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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

"Rezem por nós, não nos deixem sozinhos", pede arcebispo de Aleppo


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 "Peço somente uma coisa: rezem por nós, não nos deixem sozinhos", foi o pedido de Dom Joseph Tobji, arcebispo de Aleppo dos maronitas
*Artigo de L'Osservatore Romano,
publicado na revista Vatican News


‘Da assistência jurídica a um cristão acusado injustamente, ao apoio a uma família de refugiados, do apoio ao trabalho de sacerdotes e religiosas ao leite em pó para pequenos cristãos sírios. Estes são apenas alguns ‘dons de fé’ que qualquer pessoa pode realizar neste Tempo de Natal, ao invés dos tradicionais presentes. Trata-se de ações capazes de mudar a vida de algumas dezenas de milhares dos trezentos milhões de cristãos perseguidos em todo o mundo.

E isso é possível graças à nova campanha lançada nestes dias pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), por meio da qual a fundação do direito pontifício oferece a oportunidade de ‘dar aos entes queridos um presente realmente especial, o apoio aos tantos cristãos perseguidos em todo o mundo’.

Em 2018, a AIS, através de suas 23 sedes nacionais e internacionais, arrecadou 111.108.825 euros para a Igreja pobre, oprimida e perseguida em todo o mundo. Tal montante, obtido graças a doações privadas dos mais de 330.000 benfeitores que a Ajuda à Igreja que Sofre tem em nível internacional, tornou possível a realização de 5.019 projetos em 139 países.

A campanha de Natal da AIS

No site da Ajuda à Igreja que Sofre / Itália (acs-italia.org/doni-di-fede/), é possível escolher como demonstrar concretamente a proximidade àqueles que sofrem. Para cada ‘dom de fé’, é possível fazer o download de um ticket com a descrição do projeto apoiado, a ser enviado ao amigo ou parente destinatário do presente.

Por ocasião do nascimento de Jesus - disse o diretor de Ajuda à Igreja que Sofre, Alessandro Monteduro - que presente mais apropriado para nossos entes queridos do que, em nome deles, oferecer um presente a uma criança cristã no Oriente Médio?’. Ou contribuir ‘para apoiar os estudos de jovens seminaristas que, mesmo em terras de perseguição, desejam se tornar sacerdotes?’.

Vários benfeitores já aderiram à mais esta campanha de solidariedade, que também foi entusiasticamente recebida por cristãos apoiados pela AIS em todo o mundo, alguns dos quais testemunharam através de vídeos a importância da iniciativa ‘Dons de Fé’.

Síria e Iraque beneficiados com aumento das doações

Em 2018, a Acs-Italia (Aiuto a Chiesa che Sofre) registrou um aumento de 22,1% nos depósitos, que alcançou 4.493.660 em comparação aos 3.679.035 euros de 2017. Outro dado significativo é o aumento no número de benfeitores italianos, que passaram de 13.012 em 2017 para 17.230 no ano passado, um aumento de 32,5%.

Foi possível realizar muitos projetos na Síria e no Iraque graças à contribuição italiana. Na Síria, as doações (531.200 euros) permitiram, entre outras coisas, comprar leite para as crianças e alimentos para os adultos em Aleppo, remédios para doentes em Homs, refeições para os numerosos refugiados cristãos.

No Iraque, por sua vez, os 486.300 euros doados foram usados ​​principalmente para facilitar o retorno de famílias cristãs, sacerdotes e religiosos à Planície de Nínive, devastada pelo ‘Estado Islâmico’.

Desde o início das assim chamadas ‘Primaveras Árabes’ em 2011, a fundação do direito pontifício realizou ações no total de 92 milhões de euros, dos quais mais de 18 somente em 2018. O apoio emergencial aos milhares de deslocados internos e refugiados, sobretudo na região do Oriente Médio, representou mais de 12% da ajuda concedida no ano passado.

Mas é particularmente significativo sublinhar o grande trabalho de reconstrução das casas de cristãos na Síria e no Iraque, o que foi possível graças à Ajuda à Igreja que Sofre. De fato, 1479 moradias de cristãos foram reconstruídas no Oriente Médio graças à intervenção da fundação. Especialmente na Síria, onde foram realizadas ações com um montante de 8.615.940 euros, um acréscimo de 2.860.000 em relação ao valor empregado em 2017.

O agradecimento do arcebispo de Aleppo dos maronitas

Não temos palavras para agradecer o empenho da AIS’, disse ao Osservatore Romano Dom Joseph Tobji, arcebispo de Aleppo dos maronitas, que há vários anos apoia a comunidade cristã na Síria. A fundação ‘nos ajuda em vários campos de ação : da construção de igrejas e de casas destruídas ou danificadas até a implementação de projetos pastorais, do envio de pacotes de alimentos à educação de jovens e a formação de médicos’.

Não obstante tudo, o prelado revela estar desanimado com a forte crise econômica que afeta o país, martirizado por anos de guerra, violências e perseguição. «Neste momento, estamos com as pernas quebradas - acrescenta Tobji - e não temos mais as forças econômicas para continuar. Com o embargo de um lado e as sanções econômicas do outro, o país está se apagando pouco a pouco. Ninguém tem mais desejo de permanecer e não tem forças para continuar»

‘Rezem por nós, não nos deixem sozinhos’

Então, o arcebispo de Alep dos maronitas lança mais um apelo desesperado à comunidade internacional : ‘Não deem as costas para nós. A Síria sofre. Jogos de poder estão levando nosso país para o abismo. Precisamos de ajuda. Mas façam isso antes que seja tarde demais’.

Mesmo entre as mil dificuldades, as comunidades cristãs viveram o Natal com fé e da esperança. «Este também - concluiu Dom Tobji - foi um Natal marcado pela precariedade e pelo medo. Embora os tiros e bombardeios nos arredores de Aleppo não dão trégua, os cristãos continuam a ter fé. Peço somente uma coisa : rezem por nós, não nos deixem sozinhos», reitera.’


Fonte :

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A generosidade une as pessoas diferentes

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre Olmes Milani,
Missionário Scalabriniano


‘Amigas e amigos da Rádio Vaticano, é com  alegria que envio uma saudação generosa e sem fronteiras para vocês das Arábias.

Gostaria de tratar hoje um assunto que mexe com nossos corações, a generosidade que une as pessoas diferentes.

Estudando as manifestações religiosas em diversos países, percebem-se  inúmeras diferenças. Algumas delas são inerentes às próprias religiões e outras surgem pela integração de elementos culturais e históricos onde elas se desenvolveram.  Posso dizer que observando-as, como espectador, despertam a curiosidade e encantam pela beleza das cores dos vestuários, da música, das danças e, de uma forma muito especial, pelos ritos. Todas elas são uma fonte de enriquecimento jorrando para enriquecer a qualquer pessoa que venha a ter contato com elas. Todas as culturas e religiões estão abertas para promover as pessoas que  se disponham a participar delas. Para o observador, contudo, existe uma condição : evitar julgá-las. É que o julgamento fecha a porta para que eu conheça uma religião, cultura ou pessoa. Quando eu julgo alguém, sua religião ou cultura é porque decidi  fechar-me, quer dizer, optei por ser pobre.

Como é sabido, os regentes dos Emirados Árabes Unidos, desde sua fundação em 1970, optaram pela criação de um país no qual as pessoas pudessem vir trabalhar, conservando sua língua, cultura e religião. Generosamente, doaram lotes de terra em subúrbios predeterminados para que os expatriados pudessem construir suas igrejas, templos e escolas. Embora não exista um processo de integração, almeja-se uma boa convivência, respeito e liberdade de culto sem proselitismo.

Cada religião tem seus tempos fortes durante o ano, seja ele solar ou lunar, como é o caso dos muçulmanos. Como, nós cristãos vivemos com intensidade o tempo quaresmal e advento, os irmãos que seguem o Islã, privilegiam o Ramadan, o tempo de jejum, visando maior aproximação com Deus, controlando as tendências que induzem ao mal e praticando a generosidade com os menos favorecidos.

Desde a formação desse país, o incentivo à generosidade esteve presente. Durante o período de jejum islâmico, surgiram diversas atividades e campanhas de filantropia das quais todos são convidados a participar, independentemente de suas crenças e religiões. Algumas delas são encabeçadas por estrangeiros e outras pelos Emiratis, distinguindo-se a participação dos príncipes das monarquias.

Neste ano de 2015, testemunhamos campanhas para apoiar programas de educação de crianças no exterior, coleta de itens como roupas, brinquedos, comida não perecível para serem enviados a pessoas necessitadas, no exterior e no país. Dentro do tempo de Ramandan também são incentivadas as visitas com a intenção de levar alegria e esperança aos doentes nos hospitais.

 Merecem atenção também as mulheres indocumentadas que estão com seus filhos no país, sem poder trabalhar.

Finalmente, os milhares de marítimos que trabalham, em situação  sub-humana, são visitados nos portos onde suas obsoletas embarcações estão atracadas. A eles é doado o  mais necessário, comida. É nessa atividade que o Apostolado do Mar da Igreja Católica forma equipe com islâmicos, anglicanos e outras religiões.

O retorno que colhemos de ações generosas não é sempre evidente, mas une as pessoas diferentes.’  


Fonte :

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mutilação de mulheres é injustificável

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


‘Nesta quinta-feira, 6 de Fevereiro, é assinalado pelas Nações Unidas o «Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital».

Em mensagem, o Secretário-Geral da ONU afirmou que a data é uma oportunidade de lutar pelo fim da prática, que afeta mais de 125 milhões de meninas e mulheres no mundo. A maioria na África.

Ban disse que o mundo precisa preservar o que é bom em cada cultura e deixar o que é ruim para trás. Muito defensores da mutilação feminina alegam que a prática é uma questão de costume e tradição.

Mas segundo o chefe da ONU não existe nenhuma razão religiosa, de saúde ou desenvolvimento que possa justificar que uma menina ou mulher seja mutilada. Para Ban, qualquer tradição que rebaixe ou humilhe um ser humano tem que ser erradicada.

A mutilação, também conhecida como circuncisão feminina, causa danos graves além de possibilidades de infecções, complicações na gravidez e no parto que podem levar à morte.

Pelo menos 29 países na África e no Oriente Médio já registraram a prática. Há relatos de que a mutilação também ocorra em comunidades de migrantes fora do continente africano.

Segundo especialistas, se a prática permanecer até 2030, 86 milhões de meninas e mulheres poderão se tornar vítimas.

Mas Ban também ressaltou avanços no combate à mutilação genital. Ele citou a Guiné-Bissau, ao lado de Uganda e do Quênia, como um dos países que adotaram leis contra a prática. O chefe da ONU lembrou ainda prisões efetuadas na Etiópia contra autores da mutilação genital feminina.

Já no Sudão, uma campanha batizada de Saleema, inspirou um pai a não circuncidar a filha. Em árabe, a palavra significa intocável. Para ajudar às mulheres que já passaram pela prática, a ONU está organizando ações com agências parceiras para recuperar os danos físicos causados às vítimas da mutilação genital.

Ban lembrou que a resolução da Assembleia Geral sobre o Dia Internacional de Tolerância Zero à prática foi apoiada por todos os países africanos.

Segundo ele, o desafio da organização agora é angariar o apoio da opinião pública e criar mecanismos de ajuda a todas as mulheres e meninas afetadas pelo risco da mutilação.’



Fonte :
*Artigo na íntegra de