sábado, 26 de maio de 2018

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 A Trindade Santa é a chave que nos abre a porta para adentrarmos na relação amorosa e orante com o próprio Deus Uno e Trino.
*Artigo de Daniel Reis,
graduando em Teologia e em Direito (PUC - MG)


‘‘Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’, não separados por vírgula, mas somados pela conjunção aditiva ‘e’, fazendo com que pela soma se resulte uma unidade indivisível, é como sempre começamos as nossas orações, sejam elas pessoais ou comunitárias (litúrgicas). Muitas vezes, de forma automática, proferimos esta fórmula ao rezar, sem nos darmos conta da profundidade do que estamos fazendo. Afinal, qual a razão de mencionarmos a Santíssima Trindade quando rezamos?

Pelo princípio da primazia da ação divina, sabemos que é Deus quem sempre age primeiro; Ele sempre toma a iniciativa de vir ao encontro da humanidade. Este ímpeto do Pai se inaugurou na história com a encarnação do Filho, sob a ação do Espírito Santo. Da criação do mundo (Gn 1-2) à recriação em Cristo (2Cor 5,17), o Deus Uno e Trino se faz presente em nós e, através de nós, convida a humanidade para retornar ao convívio da família divina e participar de sua plena comunhão.

Quando iniciamos as nossas orações mencionando as pessoas divinas, não estamos fazendo uma invocação, mas respondendo a uma convocação que a Trindade Santa nos faz primeiro. A oração é a forma de nos relacionarmos com o Deus Família, e para ingressarmos nesta relação de amor, somos legitimados ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’, aos quais nos apresentamos em resposta à vocação que sempre nos é dirigida.

Respondemos ‘em nome do Pai’, que é o Amante por excelência, fonte de todo o amor derramados sobre nós. Se em nome d´Ele nos apresentamos, em nome d´Ele e como Ele devemos agir : com misericórdia para com os filhos e filhas que prodigamente ‘gastam a vida’, sendo esta a maior das heranças que Ele nos concede (cf. Lc 15,11-32); como um Pai que ‘faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama a chuva sobre justos e injustos’ (Mt 5,45); um Pai providente, que sabe das necessidades alheias antes de ser solicitado (cf. Mt 6,8); um Pai que perdoa as nossas ofensas e espera que façamos o mesmo com os nossos ofensores (cf. Mt 6,15).

Nos apresentamos também em nome do Filho’, o Amado, no qual todos nós fomos amados, e como Ele somos chamados a amar : ‘Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei’ (Jo,15-12); a perdoar: ‘Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem’ (Lc 23,34); a confiar: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23,46); a ‘anunciar a boa nova aos pobres, a libertação aos cativos, a recuperação da vista aos cegos, a liberdade aos oprimidos e para proclamar o tempo da graça do Senhor’ (Lc 4,18-19).

Por fim, somos confirmados e impelidos ‘em nome do Espírito Santo’, o Amor que procede do Pai e do Filho. A seu exemplo, devemos fecundar a humanidade para salvá-la a partir de dentro (cf. Lc 1,35); iluminados por Ele, devemos redescobrir a nossa filiação divina, que nos permite clamar ‘Abba! Pai!’ (Rm 8,15), a fim de que rendamos seus frutos de ‘amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio’ (Gl 5,22-23) e que falemos a língua universal do amor, promovendo assim um novo Pentecostes (cf. At 2,1-11) nesse mundo destruído pela divisão e pela linguagem de ódio.

A Trindade Santa é a chave que nos abre a porta para adentrarmos na relação amorosa e orante com o próprio Deus Uno e Trino. Pai : o Amante; Filho : o Amado; Espírito Santo, o próprio Amor que une e enlaça as Três Pessoas Divinas em um só Deus, devem continuar sempre figurando ao início e no final de nossas orações, para que também em nossas vidas tudo comece e termine ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’.’


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