domingo, 15 de março de 2015

Aquilo que muda o mundo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Um Ano Santo da misericórdia. Não é impróprio afirmar que o Papa Francisco tenha feito da misericórdia o seu programa de pontificado. Este Jubileu mesmo se imprevisto não é minimamente inesperado. Chega no segundo aniversário da eleição de Jorge Mario Bergoglio como Sucessor de Pedro.

Em muitos aspectos, o anúncio de um Ano Santo extraordinário só confirma quanto o Papa tinha escrito na sua Carta programática Evangelii gaudium : ‘A Igreja ‘em saída’ é a comunidade de discípulos missionários que ‘primeireiam’, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam... e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!’ (n. 24). Eis a iniciativa que o Papa Francisco assumiu e que atrai toda a Igreja numa aventura de contemplação e oração, de conversão e peregrinação, de compromisso e testemunho, de fantasia da caridade a ser vivida em toda a parte. Uma iniciativa já antecipada, desde o seu primeiro Angelus quando com simplicidade o Papa Francisco disse : ‘Misericórdia. É o melhor que podemos sentir : muda o mundo’.

Não é ocasional que o anúncio do Jubileu tenha sido feito precisamente durante uma celebração penitencial. O Papa Francisco, falando da misericórdia, indicou também o primeiro lugar no qual cada um pode experimentar diretamente o amor de Deus que perdoa : a confissão. O ícone do Papa ajoelhado diante do confessor permanece a linguagem mais expressiva para fazer redescobrir a beleza deste sacramento há muito tempo esquecido. As palavras do Papa Francisco no seu primeiro Angelus voltam hoje com toda a sua força profética : ‘Não esqueçamos esta palavra : Deus nunca Se cansa de nos perdoar; nunca...’; somos ‘nós que nos cansamos e não queremos, cansamo-nos de pedir perdão. Ele nunca se cansa de perdoar’. Nestes dois anos, muitos fiéis se aproximaram, depois de tanto tempo, ao confessionário precisamente porque se sentiram tocados por este convite do Papa. Contudo, celebrar este sacramento é o início de um caminho de caridade e solidariedade. Com efeito, a misericórdia tem um rosto : é o encontro com Cristo que pede para ser reconhecido nos irmãos. Portanto, revisitar as obras de misericórdia constituirá um percurso obrigatório durante o próximo Jubileu.

A Porta santa será aberta na Solenidade da Imaculada Conceição. Nem sequer esta data é uma escolha casual. Há cinquenta anos, concluía-se o Concílio Vaticano II junto daquela mesma Porta. Abrir a Porta Santa é como se o Papa Francisco quisesse fazer percorrer a todos de novo a intensidade daqueles quatro anos de trabalhos conciliares que levaram a Igreja a compreender a exigência de sair de novo pelo mundo. O Vaticano II, de facto, pedia que a Igreja falasse de Deus a um mundo mudado, com uma linguagem nova, eficaz, pondo Jesus Cristo e o testemunho de vida no centro. Que palavra mais expressiva o mundo podia aguardar da Igreja a não ser a da misericórdia? E precisamente na Gaudium et spes, onde os Padres trataram o tema da ajuda que a Igreja podia oferecer à sociedade, era reafirmado que ela ‘pode, aliás deve, suscitar obras destinadas ao serviço de todos, mas especialmente dos necessitados como, por exemplo, obras de misericórdia’ (n. 22). Antes de qualquer intervenção política, economica e social, a Igreja oferece a sua característica : ser sinal eficaz da misericórdia de Deus. O Papa Francisco, anunciando um Ano Santo extraordinário tendo no centro a misericórdia reafirma a vereda indicada há cinquenta anos pelos Padres conciliares e confirma a Igreja no caminho incansável da nova evangelização.

Neste Ano a misericórdia será a protagonista da vida da Igreja a fim de permitir que todos sintam a grandeza do coração paterno de Deus que se quis revelar e dar-se a conhecer como ‘rico em misericórdia e grande no amor’.


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/aquilo-que-muda-o-mundo-2

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