Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Se apenas
observarmos nossos pensamentos por um tempo, logo perceberemos que todos eles
estão ligados ao passado ou ao futuro. Eles giram em torno de nossas
preocupações sobre o que aconteceu, na forma de memórias, boas e ruins, ou
sobre o que pode acontecer, nossos medos, esperanças, desejos e planos. Nem
mesmo vemos as pessoas e situações como elas realmente são, mas coloridas por
nossos pensamentos, opiniões, preconceitos, experiências e emoções. Na verdade,
poderíamos facilmente dizer que andamos por aí, em uma paisagem de nossa
própria mente, nossos próprios pensamentos, em um mundo de ilusão de nossa
própria criação. Ficamos presos em nossa própria história; essa criação de
nossa mente pode ser tão poderosa, que pode parecer a única realidade que
existe. Pode mascarar a existência de uma Realidade Superior.
Mas esta
Realidade Superior, Deus, é experimentada pelos Místicos como puro ‘Ser’ no ‘Aqui
e Agora’ : ‘Entre os nomes, nenhum é mais apropriado do que
Aquele-que-é… pois ele habita sempre de novo em um Agora sem cessar.’ (Meister
Eckhart)
Quando Moisés
pergunta a Deus quem ele é, ele obtém duas respostas – uma enfatiza o aspecto
histórico : ‘Eu sou o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.’ (Êxodo) e
a segunda aponta para o Deus no Aqui e Agora : ‘Eu sou o
que sou’ (Êxodo) – ser puro, energia pura, consciência pura. No ‘Evangelho
de João’ ouvimos Jesus dizer algo semelhante sobre si mesmo : ‘Antes que
Abraão existisse, ‘Eu sou’.’
Deixar de
lado nossos pensamentos, nos permite permanecer no momento presente. É o ‘caminho
estreito’ da atenção em nosso mantra, que nos ajuda a alcançar o
silêncio no solo de nosso ser, no aqui e Agora, deixando nosso
ser condicionado para trás. A eternidade está no agora. Precisamos perceber que
o tempo é realmente feito de uma sequência de momentos do ‘Agora’ –
tudo acontece no Agora. Mas distorcemos o Agora, ao
habitarmos nas nossas memórias ou ao usarmos este momento precioso como um mero
trampolim para antecipar e preparar o futuro.
Além disso,
uma vez que o momento do Agora tenha passado e desaparecido, o
que resta dele torna-se parte do passado, uma mera memória. Estas são novamente
construções da mente : interpretações de acontecimentos coloridos pelo
autoengano, pelo medo, pela esperança ou pela necessidade de consolo, realmente
não muito diferente de um sonho ou fantasia. Além disso, essa coloração varia
dependendo das mudanças de humor e das circunstâncias. Precisamos abandonar
essas miragens; existe realmente apenas o ‘Aqui e Agora’. Estar
presente, e ouvir atentamente o mantra nos permite fazer isso, deixar de lado
pensamentos e imagens, do passado e do futuro e nos permite ser nosso
verdadeiro ‘eu’ habitando no Agora : ‘Ser
consciente é viver no momento presente, não ficar preso ao passado, nem
antecipar um futuro que pode nunca acontecer. Quando temos plena consciência do
presente, a vida se transforma e a tensão e o estresse desaparecem. Grande
parte da vida moderna é uma antecipação febril de atividade e emoções futuras.
Temos que aprender a recuar para a liberdade e a possibilidade do presente.’
(Bede Griffiths OSB).’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.wccm.org.br/ensinamento-semanal/permanecendo-no-momento-presente/
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