quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A visita do Pastor

   


No encontro com os jornalistas durante o voo de Santiago de Cuba para Washington, o Papa disse que a sua viagem à ilha caribenha teve um carácter 'muito pastoral' a favor dos católicos. Confirmando explicitamente uma intenção que pareceu evidente a quem quer que tenha seguido as etapas do itinerário papal. A isto é preciso acrescentar o declarado apoio — graças à decisão inesperada de unir numa única visita Cuba e Estados Unidos — à aproximação em andamento entre os dois países, para a qual contribuíram representantes dos respectivos episcopados católicos e que, com discrição, foi favorecida pelos bons ofícios da Santa Sé. 

A conclusão da etapa cubana desta viagem americana foi significativa em dois momentos emocionantes e apinhados de fiéis : a missa no santuário mariano nacional do Cobre e, em Santiago, a celebração com as famílias, quase uma introdução ao encontro mundial de Filadélfia e à assembleia sinodal, muito esperada e já iminente. Recebido em ambos os lugares com verdadeiro entusiasmo e carinho, o Pontífice inspirou-se nos episódios evangélicos da visitação de Maria a Isabel e das bodas de Caná para apresentar mais uma vez, e sem dúvida não só aos cubanos, a missão da Igreja e o papel insubstituível da família. 

No centro da meditação no Cobre esteve um aspecto apreciado por Bergoglio : a inquietação que, assim como depois do anúncio do anjo impele Nossa Senhora a visitar a idosa parente, também deve encorajar a Igreja a 'sair de casa'. A exemplo da Virgem, que em Cuba protegeu 'a luta de todos aqueles que sofreram para defender os direitos dos seus filhos'. As dificuldades nunca apagaram a fé, mantida viva entre numerosos obstáculos por 'avós, mães e muitos outros que, com ternura e afeto, foram sinais de visitação, de coragem e de fé' no seio de muitas famílias. E hoje 'a nossa revolução passa pela ternura', incentivando a sair das igrejas e das sacristias 'para construir pontes, abater muros e semear reconciliação', exclamou o Papa. 

Durante o último encontro das três jornadas cubanas, o Pontífice deixou uma exortação aos católicos, tecendo um novo e nobre elogio à família, igreja doméstica e lugar onde 'se une o passado que herdamos e o futuro que nos espera' : com efeito, aqui, no encontro quotidiano, 'aprendemos a fraternidade, a solidariedade', o acolhimento da vida e o perdão. Sem dúvida — acrescentou — em muitas culturas 'vão desaparecendo estes espaços, vão desaparecendo estes momentos familiares'. Mas a família salva de dois fenomenos como a fragmentação e a massificação, que transformam as pessoas 'em indivíduos fáceis de manipular e governar', frisou Bergoglio. 

Então as famílias, lugares onde se aprende a humanidade, não são um problema mas uma oportunidade, 'que devemos cuidar, proteger e acompanhar' : escolas do amanhã, espaços de liberdade e centros de humanidade, resumiu o Papa Francisco. Portanto, é necessário rezar na vigília do encontro de Filadélfia e do sínodo, 'para que saibamos todos juntos ajudar-nos — concluiu — a cuidar da família', descobrindo aquele Deus que vive no meio do seu povo e faz das famílias a sua casa. 


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