Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Percebemos a
importância que a Tradição atribui ao desapego dos pensamentos. Uma das
consequências importantes disso é que nos ajuda a permanecer no momento
presente. Ao nos concentrarmos em nossa ‘palavra’, deixamos para trás os
pensamentos, que sempre nos ligam ao passado e ao futuro. Observe seus
pensamentos por um instante. Não são todos sobre suas preocupações, esperanças
e medos sobre o que aconteceu e o que pode acontecer? Usamos o momento presente
meramente como um trampolim para o futuro ou um lugar para olhar ansiosamente
ou nostalgicamente para o passado. Não deixamos espaço para o próprio momento
presente. E, no entanto, ouvimos nas Escrituras que a natureza essencial de
Deus é ‘pura essência’. Quando Deus chamou Moisés pela primeira vez,
disse : ‘Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, de Isaque e de
Jacó’. Este é o aspecto de Deus na história da humanidade. Mas quando
Moisés perguntou a Deus seu nome pela segunda vez, ele respondeu : ‘Eu
Sou aquele que eu sou’. O ‘nome’ de Deus, sua natureza essencial,
é, portanto, ‘ser puro’ no momento presente. Portanto, o
momento presente é o ‘caminho estreito’ pelo qual podemos
entrar na Presença de Deus que habita em nós.
Deixar os
pensamentos para trás é, portanto, uma parte essencial da nossa prática. Mas,
novamente, surge a questão de onde Jesus nos diz para deixarmos os pensamentos
para trás. Mais uma vez, o Evangelho de Mateus nos dá uma orientação clara : ‘Por
isso, vos digo : não andei ansiosos com a vossa vida, pelo que haveis de comer
ou pelo que haveis de beber, nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais que o vestuário?’ Todas
as nossas preocupações giram em torno da nossa sobrevivência. E Jesus diz
claramente que a vida é mais do que mera sobrevivência. ‘Buscai pois, em
primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão
acrescentadas’. Em vez de nos determos em nossos pensamentos, precisamos nos
concentrar exclusivamente no Divino, repetindo nossa oração ‘maranata’, uma das
mais antigas orações cristãs. Essa oração é a nossa âncora, que nos enraíza na
Presença Divina.
Essa forma de
oração, esse ‘abandono de si mesmo’, requer confiança –
confiança de que Deus também está presente para nós. Jesus está ciente de
nossas dificuldades e enfatiza que Deus cuida de toda a criação, dos pássaros,
dos lírios no campo, até mesmo da grama. Ele nos encoraja a ter fé de que,
portanto, também estamos sob os cuidados de Deus, também seremos vestidos e
alimentados, pois ‘o Pai celestial bem sabe que necessitais de todas
estas coisas’. Tudo o que precisamos fazer é permanecer focados
em nosso relacionamento com Deus no momento presente : ‘Portanto, não
vos inquieteis, pois, pelo amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo.’ Precisamos
lidar com os desafios que se apresentam a cada instante. Seremos capazes de
fazer isso com centramento e paz de espírito como resultado direto da ‘oração
contínua’, repetindo constantemente nosso mantra, ancorando-nos
constantemente na Presença de Deus. Encontramos a mesma recomendação nas
Escrituras : ‘Orai sem cessar!’ (1 Tessalonicenses 5:17) e ‘Perseverem
na oração e não desanimem’. (Lucas 18) João Cassiano também enfatiza : ‘Digo
que vocês devem meditar constantemente neste versículo em seus corações. Não
devem parar de repeti-lo quando estiverem realizando qualquer tipo de trabalho,
prestando algum serviço ou viajando. Meditem nele enquanto dormem, comem e
atendem às menores necessidades da natureza.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.wccm.org.br/ensinamento-semanal/nao-se-preocupe-com-o-amanha/
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