Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
,
‘Hoje falamos
de um elemento bem desconhecido da história da África, trazendo dados sobre as
mulheres guerreiras conhecidas como Ahosi. Essas guerreiras eram uma unidade de
elite do extenso reino africano de Daomé, localizado onde hoje temos o atual
Benin.
As ahosi
formaram um regimento militar feminino de elite ativo entre os séculos XVII e
XIX. Como único exército exclusivamente feminino registrado na história, elas
eram conhecidas pela ferocidade, treinamento intenso e por protegerem o rei,
chegando a compor um terço do exército.
Mulheres
guerreiras
Ao que tudo
indica, as Ahosi, palavra que significa ’mulheres do rei’ e que
também eram conhecidas por ‘mino’, que traduzido livremente para o português
pode significar ‘mães’ ou ‘minha mãe’, ou ainda como ‘gebto’, inicialmente não
eram só super-guerreiras, mas caçadoras de elefantes, isso apenas em fins do
século XVII, foram encontrados os primeiros registros sobre elas.
Sob o rei
Ghezo (1818-1858), elas se tornaram uma força oficial e significativa do
exército, participando de batalhas cruciais e, mais tarde aterrorizariam
as tropas coloniais francesas.
De acordo com
a teoria mais plausível, as Ahosi foram formadas sob o reinado de Hwegbajá já
com essa intenção, entretanto, no século XVIII, o novo rei Agadja, filho do
anterior, ficou encantado com a sua ferocidade, decidindo transformá-las de
caçadoras de elefantes em suas guarda-costas, mulheres aptas a protegê-lo
dentro do palácio.
Outra teoria
indica que a unidade militar das Ahosi, enquanto guerreiras palacianas, foi
criada em 1645, pelo rei Ada Onzoo. Suas armas de guerra eram tacos, lanças e
arcos de guerra. De um número inicial de 800 mulheres guerreiras, foram se
expandindo de forma tão rápida que chegaram a ser metade do exército real, em
torno de mais de 5 mil guerreiras.
O treinamento
de uma guerreira Ahosi era forte, intenso e procurava não apenas transformar
uma mulher de Daomé em uma guerreira imbatível, mas no meio de uma sociedade
patriarcal também visava torna-las insensíveis a fim de que suas dores fossem
superadas, para que jamais o medo fizesse parte de suas batalhas e que sua sede
de sangue nunca se extinguisse.
Além de tudo,
seu treinamento exaustivo e brutal era também uma forma de lembrá-las a sempre
superarem os homens nesses mesmos quesitos, não como forma de demonstrar sua
superioridade não apenas para derrotá-los, mas também demonstrar que por serem
mulheres, elas poderiam provar ser tão boas quanto os homens.
Vivendo em
uma sociedade patriarcal, as daomenianas que desejassem fazer parte do exército
Ahosi ainda tinham essa prova a mais.
Decadência do
império
Apesar do
grande poder acumulado pelo reino de Daomé e da ferocidade das Ahosi, ambos os
elementos não foram suficientes para impedir outro imperialismo, o dos
europeus. Com uma tecnologia de guerra superior e um pacto político-econômico a
fim de dividir Ásia e África segundo seus próprios interesses, não demorou
muito para que uma guerra entre França e Daomé fosse estabelecida. Dois grandes
confrontos ocorreram na última década do século XVIII. Daomé atacou uma cidade
colonizada pela França, e esse fato, tudo o que a França queria, desencadeou os
conflitos.
Após a
derrota e imposição da dominação colonial europeia, o rei Behanzin foi exilado,
a França assumiu o controle político da Daomé e imediatamente a Unidade das
Ahosi foi extinta, não permitindo a entrada de mulheres em legiões do exército.
Ao que se indica apenas 50 mulheres Ahosi sobreviveram a essa guerra e teriam
seguido rumo aos Estados Unidos para se juntarem ao Buffalo Bill Wild West
show.
Esse exército
formado exclusivamente por mulheres hoje é amplamente celebrado como um símbolo
de força feminina e da resistência africana ao domínio estrangeiro.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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