Mostrando postagens com marcador Cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cruz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de abril de 2025

A Cruz e a Igreja Católica

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Lino Rapazzo


‘Abrindo o livro de Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, podemos verificar como nasceu a Igreja. Foi pelo anúncio do Evangelho. 

‘Evangelho’ é um termo de origem grega que significa ‘bom anúncio’. Qual foi esse ‘bom anúncio’? Podemos responder com a seguinte afirmação : Jesus Cristo morreu e ressuscitou para a nossa salvação. 

Simplesmente do ponto de vista histórico, a morte de Jesus foi o assassinato de um inocente, mas, à luz da fé, sua morte foi o maior ato de amor da história, que salva a humanidade. Graças a esse grande ato de amor, Deus perdoa os homens, que são irmãos de Jesus, por isso Ele se tornou homem. É o Cristo mesmo que transmite o sentido verdadeiro da sua morte, mais exatamente nas palavras da consagração da Última Ceia : ‘Isto é meu corpo, dado por vós : fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19); ‘Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós’ (Lc 22,20).

É a partir desse anúncio que Pedro, no dia de Pentecostes, pede que os ouvintes da mensagem se arrependam dos pecados, recebam o Batismo e entrem a fazer parte da Igreja. Os novos cristãos ‘perseveraram na doutrina dos apóstolos, na vida da comunidade, na fração do pão, e nas orações’ (At 2,42). 

Ressalta-se que a expressão ‘fração do pão’ indicava a celebração da santa Missa. Nessa celebração, como acima lembrado, os cristãos sentem-se estritamente ligados à cruz, graças ao corpo de Cristo, ‘dado por nós’, e ao sangue de Cristo, ‘derramado por nós’.

Voltamos ao grande mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Isso é demonstrado pela atitude dos discípulos de Emaús, que tinham perdido a esperança em Jesus diante da sua condenação à morte. A essa altura, o mesmo Jesus explicou como devia ser interpretada sua terrível morte : ‘Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas para entrar na sua glória? E, começando por Moisés e percorrendo todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito’ (Lc 24,26-27).

A partir dessa ‘base da nossa fé’, começamos todas as nossas orações com o sinal da cruz, vivenciamos a sexta-feira como o dia da cruz de Cristo e o domingo como o dia da ressurreição. Celebramos a Semana Santa, com destaque na quinta-feira, dia da Última Ceia, na sexta-feira, dia da morte de Cristo, e no domingo da Páscoa, dia da ressurreição.

Vamos concluir estas reflexões com o hino que o apóstolo Paulo nos apresenta na Carta aos Filipenses : ‘Cristo Jesus, apesar de sua condição divina, não reivindicou seu direito de ser tratado como igual a Deus. Ao contrário, aniquilou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Por seu aspecto, reconhecido como homem, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o elevou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome, de modo que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,6-11).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-cruz-e-a-igreja-catolica.html

sábado, 14 de setembro de 2024

Sua cruz me deu vida (14.set)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Lino Rampazzo


Abrindo o livro do Atos dos Apóstolos, escritos por São Lucas, podemos verificar como nasceu a Igreja. Foi pelo anúncio do Evangelho. 

‘Evangelho’ é um termo de origem grega que significa ‘bom anúncio’. Qual foi este ‘bom anúncio’? Podemos responder com a seguinte afirmação : Jesus Cristo morreu e ressuscitou para a nossa salvação. 

Simplesmente do ponto de vista histórico, a morte de Jesus foi o assassinato de um inocente, mas, à luz da fé, sua morte foi o maior ato de amor da história, que salva a humanidade. Graças a esse grande ato de amor, Deus perdoa os homens, que são irmãos de Jesus, por isso Ele se tornou homem. É o Cristo mesmo que transmite o sentido verdadeiro da sua morte, mais exatamente nas palavras da consagração da Última Ceia : ‘Isto é meu corpo, dado por vós : fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19); ‘Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós’ (Lc 22,20).

É a partir desse anúncio que Pedro, no dia de Pentecostes, pede que os ouvintes da mensagem se arrependam dos pecados, recebam o Batismo e entrem a fazer parte da Igreja. Os novos cristãos ‘perseveraram na doutrina dos apóstolos, na vida da comunidade, na fração do pão, e nas orações’ (At 2,42). 

Ressalta-se que a expressão ‘fração do pão’ indicava a celebração da santa Missa. Nessa celebração, como acima lembrado, os cristãos sentem-se estritamente ligados à cruz, graças ao corpo de Cristo, ‘dado por nós’, e ao sangue de Cristo, ‘derramado por nós’.

Voltamos ao grande mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Isso é demonstrado pela atitude dos discípulos de Emaús, que tinham perdido a esperança em Jesus diante da sua condenação à morte. A essa altura, o mesmo Jesus explicou como devia ser interpretada sua terrível morte : ‘Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas para entrar na sua glória? E, começando por Moisés e percorrendo todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito’ (Lc 24,26-27).

A partir dessa ‘base da nossa fé’, começamos todas as nossas orações com o sinal da cruz, vivenciamos a sexta-feira como o dia da cruz de Cristo e o domingo como o dia da ressurreição. Celebramos a Semana Santa, com destaque na quinta-feira, dia da Última Ceia, na sexta-feira, dia da morte de Cristo, e no domingo da Páscoa, dia da ressurreição.

Vamos concluir estas reflexões com o hino que o apóstolo Paulo nos apresenta na Carta aos Filipenses : ‘Cristo Jesus, apesar de sua condição divina, não reivindicou seu direito de ser tratado como igual a Deus. Ao contrário, aniquilou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Por seu aspecto, reconhecido como homem, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o elevou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome, de modo que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,6-11)’.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/sua-cruz-me-deu-vida.html


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Como a santa que achou 3 cruzes no Calvário descobriu entre elas a Cruz de Cristo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo da redação da Aleteia

Segundo a tradição, a Verdadeira Cruz foi identificada graças a um milagre de cura


Santa Helena nasceu no ano de 270 na antiga Bitínia, região às margens do Mar Negro que hoje pertence à Rússia. Muito bonita, cativou um famoso general do exército romano, Constâncio Cloro, por quem também ela se apaixonou.

Da paixão à humilhação

O casal teve um filho chamado Constantino, que chegou a ser nada menos que o Imperador – mas a um custo muito alto para Helena : para ser promovido na corte, Constâncio Cloro aceitou a condição de repudiar sua esposa e se casar com a filha do imperador Maximiliano. Foi durante esse período de humilhação e solidão, porém, que Helena conheceu a Deus e se tornou cristã.

Um filho imperador

Passado o tempo, morto Constâncio, Constantino foi proclamado imperador e, na célebre batalha da Ponte Mílvio, em Roma, teve a visão de Cristo a lhe mostrar a Cruz e dizer : ‘Com este sinal vencerás’. No ano 313, Constantino finalmente decretou o cristianismo como a religião oficial do Império, após três séculos de brutais perseguições contra os cristãos.

Em busca da Cruz de Cristo

Santa Helena dedicou boa parte da vida, a partir de então, a buscar a Santa Cruz de Cristo em Jerusalém, para onde chegou a levar um grupo de escavadores que, depois de muito trabalho, conseguiu achar no monte Calvário não uma, mas três cruzes.

O relato desse encontro e de como Santa Helena identificou a verdadeira cruz é resgatado pelo Breviário Romano :

Após aquela insigne vitória que o imperador Constantino obteve sobre Maxêncio, quando recebeu de Deus o sinal da Cruz do Senhor (‘In hoc signo vinces’), Santa Helena, mãe de Constantino, tendo recebido uma revelação num sonho, foi a Jerusalém para procurar zelosamente a Cruz. Lá cuidou ela de destruir a imagem de Vênus, em mármore, que, para apagar a memória da paixão de Cristo Senhor, os gentios haviam colocado no lugar da Cruz e que ali permanecera durante cerca de 180 anos. O mesmo ela fez no presépio do Salvador, onde fora posto um simulacro de Adônis, e no lugar da ressurreição, onde haviam colocado um de Júpiter.

Purgado, assim, o local da Cruz, foram encontradas depois de profundas escavações três cruzes, e, à parte delas, a inscrição que havia sido posta sobre a Cruz do Senhor. Como não se sabia sobre qual das três ele deveria ser afixado, um milagre sanou a dúvida. Eis que Macário, bispo de Jerusalém, tendo elevado preces a Deus, levou cada uma das cruzes a três mulheres que sofriam de grave enfermidade, e, enquanto as demais de nada serviram às mulheres, a terceira Cruz, levada à terceira mulher, curou-a imediatamente.

Santa Helena, tendo encontrado a Cruz da salvação, construiu ali uma igreja magnificentíssima, na qual depositou parte da Cruz em urnas de prata, entregando outra parte a seu filho, Constantino, que a levou a Roma, à igreja da Santa Cruz de Jerusalém, edificada no palácio Sessoriano. Ela também entregou ao filho os cravos que trespassaram o Santíssimo Corpo de Jesus Cristo. Naquele tempo, Constantino sancionou uma lei para que, desde então, ninguém fosse condenado ao suplício da cruz, e aquilo que antes era castigo e maldição para os homens passou a ser glória e objeto de veneração.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2018/08/20/como-a-santa-que-achou-3-cruzes-no-calvario-descobriu-entre-elas-a-cruz-de-cristo/

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Sexta-feira Santa: como falar as crianças sobre a Cruz?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da Edifa


‘`As vezes hesitamos em falar mal da cruz às crianças, por medo de impressioná-las e dar-lhes uma imagem triste da fé cristã. Em si, não há nada de agradável na cruz: é o instrumento de uma tortura particularmente cruel e pode-se compreender a revolta de quem olha para ela sem saber o que significa. Se Jesus fosse um dos torturados entre outros, se fosse apenas um homem condenado à morte injustamente, seria de fato uma demonstração de um masoquismo doentio colocar crucifixos nas paredes de nossas casas e igrejas. Mas Jesus não é um homem como os outros, e se ele sofreu a crucificação, não é porque ele não pôde evitar. Filho de Deus, e o próprio Deus, ele ofereceu sua vida por amor a nós. Ele poderia ter eliminado aqueles que o mataram, mas livremente escolheu não fazer isso, a fim de salvá-los, de nos salvar. Por isso é importante, principalmente na Sexta-Feira Santa, conversar sobre o assunto com as crianças.

Não se demore em detalhes macabros, mas anuncie o amor do Senhor

A cruz é impressionante, é verdade. Crianças muito sensíveis podem ser profundamente afetadas pelo realismo de certos crucifixos ou por imagens de Jesus coberto de sangue, exausto e cheio de dores. Sob o pretexto de explicar o quanto Jesus nos amou, não vamos usar este tipo de representações: as crianças correm o risco de ficar marcadas apenas pelo horror dos tormentos infligidos a Jesus e ficar aterrorizadas por isso. Além disso, é importante evitar que muitos pais e catequistas se sintam tentados a falar o mínimo possível sobre a Paixão e a crucificação aos pequenos, passando rapidamente na Sexta-Feira Santa para ir diretamente à alegria da Páscoa.

A cruz não é um aspecto acessório de nossa fé. É um mistério central. ’Nós, como nos lembra São Paulo, proclamamos um Messias crucificado’. (1 Cor 1, 23) Ou seja : anunciamos Jesus, que veio para nos revelar a infinita misericórdia de Deus. Falar da cruz não é demorar-se em detalhes macabros, mas é anunciar o amor do Senhor por cada um de nós : Ele, o Filho de Deus, o Todo-Poderoso, torna-se pobre e impotente entre as nossas mãos, para dar sua vida por amor. E a cruz é o sinal tangível desse amor.

Confie no Evangelho 

Para ajudar as crianças a entender esse mistério, não devemos nos confiar na descrição detalhada das torturas de Jesus, mas na Palavra de Deus! Não são as nossas palavras que os introduzirão no mistério da cruz, é o próprio Espírito Santo, por meio do que vamos dizer. O Senhor precisa de nós para se dar a conhecer aos nossos filhos, mas somos chamados, como São Paulo, a anunciar o Evangelho ‘sem recorrer à sabedoria da linguagem humana, que tornaria sem sentido a cruz de Cristo’ (1 Cor 1, 17). ’Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado’ (1 Cor 2, 1-2).

Comecemos pelo próprio texto do Evangelho. Por exemplo, todas as noites desta semana, na hora de orar em família, podemos reler uma passagem da Paixão. Os mais jovens não vão ouvir tudo, talvez, nem entender tudo (nem nós), mas a palavra de Deus vai passar por eles. O que se esconde dos sábios e dos eruditos se revela aos pequenos, não o esqueçamos. Podemos mostrar a eles um crucifixo, que homenagearemos na Sexta-Feira Santa, no nosso cantinho de oração, por exemplo. O importante é viver isso em um clima de paz, amor e contemplação, não só no momento da oração, mas ao longo de toda a Semana Santa.

A cruz não pode ser separada da ressurreição

Enquanto damos mais ênfase na na cruz na Sexta-feira santa e na ressurreição no domingo de Páscoa, esses dois eventos são inseparáveis um do outro. É por isso que é bom, especialmente para as crianças, para quem três dias é uma eternidade, terminar as Estações da Cruz ou a oração familiar da Sexta-Feira Santa, anunciando a Ressurreição e a festa da Páscoa.

Se ignorarmos a Paixão de Jesus, o que podemos dizer sobre a ressurreição? Corremos o risco de reduzi-la a uma renovação da vida, como a da primavera após o inverno. Ao querermos tornar as coisas acessíveis às crianças, podemos correr o risco de distorcê-las.’ 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/cp1/2021/04/01/sexta-feira-santa-como-falar-as-criancas-sobre-a-cruz/

segunda-feira, 3 de abril de 2023

«Amou-nos até ao fim!»

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo da revista Além Mar


Como afirmava São João Paulo II, «o mistério da Cruz e da Ressurreição garante-nos que o ódio, a violência, o sangue e a morte não têm a última palavra nas vicissitudes humanas. A vitória definitiva é de Cristo e nós devemos voltar a partir d’Ele, se queremos construir para todos um futuro de paz autêntica, de justiça e de solidariedade». As meditações desta via-sacra são uma proposta da equipa da Jornada Mundial da Juventude 2023 e os desenhos da República Democrática do Congo. 

I Estação : Jesus é condenado à morte

Condenam Jesus à morte. Não conseguimos perceber porquê. Estamos confusos, baralhados. Há uns dias aplaudiam Jesus, agora querem-no crucificar. Estamos tristes. Pilatos parece ter poder para O salvar, mas tem medo e entrega Cristo para ser crucificado. Ninguém defende Jesus. Às vezes também tu e eu temos medo de Amar Jesus e de O seguir. Às vezes escolhemos o nosso egoísmo, o nosso comodismo, o nosso conforto. Deixamos-Te, Jesus, sozinho. Senhor, que eu nunca te deixe sozinho. Ajuda-me a amar-Te. Meu Deus, que eu Te escolha sempre a Ti, que eu te escolha sempre a Ti.

II Estação : Jesus toma a cruz aos ombros

Maltratam-te. Não basta o que já sofreste e o que ainda vais sofrer, ainda Te humilham. E és Rei do Universo, Deus todo-poderoso. Não é à força de braços e a ranger os dentes que suportas todas estas dores e humilhações. Suportas com esperança na salvação de todas as almas. Queres salvar todas as almas. A mim também. Com as minhas faltas, ofendo-Te. Ajuda-me a ser humilde e ser capaz de pedir-Te perdão e estar perto de Ti. Jesus leva agora a cruz aos ombros, a nossa cruz. É de madeira, lembra-se de Seu pai José, justo, forte e sereno. Jesus, que eu seja como São José, sempre disposto a cumprir a tua vontade.

III Estação : Jesus cai pela primeira vez

A cruz pesa : são os pecados de toda a Humanidade, são os teus pecados, são os meus pecados. Podiam ser só os meus pecados, Jesus carregaria a cruz à mesma, mesmo que fosse só por mim. A cruz pesa : Jesus cai e, antes de O podermos ajudar, levanta-se. Jesus, desculpa, eu não sabia que Te magoava tanto e que me amavas tanto. Jesus, ajuda-me a nunca mais ofender-Te.

IV Estação : Jesus encontra a sua mãe

Jesus levanta-se da primeira queda. Nossa Senhora já estava ao Seu lado. Nossa Senhora nunca deixou Jesus sozinho. No meio da confusão toda há este momento de paz e ninguém vê, ninguém repara, ninguém nota. Jesus e Maria cruzam olhares. Jesus olha Maria, sua Mãe, e conforta-a. Maria olha para Jesus, seu filho, e conforta-O. Ninguém percebe e Jesus continua a carregar a cruz. Mãe, ajuda-me a seguir O teu Filho Jesus.

V Estação : Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz

Jesus anda devagar, está cansado. Os soldados estão com pressa. Vão escolher alguém para ajudar Jesus. Escolhem Simão de Cirene. Simão não sabe o que se passa mas Jesus olha-o e a sua vida muda para sempre, a da sua família também. Como foi esse Teu olhar, Jesus? Como gostava que Jesus me tivesse escolhido a mim para o ajudar. Pedimos : Jesus, que queres de mim? Que queres que eu faça? Jesus chama-te! Qual a tua resposta? Vais dizer que sim? Disseste e agora vês que leve é a Cruz quando amamos Jesus.

VI Estação : Verónica enxuga o rosto de Jesus

Jesus está desfigurado. O seu amado rosto está coberto de sangue das feridas, coberto de pó das quedas. Está desfigurado. Não há muito que possa fazer, mas Verónica, uma mulher piedosa e corajosa, avança.  Procura o rosto de Jesus. Não a preocupa o que pensam nem o que lhe pode acontecer. Quer apenas limpar o rosto do Senhor. É pouco o que pode fazer, mas faz. Jesus agradece. Jesus, que eu Te saiba amar nas pequenas coisas de cada dia.

VII Estação : Jesus cai pela segunda vez

Jesus volta a cair. São as nossas quedas que o deitam abaixo, que ferem o Seu coração. Mas Jesus quer perdoar-nos. E volta a levantar-se, tem de carregar a cruz. Fá-lo sem rancor, fá-lo para obedecer ao Pai, fá-lo por ti e por mim e isso basta-lhe. Nós, a quem Jesus perdoou tanto, temos de O amar mais. Jesus, ajuda-me a perdoar os outros, assim como tu me perdoas.

VIII Estação : Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

Jesus carrega a cruz, Jesus sofre. O que lhe ocupa o coração? O que o preocupa? Preocupa-se com aquelas santas mulheres que O seguem e estão a chorar. Preocupa-se com os seus filhos, que somos nós. Não se preocupa com mais nada. Jesus, que eu seja como Tu. Que na minha dor esteja preocupado com os outros e não comigo. Jesus, que eu seja como Tu.

IX Estação : Jesus cai pela terceira vez

Jesus volta a cair. Não aguentamos mais e viramos a cara. Não conseguimos ver Jesus outra vez no chão. Fazemos um propósito firme de nunca mais O ofender. Lembramo-nos de que somos novos, e de que este propósito é para uma vida toda. Ficamos assustados. Serei fiel? Amarei Jesus até ao fim? Depois olhamos para Jesus, já está de pé. Continuo assustado com o meu propósito de nunca mais O ofender. Mas fico feliz por ter ainda muitos anos para O Amar. Jesus, obrigado por teres vindo tão cedo à minha alma.

X Estação : Jesus é despojado das suas vestes

Jesus entrega-se totalmente por nós. Tiram as suas vestes e ficam com elas. Jesus sofre e os soldados estão mais preocupados em repartir as suas roupas. Também nós, às vezes, temos Jesus ao nosso lado e somos-Lhe indiferentes. Estamos preocupados com as nossas coisas, com os nossos planos. E tudo isso nada vale ao lado de Jesus. Jesus, tudo o que eu faço seja feito contigo e para Ti. Só quero estar onde tu podes estar. Não quero que fiques à porta da minha vida, quero que sejas a minha Vida.

XI Estação : Jesus é pregado na cruz

Pregam Jesus na Cruz. E o que pede Jesus? Que o Pai nos perdoe, que o Pai me perdoe. Que bom é Jesus para comigo, sofre tudo por mim e pede perdão por mim. Como posso não amá-lo depois de tudo o que fez e faz por mim? Jesus, posso-me unir a ti? Posso estar um pouco na cruz contigo? Posso ser o bom ladrão?

XII Estação : Jesus morre na cruz

Jesus, não sei o que dizer. Morreste por mim. Numa cruz. Jesus, quero estar contigo. Sabes que sou fraco, sabes que peco, sabes que vou cair. Mas sabes também que Te amo e eu sei que não Te cansas de perdoar. Não valíamos nada, mas agora que Jesus morreu por ti e por mim valemos muito. Valemos todo o sangue de Cristo. Esse é o nosso valor. Jesus, que eu cumpra sempre e em tudo a vontade de Deus Pai.

XIII Estação : Jesus é descido da cruz

Descem Jesus da Cruz. Maria recebe-O nos seus braços. Lembra-se de Jesus pequenino, bebé, ao seu colo. Maria olha-O. Afasto-me um pouco, não mereço contemplar aquele olhar. Mas Maria agora é minha Mãe e chama-me pelo meu nome. Que doce é a sua voz. Aproximo-me devagar, tento conter as lágrimas. Não aguento. Choro. Nossa Senhora dá-me um beijo e estamos ali os três. Jesus, Nossa Senhora e eu. Jesus, obrigado por me teres dado a Tua Mãe.

XIV Estação : Jesus é depositado no sepulcro

Está ali José de Arimateia. Nunca o tínhamos visto com Jesus, mas era amigo Dele. Eram muito próximos. Jesus pediu-lhe um sepulcro.  José obedeceu. Mandou escavar um sepulcro na rocha e não disse a ninguém. Queria ajudar sem ser visto, não queria chamar à atenção. Que eu também seja assim. Vamos agora sepultar Jesus. Temos de O deixar ali, sozinho. Estão a fechar o sepulcro. Pedimos mais um minuto. Rezamos mais um pouco. Temos de ir. Jesus, obrigado.’ 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/actualidade/6/929/amou-nos-ate-ao-fim/

domingo, 9 de maio de 2021

Quem é Deus?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre Judinei Vanzeto

 

‘Certa vez um ateu fez essa pergunta para um cristão : ‘Quem é Deus?’. E a resposta foi : ‘Deus é o amor encarnado’. A partir dessa pergunta e resposta trago presente uma reflexão sobre o tema em questão. As pessoas constroem dentro de si muitas imagens e conceitos de Deus. Quando criança imaginam Deus aquele Senhor de barbas e cabelos brancos. 

O ser humano, na sua limitação no uso da razão, não tem condições para responder a grandeza dessa pergunta. Para o filósofo Ludwig Wittgenstein (1889-1951), ‘sobre o que não se pode falar, deve-se calar’. Para Emmanuel Kant (1724-1804), Deus está fora do espaço e do tempo e por isso não se pode falar. Não obstante, para falar de Deus entra-se em outro campo, ou seja, na dimensão da fé. 

Nessa ótica, Deus é sempre um mistério. Sempre está além daquilo que se pode dizer acerca Dele. Nesse sentido, Deus escapa da capacidade humana de tê-lo numa lâmina de um aparelho de microscópio. Pois muitos quiseram ver Deus e o procuraram na montanha, no vento, na brisa leve. Deus, no entanto, está no silêncio, como disse Santa Faustina no seu Diário. O Apóstolo São João afirmou que Deus é amor (cf. Jo 4,8).

O mistério de Deus é um absurdo para tantas pessoas. Mas, talvez Deus seja o absurdo. Abraão, por exemplo, deixou sua terra rumo a uma promessa de ter filhos numerosos como os grãos de areia da praia (cf. Gn 12, 1ss). E lá pelas tantas esse Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu próprio filho num altar no alto da montanha. 

E como acreditar em um Deus que se encarna? Vem o Espírito Santo do alto e fecunda uma virgem? Que absurdo para a ciência moderna. Diante de tantos absurdos ainda poderíamos dizer que o endereço de Deus é o próprio ser humano, quando em Gênesis lemos : ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança’ (Gn 1,26). 

O Papa Emérito Bento XVI afirmou que Deus não é uma doutrina, um dogma. É uma Pessoa, Jesus Cristo, o Deus encarnado. Jesus é o amor encarnado, materializado no mundo. E em tese deveria ter a continuação dessa missão através de seus seguidores. Diante de Jesus Cristo eis a questão : Crer ou não crer! Os que creem deu o poder de se tornarem filhos e filhas de Deus no amor. 

Por outro lado, o filósofo Alberto Camus (1913-1960), diante de uma cena de uma criança morta por um trem numa estação, se perguntava : ‘Onde está Deus?’ ‘Onde estava Deus que não protegeu a criança?’. Também hoje são tantas crianças pelo mundo que passam fome. Onde está Deus que não mata a fome dessas crianças? O Papa Emérito Bento XVI, ao visitar os Campos de Concentração Nazistas, se questionou : ‘Onde estava Deus?’. O Papa Francisco ao visitar Auschwitz-Birkenau sugeriu que tudo deve recomeçar do silêncio e respondeu que Deus estava nas pessoas que foram mortas pelos nazistas.  

Como dizer quem é Deus e onde Ele está com tantas misérias no mundo. Pois estas barbaridades não deveriam ter acontecido. Mas isso também faz lembrar que Deus morreu numa cruz. Morreu todo machucado a chicotadas e com uma coroa de espinhos sobre sua cabeça. 

E ainda um grupo saiu por aí pregando que Ele está vivo! E ainda tem milhões de seguidores pelo mundo. Um absurdo! Uma loucura. A loucura da cruz, como acentuou o apostolo Paulo (cf. 1 Cor 1, 18-25). Enfim, Deus é um mistério, é o amor encarnado, é o amor ressuscitado-glorificado. Não obstante, o ser humano é livre até para virar as costas para Ele e viver do seu modo.

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://pt.aleteia.org/2021/05/09/quem-e-deus/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Charles de Foucauld será canonizado

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

*Artigo do Padre Geovane Saraiva,

jornalista, colunista e pároco

de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘Na alegria da aprovação e reconhecimento da santidade do padre Charles de Foucauld, quando, no dia 27 de maio de 2020, nos chegou a alvissareira e surpreendente notícia de que o papa Francisco aprovou o milagre, exposto pela Congregação para a Causa dos Santos. Esse milagre contou com a intervenção, ou interferência, do Bem-aventurado Charles de Foucauld, indicando-nos que sua canonização virá. 

É Deus que está presente na história humana, no convite para que as pessoas de boa vontade permaneçam firmes e apoiadas naquilo que é seguro, sólido e consistente, mesmo diante de angústias, fracassos e conflitos. Como exemplo maior, temos em Charles de Foucauld, aquele que nasceu na França (1858-1916), submetendo-se à vontade de Deus, em 30 de outubro de 1886. Em Paris, encontrando-se com o padre Huvelin, vigário da Igreja de Santo Agostinho, em uma conversa entre eles, confidenciou-lhe : ‘Padre, não tenho fé, peço-te que me instrua’. O padre foi ríspido : ‘Te ajoelha e confessa teus pecados! Então, crerá!’. Obediente, experimentou uma alegria indizível : a alegria do filho pródigo.

Com Charles de Foucauld, na ânsia pela data de sua canonização, não nos afastemos do eixo de seu caminho espiritual : a conversão permanente, a Eucaristia como centro, a oração do abandono, a busca do último lugar, sem esquecer-nos do Evangelho da Cruz. Deus falou-lhe na sua incredulidade, indiferença e egoísmo, caindo nas mãos divinas, sendo arrebatado e seduzido por Jesus de Nazaré, que se tornou o único e maior tesouro de sua vida. A última palavra, evidentemente, de ânimo levantado e para cima cabe sua exclusividade e deve ser reservada a Deus, no anúncio do cântico do Cordeiro : ‘Grandes e admiráveis são tuas obras, Senhor Deus, todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó rei das nações! Quem não temeria, Senhor, e não glorificaria o teu nome?’ (Ap 15, 3-4).

Que toda a família de Charles de Foucauld possa sempre, e cada vez mais, render graças a Deus, a partir da Mesa Sagrada, pelo dom de sua canonização, no inesgotável legado de sua espiritualidade, em sua célebre frase : ‘Gritar o Evangelho com a própria vida’. 

Enquanto vivermos neste mundo, com as marcas da dor e do sofrimento, que nosso olhar se volte para o ‘Senhor e Pai da humanidade, que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade’ (papa Francisco, Oração ao Criador), que nunca nos separemos da aparente loucura da cruz, com nossa alma conformando-se com a vontade de Deus, que seu desígnio de amor quer que nos agigantemos, no sentido de produzir, na esperança, muitos e bons frutos, através de gestos e obras de caridade, mas numa intensa atividade, fruto do verdadeiro e puro amor.

Francisco fecha sua Carta Encíclica Fratelli Tutti referindo-se ao padre Charles de Foucauld, assassinado em 1º de dezembro de 1916 : ‘O seu ideal de uma entrega total a Deus encaminhou-o para uma identificação com os últimos, os mais abandonados no interior do deserto africano. Naquele contexto, afloravam os seus desejos de sentir todo ser humano como um irmão, e pedia a um amigo : 'Peça a Deus que eu seja realmente o irmão de todos'. Enfim, queria ser o irmão universal. Mas somente identificando-se com os últimos é que chegou a ser irmão de todos. Que Deus inspire este ideal a cada um de nós’. Assim seja!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1486351/2020/12/charles-de-foucauld-sera-canonizado/

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A Noite que rompe o silêncio da morte


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Cruz no Coliseu
Cruz no Coliseu

*Artigo de Debora Donnini, vaticanista,
Silvonei José, jornalista


‘É na Missa da Epifania, no dia 6 de janeiro, que se anuncia a data do Domingo de Páscoa, o ápice do Tríduo da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, e o centro de todo o ano litúrgico. É precisamente a partir da Páscoa que surgem os dias santos. Nos ritmos e acontecimentos do tempo - recorda este anúncio -, vivemos os mistérios da salvação. A Páscoa é, portanto, a festa mais importante, como o próprio Papa Francisco salientou na sua audiência geral em 2018 durante a Semana Santa, exortando todos os cristãos a viverem estes dias como ‘a matriz’ da sua vida pessoal e comunitária. Uma festa que tem as suas raízes na Páscoa judaica, que comemora a passagem da escravidão do Egito para a liberdade, realizada por Deus com o povo de Israel.

O Tríduo Pascal, que começa com a Missa in Coena Domini na tarde da Quinta-feira Santa, termina com as Vésperas do domingo e pode, portanto, ser vivido como um único caminho que culmina na Noite das Noites, a noite em que Cristo destruiu a morte e dos mortos ressuscita vitorioso : a noite que, entre sábado e domingo, conheceu a hora em que o Senhor ressuscitou, como recorda o Exultet, o precônio Pascal, cantado precisamente na liturgia da Vigília Pascal.

O Tríduo deste ano será certamente diferente. Com tristeza em muitos países, os fiéis não poderão participar nas liturgias, mas mesmo nas provações e sofrimentos deste 2020, este Tríduo vem ‘procurar’ a vida do homem. A ‘liturgia doméstica’ nos dias do Tríduo Pascal será composta por dois gestos : olhar o Crucifixo e ler o Evangelho, recordou o Papa na audiência geral da Quarta-feira Santa.

A Última Ceia

Na Missa in Coena Domini recordamos a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, ‘antecipando no banquete pascal o seu sacrifício no Gólgota’, e a instituição da Eucaristia, recordou o Papa Francisco na sua catequese da quarta-feira da Semana Santa de 2016, no auge do Jubileu da Misericórdia, sublinhando também que ‘para fazer compreender aos discípulos o amor que o anima, lavar-lhes os pés, oferecendo uma vez mais o exemplo em primeira pessoa de como eles devem agir’. E isso com um forte apelo ao serviço. Este ano, o gesto de lavar os pés, já facultativo, é omitido, como estabelecido pelo decreto da Congregação para o Culto Divino, que deu orientações para os países afetados pela pandemia, onde bispos e sacerdotes celebrarão sem a participação do povo.

A Cruz

A Sexta-feira Santa comemora a morte de Jesus. O amor, doado até ao fim, se abandona ao Pai. Nas igrejas de todo o mundo não há celebração eucarística, mas uma ‘ação litúrgica’. Por isso, é central neste dia a celebração da Paixão do Senhor com a adoração da Cruz, mesmo se este ano o beijo se limite apenas ao celebrante. Também as demais liturgias do Tríduo serão celebradas sem a presença dos fiéis. Precisamente para responder às perguntas sobre a presença de Deus neste momento difícil, o Papa quis recordar que Deus se revelou completamente na cruz, que é ‘a cátedra de Deus’. Na audiência de quarta-feira, 8 de abril, dedicada ao Tríduo, exortou-nos a estarmos diante do Crucifixo em silêncio, para ver que o nosso Senhor não aponta o dedo nem mesmo diante daqueles que o crucificam, mas abre os braços a todos, dando a sua vida e tomando sobre si os nossos pecados. Um dos momentos centrais da celebração da Paixão é a oração universal e este ano foi pedida uma intenção especial por aqueles que se encontram numa situação de desânimo, pelos doentes e pelos defuntos. Também este ano, a Via Sacra, tradicionalmente presidida pelo Papa no Coliseu, será realizada na Praça de São Pedro.

Tanto na Quinta-feira Santa como na Sexta-feira Santa, as liturgias se concluem em silêncio porque a bênção final e a despedida serão na Vigília. Foi Pio XII quem retomou a Vigília Pascal, dando vida a uma reforma que prosseguiria até ser completada com o Concílio Vaticano II.

A Noite das Noites

O Sábado Santo é o dia do grande silêncio até à Vigília Pascal, a hora da Mãe, que espera em silêncio, com o seu coração trespassado pela dor de ter visto o seu Filho flagelado e pregado na cruz. Um silêncio que será interrompido pela ‘Mãe de todas as vigílias’, como Santo Agostinho a chamava.

Com a liturgia do fogo, o acendimento do círio pascal marca o início dessa noite das noites em que se celebra o Cristo Ressuscitado, o centro e o fim do cosmos e da história, a noite em que o Aleluia rompe o silêncio da morte e em que as leituras da Liturgia repercorrem a história da salvação desde a criação, não numa concepção cíclica da história, como memória de algo que aconteceu no passado, mas como um evento que todos são chamados a viver entrando na dinâmica dessa passagem da morte para a vida. Uma passagem, já, agora, da escravidão do pecado, da dor e da frustração. Mas também se faz presente, nesta noite, que a nossa vida não termina diante da pedra de um túmulo, porque Cristo desse túmulo ressuscitou. Uma liturgia, a da Vigília Pascal, composta por quatro partes, a liturgia do fogo, da Palavra, dos Batismos e a Eucaristia. Este ano, devido à emergência do Coronavírus, na liturgia batismal apenas se mantém a renovação das promessas batismais.

Com o Domingo de Páscoa tem início o tempo pascal que dura até Pentecostes e que está profundamente unido ao Tríduo pascal. Os primeiros oito dias são a Oitava de Páscoa. Estes 50 dias do período pascal tornam visível esta alegria da Ressurreição, que se faz testemunho. Estes são os dias da alegria, da alegria que só se sente quando se tem a promessa e a certeza de que a última palavra não é a morte e que aquela círio, mesmo na escuridão desta pandemia que envolve o mundo, continua a iluminar.’


Fonte :

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O abraço de Deus


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 FREEDOM
*Artigo de Oleada Joven


‘Quando duas pessoas se abraçam e a desproporção entre elas é grande, dizemos que uma (a menor) se perde no abraço da outra. Assim, também, muitas vezes temos a sensação de que nossa pequenez (os pequenos gestos que fazemos, as pequenas coisas nas quais estamos etc.) se perde no abraço de Deus, ou seja, no que seu amor abarca, na totalidade do seu projeto.

Mas aqui são os pequenos que nos ensinam que, em seu abraço, a pequenez não fica perdida. No abraço que Deus nos dá, Ele mostra seu abaixar-se, colocar-se à altura do pequeno que abraça, e aí, paradoxalmente, se iguala à altura do seu amor.

Tocar o abraço de Deus é tocar seu desejo de que nada nem ninguém se percam. Deus não abraça para fechar. Deus abraça para cuidar, para salvar. Abraça o que ama. Foi assim que Jesus abraçou a cruz pela qual os homens voltariam ao abraço do Pai. Abraço que não quis deixar ninguém de fora.

E assim, nos braços estendidos do Filho na cruz, está desde então oferecido o abraço do Pai para todo aquele que reconhecer a pequenez à qual ficou reduzida a medida do seu amor.

Ninguém volta ao Pai sem o abraço do Filho na cruz. Nele, quem estava perdido é encontrado; quem estava morto volta à vida.

Só no abraço do Pai é que o filho está bem cuidado.’


Fonte :

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Por Cristo, com Cristo e em Cristo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 A cruz é o símbolo maior do protesto de Deus contra estruturas sociais baseadas na violência
*Artigo de Élio Gasda,
teólogo


‘O cristianismo surgiu do mistério de um Deus encarnado, traído, torturado e crucificado. Jesus também viveu tempos sombrios. Cristo é o evento divino mais impactante da história. A nomeação de Deus como Pai-Filho-Espírito é fruto da experiência de Cristo crucificado-ressuscitado de uma comunidade de fé. Ser cristão é seguir Alguém que esteve cheio do ‘Espírito Santo de Deus’. É deixar-se conduzir pelo mesmo Espírito que movia Jesus.

A pessoa de Jesus Cristo é o eixo da experiência cristã de Deus. Dinamiza e dá sentido às ações, desperta e alimenta as convicções. A chave de compreensão da ética de Jesus deve ser buscada na categoria Reino de Deus : ‘Buscai em primeiro lugar o Reino e a sua justiça’ (Mt 6,33). O Reino não é abstração ou puramente celestial, mas uma realidade oposta aos mecanismos, sistemas e estruturas históricas desumanas. Os assuntos do Reino somente podem ser abordados a partir da realidade humana. A ética de Jesus exige apaixonar-se pelo Reino. As paixões significam um impulso de vida diante daquilo que nos atrai ou nos repulsa. Os apaixonados desassossegam, contagiam, criam conflitos, porque a paixão não conhece limites.

Deus é amor’ (1Jo 4, 8). Conhecemos o amor de Deus na Sagrada Escritura. Primeiro na criação. Depois em Jesus, nossa experiência do amor de Deus. Crescido em Nazaré, no ambiente humilde e entre os simples, amadureceu na paixão pelo Pai e pelo povo, compartilhando suas alegrias, suas dores, suas esperanças. Jesus é vulnerável ao sofrimento do outro, ‘comove-se’, transgrede regras sagradas por compaixão. Ele não tem vergonha de chorar, consola quem chora, contagia com suas palavras. Mas Jesus também se comove em indignação, sobretudo diante da injustiça e da hipocrisia. A ira é a energia que coloca em palavras e gestos para vencer a dureza e a mediocridade. É cólera divina que defende os interesses do Pai.

No Reino do Pai, o outro é critério maior do ser e do agir de Jesus. Jesus não apenas percebe a presença do próximo e capta suas necessidades, mas coloca-se no seu lugar. Ele percebe o outro na plenitude de sua dignidade, dos seus direitos e de suas diferenças. Seu Jesus se expressa no poder-serviço : ‘... o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida pelo resgate de muitos’ (Mt 20,28).

O ato de curar em dia de sábado foi o estopim do complô para matá-lo (Mc 3,6). Para Jesus, nenhuma instituição milenar é mais valiosa que a dignidade de uma só pessoa. O filósofo Kant dizia que a decisão ética é fruto de uma resposta à pergunta : Que devo fazer em uma situação concreta? Ou : Quem eu quero ser a partir desta decisão? Há momentos em que a pessoa tem a oportunidade de tomar uma decisão que revela todo seu caráter e compromete toda a existência. São gestos de enorme densidade humana, a pessoa se revela totalmente diante do apelo do rosto sofrido do outro. A atitude de Jesus surpreende, provoca, escandaliza. Mas a ética somente poder nascer deste face-a-face com o outro que me afeta, inquieta e exige uma palavra que ninguém pode dar em meu lugar.

O rosto é a prova da existência divina do Outro absoluto. O outro vem ‘do alto’ porque transcende minha compreensão. Nisto se anuncia sua dignidade divina. Jesus, tocado pela paixão, pela dor do povo, passa da compaixão à sua própria paixão e sofrimentos de toda ordem, e termina por sentir na sua carne a dor mais cruel. Jesus viveu radicalmente sua humanidade e revelou sua filiação divina. Era coerente entre o que dizia e o que fazia. Sendo para o Pai, podia ser para os outros. Ele se contrapôs à lógica das instituições ao colocar os discriminados e os pobres em primeiro lugar, ao anunciar a salvação aos pecadores, devolver a saúde aos enfermos, dar de comer aos famintos, defender as mulheres e as crianças.

Dedicou sua vida combatendo as forças da morte, as injustiças, a fome, a violência. Tendo como único critério o amor ao próximo, era profundamente livre diante da lei, das autoridades, da religião e dos costumes. Sendo para o Pai, podia ser para os outros. As pessoas vêm primeiro. A morte foi consequência da sua maneira de viver. Não se enquadrava na ordem. Era um subversivo (Lc 23,2), um perigo real aos poderosos.

Ser cristão é ser um novo Cristo, ter a mesma compaixão de Jesus, deixar-se tocar pela dor e pelo amor que moveram o coração de Jesus. Quem é incapaz de sofrer também é incapaz de amar. O coração de Deus está voltado para os abandonados. Sua cruz está presente em cada uma das cruzes suportadas diariamente pelos rejeitados. Todos os dramas e tragédias humanas giram em torno da cruz de Cristo. A cruz é o símbolo maior do protesto de Deus contra estruturas sociais baseadas na violência. Quando um cristão relativiza o sofrimento do irmão, já deixou de ser cristão.’


Fonte :