Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
‘De forma
geral, o estudo da chamada Idade Média mostra que essa classificação que
abrange o período do século V a XV se concentra em três eixos principais: a
formação da cristandade na Europa Ocidental, o desenvolvimento do Império
Bizantino na Europa Oriental e o nascimento e expansão da civilização islâmica,
desde a Península Ibérica até a Pérsia, abrangendo também o norte da África e o
sul da Europa.
Essa
periodização histórica, abrangendo também os demais períodos serve para Europa,
não se encaixando no estudo dos demais continentes.
Normalmente,
quando se chega ao tema da expansão islâmica, a questão das civilizações que se
desenvolveram na África nesse período é tratada, porém de forma muito
suscinta e de forma pouco expressiva.
A África na Idade Média constitui um tema que deve ser
compreendido de forma sistemática, para que se possa compreender a formação do
mundo moderno e nele as diversas potências europeias.
Formação
histórica do continente africano
No continente
africano diversas civilizações se destacaram desde a antiguidade. Foi o caso
dos cartagineses estabelecidos no noroeste da África que são lembrados
quando se fala da expansão do Império Romano do ocidente. Há o caso
da civilização egípcia que floresceu no nordeste africano a
partir do delta do rio Nilo e se tornou uma grande potência que não pode ser
lembrada apenas pelas suas pirâmides. Recordamos também a civilização da Núbia,
situada abaixo do Egito; o reino de Axum, que se desenvolveu na
região da atual Etiópia, entre outras civilizações.
Essas
civilizações, algumas em maior e outras em menor grau, mantiveram contato com
as civilizações da Europa Ocidental, como a romana, e outras que se
desenvolveram na Península Arábica, nas planícies iranianas e no Extremo
Oriente.
O norte da
África passou a sofrer, no período da Idade Média, uma intensa penetração
da civilização árabe com a expansão islâmica. A partir do século VII,
o islamismo passou a expandir-se por toda a Península Arábica e em direção ao
norte africano e ao sul europeu, penetrando na Península Ibérica. Nesse
período, houve um choque e um enriquecimento cultural da Europa pelo contato
com as culturas africanas, e com as civilizações desse continente que já haviam
sido cristianizadas.
Na região
do Magrebe, a conversão ao islã ocorreu de forma sistemática, seja pelos
reinos poderosos como o de Mali ou pelos povos nômades. Com a
islamização, a prática da escravidão, que era bem comum no continente africano
desde a Antiguidade, intensificou-se. Ao converter meia África, o Islamismo
contribuiu para estimular ainda mais a escravidão, que era praticada antes
mesmo de Maomé, já no século VI, quando os mercadores árabes frequentavam os portos
da costa oriental da África, trocando cereais, carnes e peixes secos com tribos
bantus por escravos.
As populações
negras que não se tornaram muçulmanas também consideravam a escravidão um fato
normal e alguns reis africanos tinham centenas de escravos como soldados e em
suas guardas pessoais.
Além do reino
de Mali, outros reinos também tiveram destaque no continente africano nesse
período, principalmente aqueles que se desenvolveram abaixo do deserto do
Saara, tais como o Reino de Gana, o de Kanem-Bornu, Iorubá e Benin. A
principal forma de contato e de comércio entre esses reinos eram
as caravanas de camelos, que permitiam o deslocamento para
longas distâncias em meio ao deserto com uma quantidade grande de mantimentos,
pedras preciosas, escravos, metais, porcelanas, tapetes e muitas outras
mercadorias.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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