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domingo, 7 de abril de 2024

Jesus ressuscitado está no meio deles (JO 20,19-31)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
 *Artigo d0 Padre Antônio Ferreira, cmf


No Tempo Pascal, o texto referência é o de João 20,19-31. Os acontecimentos presentes no texto acontecem na parte da manhã (cf. Jo 20,1-18) e à tarde do primeiro dia depois do sábado e oito dias depois, no mesmo local (cf. Jo 20,26). 

João relata alguns dos sinais que Jesus realizou. Ele escreve ‘para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome’ (cf. Jo 20,31). Crer é ter vida. Para João, tudo começa com a experiência e o encontro com Jesus (cf. Jo 1,35-39). O evangelista apresenta-se como testemunha dos atos e das palavras daquele que venceu a morte e ressuscitou. Esse testemunho é próprio dos discípulos, daquelas pessoas que o seguiam. Quando Jesus morreu, eles temeram que tudo estivesse acabado, ficaram desorientadas, mas o Senhor ressuscitado apareceu para eles. Sua presença dá-lhes paz – ‘A paz esteja convosco!’ (cf. Jo 19-21.26) – ao mesmo tempo que significa uma nova exigência – ‘Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós’ (cf. Jo 21). Eles são os continuadores da sua obra. Nós recebemos esse testemunho e, com ele, a paz e a missão. João insiste na experiência como fundamento da fé.

Inicialmente, os discípulos têm dificuldade em reconhecer o Ressuscitado, julgam ver um fantasma. É por isso que o pedido de Tomé para ver e sentir as marcas em suas mãos e no seu lado é muito interessante para sublinhar que o Crucificado e o Ressuscitado são a mesma pessoa, mesmo que seu modo de vida seja diferente. A ressurreição de Jesus não é o regresso de um cadáver à vida, mas a plena participação de um ser humano na vida divina. Tomé não acredita por intermédio das outras testemunhas oculares, ele quer fazer sua própria experiência, assim, o Evangelho apresenta a dificuldade de qualquer pessoa acreditar na ressurreição, sobretudo aqueles que não viram o Senhor. Tomé está disposto a acreditar, mas, quer resolver, pessoalmente, as dúvidas por temor de errar. Jesus vê em Tomé um homem em busca da verdade e lhe permite fazer a experiência; é, portanto, a ocasião de dizer aos futuros crentes ‘Felizes aqueles que creem sem ter visto!’ (Jo 20,30).

Tomé é apresentado como o representante daqueles que não querem acreditar sem ver. Vencida sua incredulidade, o evangelista apresenta-o como um modelo de fé. Suas palavras contêm a autêntica confissão da fé cristã : ‘Meu Senhor e meu Deus’ (Jo 20,28). Com essas palavras, o Evangelho de João atinge seu ponto mais alto : o reconhecimento de Jesus como Senhor e Deus. Essa clareza só tinha sido anunciada no prólogo ‘O Verbo era Deus’ (Jo 1,1).

Ao verem Jesus ressuscitado no meio deles, os discípulos têm suas vidas transformadas. Experimentam o Espírito de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados a viver a mesma missão que Jesus havia recebido do Pai. Também hoje o cristão precisa colocar Cristo ressuscitado no centro da sua vida e agir com todas as suas forças.

Pode suceder que a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença no meio de nós seja mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida. Jesus ressuscitado está no centro da Igreja, mas sua presença precisa estar mais viva em nós e na vida das nossas comunidades para, assim, alimentar e orientar os nossos passos e projetos.

Após vinte séculos de cristianismo, Jesus ainda não é conhecido e compreendido em toda a sua originalidade. Só a presença viva de Cristo ressuscitado pode dar-nos hoje a força, a alegria e a criatividade de que necessitamos para enfrentar a crise por que passamos na sociedade, no mundo. Nada nem ninguém mais o pode fazer. Sem a força do Ressuscitado, do seu Espírito, não sairemos da nossa passividade, continuaremos com as portas fechadas, sem alegria, nem convicção. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos viver da sua presença, de recordar em todas as ocasiões a sua Palavra e o seu Espírito, de repensar a sua vida, de deixá-lo ser o inspirador de nossa ação. Ele está no meio de nós, comunicando-nos sua paz, sua alegria e seu Espírito. 

Envia-nos em missão!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/jesus-ressuscitado-esta-no-meio-deles-jo-2019-31.html


terça-feira, 11 de abril de 2023

O que é a Oitava de Páscoa e qual é a sua importância?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Felipe Aquino,

professor


‘Após o domingo de Páscoa, a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.

Tempo Pascal

O Tempo Pascal compreende esses cinquenta dias (em grego = ‘pentecostes’), vividos e celebrados ‘como um só dia’. Dizem as Normas Universais do Ano Litúrgico que : ‘os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, ‘como se fosse um único dia festivo’, como um grande domingo’ (n. 22).

É importante não perder o caráter unitário dessas sete semanas. A primeira semana é a ‘oitava da Páscoa’. Ela termina com o domingo da oitava, chamado ‘in albis’, porque nesse dia os recém batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do Batismo.

Esse é o Tempo litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes a Igreja é introduzida na ‘vida nova’ do Reino de Deus. Daí para frente o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja em sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia, a Parusia. Com a vinda do Espírito Santo à Igreja, entramos ‘nos últimos tempos’ e a salvação está definitivamente decretada; é irreversível; as forças o inferno vencidas pelo Cristo na cruz, não são mais capazes de barrar o avanço do Reino de Deus, até que o Senhor volte na Parusia.

Prolongar a alegria da Ressurreição

A Igreja logo nos primórdios começou a celebrar as sete semanas do Tempo Pascal, para ‘prolongar a alegria da Ressurreição’ até a grande festa de Pentecostes. É um tempo de prolongada alegria espiritual. Esse tempo deve ser vivido na expectativa da vinda do Espírito Santo; deve ser o tempo de um longo Cenáculo de oração confiante.

Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e, de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Ele simboliza o Cristo ressuscitado no meio da Igreja. Ele deve nos lembrar que todo medo deve ser banido porque o Senhor ressuscitado caminha conosco, mesmo no vale da morte (Sl 22). É tempo de renovar a confiança no Senhor, colocar em suas mãos a nossa vida e o nosso destino, como diz o salmista : ‘Confia os teus cuidados ao Senhor e Ele certamente agirá’ (Salmo 35,6).

Domingos de Páscoa

Os vários domingos do Tempo Pascal não se chamam, por exemplo, ‘terceiro domingo depois da Páscoa’, mas ‘III domingo de Páscoa’. As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão voltados para a Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, as ações da Igreja primitiva, que no meio de perseguições anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino, com destemor e alegria.

Portanto, este é um tempo de grande alegria espiritual, onde devemos viver intensamente na presença do Cristo ressuscitado que transborda sobre nós os méritos da Redenção. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios, renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo batizado : levar o mundo para Deus, através de Cristo. É tempo de anunciar o Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

Então, a Igreja deseja que nos oito dias de Páscoa (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que ‘o tempo especial de graças’ que significa a Páscoa, se estenda por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas Bênçãos copiosas.

Bênçãos da Páscoa

Mas, só podem se beneficiar dessas graças abundantes e especiais, aqueles que têm sede, que conhecem, que acreditam, e que pedem. É uma lei de Deus, quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

As mesmas graças e bênçãos da Páscoa se estendem até o final da Oitava. Não deixe passar esse tempo de graças em vão! Viva oito dias de Páscoa e colha todas as suas bênçãos. Não tenha pressa! Reclamamos tanto de nossas misérias, mas desprezamos tanto os salutares remédios que Deus coloca à nossa disposição tão frequentemente.

Muitas vezes somos miseráveis sentados em cima de grandes tesouros, pois perdemos a chave que podia abri-lo. É a chave da fé, que tão maternalmente a Igreja coloca todos os anos em nossas mãos. Aproveitemos esse tempo de graça para renovar nossa vida espiritual e crescer em santidade.

O Círio Pascal

O Círio Pascal estará acesso por quarenta dias nos lembrando isso. A grande vela acesa simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra ‘círio’ vem do latim ‘cereus’, de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado.

O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

Sacramental

No Vaticano, a cera do Círio Pascal do ano anterior é usada para a confecção do ‘Agnus Dei’ (Cordeiro de Deus), que muitos católicos usam no pescoço; é um sacramental valioso para nos proteger dos perigos desta vida, pois é feito do Círio que representa o próprio Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é confeccionado de cera branca onde se imprime a figura de um cordeiro, símbolo do Cordeiro Imolado para reparar os pecados do mundo.

Esses ‘Agnus Dei’ são mergulhados pelo Papa em água misturada com bálsamo e o óleo Sagrado Crisma. O Sumo Pontífice eleva profundas orações a Deus implorando para os fiéis que os usarem com fé, as seguintes graças : expulsar as tentações, aumentar a piedade, afastar a tibieza, os perigos de veneno e de morte súbita, livrar das insidias, preservar dos raios, tempestades, dos perigos das ondas e do fogo – impedir que qualquer força inimiga nos prejudique – ajudar as mães no nascimento das crianças.’ 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2022/04/17/a-importancia-da-oitava-de-pascoa/

domingo, 9 de abril de 2023

A mística e a ascese no tempo pascal

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Francisco Borba Ribeiro Neto


‘Nesta Semana Santa de 2023, circulou entre meus amigos, em nossas redes sociais, essa passagem de Dom Luigi Giussani, sacerdote italiano fundador do movimento Comunhão e Libertação : ‘Se alguém entrar na Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa, Sábado Santo, Páscoa, nestes quatro dias, sem olhar para o rosto de Cristo e nada mais, mas com a preocupação de seus pecados, da sua perfeição, de como deve meditar; acabará cansado, retomando seus dias como antes. Pelo contrário, olhar para o rosto de Cristo muda. Mas, para que Ele nos mude, é preciso encará-lo verdadeiramente, desejando o bem, desejando a Verdade : ‘Tudo sou capaz, Senhor, se estou contigo, tu és a minha força’. É um Tu que domina e não leis que devem ser respeitadas’ (É possível viver assim? São Paulo : Cia Ilimitada, 2008).

Minha esposa e eu ficamos particularmente impactados pela comparação dessa passagem com algumas exortações que costumamos ouvir para que nos esforcemos para participar das celebrações da Semana Santa ou para sermos, a partir dessa Páscoa, mais comprometidos com as boas obras e com a luta por uma sociedade mais justa. As duas exortações, para a participação litúrgica e para o compromisso com o bem dos irmãos, são justíssimas, não estamos fazendo aqui nenhuma objeção a elas. Porém, a passagem de Dom Giussani abre uma outra janela, descortina um outro modo de olhar o mundo e viver a fé.

As práticas ascéticas e a experiência mística

Nesse período, em função do décimo aniversário do pontificado de Francisco, li uma declaração do Papa que talvez ajude a entender melhor o que gostaria de mostrar. Numa entrevista ao padre jesuíta Antonio Spadaro, ele comenta que existe, na Companhia de Jesus, uma corrente que sublinha o ascetismo, o silêncio e a penitência, mas que ele, Bergoglio, se identifica mais com uma outra, mais mística. Ora, podemos nos perguntar, ascetismo e mística não estão intimamente ligados? Uma experiência mística não pressupõe uma prática ascética?

De fato, as duas coisas estão intimamente ligadas, como a carroça e os bois. Mas fica muito mais difícil avançar se os bois, colocados atrás, ‘empurrarem’ a carroça, ao invés de irem na frente, ‘puxando-a’. Existe uma deformação do ascetismo cristão que imagina que é a fidelidade às suas práticas que produz a experiência mística. Isso pode ser verdade num ascetismo estoico, de caráter disfarçadamente ateu, ou em algumas outras religiões. Mas, no cristianismo, é a própria experiência mística do encontro com Cristo que gera o desejo das práticas ascéticas, que se tornam respostas cheias de gratidão e de alegria Àquele que tanto nos amou primeiro.

O teólogo alemão Karl Rahner, no final do século passado, numa passagem famosa, declarou que os cristãos seriam ‘místicos’ ou seriam ‘nada’. Rahner não tinha dúvidas sobre o significado de suas palavras : o cristianismo só pode sobreviver enquanto encontro e relação de amor pessoal entre Cristo e o fiel. A afirmação, contudo, se empobrece quando é interpretada simplesmente como condenação ao moralismo e ao formalismo que invadiram muitas vezes a mentalidade cristã moderna. Sem dúvida, a mística supera essa mentalidade redutiva – mas essa superação é uma decorrência da primazia do amor. Quem quer interpretar a mística apenas como negação do formalismo e do moralismo não avança, pois sua riqueza está no amor. E isso não é fácil de entender numa sociedade como a nossa, onde se fala muito no amor, mas se tem muita dificuldade em vivê-lo realmente.

A contemplação do Cristo sofredor

Fomos acostumados a uma cultura imagética que valoriza as representações do Cristo sofredor e dos santos em êxtases supostamente místicos, mas que a nossos olhos contemporâneos parecem mais maneirismos que estados contemplativos. Essas imagens são acompanhadas por práticas devocionais onde predomina a subjetividade dos fiéis e não a objetividade do amor de Deus. Frequentemente, não são nem consideradas práticas ascéticas, pois estão mais centradas na exploração das emoções da pessoa do que num real cultivo da contemplação e da oração.

A experiência mística cristã é o encontro entre duas subjetividades – a do fiel e a de Cristo, que se torna presente de forma misteriosa, mas real. Como toda experiência afetiva, é moldada pela sensibilidade e pela emotividade de cada um. Existem os mais devocionais, aos quais agradam as imagens e o ambiente barroco do catolicismo da Contrarreforma, existem os mais contemplativos, que preferem o estilo dos ícones orientais e a austeridade das primeiras basílicas cristãs. Cristo não deixa de ir ao encontro das pessoas, sejam quais forem seus temperamentos e suas preferências.

Contudo, nesse tempo pascal, pode ser perigosa uma contemplação do Cristo sofredor e de suas dores como catarse para nossos próprios sofrimentos ou motivação para o empenho moral – e não como ocasião para perceber o Seu amor por nós. Uma ‘estética do sofrimento’ afasta frequentemente as pessoas da Igreja. Corresponde, muitas vezes, a um certo moralismo pelagiano, um desejo até arrogante de ‘estar à altura’ do sacrifício de Cristo por nós (sobre esse tema, vale a pena ler Gaudete et Exsultate, do Papa Francisco, GE 47ss).

A justa contemplação mística do amor de Cristo por nós, ao invés disso, cria uma alegre gratidão, um desejo humilde de corresponder ao amor recebido. Não omite os sofrimentos de Cristo ou mesmo os nossos, mas permite que a misericórdia a tudo cubra e até mesmo as dores se tornem sinais de amor e beleza. Então, a participação na liturgia se torna verdadeiramente a bela celebração do Amor e o compromisso com os irmãos, particularmente com os que mais sofrem, se torna aquela conformação natural do coração do amante ao coração do Amado… E compreendemos melhor porque ‘seu fardo é leve e seu jugo, suave’ (Mt 11, 28-30).’ 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/04/09/a-mistica-e-a-ascese-no-tempo-pascal/

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Jesus instituiu a Tradição da Igreja durante o Tempo Pascal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Francisco Vêneto,

jornalista

 

‘Jesus instituiu a Tradição da Igreja durante o Tempo Pascal : após a Ressurreição e antes de subir ao Céu, Ele voltou a aparecer aos Apóstolos, visivelmente, e lhes transmitiu mais uma série de ensinamentos orais. A Sua Revelação, portanto, continuou a ser comunicada verbalmente aos primeiros discípulos para que, por sua vez, eles pudessem comunicá-la ao mundo. O próprio Cristo, afinal, foi enfático :

Ide, pois, e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’.

Jesus instituiu a Tradição. Ou seja, determinou a pregação e a instrução a todos os povos, em todos os lugares e em todos os tempos, por meio da transmissão oral da Sua Revelação. E, além da doutrina, as Suas instruções aos Apóstolos contêm as diretrizes que eles deveriam implementar para organizar uma sociedade visível, uma instituição, que, ao longo dos séculos, custodiasse e continuasse propagando a transmissão do ensinamento d’Ele.

Em artigo publicado pelo site Radio Roma Libera, o jornalista católico italiano Roberto de Mattei observa, por exemplo, que a primeira Missa celebrada por São Pedro ‘seguiu meticulosamente as indicações de Cristo’.

De Mattei também recorda que esta sociedade visível que é a assembleia dos fiéis, ou seja, a Igreja Católica, se rege com base em três pilares instituídos pelo Seu Fundador, Jesus Cristo :

  • a Hierarquia que Ele estabeleceu;
  • a Doutrina que Ele ensinou;
  • os Sacramentos que Ele instituiu.

Trata-se de uma unidade : se a doutrina de Jesus Cristo foi confiada por Ele próprio aos Seus Apóstolos para que a transmitissem a todos os povos, então a retidão dessa doutrina está vinculada à fiel sucessão apostólica, de modo que não se pode prescindir da hierarquia que garante a sua reta transmissão desde os tempos em que Cristo mesmo a pregou aos Apóstolos.

Por sua vez, esta sucessão apostólica só é garantida pela validade dos sacramentos, já que, entre eles, a ordem sacerdotal só é transmitida validamente por um ministro que tenha sido, ele mesmo, validamente ordenado por outro anterior, também ordenado por um sucessor dos primeiros Apóstolos.

Fidelidade à Igreja, portanto, exige fidelidade à sua doutrina, à sua hierarquia e aos seus sacramentos.

Naqueles dias entre a Ressurreição e a Ascensão, Jesus garantiu aos Seus seguidores, isto é, àqueles que livremente abraçaram a Sua doutrina, aderiram à Sua hierarquia e acolheram os Seus sacramentos :

Eu estarei sempre convosco até o fim dos tempos’ (Mt 28, 20).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2021/04/14/jesus-instituiu-a-tradicao-da-igreja-durante-o-tempo-pascal/

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Abrindo espaço para a dor no Tempo da Páscoa

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Padre Michael Rennier,

sacerdote católico ordenado através da Provisão Pastoral para ex-clérigos episcopais que foi criado pelo Papa São João Paulo II

 

‘A dor chega até nós nos momentos mais estranhos. Em um dia como a Páscoa, o mundo transborda de vida nova. No hemisfério norte, de onde escrevo, os dias estão ficando mais longos e o ar mais quente. No nosso quintal, a magnólia está em plena floração e os jacintos perfumam o jardim. As meninas correm freneticamente com seus vestidos amarelos, procurando ovos enfiados nas árvores. Na missa, o Aleluia volta a ser cantado e a homilia é sobre a Ressurreição.

Mesmo em meio a toda essa alegria, pode surgir um pensamento, uma dor, porque esta Páscoa não é como as Páscoas que passaram, e a próxima também será diferente. A vida muda e com essa mudança vem a perda. Talvez haja um assento vazio em sua mesa de jantar hoje que não estava vazio no ano passado.

A dor de Maria

Eu me pergunto que tristeza permaneceu no coração de Maria, mesmo quando ela se alegrou com o milagre da Páscoa? Seu filho estava vivo, sim, mas ela ainda havia testemunhado sua morte horrível apenas três dias antes. Não consigo imaginar que ela tenha processado o choque e estivesse imediatamente pronta para esquecê-lo. Ela, claro, foi capaz de vê-lo novamente, mas os entes queridos que você e eu perdemos ainda estão longe de nossos olhos. Temos fé de que os veremos um dia no céu, mas esse dia não é hoje. E assim a celebração se confunde com o luto.

Logo após um funeral, sempre há uma enorme demonstração de apoio. Chegam cartões e flores, telefonemas consoladores e companhia. É bem entendido que, se alguém perdeu um ente querido, precisa de um pouco de folga do trabalho e não estará no seu eu normal e feliz. Depois de cerca de uma ou duas semanas, porém, há uma expectativa de que é hora de começar a vida. Um limite de tempo foi atingido e qualquer tentativa de falar sobre a dor ou mesmo continuar processando-a emocionalmente em silêncio é considerada estranha ou um sinal de que algo está errado. As mensagens de apoio desaparecem à medida que todos voltam aos negócios normalmente.

Vivendo o luto

O luto é único e não pode haver uma expectativa definida de como uma pessoa deve enfrentá-lo. Somos todos diferentes e, à medida que uma perda persiste, ela afeta a todos nós de maneiras diferentes. O que significa carregar essa dor pelo resto da vida, sentir realmente a ausência de uma pessoa que foi para o túmulo? Não é saudável guardar essas memórias, permitir-se sentir a dor disso? É mórbido reconhecer isso? Parece-me que não é nada mórbido e todos nós precisamos continuar, pelo menos de alguma forma, a lamentar nossos mortos.

A intensidade da dor pode diminuir com o tempo, mas não vai embora totalmente e não devemos esperar que ela desapareça. Na verdade, a dor está conectada ao amor. Continuar a sentir a ferida da perda é sinal de que o vínculo de amor ainda está intacto, de que a morte não o superou. Simplesmente não convém ignorar a dor e não deve haver a obrigação de encobri-la ou fingir que não existe. Além disso, realmente não existem regras sobre como lamentar adequadamente. Você lida com isso do seu jeito e no seu próprio ritmo.

Direi, porém, que em minha experiência como padre, passando tempo com famílias enlutadas, há três pontos importantes a serem enfatizados :

Você não tem que seguir em frente

Não existe um cronograma segundo o qual você precise parar de sofrer. A dor pode diminuir. Pode levar algum tempo ou muito tempo. É verdade que a vida não pode parar totalmente quando alguém morre, e precisamos continuar buscando felicidade e alegria. Entretanto, é possível fazer isso no contexto do sofrimento que continua. Você pode nunca seguir em frente inteiramente.

Você não tem que viver em negação

Muitas vezes, não sabemos como enfrentar nossa tristeza e acabamos em negação ou proferindo clichês. Esta é uma solução rápida que, na verdade, não corrige nada. Ao sofrer, é importante se expressar honestamente e não entorpecer a dor.

Você não precisa dizer ‘pelo menos …’

Não vale a pena dizer : ‘Pelo menos ele está em um lugar melhor agora’ ou ‘Pelo menos ele viveu uma vida plena.’ Pode parecer melhor agarrar o lado bom, mas na verdade isso não é nada mais do que um instinto protetor para entorpecer a dor, para se afastar de seu impacto. Isso é compreensível, mas para sofrer de maneira saudável, devemos reconhecer a perda e não pular para uma falsa racionalização.

Enfim, na Páscoa de todos os dias, a morte e a vida estão abraçadas na totalidade da experiência humana. Não podemos ter um sem o outro. Se quisermos celebrar a vida, também reconheceremos a realidade da morte. O luto sempre estará conosco, mas lembre-se, é um sinal de amor. Talvez por isso chegue até nós nos momentos mais estranhos, porque o amor é sempre uma surpresa.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/04/05/abrindo-espaco-para-a-dor-no-tempo-da-pascoa/

domingo, 31 de maio de 2020

Pentecostes : 'somos terras do Espírito'

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 7 orações especiais ao Espírito Santo
No silencioso sussurro da voz do Espírito, toda nossa realidade interior fica abençoada

*Artigo d0 Padre Adroaldo Palaoro, SJ


‘A festa de Pentecostes é a culminância de todo o tempo pascal. As primeiras comunidades cristãs tinham claro que tudo o que estava se passando nelas era obra do Espírito, e tudo o que o Espírito tinha realizado em Jesus, agora estava realizando em cada um deles(as).

Também para cada um de nós, celebrar a Páscoa significa descobrir a presença do Deus-Espírito em nosso interior e na realidade que nos envolve, ora como brisa mansa, ora como vento impetuoso.

Tanto a ‘ruah’ hebraico como o ‘pneuma’ grego significam ar, vento, sopro. É neutro em grego, masculino em latim (‘spiritus’), feminina em hebraico, pois transcende, acolhe e abençoa todas as identidades de gênero. É alento vital profundo.

Brisa suave no sufoco, vento forte na apatia. ‘O vento sopra onde quer’, vem de tudo e de sempre, nos leva onde não sabemos.

A raiz da palavra ‘ruah’, nas línguas semíticas, é ‘rwh’, que significa o espaço existente entre o céu e a terra, que pode estar em calma ou em movimento. Seria o ambiente no qual os seres vivos bebem a vida. A terra mesma era concebida como um ser vivo, o vento era sua respiração.

Nestas culturas, o sinal de vida era a respiração. ‘Ruah’ veio a significar ‘sopro vital’. Quando Deus modela o homem de barro, sopra em seu nariz o hálito de vida.

No Evangelho deste domingo, prolongando o sexto dia da criação, Jesus sopra sobre os apóstolos para comunicar seu Espírito.

Pentecostes vem nos recordar que o Espírito faz parte de nós mesmos, constitui nossa verdadeira identidade e não tem que vir de nenhum lugar. Somos habitados por ele, está em nós, antes mesmo que nós começássemos a existir. É o fundamento de nosso ser e a causa de todas as nossas possibilidades de crescer em todas as dimensões da vida. Nada podemos fazer sem ele, como também não podemos estar privados de sua presença em nenhum momento. Todas as orações, encaminhadas a pedir a vinda do Espírito, só tem sentido quando nos levam a tomar consciência de sua presença e ação em nós; tais orações ativam em nós o impulso para nos deixar conduzir por essa presença inspiradora e criativa.

Assim é o Espírito que vibra na entranha do infinitamente grande e do infinitamente pequeno, nesta nossa Terra e no universo sem medida. O Espírito sopra onde quer, que é como dizer ‘em tudo’, pois ama tudo e anima tudo. É a ‘alma’ de tudo quanto vive e respira. É a esperança invencível, a aspiração irresistível de todos os seres, sem exceção. É a energia que toma forma na matéria e a faz matriz inesgotável de novas expressões de vida, sem fim.

Nesse sentido, nós somos a terra propícia onde atua o Espírito. Onde há mais carência, vulnerabilidade, pobreza... há mais e maiores possibilidades criativas. Nenhuma situação pode afastar-nos de sua visita. Toda terra baldia é boa para o Espírito. Ele é o buscador incansável e com um ‘sim’ ousado e forte recria de novo nossa história, estabelecendo o ‘cosmos’ (harmonia e beleza) em nosso ‘caos’ existencial.

As ‘terras do Espírito’ albergam milhares de nomes : chama-se  esperança para aqueles que sonham um outro mundo possível; chama-se amada paz para aqueles que vivem em meio à barbárie dos conflitos; chama-se liberdade para aqueles que foram privados dos seus direitos fundamentais; chama-se justiça para aqueles que vivem continuamente sendo espoliados e explorados; chama-se beleza, porque tudo o que foi criado é bom e precioso; chama-se humanidade porque é neste ‘húmus-chão’ onde a presença da ‘Ruah’ transforma a existência.

No silencioso sussurro da voz do Espírito, toda nossa realidade interior fica abençoada : os sentimentos contraditórios, os dinamismos opostos, os pensamentos divergentes..., se harmonizam. Ele ‘desce’ para nos encontrar e despertar nossa vida atrofiada. Com seu toque, uma identidade nova ressurge : não somos mais estrangeiros, nem inimigos de nós mesmos. Sua presença dá calor e sabor à nossa existência.

São tantas as pessoas que fazem experiência de vida no Espírito, que bebem dele, vivem dele, muitas vezes sem saber disso; elas têm uma visão aberta e são motivo de alegria e de cuidado para aqueles que delas se aproximam; homens e mulheres que levam alívio ao tecido da existência humana pois, com suas presenças, dão um toque de cor e calor à realidade; como brisa leve, situam-se junto àqueles que atravessam momentos de desânimo, de tristeza e de fracasso...

O Espírito é o artífice secreto de todas as cores e texturas da vida, da beleza, que conhecemos e daquela que ainda nos aguarda. Ele é a ‘alma do mundo’ e disso só podemos fazer aproximações, vislumbres...

Reconhecemos o Espírito pelos efeitos que provoca : sem saber de onde vem nem para onde irá, nos golpeia e clama no sofrimento dos inocentes, grita em todos os ambientes que maltratam a vida, ali onde não se respeita a dignidade e o valor das criaturas. Ele nos alcança na expressão terna de um rosto, na tonalidade de uma voz, na carícia da natureza...

Ali onde nosso ego se esvazia, o Espírito toma o lugar que lhe pertence, desde o princípio e para sempre.

Esse lugar não é um espaço físico nem está situado no tempo, senão que esse lugar está dentro, vai conosco lá onde vamos. São ‘terras do Espírito’, e habitá-las é nossa promessa.

A humanidade sempre sonhou e buscou a ‘terra prometida’; no entanto, esta não se reduz a um lugar geográfico ou um espaço paradisíaco. São as ‘terras do Espírito’, terras prometidas a todos que vivem a partir de sua própria interioridade.  É preciso descalçar-se para entrar nessas terras, fazer-se cada vez mais leves, mais humildes, peregrinos... Quem se deixa conduzir pelo Espírito, nenhuma terra lhe é estranha; ao contrário, tudo lhe é familiar.

Eis que nos encontramos agora no tempo do ‘distanciamento social’, para não nos contaminar. Imperceptíveis partículas nos ameaçam onde menos esperamos. E procuram minar e destruir nosso sistema vital.

Mas não devemos esquecer que há outro tipo de ‘bendito contágio’, que procura ter acesso à nossa interioridade mais profunda : é o contágio do Espírito, que nos envolve e nos pede que tiremos todas as máscaras com as quais nos defendemos dele. É o Espírito que alenta (suspira) na beleza, na arte, nas relações de amor incondicional, no cuidado compassivo, na presença solidária, nas pessoas que ajudam desinteressadamente, na hospitalidade da vida...

Jesus Ressuscitado, no encontro com os discípulos e com cada um(a) de nós, nos entregou definitivamente este Espírito, sua santa Ruah que o habitava e o levou a entregar sua vida em favor da vida.

É a ‘Ruah’ que produz o contágio espiritual e que foi derramada sobre toda a humanidade.

A Santa Ruah é a memória permanente do ‘sim’ do Abbá e de Jesus a todos nós. Não somos abandonados do Amor, nem da Misericórdia de nosso Deus. Onde menos pensamos, ali surgem sinais de um grande e apaixonado amor pela humanidade. Tanto amou Deus o mundo, tanto amou Jesus à humanidade, que nos entregaram o Espírito Santo, essa bendita contaminação que nos envolve por todos os lados, para que ‘tenhamos vida em abundância’.

Santa Ruah! Bendito contágio!

Texto bíblico : Jo 20,19-23

Na oração : Espirituais somos todos, quando deixamos que, dentro de nós, o Espírito de Deus encontre espaço livre para mover-se, sussurrar e suscitar inquietações. Ao habitar-nos, o Espírito não nos invade, nem se impõe.

  • Se abrirmos espaço à sua presença, brota uma sadia convivência que potencia o melhor de nós mesmos, sensibiliza nosso coração e abre os sentidos para que fiquem mais alertas e sintonizados com as surpresas que brotam da vida.

  • No ritmo da silenciosa respiração, sinta a ‘Santa Ruah’ tendo acesso às profundezas de seu ser, pacificando, integrando..., despertando novas energias e impulsos criativos e rompendo o medo, a apatia, a falta de sentido...’



Fonte :
*Artigo na íntegra

sábado, 27 de abril de 2019

Entenda melhor o que é o Domingo da Misericórdia dentro do Tempo Pascal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 POPE PAINTING
*Artigo da Redação da Aleteia



‘Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande Domingo’ (Normas Universais do Ano Litúrgico, nº 22).

O Tempo Pascal

O Tempo Pascal começou na Vigília Pascal, com a Ressurreição de Cristo, e é celebrado durante sete semanas, até a vinda do Espírito Santo no Domingo de Pentecostes (que significa, em grego, ‘cinquenta dias’).

Esse tempo litúrgico de imensa força e significado é uma profunda celebração da Páscoa de Cristo, que passa da morte à vida – a palavra ‘Páscoa’, aliás, significa precisamente ‘passagem’, conforme o sentido literal do termo na tradição judaica.

O Tempo Pascal é também a Páscoa da Igreja, Corpo de Cristo, que passa para a Vida Nova do Senhor e no Senhor. É um tempo que prolonga a alegria inigualável da Ressurreição e aguarda, ao final destes cinquenta dias, o dom do Espírito Santo na festa de Pentecostes. Um testemunho de Tertuliano, ainda no século II, já nos conta que, neste período, não se jejua, mas se vive em prolongada alegria.

A Oitava da Páscoa

A primeira das sete semanas deste tempo litúrgico é a assim chamada ‘Oitava da Páscoa’, a ser encerrada com o ‘Domingo da Oitava da Páscoa’. O termo oitava’ se refere ao oitavo dia após a festa de referência – neste caso é a Páscoa, mas também existem a Oitava de Pentecostes, da Epifania, de Corpus Christi, de Natal, da Ascensão e do Sagrado Coração de Jesus, que são as ‘oitavas privilegiadas’, além de outras oitavas consideradas ‘comuns’ (como a da Imaculada Conceição e a da solenidade de São José, entre outras) ou ‘simples’ (como a de Santo Estêvão e a dos Santos Inocentes, por exemplo). Todo o período compreendido entre a festa principal e seu oitavo dia é considerado como uma só celebração prolongada.

O Domingo da Oitava da Páscoa

Trata-se do domingo que encerra a oitava da Páscoa, ou seja, é o segundo domingo do Tempo Pascal, sendo que o primeiro foi o próprio Domingo da Páscoa, a grande solenidade da Ressurreição de Cristo.

O ‘Domingo da Oitava da Páscoa’ também costumava ser chamado de Domingo ‘in Álbis’ (ou seja, domingo ‘vestido de branco’), já que, nesse dia, os neófitos (novos batizados) depunham a túnica branca do batismo.

Popularmente, também já foi chamado de ‘Pascoela’, ou ‘pequena Páscoa’, e, ainda, de ‘Domingo do Quasimodo’, devido às duas primeiras palavras em latim (‘quasi modo’) cantadas no introito.

Um nome adicional e repleto de amor: o Domingo da Misericórdia!

Desde o ano 2000, este mesmo segundo domingo do Tempo Pascal recebe mais um nome : o de ‘Domingo da Divina Misericórdia’, conforme a disposição de São João Paulo II após a canonização de Santa Faustina Kowalska.

É nesse dia que chega ao fim a Novena à Divina Misericórdia, iniciada na Sexta-Feira Santa (saiba mais).

E depois, o que virá?

Depois ainda teremos, dentro deste riquíssimo tempo litúrgico, a festa da Ascensão do Senhor – que é celebrada no sétimo domingo de Páscoa e não mais necessariamente aos quarenta dias após a Ressurreição, porque o sentido da celebração é mais teológico do que cronológico.

Por fim, o período pascal se encerra com a vinda do Espírito Santo, em Pentecostes.

Características deste período

A unidade desta Cinquentena que é o Tempo Pascal se destaca no Círio Pascal, que permanece aceso em todas as celebrações até o Domingo de Pentecostes para expressar o mistério pascal comunicado aos discípulos de Jesus.

É com esta mesma intenção que se organizam as leituras da Palavra de Deus nos oito domingos do Tempo Pascal : a primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, o livro que conta a história da Igreja primitiva e da sua difusão da Páscoa do Senhor. A segunda leitura muda conforme os ciclos, podendo ser da primeira Carta de São Pedro, da primeira Carta de São João e do livro do Apocalipse.’


Fonte :