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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

A vida não pode ser quebrada!

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Luiz Antônio de Araújo Guimarães  

 

‘O quinto mandamento da Lei de Deus é uma máxima em favor da vida : ‘Não matar!’. No entanto, preservar a vida do outro não se resume a não matá-lo com armas, mas também a respeitá-lo em sua integridade como ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.

A vida deve ser compreendida em sua amplitude. É como observar um quadro formado por peças de um quebra-cabeça : cada peça, quando colocada em seu devido lugar e unida às demais, revela a beleza do todo. Se uma dessas peças for retirada, seja grande ou pequena, compromete a imagem completa. Esse exemplo nos ajuda a entender que todo ser humano tem seu valor, sua beleza real – a de ser filho de Deus –, e isso precisa ser preservado.

Essa é a visão que todos deveriam ter uns dos outros, a fim de não destruir a vida de quem quer que seja. E, aqui, ‘destruir’ é como ‘quebrar’, ou seja, retirar uma peça do belo quadro da vida, deixando uma lacuna, ferindo o conjunto. Não se mata ou destrói alguém apenas com armas de fogo ou armas brancas, mas também com fofocas, atitudes de má-fé, escândalos, enfim, comportamentos que ferem a dignidade do outro enquanto pessoa.

Por esse motivo, a Igreja, de modo profético, fala em defesa da integridade física e espiritual. O YouCat (Catecismo Jovem da Igreja Católica), no parágrafo 386, ensina : ‘O mandamento ‘Não matarás’ presente em Êxodo 20, refere-se tanto à integridade física quanto à espiritual. Qualquer utilização da violência é um grave pecado’.

O Catecismo da Igreja Católica também deixa claro que o escândalo é um pecado grave contra a integridade : ‘O escândalo é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo; atenta contra a virtude e a retidão, podendo arrastar o irmão para a morte espiritual. O escândalo constitui uma falta grave se, por ação ou omissão, levar deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave’ (2284).

O escândalo atinge tanto a vítima quanto o causador. Quem faz o mal, receberá o mal de volta. Fazer mal ao outro é, de certa forma, fazer mal a si. Ninguém fica imune! Entretanto, se sua vida é voltada para abençoar, incentivar e elevar os outros, o retorno será sempre favorável. Mãos que fazem o bem não têm a mesma disposição para praticar o mal.

Sendo assim, não antecipe a morte física de ninguém, nem contribua para sua morte espiritual. Para refletir sobre isso, responda no íntimo do seu coração :

  • Minhas atitudes são boas ou más?
  • Tenho sido causa de elevação ou de rebaixamento das pessoas?
  • O que alimento nos meus ouvidos e deixo sair da minha boca é algo que faz bem ao próximo?

Essa reflexão é mais que necessária, pois nada acontece por acaso. O que sai de você revela o que está em seu coração e em sua mente. Muitas vezes, quem agride foi anteriormente agredido, quem faz o mal foi amaldiçoado pelos outros, por isso, o olhar para dentro de si é essencial. Como já dizia Mestre Eckhart, grande místico frade dominicano : ‘Se gostares de ti próprio, gostarás de todas as pessoas como de ti mesmo. Se gostas menos de alguma pessoa do que de ti mesmo, é porque nunca conseguiste gostar de ti verdadeiramente’.

Esse é o verdadeiro termômetro para não violar as vidas dos outros, ou seja, ame-se e amará; perdoe-se e perdoará; viva a felicidade e será causa de felicidade!

Pare e reflita no mais íntimo do seu ser : a vida é um dom precioso – não só a sua, mas a de todos. Se quer viver bem, mantenha o outro vivo em seu coração e em suas atitudes, assim, não violará a obra do Criador, que fez a todos à sua imagem e semelhança. Quem vive segundo essa dinâmica descobre a verdadeira felicidade : preservando a vida, vive-se a plenitude dela.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/a-vida-nao-pode-ser-quebrada.html

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Reinventar a esperança

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Bernardino Frutuoso,

jornalista


‘Esther Hillesum (1914-1943), escritora neerlandesa, filha de judeus não praticantes, é considerada uma das místicas mais destacadas do nosso tempo. Ela viveu a dor da guerra, foi feita prisioneira e levada para Auschwitz, onde morreu com 29 anos. Num ambiente de ódio e intolerância, no meio do sofrimento que avassalava todos os que tinham sido restringidos a um campo de concentração, ela encontrava no seu interior a força divina para ser testemunha de fé, amor e esperança para aqueles deserdados. No meio daquelas sombras, sem perder a capacidade de olhar além do mal que a rodeava, animava os seus companheiros cativos e convidava-os a «reinventar a esperança».

Vivemos num mundo cheio de tragédias, crises, incertezas, guerras, medos e sofrimentos. A apatia e o desânimo podem também assombrar a nossa vida. Por isso necessitamos reinventar a esperança, pois como refere o filósofo Byung-Chul Han, «apenas a esperança nos permite recuperar a vida» porque «ela estende o horizonte do significativo, que revitaliza a vida e lhe dá asas. A esperança presenteia-nos com o futuro» (O espírito da esperança : contra a sociedade do medo, 2024). 

Para nós, crentes, a esperança é uma virtude teologal que nos incita a não perder de vista o objetivo último da existência. A Páscoa, que celebramos este mês, convoca-nos a renovar a esperança de Cristo Ressuscitado, que põe no nosso coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz surgir a vida. Como referia o Papa Francisco na homilia da Vigília Pascal de 2020, «nesta noite de Páscoa, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado : o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmadinha nas costas, nem um encorajamento de circunstância, com o aflorar de um sorriso. Não. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos».

Para os discípulos missionários de Jesus, a esperança é também visionária e profética, projeta-nos para a futuro, dá-nos motivação para transformar a realidade e torná-la conforme ao projeto de Deus. Como escreve o Papa Francisco na bula de convocação do jubileu, a esperança é a virtude que imprime «a orientação, indicando a direção e a finalidade da existência crente. Por isso, o apóstolo Paulo convida-nos a ser ‘alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração’ (Rm 12, 12). Assim deve ser; precisamos de transbordar de esperança (cf. Rm 15, 13) para testemunhar de modo credível e atraente a fé e o amor que trazemos no coração; para que a fé seja jubilosa, a caridade entusiasta; para que cada um seja capaz de oferecer ao menos um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito, sabendo que, no Espírito de Jesus, isso pode tornar-se uma semente fecunda de esperança para quem o recebe». Ancorados na esperança, sendo capazes de a reinventar no quotidiano da nossa vida, os crentes colaboramos ativamente na construção de um mundo melhor, mais justo, solidário e fraterno.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1338/reinventar-a-esperanca/

quinta-feira, 3 de abril de 2025

O Dom do Temor

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo do Padre José Alem, cmf


‘Os dons do Espírito Santo refletem o amor, o grande e único dom, com cada um representando diferentes aspectos dele, como objeto visto de diversos ângulos. Para viver plenamente esses dons é necessário seguir o caminho de Jesus, acreditando no amor, cumprindo os mandamentos e praticando as bem-aventuranças, assim, desenvolvemos os dons do Espírito e crescemos em sabedoria e graça. Esse processo envolve meditação, oração e uma vivência concreta da presença de Deus em nossas vidas e na Igreja. Falaremos, então, do dom do temor.

Por esse dom ficamos mais vigilantes para não ofender quem confiamos, por isso, quem teme a Deus está atento para não ofendê-lo e procura sempre viver seus mandamentos, pois neles está a expressão da sua vontade. 

O temor se expressa em tudo o que diz respeito a Deus : sua Palavra, que deve ser ouvida com temor, a participação nos sacramentos procurando respeitar o mistério que significam e transmitem, o respeito pelas coisas sagradas, aos ensinamentos da Igreja, às pessoas, em particular aos pastores que nos conduzem, ao mistério da fé nas suas mais expressivas revelações por meio dos sacramentos.

O temor elimina a vulgaridade, a superficialidade, a mediocridade com que, muitas vezes, podemos ter tratando o mistério da fé sem o respeito que merece por meio de palavras, atitudes, comportamentos e tantas maneiras que o mundo sugere por não saber amar de verdade. O amor é também temor’.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-dom-do-temor.html

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

O Dom da Piedade

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Alem, cmf

 

‘Os dons do Espírito Santo refletem o amor, o grande e único dom, com cada um representando diferentes aspectos desse amor, como objeto visto de diversos ângulos. Para viver plenamente esses dons é necessário seguir o caminho de Jesus, acreditando no amor, cumprindo os mandamentos e praticando as bem-aventuranças; assim, desenvolvemos os dons do Espírito e crescemos em sabedoria e graça. Esse processo envolve meditação, oração e uma vivência concreta da presença de Deus em nossas vidas e na Igreja. Falaremos, então, do dom da piedade.

Precisamos dialogar com as pessoas que amamos. Com elas partilhamos nossas vidas e elas participam conosco de nossa história. É assim o dom da piedade: cultivar a relação amorosa com Deus de muitos modos, mas muito especialmente amando a Deus na oração. 

A oração expressa e ao mesmo tempo nutre a piedade, esse encontro amoroso com Deus em que partilhamos com Ele nossas vidas. Agradecemos por seus dons, seu amor, louvamos por sua obra na criação, na redenção da humanidade em seu Filho Jesus; agradecemos sua vida em nós pela ação do Espírito Santo. Pedimos também perdão por tê-lo amado tão pouco e suplicamos sua misericórdia para que possamos sempre mais na graça e no conhecimento de Cristo. 

A piedade nos leva a amar Jesus por si mesmo na Eucaristia, a amá-lo em nosso coração, a amá-lo nos irmãos, a amá-lo na comunidade de fé, a Igreja, ouvindo seus pastores, a amá-lo acolhendo e colocando em prática a sua Palavra como palavra de vida que vai iluminando e orientando nossas vidas com atitudes concretas de amor. 

Piedoso é quem, por amor, vive relacionamento com Deus em todos os modos como Ele se manifesta a nós e sente a alegria de partilhar com Ele sua vida confiando no seu amor que impulsiona a conhecê-lo e a amá-lo mais. O amor é também piedade.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-dom-da-piedade.html


sábado, 16 de novembro de 2024

O Dom da Inteligência

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Alem, cmf

  

‘Os dons do Espírito Santo refletem o amor, o grande e único dom, com cada um representando diferentes aspectos desse amor como um objeto visto de diversos ângulos. Para viver plenamente esses dons é necessário seguir o caminho de Jesus, acreditando no amor, cumprindo os mandamentos e praticando as bem-aventuranças. Assim, desenvolvemos os dons do Espírito e crescemos em sabedoria e graça. Esse processo envolve meditação, oração e uma vivência concreta da presença de Deus em nossas vidas e na Igreja. 

Falaremos agora sobre o dom da inteligência. Esse dom é dado para conhecer a linguagem de Deus, para compreendê-lo e segui-lo. A inteligência faz com que o cristão possa entender o Evangelho assim como é, faz com que se acolha a Palavra de Jesus sem medo da verdade. Por exemplo, quando se lê o mandamento de Jesus ‘Ama o próximo como a ti mesmo’ se entende que aquele ‘como’ quer dizer da mesma maneira que Jesus ama. Nem sempre se entende bem essa frase de Jesus. Muitos colocam limites no amor e fazendo assim não amam de modo algum. 

O dom da inteligência não é mera capacidade intelectual. Trata-se da inteligência que envolve todas as linguagens de compreensão, sobretudo da linguagem de Deus. Mesmo uma pessoa não estudada pode ter essa inteligência e entender a mensagem além das palavras, por isso, é um dom que nasce da fé e do amor. Quem tem fé verdadeira e ama sinceramente tem essa inteligência e pode surpreender a muitos. 

Quantas pessoas na história da Igreja, modelos de santidade, nem eram alfabetizadas e, no entanto, foram doutoras pela inteligência vivida como dom do Espírito Santo. O importante é ser inteligente como Jesus, que compreendia o que os outros não entendiam. O amor é também inteligência.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-dom-da-inteligencia.html

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Dons do Espírito Santo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Alem, cmf

 

‘Quando falamos dos dons do Espírito Santo nos referimos ao amor que é o grande e único dom. Os sete dons mostram as características do amor como Deus ama e quer que nos amemos.

Cada dom é um aspecto da mesma realidade. Assim como um simples objeto pode ser visto sob ângulos diferentes, sendo sempre o mesmo objeto, podemos ter uma visão diversa. Pegue um livro, por exemplo. Você pode olhá-lo de frente, de lado, aberto, fechado, de cima, de baixo e de tantos outros modos, mas é o mesmo livro, não outro, só que é visto de ângulos diferentes. 

Assim é o amor expresso nos dons do Espírito Santo. Para viver esse amor assim tão rico e pleno de surpreendentes dons é preciso percorrer o caminho de Jesus. À medida que acreditamos no amor e vivemos os mandamentos, que encontramos nas bem-aventuranças o ideal de um modo de viver o amor na sua mais pura expressão, vamos desenvolvendo em nós os dons do Espírito Santo e vamos cada vez mais ‘crescendo em idade, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens’ (Lc 2,52).

Esse é o caminho a percorrer. Que cada dom do Espírito Santo seja uma profunda experiência da sua presença em nós e na Igreja. Vamos meditar, analisar nossas vidas, orar e assumir vivê-los concretamente.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/dons-do-espirito-santo.html

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Dons e talentos a serviço dos demais

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Ronaldh Oliveira


‘Cada ser humano carrega consigo diversos dons e talentos. É certo que ao longo da vida uns vão se dando com mais evidência e outros, menos. Os inúmeros ciclos do desenvolvimento do indivíduo vão aperfeiçoando esses aspectos que podem nascer com cada um ou podem ser aprendidos durante a existência. 

As Sagradas Escrituras já apontam na famosa parábola dos talentos (cf. Mt 25,14-31) que eles devem ser encarados com responsabilidade, caridade e criatividade, investindo bem a vida e os dons que são concedidos. Uma vez que são dados por Deus, não devem parar nos sujeitos; pelo contrário, devem chegar aos demais, oportunizando que os outros sejam mais dignos. 

Um lugar propício para a boa vivência e partilha dos dons e talentos é a comunidade eclesial, que contribui com o crescimento em estatura, sabedoria e graça daqueles que se deixam acompanhar. As pastorais e movimentos são espaços fecundos de desenvolvimento da aptidão dos talentos recebidos e percebidos porque são traduzidos em serviço aos outros. Não se trata de poderio ou de graça especial ter esse ou aquele dom quando se compreende que todos fazem parte de um único corpo cuja cabeça é o próprio Cristo (cf. 1Cor 12,27). 

Quando cada cristão se coloca a serviço da comunidade eclesial, vivencia o seu Batismo na prática e na experiência concreta de ser sacerdote, profeta e rei. As aptidões, quando exercidas na construção diária e anônima da civilização do amor, ganham sua importância para a dimensão da fé e colocam cada ser humano no caminho do Espírito que sopra onde quer. 

Os dons e talentos não devem ser fim, mas meios para a construção da plenitude pessoal e coletiva que elevam cada um ao estado daquele que serve e que, portanto, torna-se o maior no Reino de Deus (cf Mt 18,1-5.10.12-24). Todos podem servir na comunidade: há aqueles que sabem tocar, proclamar, sorrir, organizar e tantos outros verbos que elencam ações que tornam o cristão, de fato, seguidor do Cristo, servidor de todos. 

O amor que é afetivo e efetivo faz com que cada um se comprometa com o outro a partir do que tem a oferecer. Colocar os dons a serviço na Igreja e na sociedade oportuniza a cada cristão permanecer no exercício de uma fidelidade ativa e criativa diante de Deus. 

Em tempos em que, ao que parece, o cristianismo de muitos chegou a um ponto em que o primordial é ‘conservar’ e não tanto procurar com coragem a partir dos dons e talentos que se tem novos itinerários para acolher, viver e anunciar o projeto de Jesus, que é o Reino Deus, olhar para a parábola dos talentos deve ser novamente evidenciado. 

Se o cristão não se sente chamado a seguir as exigências de Cristo além do que sempre é ensinado e ordenado, se não se arrisca em nada para fazer uma Igreja mais fiel a Jesus, se o cristão se mantém indiferente a qualquer conversão que pode colocar em xeque sua condição de vida, se não assumir a responsabilidade da civilização do amor, como fez Jesus, procurando ‘vinho novo em odres novos’ (cf. Mt 9,14-17), é que não entendeu com clareza a oração proposta por Santo Inácio de Loyola : ‘Todos os dons que me destes com gratidão vos devolvo. Disponde deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Dai-me somente o vosso amor, vossa graça, isso me basta, nada mais quero pedir’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/dons-e-talentos-a-servico-dos-demais.html


terça-feira, 27 de junho de 2023

As cordas do coração: uma história musical

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Ana Lydia Sawaya


‘A música tem a capacidade de transformar-nos, de mover-nos, co-mover-nos, carregar-nos junto consigo, e nos fazer mudar de posição, de pensamento e de sentimento. Um pesquisador que estudou esse fenômeno descreveu-o assim : 

Uma canção tem o inexplicável poder de sintetizar em três ou quatro minutos um momento marcante na vida de alguém. Ao ouvir de surpresa ‘aquela’ música no rádio, emoções como saudade, alegria, tristeza ou nostalgia vêm à mente e podem alterar o humor do dia, até mesmo levar alguém a tomar atitudes ou, em alguns casos, repensar sua existência. Mas muitas vezes essa experiência (não julgada) acaba assim que começa a próxima. No oposto, quando ouvida pela primeira vez, uma composição pode ser tão marcante que se tornará referência para as futuras lembranças e sensações. (G. Junior, Cardinales bonitas, Revista FAPESP 120)

Por que é assim? O nosso coração é feito de cordas e quando estas se sintonizam com uma harmonia certa, todo o nosso ser se comove. O coração humano foi feito para algo, alguém que está fora dele, além dele, e nosso coração estará sempre procurando-o. Dizia Santo Agostinho : ‘o nosso coração foi feito para ti Senhor e está inquieto enquanto não repousa em ti’ (Confissões I, 1,1).Todos os seres humanos são assim, quer tenham uma fé ou não. Há uma canção muito famosa Allelluyah de Leonard Cohen que conta a história do rei Davi e diz que até Deus se comoveu com os acordes que Davi compunha quando tocava sua lira, tornando-se para sempre seu amigo :

There was a secret chord / That David played / And it pleased the Lord. / It goes like this / The fourth, the fifth / The minor fall / The major lift / The baffled King / Composing hallelluyah

Havia um acorde secreto /Que David tocou / E que agradou ao Senhor. / É assim / A quarta, a quinta / A nota menor cai / A nota maior sobe / O rei perplexo e maravilhado / Compondo hallelluyah

É preciso saber reconhecer com inteligência e atenção, com cuidado de si, esses momentos maravilhosos. Neles reside não só uma profunda experiência de felicidade, mas a descoberta da direção certa na vida, condizente com o nosso ‘eu’. 

O mundo de hoje nos confunde e nos subtrai esses momentos de verdade, nos entregando espaços e tempos ilusórios, que podem nos excitar, mas não nos maravilhar. É preciso saber reconhecer a diferença imensa que existe entre o ser excitado por algo e o ficar maravilhado. A primeira é uma experiência alienante, enquanto a segunda é conforme o nosso coração. Essa experiência é como uma oração : nos coloca em contato com o infinito, com o fora do tempo, com a verdade do tempo. E com o desejo verdadeiro que mora no nosso coração.

Há uma história impressionante que aconteceu com uma das maiores pianistas russas do século XX, Marija Judina. Sua história é muito tocante, viveu sua vida vendo seus amigos artistas e escritores sendo presos e mortos pelo regime. Mas ninguém teve a coragem de tocar nela até o fim da sua vida…

Conta-se que uma das suas execuções mais famosas era o Concerto n. 23K 488 de Mozart do qual ela tocava o segundo movimento interpretando-o como uma oração, um réquiem para as vítimas dos campos de concentração de Stalin. Um dia Stalin escuta no radio uma apresentação dela tocando esse concerto, e fica tão impressionando que pede que se compre imediatamente o disco. Mas o disco não existia porque o concerto tinha sido transmitido ao vivo (porque ela era proibida pelo regime de gravar). Assim, sem ter coragem de explicar que a pianista não condizia com a ortodoxia política do ditador e não era agraciada com muita publicidade e sucesso, os comissários da rádio convocam com urgência Marija e a orquestra, o concerto é gravado durante uma noite às pressas e o disco, confeccionado com poucos exemplares e é entregue ao ilustre admirador. Stalin é generoso e manda uma grande soma de dinheiro para a pianista. Ela lhe envia uma carta de resposta dizendo : ‘Agradeço-lhe muito pela sua ajuda, Iosif Vissarionovič. Rezarei dia e noite pelo senhor e pedirei a Deus que perdoe os seus graves pecados contra o povo e a nação. Deus é misericordioso, o perdoará. O dinheiro o entregarei para a restauração da minha paróquia’. Conta-se que o disco com o concerto dela estava no gramofone de Stalin, quando o encontraram morto (cf. G. Parravicini, Marija Judina, più della musica, ed. La casa di Matriona, 2010, Milano, Italia, p. 81). Era exatamente a música que ela tocava para as milhões de pessoas mortas pelas atrocidades dele… 

O que é um coração misericordioso?

Que força divina tem uma oração de intercessão pelas pessoas que realizaram grandes atrocidades na história? 

Marija Judina foi marginalizada pela cultura oficial na União Soviética, mesmo sendo reconhecidamente um prodígio em termos de perfeição musical e técnica. O regime a considerava um perigo e temia a sua fé, declarada e pública. Marija possuía um temperamento indomável e uma total independência no seu modo de ver tudo.

Estas características não eram simplesmente oriundas do seu caráter, mas nasciam de um núcleo interior que ela mesmo reconhecia como ineliminável, irredutível e sempre presente em cada ser humano. Gostava de repetir, ao falar de si mesma, ‘Vivo em um anelo de simpatia mundial’, e ainda, ‘Tenho uma consciência muito clara dos meus pecados e das minhas fraquezas, mas eu me atrevo a pensar’. 

Dizia que a grandeza do ser humano não está nos seus dotes, mas no ‘impulso para ousar’ que nasce com cada pessoa, no seu coração que é sede de infinito, e morre, somente, depois dela. Repetia, citando Dostoevskij, que ‘seria necessário cortar a língua de Cícero, cavar os olhos de Copérnico, lapidar Shakespeare…’ Dava-se conta que ela tinha recebido um grande dom e por isso estava sempre disposta a compartilhá-lo generosamente com todos. Muitas vezes foi à fronte para tocar para os soldados durante a guerra…

Quando seus dedos tocavam o teclado do piano, afirmavam seus ouvintes, era-se transportado para um outro mundo, transfigurado, que purificava a realidade das misérias e miudezas, infundindo nelas sentido e esperança, dando-lhes beleza. O fascínio que Marija causava nos seus ouvintes vinha do fato, diziam, que os seus não eram apenas concertos, mas um testemunho, uma ‘apresentação sacra’, uma ‘catarse purificadora’.

Marija Judina buscou a vida inteira a beleza, jogando-se na realidade com inteireza e apaixonadamente; com interesse e simpatia por tudo e por todos que encontrava. A beleza, como padre Vsevolod Špiller disse em seu funeral, não era para ela uma categoria estética, mas a energia da gloria de Deus que transfigura o mundo… abrindo caminho para o outro mundo, para uma realidade maior, onde habita a graça de Deus. 

Essa sua urgência se traduziu também na busca pela nova música contemporânea e pelos compositores da sua época, como ela mesma explicou uma vez : a novidade nasce cada dia, quando se espera pelo milagre inaudito que vem de Deus, do mundo, de outra pessoa, para nos surpreender.

Marija nasce em 9 setembro de 1899 em Nevel’ próximo à Bielorrússia. Era judia e seu pai um médico reconhecido. A família vivia em um território onde, desde Catarina a Grande, era permitido que os judeus vivessem em paz, até serem expulsos e ter suas casas queimadas (inclusive a dela) pelos nazistas em 1941. 

Descobre cedo sua arte e sua vocação e a necessidade de se entregar sem reservas. É enviada pela família, ainda muito jovem, ao conservatório, e tem uma trajetória brilhante e excepcional. Frequenta grupos onde se discute filosofia, arte, religião, e tem muitos amigos entre intelectuais, artistas e religiosos como Pavel Florenskij, Aleksandr Men, Dmitrij Šostakovič, Boris Pasternak. Muitos dos quais vê serem presos e mortos, uma constância ao longo de toda a sua vida…

Descobre o cristianismo, se converte e torna-se ortodoxa. Escreverá no seu diário : Cada pessoa deve justificar o seu próprio caminho pessoal. A minha fé na excepcionalidade e sublimidade da arte o justifica. No fundo, nós todos – homens – chegaremos no mesmo ponto, à vida do espírito, a um outro plano do ser, mas chegaremos por estradas diversas, uns através da arte, outros através do altruísmo, outros ainda, talvez, através do amor. Cada um a seu modo : as estradas são tantas quantos são os homens. É nesta multiforme variedade, que conduz à unidade absoluta, onde reside toda a beleza e a profundidade da vida humana. E nisto está também a dor (12/11/1916).

Recebe grandes prêmios como pianista, mas vai progressivamente sendo marginalizada pelas suas posições abertamente contra o regime soviético. É impedida de tocar em grandes salas de concerto, assim como de gravar recitais. Tudo o que ganhava distribuía a quem tinha mais necessidade do que ela. Termina sua vida quase sem nada. Quem era afinal Marija Judina? Um mistério para todos os que a conheceram e também para nós. Alguém que tinha o extraordinário fascínio de estar na terra, mas já ser cidadã do céu. Parravicini diz em seu livro que o seu era um coração misericordioso semelhante àquele descrito pelos Padres da Igreja : um coração que queima por toda a criação, e se derrete, e não pode suportar escutar ou ver o mínimo sofrimento em qualquer criatura, e em cada instante oferece orações e chora por elas, por causa da grande misericórdia que a comove, à semelhança de Deus (Isaac o Sírio). Como será que Deus escutou suas orações pela sua grande Rússia e por seu terrível ditador Stalin, um dos mais cruéis da história?… O segredo de um coração misericordioso pertence a Deus.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2023/06/25/as-cordas-do-coracao-uma-historia-musical/

sexta-feira, 31 de julho de 2020

O dom de ser feliz com pouco

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 A pandemia pode ser tempo de aprender a valorizar o que realmente importa

A pandemia pode ser tempo de aprender a valorizar o que realmente importa

*Artigo de Pilar Jericó

  

‘O meio do ano é um bom momento para refletir e construir planos para o semestre que se inicia. Especialmente depois de termos vivido meses tão atípicos como os últimos. A crise econômica nos levará a perder parte do nosso poder aquisitivo, e teremos que aprender a viver com menos. Entretanto, sabemos que qualquer crise também pode ser uma oportunidade se mudarmos nossa maneira de contemplá-la.

Temos a ocasião perfeita para rever prioridades, desempoeirar sonhos que ficaram no papel e, sobretudo, aprender a valorizar o que realmente importa. Muitas vezes nos apegamos a coisas que, no fundo, só ocupam espaço, mas que não nos fazem felizes. Uma crise é um bom momento para nos desfazermos de tudo aquilo que não contribui para nós e para nos centrarmos no realmente importante. Temos uma valiosa pista em O Pequeno Príncipe, a maravilhosa obra de Antoine de Saint-Exupéry : ‘O essencial é invisível aos olhos’. Aproveite este mês para refletir sobre as coisas essenciais em nossa vida, treinar o desapego, que tanto nos custa, e confrontar o próximo semestre com mais força e maior determinação. Estas são algumas ideias práticas.

Comecemos com algo simples : revisar os armários e jogar fora tudo o que não nos sirva. Qualquer mudança começa com um pequeno passo. Neste caso, os armários são quase sempre os típicos espaços onde acumulamos tudo o que já não usamos ou não queremos. Revisar e eliminar as peças que não vestimos mais é um começo que nos oferece serenidade e dá espaço para treinar o que mais nos custa : o desapego. Além disso, se doarmos aquilo de que nos desprendemos, teremos uma dupla satisfação. Não podemos nos abrir a novas oportunidades se carregarmos uma mochila pesada. Se quisermos aprender algo novo, temos que saber dizer não ao que já não nos serve mais.

Outro exercício prático é fazer uma lista dos momentos mais felizes que vivemos e identificar o que tinham em comum. Muito possivelmente não estavam relacionados com o dinheiro, e sim com aspectos intangíveis : a amizade, a família, o contato com a natureza, a possibilidade de viver experiências novas… Quando as pessoas precisam aprender a viver com menos, devem se centrar no imaterial, naquilo que está ao nosso alcance sem que seja preciso comprar : cultivar a amizade, viver experiências em nossa própria cidade, aprender coisas novas ou cuidar dos pais se tivermos tido que voltar para a casa deles.

Muita gente vive presa em gaiolas de ouro. É verdade que no meio de uma crise, tomar decisões profissionais se torna mais vertiginoso que em outras épocas. Entretanto, vale a pena reconhecer qual é a gaiola de ouro onde estamos presos e que nos impede de alcançar a felicidade. Pode ser um trabalho, o sucesso, uma indenização, uma relação sentimental, uma casa… Talvez as gaiolas de ouro sejam as mais difíceis de se desapegar, mas também são as mais libertadoras. Uma vez que nos desfazemos delas, encontraremos o caminho livre. Agora que a crise econômica e sanitária causada pelo coronavírus deixou muitas seguranças de perna para o ar, é uma boa oportunidade para identificar o que nos mantém presos.

Para identificar o essencial de nossas vidas e nos centrar nisso, o autor norte-americano Stephen Covey propõe um exercício prático em seu emblemático Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. Entre as primeiras dinâmicas do livro, sugere escrevermos a carta que gostaríamos que fosse lida em nosso funeral. Soa um tanto lúgubre, mas nos ajuda a tomar uma perspectiva de como queremos ser recordados e a que devemos dedicar nossa atenção. Queremos ser recordados como o mais rico ou como a pessoa que mais ajudou os outros? Talvez, em nossa carta, voltemos a nos centrar no essencial, naquilo que é invisível aos olhos, mas que realmente nos permite ser felizes.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/fato-em-foco/613/2020/07/o-dom-de-ser-feliz-com-pouco/


domingo, 26 de abril de 2020

Pele, carne e ossos


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Somos agressivamente apunhalados, porque moramos sozinhos; e também devido à impaciência de um espaço, casa ou apartamento estreito, na convivência humana em família.
 *Artigo do Padre Geovane Saraiva,
jornalista, colunista e pároco
de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘O isolamento, ou confinamento, como queiram, em nossos aposentos ou casas, pesa e exige enorme renúncia, mas incomparavelmente menor, diante da dolorosa angústia de muitos irmãos e irmãs que passam pelo sofrimento na própria pele, carne e ossos, pela devastação da Covid-19, e também pelas pessoas relacionadas : os seus cuidadores.

Ficar em casa custa muito, sim! Como é indispensável com ponderações, nestes tempos de Coronavírus! Somos todos, agressivamente, atingidos por tal força devastadora, em primeiro lugar, por causa da idade avançada de muitas pessoas que moram sozinhas; e também devido o incômodo de um espaço, seja numa casa ou um apartamento pequeno, sem esquecer a cruz pesada da aglomeração, exigindo-se renúncia e doação, para que a convivência humana em família seja boa saudável.

Distanciados dos próprios interesses, vontades pessoais e individuais, convém lembrar, mais do que nunca, que, na dadivosa vontade divina, o que mais importa nessa circunstância é a vida como dom e graça. Vejamos e sintamos, providencialmente, aos olhos da fé e da esperança, dessa maneira, a mão afável de Deus a se manifestar em nosso favor.

Associados ao mistério da encarnação, na Anunciação do Senhor, quando Jesus entra no mundo querendo uma única coisa : habitar entre os seres humanos e reconciliar todas as coisas consigo mesmo, como na seguinte manifestação : ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’. Depois da mensagem de Deus pelo anjo Gabriel, em meio às perplexidades, temos a resposta de Maria : ‘Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra’ (cf. Lc 1, 38). Assim seja!’


Fonte :
* Artigo na íntegra

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Troca de dons


 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
  
Que nossos passos sejam guiados, tendo, diante dos olhos e do coração, a visão do profeta Isaías
*Artigo do Padre Geovane Saraiva,
jornalista, colunista e pároco
de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘No Advento ficamos diante do imenso dom da salvação, no convite ao povo de Deus, no sentido de agradecermos a Ele, que é boníssimo e altíssimo. Claro que o centro do Advento é a espera do Senhor. Ele vem, considerados os aspectos do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias, tão esperado. Assim falam as profecias, apresentadas na Liturgia da Igreja neste tempo precioso e santo do Advento, desejando despertar no coração dos fiéis uma profunda necessidade da presença de Deus, na direção do dom maior a nos envolver : a salvação.

Revestidos da força do alto, voltemo-nos para Deus, que nos fala através de sua palavra salvífica, a qual quer revelar os caminhos divinos, exortando-nos a uma permanente vigilância. Que na nossa preparação para o Natal do Senhor, ocasião para bem interiorizarmos a encarnação da salvação no mundo, em que estamos inseridos, deixemo-nos guiar pela luz do Salvador, que, segundo Santo Afonso Maria de Ligório, desceu das estrelas.

Caminhamos, na penumbra da fé, ao encontro da procedente ‘troca de dons entre o céu e a terra’, dentro de um ambiente nem sempre favorável, mas compreendido, no aviso divino, para os bons entendedores, como no recado de dom Helder Câmara : ‘Quando houver contraste entre a tua alegria e um céu cinzento, ou entre a tua tristeza e um céu em festa, bendiz o desencontro, que é um aviso divino de que o mundo não começa e nem acaba em ti’.

Que nossos passos sejam guiados, tendo, diante dos olhos e do coração, a visão do profeta Isaías : ‘Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará estabelecido no ponto mais elevado das montanhas e reinará nas colinas’ (Is 2, 2).

Que a vinda do Salvador encontre espaço e acolhida favoráveis no coração de cada irmã e de cada irmão, na certeza de que a história da humanidade caminha rumo à feliz eternidade, na esperança do definitivo, de vermos novas todas as coisas. Assim seja!’


Fonte :

domingo, 2 de junho de 2019

Espírito Santo : Dom Pascal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Ó Jesus, permita-nos recordar o Santo Espírito em tudo por vós anunciado! 
*Artigo do Padre Geovane Saraiva,
jornalista, colunista e pároco
de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘O papa Francisco é criticado, até mesmo insultado, por alguns católicos, por causa do seu encantamento pelo evangelho de Jesus, com seu enorme coração, num esforço de ser coerente e fiel ao projeto do Pai. Vemos, de verdade, a realização da profecia proclamada por Jesus de Nazaré. Essa profecia divide, sendo consequente e escandalosa. A reação se torna evidente, quando pobres, estrangeiros e os últimos da sociedade entram na mesma lógica : a de uma Igreja em saída, inclusiva e com sensível clamor dos empobrecidos, dos migrantes e dos refugiados. Que nossa oração chegue aos céus, unida à oração do santo padre : ‘Rezemos por aqueles que vivem em estado grave de enfermidade. Protejamos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até a morte natural. Não cedamos à cultura do descarte’.

Somos convencidos de que a criatura humana é para ser plenamente livre, a partir do mistério da redenção, tendo a compreensão de que, entre os dons pascais, o maior é o do Espírito Santo. Jesus de Nazaré o anunciou, na força da obediência ao Pai, introduzindo-nos na verdade e no amor, enquanto preparava os discípulos para sua partida. Vemos intimamente ligadas as verdades do anúncio do Senhor Jesus, afirmando com clareza : Era preciso que Jesus morresse, ressuscitasse e subisse ao céu. No vigor da missão, a do seu Espírito a nós cristãos, acolhamos, pois, o interesse salvífico do Pai, a nos dizer : ‘É melhor para vocês que eu vá, pois, se eu não for, o Paráclito não virá’ (Jo 16, 7).

Ó Jesus, permita-nos recordar o Santo Espírito em tudo por vós anunciado! Diante dos nossos olhos precisamos sempre colocar que, por ocasião do seu feliz retorno no final dos tempos, sejamos, evidentemente, reconciliados e pacificados no amor. Da nossa parte, devemos estar apropriados do Espírito da verdade, que é a mais absoluta clareza da paz que nos é dada já neste mundo e eternizada no mundo futuro. A paz de Deus, segundo Santo Agostinho, nos é oferecida, agora, com o claro fim de nela permanecermos, ficando para nós um único objetivo : vencer o mal e o inimigo com todos os seus frutos. Pela paz que vem de Deus como dom e graça, que reine o amor mútuo, com o céu já aqui na terra. Que possamos ser um mundo solidário, de justiça e paz, longe das contrariedades, angústias e frustrações.

Ao se encerrar o mês de maio de 2019, valemo-nos da Santa Mãe de Deus, no que disse nosso querido padroeiro, Santo Afonso Maria de Ligório, a seu respeito : ‘Ó Maria, crestes na palavra do anjo e, permanecendo virgem, seríeis a mãe do Senhor, e assim presenteaste o mundo com a salvação. Desse modo, vossa fé abriu-nos o paraíso’. ‘Ó ditosa e bem-aventurada sois vós, ó Maria, porque crestes que se cumpriria em vós o que da parte do Senhor vos fora dito’ (Lc 1, 45). Assim seja!’


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