terça-feira, 7 de julho de 2015

Cuidar a casa comum

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre António Carlos,
Missionário Comboniano

‘Sabemos que o cardeal Jorge Mario Bergoglio decidiu chamar-se Francisco pensando no Pobre de Assis e impelido pelo sonho evangélico de construir uma ‘Igreja pobre, para os pobres’. Atento aos problemas reais dos homens e mulheres do nosso tempo, o papa escreve agora uma encíclica sobre a urgência de uma ‘ecologia global’ e integral. Um texto histórico, no marco da Doutrina Social da Igreja que, já antes da sua publicação, começou a suscitar polémica e a estar presente no debate político, financeiro e ambiental.

O título do documento – Laudato Si (Louvado sejas) – remete para o Cântico das Criaturas, composto por São Francisco em 1224. Inspirado nessa poesia-oração do santo padroeiro dos ecologistas, o papa sublinha que ‘a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços’. É com essa perspectiva maternal e fraterna que o documento assume como tema central ‘o cuidado da casa comum’, que ‘está a arruinar-se e isso faz mal a todos, especialmente aos mais pobres’.

Francisco associa a degradação ambiental à pobreza. ‘Uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.’ Salvar o planeta é, por isso, salvar os pobres. Eles são as principais vítimas da desflorestação, da poluição do ar, rios e mares, do uso excessivo de agro-tóxicos, da exploração das energias e dos recursos fósseis. E, de acordo com os princípios da Doutrina Social, o papa menciona que a terra é ‘uma herança comum, cujos frutos devem beneficiar a todos’. Existe uma ‘dívida ecológica’ dos países do Norte em relação aos do Sul e não podemos esquecer, afirma, que ‘o aquecimento causado pelo enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da Terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, juntamente com a seca, tem efeitos desastrosos no rendimento das cultivações’.

Francisco assevera que viver a vocação de guardiões da obra divina da criação ‘não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa’. Acredita que ‘a humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum’, mas para isso é preciso uma mística que nos anime. Exige-se, também, uma profunda conversão ecológica, pessoal e comunitária. Não somos donos do planeta, mas só administradores. Cuidar o planeta, o lar comum da grande família que é a humanidade, é um grande desafio, um dever e uma tarefa quotidiana...’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EuFVAElyyZqwaCHaxw


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