segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A generosidade une as pessoas diferentes

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre Olmes Milani,
Missionário Scalabriniano


‘Amigas e amigos da Rádio Vaticano, é com  alegria que envio uma saudação generosa e sem fronteiras para vocês das Arábias.

Gostaria de tratar hoje um assunto que mexe com nossos corações, a generosidade que une as pessoas diferentes.

Estudando as manifestações religiosas em diversos países, percebem-se  inúmeras diferenças. Algumas delas são inerentes às próprias religiões e outras surgem pela integração de elementos culturais e históricos onde elas se desenvolveram.  Posso dizer que observando-as, como espectador, despertam a curiosidade e encantam pela beleza das cores dos vestuários, da música, das danças e, de uma forma muito especial, pelos ritos. Todas elas são uma fonte de enriquecimento jorrando para enriquecer a qualquer pessoa que venha a ter contato com elas. Todas as culturas e religiões estão abertas para promover as pessoas que  se disponham a participar delas. Para o observador, contudo, existe uma condição : evitar julgá-las. É que o julgamento fecha a porta para que eu conheça uma religião, cultura ou pessoa. Quando eu julgo alguém, sua religião ou cultura é porque decidi  fechar-me, quer dizer, optei por ser pobre.

Como é sabido, os regentes dos Emirados Árabes Unidos, desde sua fundação em 1970, optaram pela criação de um país no qual as pessoas pudessem vir trabalhar, conservando sua língua, cultura e religião. Generosamente, doaram lotes de terra em subúrbios predeterminados para que os expatriados pudessem construir suas igrejas, templos e escolas. Embora não exista um processo de integração, almeja-se uma boa convivência, respeito e liberdade de culto sem proselitismo.

Cada religião tem seus tempos fortes durante o ano, seja ele solar ou lunar, como é o caso dos muçulmanos. Como, nós cristãos vivemos com intensidade o tempo quaresmal e advento, os irmãos que seguem o Islã, privilegiam o Ramadan, o tempo de jejum, visando maior aproximação com Deus, controlando as tendências que induzem ao mal e praticando a generosidade com os menos favorecidos.

Desde a formação desse país, o incentivo à generosidade esteve presente. Durante o período de jejum islâmico, surgiram diversas atividades e campanhas de filantropia das quais todos são convidados a participar, independentemente de suas crenças e religiões. Algumas delas são encabeçadas por estrangeiros e outras pelos Emiratis, distinguindo-se a participação dos príncipes das monarquias.

Neste ano de 2015, testemunhamos campanhas para apoiar programas de educação de crianças no exterior, coleta de itens como roupas, brinquedos, comida não perecível para serem enviados a pessoas necessitadas, no exterior e no país. Dentro do tempo de Ramandan também são incentivadas as visitas com a intenção de levar alegria e esperança aos doentes nos hospitais.

 Merecem atenção também as mulheres indocumentadas que estão com seus filhos no país, sem poder trabalhar.

Finalmente, os milhares de marítimos que trabalham, em situação  sub-humana, são visitados nos portos onde suas obsoletas embarcações estão atracadas. A eles é doado o  mais necessário, comida. É nessa atividade que o Apostolado do Mar da Igreja Católica forma equipe com islâmicos, anglicanos e outras religiões.

O retorno que colhemos de ações generosas não é sempre evidente, mas une as pessoas diferentes.’  


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