segunda-feira, 25 de julho de 2016

Religião e violência : a face terrível da fé

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Mesmo que o específico do cristianismo seja o amor, ele ainda transparece seu rosto da violência.

*Artigo de Felipe Magalhães Francisco,
Mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia.
Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações,
da Arquidiocese de Belo Horizonte.


Como tudo o que é edificado na história, as religiões podem se desvirtuar.


Religare. O princípio de toda religião é reestabelecer a relação entre os seres humanos e seu/s deus/s. Reestabelecer porque todo ser humano carrega, em si, a abertura radical ao outro. Esse outro tanto como a um igual a si, mesmo na diferença, e a deus. A religião é, então, a institucionalização da mediação entre o ser humano e deus. Ela faz a mediação entre o que é profano e o que é sagrado, tendo em vistas que essas são duas realidades heterogêneas, ainda que nada impeça que, em meio ao profano, haja irrupções do sagrado.

Como tudo o que é edificado na história, as religiões podem se desvirtuar. A respeito disso, propomos o artigo Violência em nome de Deus : a negação da negação, do padre Rodrigo Ferreira da Costa, Sacramentino de Nossa Senhora, que nos ajuda a refletir sobre a realidade da violência religiosa, oferecendo-nos uma verdadeira genealogia dessa violência, bem como a importância do resgate da cultura da paz, que tem em Jesus uma figura importante.

Partindo da abertura radical à transcendência de todo ser humano, o artigo Guarda tua espada na bainha, da mestra em teologia Tânia da Silva Mayer, aponta para o específico da religião cristã, que tem por novidade a ideia de um Deus que se revela. Em Jesus, essa revelação ganha sua máxima expressão e é condição de possibilidade de nossa relação com o Deus revelado, de modo pleno. Da vida mesma de Jesus, o pleno revelador de Deus, vem-nos o imperativo do amor, que se desdobra na justiça e na paz do Reino.

Mesmo que o específico do cristianismo seja o amor a todos quantos estão no mundo, como verdadeira prática oriunda da assimilação profunda da mensagem de Jesus, a religião cristã ainda dá sinais de ambiguidade, e transparece seu rosto terrível, o da violência. Uma das formas de violência, que tem ganhado cada vez mais expressão em nossa sociedade, é a da intolerância. Refletindo nesse trágico horizonte, propomos o artigo A intolerância como violência, no qual relacionamos o crescimento do conservadorismo com a ampla manifestação da intolerância, tão própria de nosso tempo.

Este é apenas o começo da conversa. Há muito o que se dizer a respeito dessa face terrível das religiões, para que, refletindo e tomando consciência, rompamos com essa ambiguidade que mata, que tira do outro a dignidade e a liberdade, e que desvirtua o específico das religiões. Que nossa conversa prossiga!’


Fonte :
* Artigo na íntegra


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