quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mártires da Argélia sob o olhar sagrado (Capítulo 3 de 8)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Na cabeceira da mesa, o Irmão Henri Vergès, o primeiro 
dentre os 19 mártires, assassinado em 08.05.1994. 
De pé, as Irmãs Agostinianas Missionárias, 
Esther e Caridad, assassinadas em 23.10.1994.


Artigo de Ir. Giovanni Maria Bigotto

   Irmã Esther Paniagua Alonso

Ela nasce em Izagre (León, Espanha), em 7 de junho de 1949, filha de Dolores Alonso e de Nicasio Paniagua. Inquieta e à procura, ela descobre o chamado à vida religiosa. Aos 18 anos, entra no Noviciado da Congregação das Irmãs Agostinianas Missionárias.

Em agosto de 1970, faz os seus votos perpétuos.

Estuda como enfermeira e depois é enviada para a Argélia. O contato com o mundo árabe a seduz e afina sua sensibilidade para a cultura e a religião árabe e sobretudo para com as pessoas às quais ela se deu sem reservas.

Trabalha nos hospitais, onde se dá totalmente aos doentes, sobretudo às crianças deficientes pelas quais ela não tem horário.

Eles chamavam-na «seu anjo».

Perguntam-lhe se ela tem medo da situação do país. Ela responde :
«Ninguém pode tirar-nos a vida, porque já a demos…Nada nos vai acontecer, visto que estamos nas mãos de Deus… e se nos acontecer alguma coisa, estamos ainda nas suas mãos.»

No encontro de discernimento para ficar ou partir, ela dizia às suas irmãs :
« Neste momento, para mim, o modelo perfeito é Jesus : Ele sofreu, teve que vencer dificuldades e chegou ao aniquilamento da cruz, donde jorrou a fonte da vida.»

Seu livro preferido era a Bíblia, que esclarecia sua vida cheia de luzes e de sombras. Ela lia também o Corão, para melhor conhecer a fé das pessoas e gostava de ler os místicos e os suffis do mundo muçulmano.



Irmã Caridad Álvarez Martín

Nasce em Santa Cruz de la Salceda (Burgos), Espanha, em 9 de maio 1933, no lar de Sotera Martín e Constantino Álvarez.

Em 1955, entra na Congregação das Irmãs Agostinianas Missionárias.

Enviada para a Argélia e entregue totalmente à sua missão, aí faz os votos perpétuos, em 3 de maio de 1960. A sua saúde delicada a faz voltar à Espanha. Uma vez restabelecida, ela volta à Argélia e lá fica mais de 30 anos. Ocupa-se sobretudo das pessoas idosas e dos pobres.

Ela vive a crise de violência que rebenta nos anos de 1990. Seduzida por sua missão, ela não duvida um instante para ficar ao lado das pessoas que a tinham acolhido e que ela amava profundamente :
« Eu estou aberta ao que Deus e meus superiores quiserem de mim. Maria manteve-se aberta à vontadede Deus; provavelmente que isso lhe custou. Nos momentos atuais, eu quero ficar nesta atitude diante de Deus.»

Ela amava muito a Virgem Maria, todos os dias ela recitava o rosário. Este amor à Virgem Maria identificava-a como pessoa consagrada.



Mártires do nosso século


Madre Clara Cantó, Madre Querubina Samarra
e  Madre Mônica Mujal

As Agostinianas Missionárias

Nós somos uma pequena família universal de 500 Irmãs, espalhada pelos quatro continentes e presente em 16 países.

O nosso carisma na Igreja é a busca de Deus, a vida fraterna, o serviço dos jovens, sobretudo dos mais desfavorecidos pela educação da inteligência e do coração.

Partilhamos o nosso carisma com os leigos que querem viver de nossa espiritualidade e de nossa missão.

Espiritualidade

Vivemos a espiritualidade de Santo Agostinho : a busca de Deus, a vida em fraternidade e o serviço da Igreja. Esta espiritualidade compreende :

. A dimensão contemplativa que nos faz experimentar Deus como o Mestre interior e no-lo faz descobrir agindo na história do homem e do mundo.
. A disponibilidade para irmos aonde nos chamam às necessidades apostólicas.
. O amor para com a Igreja e a centralidade de Jesus na vida.
. O amor para com a Virgem Maria, invocada sob os títulos de Mãe do Bom Conselho e de Nossa Senhora da Consolação


Fundadoras

Nossa Congregação foi fundada em 6 de maio de 1890, por três Irmãs Agostinianas contemplativas : Irmãs Querubina Samarra, Mónica Mujal e Clara Cantó.

O motivo urgente da fundação foi uma epidemia de cólera nas Filipinas, que deixou muitas meninas órfãs. Nós nos ocupamos, sobretudo, das necessidades da infância abandonada.

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Site das Irmãs Agostinianas :


Sobre as fundadoras :

Entrevista, com a então Superiora Geral, Irmã Ângela Cecília Traldi :

Livro recomendado :

Testemunhas da Esperança - Mensageiras do Amor, de Rodríguez Muñoz, Irmã María Jesús e Martín de la Mata, Irmã María Paz, Aparecida - SP, Editora Santuário, 2005.


Fonte  :
* Bigotto, Irmão Giovanni Maria, postulador marista das causas dos santos, livreto ‘O Sangue do Amor, Os Mártires da Argélia 1994-1996’, 2006.



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