sábado, 10 de maio de 2014

Mártires da Argélia sob o olhar sagrado (Capítulo 2 de 8)

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

* Artigo de Ir. Giovanni Maria Bigotto


   Irmão Henri Vergès

 Um homem que sempre tendeu para mais limpidez e simplicidade. Nascido em 15 de julho de 1930, no departamento dos Períneos Orientais, França. Aos 12 anos, começa o seu itinerário para a vida marista. Aos 22 anos, pronuncia os votos perpétuos como Pequeno Irmão de Maria. De 1958 a 1966, é vice-mestre dos noviços em Corrèze (Notre-Dame de Lacabane). No dia 6 de agosto de 1969, chega à Argélia. Sua vida apostólica neste país conhece três etapas :
. de 1969 a 1976, é diretor da escola S. Bonaventure, em Argel;
. de 1976 a 1988, é professor de matemática em Sour-El-Ghozlane;
. a partir de 1988, trabalha em Argel, responsável pela biblioteca da diocese, que é freqüentada por mais de mil jovens do bairro popular da Casbah.

É assassinado junto à sua mesa de trabalho, com a Irmã Paul-Hélène, em 8 de maio de 1994, no início da tarde.

Por ocasião dos funerais, em 12 de maio, festa da Ascensão, o Cardeal Duval declara :
«O caro Irmão Henri foi uma testemunha autêntica do amor de Cristo, do desinteresse absoluto da Igreja e da fidelidade ao povo argelino».

Henri resumia assim a sua experiência vivida na casa do Islã :
«… É o meu engajamento marista que me permitiu, apesar dos meus limites, inserir-me harmoniosamente em meio muçulmano, e a minha vida neste meio, por sua vez, realizou-me mais profundamente como cristão marista. Deus seja louvado».

Em 1986, escrevia :
«Deixar a Paz de Cristo invadir-me sempre mais no mais íntimo do meu ser. Paciência, doçura para comigo-mesmo, paciência, doçura para com todos, em particular os jovens que o Senhor me confia.Virgem Maria, faça de mim um instrumento de paz para o mundo.»

«Paciência, perseverança calma e tranqüila. Como o semeador que confia seu grão à terra e deixa tempo para Deus fazer seu trabalho. Atitude essencial para um educador : tanto mais que eu não conheço o ritmo de desenvolvimento de cada um destes jovens. Deus enviou-me simplesmente a semear o grão em tal campo escolhido por Ele : semear portanto em paz e deixar-Lhe o cuidado do crescimento. Sem se admirar da presença da cruz, como na vida do próprio Jesus.»’


São Marcelino Champagnat

       Os Irmãos Maristas

            Uma Família sem fronteiras

No Coração do Mundo, no Coração da Igreja, 4500 Irmãos, de todos os continentes, presentes em 76 países.

Trabalham como educadores cristãos junto às crianças e aos jovens para fazer deles gente, discípulos de Cristo.

Uma família religiosa que abre sua espiritualidade, seu carisma e sua missão a todos os cristãos que queiram viver e colaborar com os Irmãos.


Guiados pelos princípios pedagógicos 
de Marcelino Champagnat

Para bem educar é preciso amar!

Para bem educar é necessário formar a pessoa inteira: o cidadão e o cristão!

Para bem educar é necessário viver com os jovens!

Para bem educar é necessário oferecer a ternura paternal e maternal de Deus.

Para bem educar é necessário deixar-se inspirar por Maria, Mãe e Educadora do Cristo.

Para bem educar é necessário conservar o coração aberto às crianças e aos jovens em dificuldade.


Guiados pela espiritualidade 
de Marcelino Champagnat

Vamos aos jovens porque nós próprios somos amados por Jesus.

Vamos aos jovens com o olhar voltado para Maria, a Boa Mãe :
«Nossa ação apostólica é participação em sua maternidade espiritual». (Const. 84.)

Nosso lema é :
«Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus».

Com a ambição de Marcelino :
«Todas as dioceses do mundo entram em nossos planos».


São Marcelino Champagnat (1789-1840)

Fundador dos Irmãos Maristas e verdadeiro Pai para eles.

Coração sem fronteiras; homem de fé e ação; educador nato e formador de educadores; homem de relação e de comunhão, homem de Deus e apóstolo de Maria; homem humilde, simples, discreto, alegre.

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Site dos Irmãos Maristas : http://www.champagnat.org/

Biografia de Henri Vergès :

Homenagem ao Irmão Henri Vergès e à Irmã Paul-Hélène Saint-Raymond :



Irmã Paul-Hélène Saint-Raymond

Nasce em Paris no dia 24 de janeiro de 1927. Então, quando ela torna-se engenheira, em 1952, entra nas Pequenas Irmãs da Assunção, onde pronuncia seus votos perpétuos, em 1960.

De 1954 a 1957, exerce a profissão de trabalhadora familiar junto a famílias de trabalhadores em Creil, depois faz seus estudos de enfermeira, profissão que a leva para os bairros trabalhadores de Paris. Durante estes anos, o seu sentido missionário e a sua disponibilidade se aprofundam e ela escreve, na véspera dos seus votos perpétuos :

“Penso que eu seria também missionária, tanto ao serviço de Deus e da Igreja, aqui e alhures, num cantinho de Paris ou na América do Sul… mas tenho o desejo profundo duma disponibilidade total… onde Deus quiser”.

Em 1963, ela é enviada a Argel.

Aí permanece até 1974, depois passa um ano em Tunis, 9 anos em Casablanca, para voltar a Argel, em 1984. Durante a sua primeira estadia em Argel, ela é a cavilha trabalhadora do Centro médico-social das Pequenas Irmãs da Assunção, que oferece à população pobre do bairro das Fontes um serviço a domicílio : cuidados aos enfermos, trabalho familiar e um dispensário privado.

Em Casablanca, ela é responsável de um serviço de prematuros. É também particularmente atenta àqueles que, por razões políticas, vivem na clandestinidade.

Voltando à Argélia, em 1984, ela vive em comunidade, em Ksar-el-Boukhari, onde é enfermeira escolar. É em 1988, que se insere na comunidade de Belcourt, em Argel e trabalha na biblioteca da Casbah com o Irmão Henri Vergès.

É lá que será assassinada, juntamente com o Irmão Henri Vergès, no dia 8 de maio de 1994.

No último período vivido na Argélia, Paul-Hélène é tida como muito interpelada pela violência e ela acrescenta :
“É preciso ensinar uma pessoa a lutar contra a sua própria violência”.

E quando o Padre Teissier põe de sobreaviso a comunidade, quanto aos riscos, ela responde :
“Pai, de qualquer maneira as nossas vidas já foram dadas”.

Uma irmã testemunha :
“Sua vida estava dada, entregue a todos aqueles pequenos e aos pobres que ela tão apaixonadamente amara, acolhera, e de quem ela dizia receber muito. Sua maneira de anunciar Jesus Cristo, na sociedade muçulmana, é para ela o respeito pela crença do outro, o aprofundamento pessoal da sua fé cristã, a exigência de vida conforme o Evangelho…”.


Irmã Antoinette Fage
Padre Etienne Pernet


As Irmãzinhas da Assunção

Procurar a Glória de Deus pela salvação 
dos pobres e dos pequenos

“Em Jesus Cristo, vida e missão só fazem uma.”

Nossa missão nos conduz para os meios populares, para os excluídos, os sem-voz, os ‘deslocados’, atentas às causas da desintegração familiar, muito particularmente junto aos jovens e às mulheres em dificuldade. Nossas atividades tomam a cor dos países onde a Congregação está implantada ; em toda parte é um trabalho humilde, uma presença e uma ação. “Que os vossos atos falem de Jesus Cristo”, dizia o nosso fundador. É assim que nos gestos da vida cotidiana, nós queremos manifestar com outros o amor do Pai.

Favorecemos lugares de palavra, toda espécie de encontros em nossos bairros ou no trabalho, procurando pôr elo entre as pessoas e suscitar comunidades de fé. É a nossa maneira de ser atoras na sociedade e na Igreja.

Consagradas ao Senhor colocamos em comum tudo o que nós somos e temos. Através disso, entregamos nossa vida a Cristo. Em comunidade fraterna e apostólica, nós nos encontramos em torno da Palavra de Deus e, seguras do seu amor, nós procuramos transmitir a alegria que Ele nos dá. Maria, na sua Assunção, fortifica nossa esperança.

Nossa Congregação foi fundada em 1865, na França, pelo Padre Etienne Pernet, assuncionista, e Antoinette Fage. Este dizia-nos : “Vós ireis por toda parte, porque em toda parte há doentes, pobres e almas para salvar…A França é vosso berço, mas o universo inteiro vos está aberto.

Nós somos atualmente 994 irmãs, presentes em 24 países dos 5 continentes.

“Há uma felicidade muito grande em viver a vida de Jesus Cristo e em tornar-se outros Jesus Cristos” (E.Pernet)

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Site das Irmãzinhas da Assunção : http://www.assomption.org/fr/


Fonte  :
* Bigotto, Irmão Giovanni Maria, postulador marista das causas dos santos, livreto ‘O Sangue do Amor, Os Mártires da Argélia 1994-1996’, 2006.


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