quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Por que monges e freiras usam cores diferentes – Parte 1

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Philip Kosloski,
escritor e designer gráfico


‘Filmes e programas de TV difundiram o estereótipo de que as freiras sempre usam hábitos pretos e os monges católicos sempre se vestem de marrom. No entanto, basta frequentar qualquer grande evento eclesial para constatar que a realidade é muito mais cheia de cores e tons.

Como a variedade e quantidade de congregações religiosas é, graças a Deus, quase ‘inelencável’, ofereceremos aqui um ‘guia básico’ sobre os hábitos de quatro das principais e mais conhecidas ordens religiosas da história da Igreja – e a maioria das comunidades religiosas que usam hábito estará conectada, ao menos perifericamente, a uma dessas ordens : beneditinos, carmelitas, franciscanos e dominicanos.

Neste artigo, veremos as duas primeiras ordens.


Beneditinos

Irmã Andrea Staderman, OSB / Abadessa Maria-Michael Newe, OSB


Fundada no século VI por São Bento de Núrsia, a ordem beneditina adota hábitos negros compostos por uma túnica, uma capa escapular que vai até os pés e um cinto de couro. A cor preta simboliza a penitência e o morrer para o mundo, além de ser, em termos práticos, a cor de tecido mais barata disponível no século VI. Os monges usam capuzes e as freiras véus : aliás, é neste aspecto que as comunidades religiosas da ordem costumam se diferenciar umas das outras.

Um elemento distintivo do hábito beneditino é a ausência do rosário pendente, principalmente porque os beneditinos tradicionais, com seu célebre lema ‘Ora et Labora’ (‘Ora e Trabalha’), cultivavam o campo e faziam eles próprios as construções nos seus mosteiros, o que tornava impraticável usar o rosário pendente no dia-a-dia. Os beneditinos que já professaram os votos religiosos permanentes usam capuz preto sobre o hábito durante a oração litúrgica e em ocasiões comunitárias importantes.

Além de São Bento, incluem-se entre os santos beneditinos mais famosos Santa Hildegarda de Bingen, Santa Escolástica, o Papa São Gregório Magno, Santa Gertrude e São Beda, o Venerável. Entre os leigos beneditinos incluem-se São Francisco de Roma, o rei Santo Henrique II, a serva de Deus Dorothy Day e os escritores Rumer Godden, Flannery O ‘Connor e Walker Percy.


Carmelitas


Fundada formalmente no século XII, a ordem monástica dos carmelitas vem de raízes que remontam a um grupo de eremitas que viviam no Monte Carmelo, na Terra Santa. Seu hábito é de cor marrom e também apresenta o manto escapular, ou escapulário, uma espécie de ‘dupla capa’, longa e retangular, que pende pela frente e por trás e que servia para proteger o hábito durante os trabalhos pesados, mais ou menos como um avental. Esta peça é a origem do escapulário que conhecemos hoje como um dos mais importantes sacramentais oferecidos aos católicos, a partir de uma aparição da Santíssima Virgem Maria a São Simão Stock. A cor marrom evoca a cruz e a terra, lembrando aos carmelitas a sua própria cruz e a humildade que devem cultivar – já que a palavra ‘humildade’ vem de ‘húmus’, terra, e nos recorda que ‘somos pó e ao pó retornaremos’.

Além do escapulário marrom escuro, a veste carmelita se identifica também por uma capa de cor mais clara, em tom amarelado, que é sobreposta ao hábito durante a liturgia. O carmelita usa ainda um cinto de couro e um grande rosário pendente. Os carmelitas também usam o crucifixo da sua profissão religiosa preso ao escapulário.

O ramo da ordem que se tornou conhecido como ‘carmelitas descalços’ segue o carisma inspirado a Santa Teresa de Ávila (ou Santa Teresa de Jesus), uma grande reformadora da ordem. Existem também, mundo afora, comunidades carmelitas de vida apostólica.

Entre os mais conhecidos santos carmelitas incluem-se o grande místico São João da Cruz, Santa Teresinha de Lisieux, Santa Isabel da Trindade e Santa Edith Stein, filósofa judia que se converteu ao catolicismo, entrou no carmelo, adotou o nome religioso de Teresa da Cruz e foi morta pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Já entre os leigos carmelitas listam-se personalidades históricas como Éamon de Valera, presidente da Irlanda, e os reis espanhóis Fernando e Isabel, conhecidos como ‘os Reis Católicos’.’


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