludidos depois da morte de Jesus. No caminho, aproxima-se deles um homem e começam a caminhar juntos; o desconhecido interpela-os, escuta-os com atenção e explica-lhes as Escrituras. Essa exegese bíblica, transformando-os e iluminando-os, dá-lhes um novo olhar, faz-lhes perceber a história da Salvação e o projeto de Deus realizado em Jesus. Refere o papa que, também hoje, estamos chamados a deixar «que Ele faça arder o nosso coração, nos ilumine e transforme, para podermos anunciar ao mundo o Seu mistério de salvação com a força e a sabedoria que vêm do Seu Espírito».

Lucas continua a narração assinalando que os discípulos pediram ao misterioso Viandante que ficasse com eles, pois estava a anoitecer. Encontrando-se sentados à mesa, Ele fez memória da Última Ceia. Com esse gesto de partir e repartir o pão, os olhos dos discípulos abriram-se e eles compreenderam que era Jesus, que o Senhor verdadeiramente tinha ressuscitado.  Nesse momento, deixaram de O ver, mas isso não foi um problema, pois eles sabiam que o Ressuscitado permanecerá com os seus seguidores para sempre. O papa refere que este texto convida cada discípulo-missionário a «tornar-se, como Jesus e n’Ele, graças à ação do Espírito Santo, aquele-que-parte-o-pão e aquele-que-é-pão-partido para o mundo».

Finalmente, Lucas conta-nos que, com o fogo de Jesus no coração e a visão alargada pelo acontecimento pascal, os discípulos levantaram-se e com pés céleres puseram-se ao caminho, pois queriam testemunhar a todos a experiência do encontro com o Senhor da Vida. Uma imagem, sublinha Francisco, que nos recorda «a validade perene da missio ad gentes, a missão confiada pelo Senhor ressuscitado à Igreja : evangelizar toda a pessoa e todos os povos até aos confins da Terra».

A evangelização da África foi a paixão de São Daniel Comboni, a quem o Papa Francisco dedicou a audiência geral do passado dia 20 de Setembro. Ele, «uma pessoa enamorada por Deus e pelos irmãos», é um santo universal que continua a inspirar a missão da Igreja. Uma tarefa evangelizadora que todos os batizados estão chamados a assumir com paixão, coragem e alegria, pois hoje, mais do que nunca, «a Humanidade, ferida por tantas injustiças, divisões e guerras, precisa da Boa Nova da paz e da salvação em Cristo».’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1021/missionarios-do-ressuscitado/