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sábado, 30 de novembro de 2024

Santo André, Apóstolo (século I)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo da redação da revista Ave Maria


‘Maravilha e encanta a espontaneidade de André, irmão de Simão, nascido em Betsaida. Junto com o pai, Jonas, e com o irmão dedicava-se à pesca no lago de Tiberíades, na Galileia, e morava em Cafarnaum. No seu nome percebe-se que a influência da cultura grega tinha chegado também àquela região.

O episódio mais simpático de sua vida nos é narrado no Evangelho de João (cf. Jo 1,35-42). André tinha ido para as margens do Jordão junto com João, o futuro evangelista, para escutar João Batista. Este, indicando-lhes Jesus, disse : ‘Eis o Cordeiro de Deus! ‘E os dois discípulos, ouvindo-o falar assim, seguiram Jesus. Jesus então se voltou e, vendo que o seguiam, disse : ‘Que procurais?’. Responderam-lhe : ‘Rabi (que significa ‘mestre’), onde moras?’. Disse-lhes : ‘Vinde e vede’. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram aquele dia junto dele; eram cerca de quatro horas da tarde’ (Jo 1,36-39).

O encontro deve ter sido particularmente marcante, visto que os dois recordavam até mesmo a hora daquele dia inesquecível : ‘Eram cerca das quatro horas da tarde’ (diz o texto bíblico ‘Era cerca da hora décima’ (Jo 1,39) e a nota confirma a equivalência, pelas quatro horas da tarde].

‘Um dos dois que tinham ouvido as palavras de João e o haviam seguido era André, irmão de Simão Pedro’ está escrito em João1,40. São João Crisóstomo faz este comentário : ‘André, tendo ficado perto de Jesus e tendo aprendido muitas coisas, não manteve escondido em si esse tesouro, mas apressou-se a correr para junto de seu irmão para torná-lo participante disso’. Já o destino dos dois estava marcado para sempre, porque o Mestre havia colocado seus olhos neles.

Esse, de fato, segundo a narrativa do evangelista Marcos, ‘passando junto do mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, enquanto lançavam as redes ao mar; eram de fato pescadores. Jesus disse-lhes : ‘Segui-me, eu vos farei pescadores de homens’. E logo, deixadas as redes, seguiram-no’ (Mc 1,16). André foi com João entre os mais íntimos de Jesus. A ele se dirigiu Filipe para que dissesse a Jesus que os gregos o queriam ver (cf. Jo 12,20-23). Quando Jesus pediu que dessem de comer à multidão que o havia escutado, André apresentou ao Mestre um menino com cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6,8-9).

No monte das Oliveiras perguntou a Jesus, junto com Pedro, Tiago e João, quando aconteceria a destruição do maravilhoso templo que brilhava diante dos seus olhos (cf. Mc 13,3). Depois da paixão, André estava com os outros apóstolos no Cenáculo aguardando a vinda do Espírito Santo (cf. At 1,13) e depois de Pentecostes, segundo a tradição, teria encorajado o apóstolo São João a narrar os fatos e as palavras de Jesus no seu Evangelho. Segundo Orígenes, André teria pregado o Evangelho na Cítia, no Ponto Euxino, na Capadócia, na Galácia e na Bitínia. Depois, segundo São Jerônimo, teria passado a evangelizar a Acaia, firmando-se em Patrasso, onde teria sofrido o martírio aproximadamente nos anos 60, pregado em uma cruz, cujos braços eram dispostos diagonalmente. Daí o nome de cruz de Santo André. 

Mais tarde, no século IV, suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, que o escolheu como seu padroeiro. A nova Roma possuía o ‘troféu’ do irmão de Pedro e deu a André o título de Protocleto, isto é, de primeiro chamado, mesmo que o mesmo título diga respeito igualmente a São João evangelista.

Em 1208, os alfenenses levaram para a sua cidade as relíquias do apóstolo e, em 1462, deram sua cabeça à Igreja de Roma. Em sinal de reconciliação, o Papa Paulo VI, em 1964, restituiu essa relíquia para a igreja irmã de Constantinopla.

Atualmente, a relíquia da cabeça de Santo André é conservada em Patrasso.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/santo-andre-apostolo-seculo-i.html

domingo, 30 de novembro de 2014

Santo André, Apóstolo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
Primeiro a ser chamado, primeiro a testemunhar

‘André foi o primeiro a ser chamado, portanto, o Protóclito (protos = primeiro + klitos = chamar). Recordemos como se deu este chamado : estava ele e seu irmão Cefas pela segunda vez na região do Jordão onde João Batista batizava, este exclamou : ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem O acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre.

Ouvindo estas palavras deixaram de seguir João Batista para acompanhar o próprio Cristo.

Jesus, voltando-se para trás e vendo que o seguiam, disse-lhes : ‘Que buscais?’ Eles disseram : ‘Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?’ Disse-lhes Jesus : ‘vinde e vede’. Foram, pois, e viram onde habitava e permaneceram lá aquele dia. Era quase a hora décima.

Ora, André tinha um irmão chamado Simão e disse-lhe : ‘Nós encontramos o Messias, que é o Cristo’. E levou-o a Jesus, que olhando-o disse : ‘Tu és Simão, filho de Jonas, doravante chamar-te-ás Pedro’.

Este é, segundo a narrativa de São João, o primeiro encontro de André com Jesus.

André e Pedro, contudo, não ficaram definitivamente com o Divino Mestre, mas voltaram às suas ocupações de pescadores. Dias depois, Jesus, passando pela praia do Lago de Tiberíades, pelas bandas de Cafarnaum, tendo-os encontrado quando lavavam as redes, disse-lhes : ‘Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens’. Eles, deixando imediatamente as redes, O seguiram (Mt 4,18). Com estas palavras, deu-se o chamamento oficial de André como apóstolo junto com seu irmão Pedro.

Nos catálogos oficiais que os evangelistas dão dos doze apóstolos, André ocupa sempre o segundo lugar, depois do irmão Pedro. Poucas menções expressas nos deixaram o Evangelho deste apóstolo durante os três anos do seguimento a Cristo. A primeira deu-se por ocasião da multiplicação dos pães e peixes.

Quando Jesus interpelou Filipe sobre a possibilidade de dar de comer a toda aquela multidão, André interveio, dizendo : ‘Está aqui um menino que tem cinco pães e dois peixes; mas que é isto para tanta gente?’ Jo 6, 9).

Uma segunda intervenção de André deu-se nos últimos dias da vida do Mestre. Havia alguns gentios que desejavam ver Jesus de perto e se aproximaram de Filipe, dizendo : ‘Senhor, desejamos ver Jesus’. Filipe foi dizer a André : e ambos disseram-no a Jesus.

Diz a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo :

Salve Santa Cruz, tão desejada, tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre; de ti receba O que por ti me salvou!

Todos se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz, permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.

Depois das perseguições romanas, as relíquias do Santo foram transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.


Fontes :
* Artigo na íntegra de http://www.diocesesantoandre.org.br/newsite/?page_id=6588

Konings, J – ‘Espírito e Mensagem da Liturgia Dominical’ – Ed. Vozes, 1986.
Carvajal, Francisco F, ‘Falar com Deus’ – Ed. Quadrante, 1993. 
Donadeo, Madre Maria, ‘O Ano Litúrgico Bizantino’ – Ed. Ave Maria.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Santo André, Apóstolo

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)

 
A Liturgia da Horas e a reflexão no dia de Santo André : 
 
 Ofício das Leituras
 
Segunda leitura
Das Homilias sobre o Evangelho de João, de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. 19,1: PG 59,120-121)   (Séc.IV)
  
Encontramos o Messias
André, tendo permanecido com Jesus e aprendido com ele muitas coisas, não escondeu o tesouro só para si mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta. Repara o que lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1,41). Vede como logo revela o que aprendera em pouco tempo! Demonstra assim o valor do Mestre que o persuadira, bem como a aplicação e o zelo daqueles que, desde o princípio, já estavam atentos. Esta expressão, com efeito, é de quem deseja intensamente a sua vinda, espera aquele que deveria vir do céu, exulta de alegria quando ele se manifestou, e se apresa em comunicar aos outros a grande notícia.

Repara também a docilidade e a prontidão de espírito de Pedro. Acorre imediatamente. E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), afirma o Evangelho. Mas ninguém condene a facilidade com que, não sem muita reflexão, aceitou a notícia. É provável que o irmão lhe tenha falado pormenorizadamente mais coisas. Na verdade, os evangelistas sempre narram muitas coisas resumidamente, por razões de brevidade. Aliás, não afirma que acreditou logo, mas: E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), e a ele o confiou para que aprendesse com Jesus todas as coisas. Estava ali, também, outro discípulo que viera com os mesmos sentimentos.  

Se João Batista, quando afirma: Eis o Cordeiro e batiza no Espírito Santo (cf. Jo 1,29.33), deixou mais clara, sobre esta questão, a doutrina que seria dada pelo Cristo, muito mais fez André. Pois, não se julgando capaz de explicar tudo, conduziu o irmão à própria fonte da luz, tão contente e pressuroso, que não duvidou sequer um momento. 

 
Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, pg. 1481 a 1482