terça-feira, 23 de junho de 2015

Um mundo com mais sede

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Francisco Ferreira, Quercus


A ONU estima que perto de 800 milhões de pessoas ainda carecem de água potável.

‘À medida que a economia mundial cresce, o mundo vai ficando com muito mais sede. Num relatório das Nações Unidas publicado por ocasião do Dia Mundial da Água, 22 de Março, perspectiva-se que em 2030, se não forem tomadas medidas desde já para reduzir a sua utilização, o mundo terá 40 % menos água doce. De acordo com o relatório, o ‘forte aumento dos rendimentos e melhoria dos padrões de vida de uma classe média em crescimento levaram a fortes aumentos no uso da água, que podem ser insustentáveis, especialmente onde o seu fornecimento é vulnerável ou escasso’.

Os fatores que impulsionam a procura de água incluem o aumento do consumo de carne, casas maiores, mais automóveis e caminhões, mais eletrodomésticos consumidores de energia, isto é, tudo aquilo em que se baseia a nossa atual sociedade de consumo.

O crescimento da população e o aumento da urbanização também contribuem para o problema. A procura de água tende a crescer o dobro em relação à taxa de crescimento da população, pelo que, com o aumento da população mundial para 9,1 mil milhões de pessoas até 2050, gerir os recursos hídricos será particularmente crítico.

Mais pessoas a viverem em cidades tenderão a colocar pressão sobre o abastecimento de água, estimando-se que 6,3 mil milhões de pessoas, ou seja, cerca de 69 % da população mundial, viverá em áreas urbanas até 2050, contra os atuais 50 %.

A agricultura, que utiliza cerca de 70 % das reservas de água doce do mundo, é o sector mais dramático, dado que é também aquele em que se verifica um uso menos eficiente deste precioso recurso.

A ONU estima que perto de 800 milhões de pessoas ainda carecem de água potável, cinco anos depois de se atingir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de redução para metade da proporção de pessoas sem acesso a água. A meta estipulada foi conquistada e superada em 2010, quando 89 por cento da população mundial conseguiu ter acesso a fontes de água, designadamente água canalizada, furos equipados com bombas e poços devidamente protegidos.

O 7.º Fórum Mundial da Água que recentemente teve lugar em Seul, na Coreia do Sul, deu destaque à necessidade de nas próximas décadas sermos capazes de construir um futuro seguro, garantindo o acesso à água e saneamento como instrumentos para melhorar o desenvolvimento, ultrapassando também as dificuldades que o transporte de água implica para muitas mulheres e crianças, dando-lhes acesso à educação e facilitando a prevenção de doenças.

Num mundo que enfrenta as alterações climáticas, a segurança da água para fornecer alimentos e energia, para gerar um crescimento verde e sustentável e assegurar o funcionamento dos ecossistemas, é uma necessidade vital. Em setembro deste ano, a atenção estará focada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a serem adotados pelas Nações Unidas em Nova Iorque, onde o 6.º objectivo é assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos. Um desafio, que se espera seja também uma oportunidade e onde o nosso contributo é também essencial.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EuFFkFAlVlRzMfVjPY
  

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