segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Um monge da Armênia, novo doutor da Igreja

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
  

‘O Papa Francisco aprovou a proposta da Congregação para as Causas dos Santos de declarar doutor da Igreja universal, o sacerdote e monge São Gregório de Narek, ilustre pela sua doutrina, seus escritos e a sua sabedoria mística.

...O novo doutor da Igreja universal nasceu em Andzevatsik (então Armênia, agora Turquia) por volta do ano 950 e morreu em Narek pelo ano 1005.

Desde cedo seu tio materno o tomou sob a sua proteção, Ananias o Filósofo, que era abade de Narek. Lá, foi instruído no conhecimento das Escrituras, se distinguiu pelo seu rigor ascético e pelo seu espírito de oração. Gregório passou toda a sua vida dentro dos muros do mosteiro.

Depois de ser ordenado sacerdote virou o formador dos noviços que desejavam entrar na vida monástica. Sua fama de santidade e sabedoria transcendeu as paredes de Narek, passou aos mosteiros vizinhos e se tornou, sem buscar isso, um reformador de monges.

Eram tempos de relativa calma, tempos de criatividade, antes de que as invasões mongóis e turcas mudassem a Armênia para sempre. Estas terras experimentaram nessa época um renascimento da sua literatura, pintura, arquitetura e teologia, dos quais Gregório foi uma figura central. A sua obra poética-literária de peso foi o ‘Livro de Orações’. Os seus mais de vinte mil versos foram compostos em pouco mais de três anos. Ele mesmo pensou neste texto como o seu testamento.

O mosteiro de Narek foi destruído durante a Primeira Guerra Mundial, por causa do chamado holocausto armênio realizado pelas tropas otomanas. Esta fato especialmente trágido consistiu na deportação forçada e extermínio de um número desconhecido de civis, calculado aproximadamente entre um milhão e meio e dois milhões de pessoas por parte do governo dos Jovens Turcos no Império Otomano de 1915 até 1923.

O genocídio armênio foi caracterizado por sua brutalidade e uso de marchas forçadas sob condições extremas, o que geralmente levaram à morte muitos dos deportados.

No ano passado, o primeiro-ministro, Erdogan, expressou suas condolências aos descendentes das vítimas deste massacre, um gesto apreciado pelo papa Francisco durante sua viagem à Turquia.

Na coletiva de imprensa, durante o voo de regresso a Roma, o Santo Padre disse : ‘Nesta viagem tive contatos com os armênios. No ano passado o governo turco teve um gesto : o então primeiro ministro, Erdogan, escreveu uma carta sobre a lembrança deste episódio; uma carta que alguns consideraram muito fraca, mas que era – a meu ver – um gesto, não sei se grande ou pequeno, de estender a mão. E isso é sempre positivo. E posso estender uma mão, estendendo-a mais ou menos, esperando para ver o que me diz o outro para não colocar-me em apuros. Isso foi o que fez, então, o primeiro ministro’. ‘No próximo ano haverá muitos atos comemorativos deste centenário, mas esperamos que se chegue por um caminho de pequenos gestos, de pequenos passos de aproximação’, acrescentou.

Para recordar o aniversário do genocídio dos armênios, o Papa argentino vai presidir uma celebração no próximo dia 12 de abril, na Basílica de São Pedro.


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.zenit.org/pt/articles/um-monge-da-armenia-novo-doutor-da-igreja
  

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