Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
‘O continente
africano era um lugar civilizado no tempo em que os primeiros viajantes
europeus começaram a entrar em contato com continente. Quando chegaram ao Golfo
da Guiné e desembarcaram em Vaida (na África Ocidental), por exemplo, os
capitães e tripulantes dos barcos ficaram surpresos ao encontrar ruas bem
traçadas, cercadas de ambos os lados por várias léguas por duas fileiras de
árvores. Durante dias eles puderam viajar num país de campos cultivados,
habitado por homens vestidos com roupas coloridas produzidas em suas próprias
tecelagens.
No Reino do
Congo, encontraram pessoas vestidas de seda ou veludo, como vestiam as pessoas
mais graduadas da Europa.
Antes da
colonização o continente africano abrigou Estados bem organizados e
administrados minuciosamente. A situação dos países da costa oriental – Moçambique,
por exemplo – era exatamente a mesma com tribos organizadas, funções sociais
bem definidas e uma economia que garantia a sobrevivência de todos mesmo em
períodos mais críticos como no tempo da seca ou de calamidades naturais.
As grandes
civilizações africanas
Durante o
período que chamamos de Idade Média (séculos V ao XV), poderosos Estados se
desenvolveram na África Ocidental e por sua enorme riqueza, tornaram-se o
principal eixo de comércio entre o mar Mediterrâneo e o interior da África.
O reino de
Gana. Gana já era um reino rico antes da chegada dos
comerciantes do norte e os documentos deixados por esses comerciantes (árabes e
berberes) informam o que foi Gana, e relatam um império extraordinário, também
chamado de Terra do Ouro. O império tinha como capital Kumbi-Saleh. Dessa
cidade, o rei e seus nobres controlavam povos vizinhos, obrigando-os a pagar
impostos em troca de proteção. Além disso, Gana controlava o comércio tanto das
mercadorias que eram trazidas do norte (como sal e tecidos), quanto das que
saíam do interior da África (como ouro e escravos). Na capital, o comércio era
intenso e os seus 20 mil habitantes recebiam diariamente as caravanas que
vinham de diversas regiões. Entre os séculos 9 e 10, Gana viveu seu apogeu,
sendo um dos mais ricos reinos do mundo, segundo Ibn Haukal, viajante árabe da
época.
O reino de
Mali. O Reino de Mali era, a princípio, uma região do
Império de Gana habitada pelos mandingas. Era composto por 12 reinos menores
ligados entre si, e tinha como capital Kangaba. O Império se tornou herdeiro do
Império de Gana, passando a controlar todo o comércio local. O ouro extraído
por Mali sustentava grande parte do comércio no Mediterrâneo. Conta-se que,
entre 1324 e 1325, Mansa Mussa, em peregrinação a Meca, parou para uma visita
ao Cairo e teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor desse metal
se desvalorizou por mais de 10 anos.
Cidades
iorubás. A partir do século IX formaram-se as cidades da
civilização iorubá, na região da atual Nigéria, já habitada por esse povo desde
o século IV. Os iorubás nunca unificaram suas cidades, mas mantiveram a mesma
cultura. A cidade iorubá mais importante era Ifé, considerada sagrada, por ser
o berço dos iorubás, segundo a crença local. Outra cidade importante foi Oyo,
um centro militar que, no final do século XVII, tinha se expandido até Daomé
(atual Benin).
Império de
Axum. O Império Axum data do ano 100 d.C., com a fundação
da cidade de mesmo nome. No século IV já era o Estado de maior expressão do
reino da Núbia e, por conta das relações no Mar Vermelho – local de
articulação entre populações africanas e árabes – adotaram o cristianismo, que
se espalhou em boa parte do território sob o domínio romano, inclusive no
Egito.
Império
Zimbábue. O Império Zimbábue existiu entre os anos de
1200 e 1400, no litoral da África Austral, onde hoje estão localizados
Moçambique e Zimbábue. Este Império ficou conhecido por seu grande número de
construções, que são testemunhos do poder alcançado por ele. Foi um poderoso
Estado com hegemonia na região localizada entre os rios Zambeze e Limpopo.
Império
Songai. O Império Songai está relacionado com a cidade de
Gao, localizada na curva do Níger. Esta cidade foi um importante centro
comercial, político e econômico, com poder militar de arqueiros que se lançavam
ao Rio Niger.
Registro de
avanços e conquistas
Quando os
missionários portugueses chegaram ao Congo encontraram um sistema político bem
organizado com cobrança de impostos e taxas. Havia, inclusive, um eficiente
tribunal e um funcionalismo público estruturado. O estado construiu estradas,
impôs portagens, apoiou um grande exército e tinha um sistema monetário baseado
no uso de conchas, do qual o chefe supremo tinha o monopólio.
O Reino do
Congo tinha também alguns estados satélites como o estado do Ngola (ie Ndongo)
localizado na atual Angola. O reino original era aproximadamente do tamanho da
França e da Alemanha juntas. Há registros da existência de uma arte metalúrgica
especializada no antigo Congo. Como os artífices Bakongo estavam cientes
da toxicidade dos vapores de chumbo, criaram métodos preventivos e curativos,
tanto farmacológicos usando doses maciças de mamão e óleo de palma e quanto
mecânicos, para combater o envenenamento por chumbo.’
Fonte : *Artigo na íntegra
Nenhum comentário:
Postar um comentário