Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Silêncio,
palavra doce e capaz de nos ajudar muito em tudo. Muitas vezes, temos medo do
silêncio. É interessante perceber que, para muitos, o silêncio incomoda mais do
que a vida barulhenta, cheia de ruídos e excesso de palavras. Sim, gastamos
muito mais palavras do que o necessário, no entanto, não haverá sabedoria sem
um silêncio saudável, equilibrado e com positivos resultados. O silêncio é
segurança que o coração encontra para que o Evangelho tenha meios de ser vivido
dentro e fora.
Jesus é a
melodia da vida do cristão, é a condução do amor. A música brota do silêncio e
retorna a ele mesmo. Música é movimento dentro do silêncio. A melodia cristã
nos ensina muito sobre nós mesmos, coloca-nos diante de nossa própria
natureza e garante a esperança como virtude teologal. A música cristã deve nos
conduzir à verdade dentro de nós, por isso, nasce do verdadeiro silêncio e
retorna para ele. A melodia cristã deve iluminar o coração para que o
reconhecimento do amor se efetue dentro dele.
O verdadeiro
silêncio espiritual é o exercício da liberdade do coração, do discernimento e
da razão, da escolha e da responsabilidade. A música do coração cristão busca a
criatura e reconhece o Autor da criação transformando o mundo exterior em amor.
É o principal motivo pelo qual escutamos boa música, celebramos liturgia
responsável e promovemos a música sacra. Felizmente, no Brasil aumenta o número
de concertos e recitais de música sacra nas igrejas. A boa cultura pode muito
nos ajudar no exercício da oração e da renovação de nossas forças, assim, o
silêncio interior vai encontrando melhores recursos para despertar em nós o
amor. Dom Columba Marmion, em sua belíssima obra Jesus Cristo, vida da
alma, diz que ‘é pelo exercício das nossas próprias faculdades,
inteligência, vontade, coração, sensibilidade, imaginação, que a nossa natureza
humana, mesmo ornada da graça, deve executar as suas ações : mas estes atos,
que derivam da natureza, são pela graça elevados a ponto de serem dignos de
Deus’.
Stille
Nacht! Noite silenciosa! Noite feliz! A impressão que se tem é que a canção
de Natal Noite feliz transcendeu os limites da religião e
alcançou a universalidade do amor nos corações de todos! Stille Nacht, Heilige
Nacht!, composição austríaca do Padre Joseph Mohr e do músico Franz Gruber
traça o perfil da chegada do Menino Jesus. A tradução e versão portuguesa foi
feita pelo Frei Pedro Sinzig, grande compositor alemão naturalizado brasileiro.
O universo parou para escutar a respiração do Menino, o Verbo Encarnado. Foi a
noite mais silenciosa e santa que já houve! O coração dos pastores logo escutou
a melodia santa, o louvor dos anjos, o Gloria in excelsis Deo. É
preciso ter coração humilde e manso para escutar a santa e silenciosa melodia
do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.
‘Entoai,
cantai a Deus ação de graças, tocai para o Senhor em vossas harpas!’, diz o
Salmo 146. A graça é melodia silenciosa e doce esperança em nossos corações!’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/noite-silenciosa-e-santa-3.html
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