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sexta-feira, 18 de abril de 2025

A Cruz e a Igreja Católica

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Lino Rapazzo


‘Abrindo o livro de Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, podemos verificar como nasceu a Igreja. Foi pelo anúncio do Evangelho. 

‘Evangelho’ é um termo de origem grega que significa ‘bom anúncio’. Qual foi esse ‘bom anúncio’? Podemos responder com a seguinte afirmação : Jesus Cristo morreu e ressuscitou para a nossa salvação. 

Simplesmente do ponto de vista histórico, a morte de Jesus foi o assassinato de um inocente, mas, à luz da fé, sua morte foi o maior ato de amor da história, que salva a humanidade. Graças a esse grande ato de amor, Deus perdoa os homens, que são irmãos de Jesus, por isso Ele se tornou homem. É o Cristo mesmo que transmite o sentido verdadeiro da sua morte, mais exatamente nas palavras da consagração da Última Ceia : ‘Isto é meu corpo, dado por vós : fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19); ‘Este cálice é a nova aliança em meu sangue, derramado por vós’ (Lc 22,20).

É a partir desse anúncio que Pedro, no dia de Pentecostes, pede que os ouvintes da mensagem se arrependam dos pecados, recebam o Batismo e entrem a fazer parte da Igreja. Os novos cristãos ‘perseveraram na doutrina dos apóstolos, na vida da comunidade, na fração do pão, e nas orações’ (At 2,42). 

Ressalta-se que a expressão ‘fração do pão’ indicava a celebração da santa Missa. Nessa celebração, como acima lembrado, os cristãos sentem-se estritamente ligados à cruz, graças ao corpo de Cristo, ‘dado por nós’, e ao sangue de Cristo, ‘derramado por nós’.

Voltamos ao grande mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Isso é demonstrado pela atitude dos discípulos de Emaús, que tinham perdido a esperança em Jesus diante da sua condenação à morte. A essa altura, o mesmo Jesus explicou como devia ser interpretada sua terrível morte : ‘Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas para entrar na sua glória? E, começando por Moisés e percorrendo todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito’ (Lc 24,26-27).

A partir dessa ‘base da nossa fé’, começamos todas as nossas orações com o sinal da cruz, vivenciamos a sexta-feira como o dia da cruz de Cristo e o domingo como o dia da ressurreição. Celebramos a Semana Santa, com destaque na quinta-feira, dia da Última Ceia, na sexta-feira, dia da morte de Cristo, e no domingo da Páscoa, dia da ressurreição.

Vamos concluir estas reflexões com o hino que o apóstolo Paulo nos apresenta na Carta aos Filipenses : ‘Cristo Jesus, apesar de sua condição divina, não reivindicou seu direito de ser tratado como igual a Deus. Ao contrário, aniquilou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Por seu aspecto, reconhecido como homem, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o elevou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome, de modo que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,6-11).’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-cruz-e-a-igreja-catolica.html

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Pedro, um homem de fé

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Frei Ricardo da Cruz, OFM Conv


‘Pedro é o apóstolo mais conhecido dos evangelhos e em todos ele assume um papel de liderança. Pedro significa ‘rocha’, ‘pedra’, isto é, algo firme, sólido e constante. Tal nome, em um primeiro momento, parece não fazer sentido para uma pessoa que possui como características a inconstância e a impulsividade.

Antes de seu encontro com Jesus seu nome era Simão. Foi o próprio Jesus que, fixando nele o olhar, disse : ‘Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas [que significa pedra]’ (Jo 1,42). Jesus não tinha o costume de mudar o nome de seus discípulos, mas o fez com Pedro. O seu nome era na verdade um mandato que ele recebia do Senhor. Dessa forma, para que Pedro se tornasse verdadeiramente uma ‘rocha’ seria preciso passar por um caminho de transformação. Pedro é, talvez, o apóstolo que mais expressa aquilo que cada cristão é como seguidor do Senhor e, ao mesmo tempo, a possibilidade que cada cristão tem de se transformar no caminho de seguimento de Jesus Cristo. 

Pedro, em sua humanidade, deixa transparecer as suas fraquezas, o medo e até mesmo a covardia, características que são notadas em todo cristão que está no caminho de seguimento de Jesus Cristo. Porém, Pedro revela que a fé não anula a fragilidade humana, ao contrário, faz com que cada discípulo de Cristo tome consciência de sua fragilidade e se coloque no caminho de transformação e conversão.

A inconstância de Pedro é muito clara nos diversos relatos dos evangelhos; ao mesmo tempo em que ele professa a sua fé em Jesus Cristo reconhecendo-o como Messias (cf. Mt 16,16), não aceita o sofrimento e a morte violenta que o Messias deveria passar em Jerusalém, por isso chama Jesus à parte para tentar dissuadi-lo : ‘Deus não o permita, Senhor! Isso jamais te acontecerá’ (Mt 16,22). O sofrimento e a morte pela qual Jesus deveria passar não condiziam com a imagem do Messias esperado por Pedro, por isso o mesmo que fora chamado pelo Messias a ser a pedra na qual edificaria a sua Igreja (cf. Mt 16,18) então era é chamado de pedra de tropeço (cf. Mt 16,23). 

A fé de Pedro é consolidada mediante o processo de vivência e de escuta atenta do Senhor. Ora Pedro manifesta uma fé madura e inspirada pelo Espírito quando reconhece Jesus como Filho de Deus (cf. Mt 16,16), ora é repreendido por Jesus por não pensar como Deus e sim como os homens (cf. Mt 16,23). A fé é um caminho de consolidação, de experiência com Deus, de conversão e transformação. Pedro, apesar de sua inconstância e contradições, é capaz de permanecer firme no seguimento de Jesus, professa uma fé verdadeira no Messias, que é o único que tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6,68).

A fé de Pedro ensina a todo cristão que Deus chama seus seguidores em sua integralidade, com suas virtudes e fraquezas. A fé de Pedro está na sua humanidade frágil que busca corresponder ao chamado divino. Pedro é um homem de fé porque acreditou que Deus poderia transformar sua história convertendo-o de simples pescador a líder da Igreja de Jesus Cristo. Sua fé se manifesta na abertura e disponibilidade de deixar-se transformar pelo Espírito de Deus.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/pedro-um-homem-de-fe.html