quarta-feira, 10 de junho de 2015

Primeira Mesquita dedicada a Virgem Maria inaugurada na Síria

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  

‘Justamente em um dos países onde a liberdade religiosa está mais seriamente ameaçada, foi construído o primeiro lugar de culto do mundo islâmico dedicado a Virgem Maria. Trata-se da nova Mesquita Al-Sayyida Maryam, localizada na cidade costeira de Tartous, segundo porto da Síria, inaugurada no último sábado (6 de junho).

Al-Sayyida Maryam é um dos diversos nomes árabes da Mãe de Jesus, como recordou na cerimônia de inauguração o Ministro para os Bens religiosos e Culturais, Mohammad Abdel-Sattar al-Sayyed. Esta iniciativa – disse ele - é ‘um sinal da abertura daquele Islã afastado dos desvios e extremismos’. O Delegado do Patriarcado Maronita de Tartous e Lattakia, Antoine Dib, também presente na cerimônia, declarou-se ‘orgulhoso pela iniciativa’, desejando que o gesto possa representar uma esperança de paz para cada lugar do país.

A dedicação de uma mesquita a Nossa Senhora poderia parecer um anacronismo, mas não é. No Alcorão, de fato, existe uma autêntica veneração a Virgem Maria. Um dos maiores estudiosos católicos contemporâneos sobre este tema, o franciscano florentino Giulio Basetti-Sani (1912-2001), discípulo do orientalista Louis Massignon, dedicou a sua vida à difusão do conhecimento sobre a religião islâmica, sentida por ele como uma ‘fé irmã’. Um de seus conhecidos livros intitula-se ‘Maria e Jesus filho de Maria no Alcorão’. Após séculos de incompreensões e preconceitos, o religioso desenvolveu sua obra na esteira de São Francisco de Assis e de seu programa missionário voltado ao encontro com os muçulmanos.

A teologia muçulmana não concebe Deus como pessoa. Assim nos seus 99 nomes, falta a palavra ‘Pai’. Portanto, impensável também um ‘Filho de Deus’. A Virgem Maria, no entanto, é apresentada como ‘escolhida por Deus’ e ‘eleita entre todas as mulheres da Criação’ (Sura 3,42). Jesus não é filho de Deus, mas ‘filho de Maria’ (‘Isa ibn Maryam’), lê-se nos versículos 34-36 da Sura 19, onde é narrado o acontecimento de uma virgem que, afastando-se da família, tem um filho (‘Masîh’, o ‘Ungido’, um dos nomes tradicionais de Jesus), ‘dom’ de Alá que ‘cria aquilo que quer’.

A este respeito, recorda-se que já há alguns anos no Líbano, o 25 de março (Festa da Anunciação para a Igreja Católica) foi proclamado, após longas tratativas conduzidas pelo Comitê islâmico-cristão, Festa Nacional.

O fundador do Instituto da Caridade, o beato Antonio Rosmini-Serbati (1797-1855), um dos maiores filósofos italianos do século XIX, foi autor da obra ‘As cinco chagas da Santa Igreja’ (1832). Neste período pré-Concílio, quando os seguidores de Maomé eram colocados pela Igreja entre os ‘infiéis’, seguidores de uma ‘falsa religião’, Rosmini, apoiado pelo Cardeal Castruccio Castracane dos Antelminelli, publicou o texto ‘Sobre testemunhos dados pelo Alcorão a Virgem Maria’, desconsiderado na época, mas que no decorrer do tempo e ainda hoje desempenha um papel no diálogo inter-religioso a partir do reconhecimento comum da maternidade de Maria (sancionada pelo Concílio de Éfeso, em 431).’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/primeira-mesquita-dedicada-a-virgem-maria-inaugura

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