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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Como tornar o Tríduo Pascal mais significativo (e menos estressante) para as crianças

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Theresa Civanto Barber


‘Ser uma mãe católica na era do Instagram e do Pinterest pode ser difícil. Você vê todas as mães postando materiais especiais para lembrar as festividades, e você se sente inadequada por causa da sua dificuldade em fazer artesanato com temática litúrgica (ou isso é só comigo?).

Mas é aí que eu me lembro que as gerações anteriores criaram crianças católicas sem sinos e apitos. Meus pais, por exemplo, criaram sete filhos, todos ainda católicos praticantes – e não havia nenhum bolo litúrgico para comemorar a Páscoa, por exemplo.

Portanto, gostaria de compartilhar os melhores conselhos que já ouvi sobre como celebrar com as crianças a Semana Santa, Páscoa e outras grandes festas da Igreja.

1.      Certifique-se de que elas conheçam a história

Seus filhos realmente sabem que Deus se tornou homem e morreu por eles e por todos? Eles sabem que Deus fez isso para abrir as portas do céu, a fim de que um dia todos possam se juntar a Ele, porque Ele nos ama mais do que conseguimos imaginar?

Uma dica é ler livros ilustrados sobre a Páscoa com os pequenos. Para as crianças mais velhas, eu gosto de reler as leituras da Missa juntos em casa. Assim as crianças têm algum tempo para pensar e rezar sobre elas em um ambiente calmo e privado.

Estas conversas são especialmente importantes durante o Tríduo Pascal, o mais curto, mas o mais profundo de todos os tempos litúrgicos. Aqui estão algumas coisas que você pode fazer para ajudar seus filhos a entenderem os acontecimentos do Tríduo Pascal.

2.     Quinta-feira Santa

Quinta-feira Santa é o dia em que Cristo instituiu a Santa Eucaristia na Última Ceia. Portanto, este é um dia em que falamos sobre o que significa para nós a Sagrada Comunhão. Aqueles que já a receberam podem mencionar porque são gratos a este sacramento.

Outra atividade significativa é lavar os pés uns dos outros, como Jesus fez na Última Ceia com seus discípulos.

3.     Sexta-feira Santa

Aqui em casa, rezamos as Estações da Cruz todos juntos na Sexta-feira Santa.

Também veneramos um crucifixo. Cada membro da família beija a cruz enquanto reza ‘Nós Te adoramos, ó Cristo, e Te abençoamos porque pela Tua Santa Cruz redimiste o mundo’.

Meus filhos me ajudam a fazer pãezinhos cruzados quentes ou uma coroa de espinhos de chocolate na Sexta-feira Santa.

4.    Sábado Santo

O Sábado Santo parece um longo dia de espera entre a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa. Felizmente, há muito o que fazer neste dia.

Estaremos limpando a casa e cozinhando para nos prepararmos para a festa da Páscoa.

Este é o dia em que, tradicionalmente, tingimos os ovos da Páscoa e conversamos sobre o simbolismo dos ovos como um sinal de renascimento.

Também desfrutamos de alguns dos pães cruzados quentes ou da coroa de espinhos de chocolate que fizemos no dia anterior!

À noite, lemos alguns desses livros ilustrados da Páscoa e bradamos alegremente : ‘Aleluia! Ele ressuscitou’ (não vou levar meus filhos para a Missa da Vigília Pascal, mas se o fizerem, eu os aplaudo).

É assim que eu celebro o Tríduo Pascal com meus filhos. Minha abordagem da vida litúrgica exige pouca preparação e nada de estresse. Só me asseguro de fazer o mais importante : ensinar e relembrar à minha família a História da Salvação.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2022/04/11/como-tornar-o-triduo-pascal-mais-significativo-e-menos-estressante-para-as-criancas/

sábado, 23 de maio de 2020

Ascensão: proximidade radical

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

ascension | Colin Dye
*Artigo d0 Padre Adroaldo Palaoro, SJ



‘O Mistério Pascal é uma realidade única : nem a ressurreição, nem a ascensão, nem o sentar-se à direita do Pai, nem a glorificação, nem a vinda do Espírito, são fatos separados.

As diferentes ‘expressões’ do Mistério Pascal, pertencem ao hoje como ao ontem, são tão nossas como foram para Pedro, João ou Madalena. Não aconteceram só no passado, mas também estão acontecendo neste instante. São realidades que estão afetando nossa própria vida. Podemos e devemos vivê-las como os(as) discípulos(as) de Jesus as viveram.

Para nós seguidores(as) de Jesus, ascensão é abertura para o cotidiano, para a realidade do serviço. É preciso partir e viver o chamado do Mestre para prolongar, neste mundo, seu modo de ser e de viver.

A ascensão de Jesus não significa evasão aos céus – ‘Homens da Galileia, por que ficai aqui, parados, olhando para o céu?’ (At. 1,11) – mas imersão na vida. Aquele que Vive não escapou do mundo; sua ascensão significa expansão e presença no universo inteiro, plenificando tudo em todos; Ele agora assume todos os rostos, identifica-se com toda a humanidade e continua a caminhar pelas Galileias dos excluídos, das periferias, dos pobres, acampa junto aqueles que vivem às margens...

Ao celebrarmos a entrada de Jesus na glória, não celebramos uma despedida ou um distanciamento, mas um novo modo de presença; celebramos a proximidade radical d’Aquele que é, realmente, o Emanuel, o Deus-conosco para sempre.

Ao ‘subir aos céus’, Jesus se faz mais radicalmente próximo de todos, ultrapassando tempo e espaço. ascensão não é afastamento, mas uma maneira nova de fazer-se presente a todos e em todos os lugares.

O único que Jesus faz é restabelecer e assegurar a proximidade e comunicação com toda a humanidade. Isto deve nos dar uma grande alegria, pois Ele permanece aqui na terra, junto a nós. Assim, a ascensão de Jesus nos desafia a romper a estreiteza de nossa vida para expandi-la a horizontes mais inspiradores.

Na festa da ascensão deste ano, a liturgia nos propõe a cena final do evangelho de Mateus; embora não fale expressamente da ‘elevação’ de Jesus ao céu, nele se condensa todo o caminho anterior, e se abre ao mundo inteiro, como presença e promessa de vida.

Mateus termina seu evangelho narrando um breve encontro entre Jesus Ressuscitado e o grupo dos onze que havia regressado à Galileia, depois de receber a mensagem das mulheres que tinham ido ao sepulcro. Este encontro acontece longe de Jerusalém, afastado do lugar onde eles tinham vivido a experiência traumática da paixão de Jesus. Esta distância física é também existencial. Depois da crise, do medo, do desespero que os havia paralisado, o Mestre os convida a voltar à Galileia, às origens, para percorrer de novo os caminhos, para ‘fazer memória’ das experiências junto d’Ele e que agora hão de reler de forma diferente.

A ascensão é a festa por excelência da nova proximidade de Jesus. No entanto, devido à situação pandêmica, celebramos fisicamente distanciados uns dos outros; mas, a ascensão pode ser um momento oportuno para ativar outras maneiras de nos fazer próximos, inspirados na proximidade do Ressuscitado.

A festa da ascensão pode também ser uma ocasião para desvelar (tirar a máscara) o farisaísmo que está latente em todos nós : a vivência camuflada de um distanciamento humano.

O isolamento sanitário pôs às claras esta dura realidade : já levamos anos praticando o distanciamento político, a polarização religiosa, o enfrentamento de extremos, a separação ideológica, a distância como meio para nos fechar em nossas posições fanáticas, preconceituosas e intolerantes. Uma voz surda sempre esteve presente : devemos nos separar dos outros, daqueles que pensam diferente, sentem diferente, vivem diferente, assumem posições e opções diferentes...

Não podemos deixar que a atual crise sanitária acentue mais ainda os diferentes distanciamentos que estavam escondidos, mas que agora vieram à tona com mais força.

Esta é a dura contradição que estamos vivendo : se, estar separados fisicamente de nossos seres queridos e vizinhos é o mais eficaz para combater a pandemia, precisamos, então, buscar outras expressões de proximidade para que essa distância não se converta em ecossistema e modo de vida. A distância sanitária não pode servir de cortina de fumaça para reforçar outras distâncias que se abrem diante de nós, no campo social-político-religioso-cultural...

Não podemos deixar que o sonho do Reino, o projeto universal de Jesus, se dilua em meio às distâncias artificiais que desumanizam. Hoje, mais do que nunca, devemos celebrar e recordar que juntos, unidos, orientados para um horizonte comum, poderemos enfrentar qualquer crise que nos venha. Talvez, esta pandemia nos oferece uma ótima oportunidade para crermos nisso, de verdade : de transformar declarações ocas em atos sólidos, de resumir tudo o que é a humanidade numa só palavra : proximidade. Proximidade com aqueles que sofrem, com aqueles que buscam um mundo melhor, com aqueles que menos tem, com aqueles que se sentem excluídos... Em meio a um mundo onde a distância e a suspeita crescem e se enraízam, a ascensão é a alternativa de proximidade e colaboração que todos precisamos.

Não nos sobram muitas outras oportunidades de transformar este sonho em realidade. Vivemos na distância, necessária no momento, mas não façamos dela nosso estilo de vida; não devemos convertê-la em meio que determine o que somos. Somos chamados a ser algo mais que compartimentos estanques e seguros, isolados. Podemos ser ‘praça comum’ de encontro e diálogo, de mãos estendidas e ouvidos atentos para dar forma a isso que tanto precisamos : sentir-nos próximos uns dos outros.

À luz da ascensão podemos afirmar : fisicamente distanciados é quando nos sentimos mais próximos.

Podemos recordar o constante convite de Jesus a provocar encontros que ajudem a integrar, a reunir, a religar, a articular o tecido comunitário. Há tantas vidas esparramadas, isoladas, rejeitadas... esperando por sinergia. Na verdade, Ele provocou as pessoas a saírem de seu isolamento e padrões alienados de relacionamento para expandir-se em direção a uma nova forma relacional com tudo o que existe; tal relação é a concretização do sonho do ‘Reino de Deus’.

Como homem e como mulher, trazemos esta força interior que nos faz ‘sair de nós mesmos’ e criar laços, fortalecer a comunhão, romper distâncias...

O ser humano não é feito para viver só; ele necessita conviver, viver-com-os-outros; ele é um ser constitutivamente aberto, essencialmente em referência a outras pessoas : estabelece com os outros uma interação, entrelaça-se com eles, e forma um nós : a comunidade.

Textos bíblicos : Mt 28,16-20

Na oração : Jesus vive sua proximidade radical através dos seus(suas) seguidores(as) que se fazem próximos. A ‘opção de vida’ em favor do próximo é o indicador de uma vida aberta e comprometida na construção de uma convivência social na qual predomine a ternura e não a dureza de coração, o respeito à vida e o amor e não a violência e a exclusão.

  • De quem eu sou próximo, ou, como me faço próximo, nestes tempos de isolamento social?’


Fonte :
*Artigo na íntegra

domingo, 2 de junho de 2019

Espírito Santo : Dom Pascal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Ó Jesus, permita-nos recordar o Santo Espírito em tudo por vós anunciado! 
*Artigo do Padre Geovane Saraiva,
jornalista, colunista e pároco
de Santo Afonso de Fortaleza, CE


‘O papa Francisco é criticado, até mesmo insultado, por alguns católicos, por causa do seu encantamento pelo evangelho de Jesus, com seu enorme coração, num esforço de ser coerente e fiel ao projeto do Pai. Vemos, de verdade, a realização da profecia proclamada por Jesus de Nazaré. Essa profecia divide, sendo consequente e escandalosa. A reação se torna evidente, quando pobres, estrangeiros e os últimos da sociedade entram na mesma lógica : a de uma Igreja em saída, inclusiva e com sensível clamor dos empobrecidos, dos migrantes e dos refugiados. Que nossa oração chegue aos céus, unida à oração do santo padre : ‘Rezemos por aqueles que vivem em estado grave de enfermidade. Protejamos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até a morte natural. Não cedamos à cultura do descarte’.

Somos convencidos de que a criatura humana é para ser plenamente livre, a partir do mistério da redenção, tendo a compreensão de que, entre os dons pascais, o maior é o do Espírito Santo. Jesus de Nazaré o anunciou, na força da obediência ao Pai, introduzindo-nos na verdade e no amor, enquanto preparava os discípulos para sua partida. Vemos intimamente ligadas as verdades do anúncio do Senhor Jesus, afirmando com clareza : Era preciso que Jesus morresse, ressuscitasse e subisse ao céu. No vigor da missão, a do seu Espírito a nós cristãos, acolhamos, pois, o interesse salvífico do Pai, a nos dizer : ‘É melhor para vocês que eu vá, pois, se eu não for, o Paráclito não virá’ (Jo 16, 7).

Ó Jesus, permita-nos recordar o Santo Espírito em tudo por vós anunciado! Diante dos nossos olhos precisamos sempre colocar que, por ocasião do seu feliz retorno no final dos tempos, sejamos, evidentemente, reconciliados e pacificados no amor. Da nossa parte, devemos estar apropriados do Espírito da verdade, que é a mais absoluta clareza da paz que nos é dada já neste mundo e eternizada no mundo futuro. A paz de Deus, segundo Santo Agostinho, nos é oferecida, agora, com o claro fim de nela permanecermos, ficando para nós um único objetivo : vencer o mal e o inimigo com todos os seus frutos. Pela paz que vem de Deus como dom e graça, que reine o amor mútuo, com o céu já aqui na terra. Que possamos ser um mundo solidário, de justiça e paz, longe das contrariedades, angústias e frustrações.

Ao se encerrar o mês de maio de 2019, valemo-nos da Santa Mãe de Deus, no que disse nosso querido padroeiro, Santo Afonso Maria de Ligório, a seu respeito : ‘Ó Maria, crestes na palavra do anjo e, permanecendo virgem, seríeis a mãe do Senhor, e assim presenteaste o mundo com a salvação. Desse modo, vossa fé abriu-nos o paraíso’. ‘Ó ditosa e bem-aventurada sois vós, ó Maria, porque crestes que se cumpriria em vós o que da parte do Senhor vos fora dito’ (Lc 1, 45). Assim seja!’


Fonte :

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Jerusalém e o mistério Pascal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

A Eucaristia é sacrifical, sacramento da morte e da ressurreição, porque ela é o corpo de Cristo.
*Artigo de Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


‘O texto base do XVII Congresso Eucarístico Nacional está dividido em cinco capítulos. A divisão foi a seguinte : 1 – Jerusalém e o mistério pascal, 2 – Emaús – eles o reconheceram na fração do Pão, 3 – Eucaristia, fonte de comunhão e partilha na Amazônia missionária, 4 – Nazaré – Ele vai à frente, na Galiléia e 5 – Maria, mulher Eucarística.

Quanto o primeiro capitulo : Jerusalém e o mistério Pascal, este por sua vez faz uma explanação geral sobre o significado e a importância de Jerusalém para o contexto Eucarístico e depois fala sobre os nomes da Eucaristia : memória, sacrifício, comunhão, presença real e Eucaristia e iniciação cristã.

A iniciação cristã encontra seu ápice no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Com efeito, as ações litúrgicas da iniciação vão ordenadas a significar e produzir a união íntima do cristão com Cristo e com a sua missão. A destinação para essa missão, que se recebe no batismo, no qual o batizado fica marcado indelevelmente com o sinal de Cristo, reforça-se na plenitude do Espírito Santo, que nos é dada no sacramento da confirmação. Mas a Eucaristia, ao estabelecer a comunhão entre a pessoa do cristão e o seu Senhor, morto e ressuscitado, coloca-o diretamente no seio da vida divina. A Eucaristia não é só participação na graça, mas na própria fonte da graça.

Comer e beber, atividades naturais do ser humano, conservam e fortalecem a vida e são, ao mesmo tempo, o contato primário com o mundo. A maioria dos povos desenvolveu uma cultura em torno do cear, por meio de comer e beber em conjunto se representa e estabelece comunhão. Também no Antigo Testamento a ceia é um sinal de realizador de comunhão. No atendimento solícito realiza-se a hospitalidade (cf. Gn 18,1-8), tratados de paz e alianças são selados em meio à ceia (cf. Gn 14,18; 26,30; 31,54; Ex 18,12).

Na aliança feita no Sinai o sacrifício está em primeiro plano : Moisés toma a metade do sangue dos bezerros sacrificados e o asperge sobre o altar dos sacrifícios; depois lê o documento da aliança, e o povo concorda com os termos do documento; em seguida, Moisés asperge a outra metade do sangue sobre o povo (cf. Ex 24,8). Desse modo, nessa efetivação da aliança o sacrifício se associa com a ceia. Ambas as coisas unem com Deus : o sangue do sacrifício aspergido sobre o altar e o povo e a ceia dos anciãos, que por essa ocasião puderam ver a Deus.

Toda refeição começa com o louvor no partir do pão e termina com a oração de agradecimento. Isso é associado muitas vezes com a anamnese dos feitos salvíficos de Deus.

A festa do pesah é o memorial central da ação salvífica libertadora de Deus. Ela se desenvolveu a partir de duas festas pré-israelitas : a festa da primavera, os nômades que celebravam a partida para novas pastagens com o abate de um animal pequeno e uma refeição comunitária e, a festa dos pães ázimos, por ocasião da qual eram sacrificadas as primeiras espigas da cevada, seguindo com uma refeição com pão não levedado, cozido com o cereal da nova colheita. Em Israel a festa foi relacionada com o evento do êxodo. Novamente estão interligados ceia, sacrifício e memória.

No Novo Testamento, a comunhão de mesa é o ato simbólico de Jesus, por várias vezes referido nos Evangelhos. Ele é entendido por amigos e inimigos. Para uns é um ato convidativo, para outros é motivo de escândalo e inimizade por causa dos comensais com os quais Jesus se envolve. Com a parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), Jesus justifica sua comunhão de mesa com os pecadores, e com o convite para o banquete, com a qual termina a parábola, tenta convencer os justos a se alegrarem com o retorno do perdido. No relato da última ceia, por um lado, é ceia de despedida : resumo da vida e, ao mesmo tempo, testamento comprometedor para os discípulos; por outro lado, ela aponta, como todas as comunhões de mesa de Jesus, para o futuro escatológico. A última ceia é, portanto, ceia de despedida em perspectiva escatológica, sinal de esperança em face da ruína.

A Eucaristia é sacrifical, sacramento da morte e da ressurreição, porque ela é o corpo de Cristo, ‘corpo entregue’, ele se torna presente no instante da realização da salvação, corpo entregue e glorificado, a fim de que a Igreja se torne um só corpo com ele na realização da salvação. A Eucaristia é o sacramento da presença de Cristo, e é sacrifical em razão dessa presença. A Eucaristia é o sacramento do sacrifício de Cristo, porque, por ela, Cristo se doa à Igreja em seu único sacrifício, em sua morte e sua ressurreição, nas quais foi eternizado. Ele se doa a ela, a fim de que ela celebre com ele o único sacrifício.

Contudo, a Eucaristia é o corpo de Cristo no ato redentor, dado à Igreja para que se torne aquilo que ela recebe do corpo de Cristo no ato redentor. Assim, salva em Cristo e com ele, ela participa na salvação do mundo.’


Fonte :
* Artigo na íntegra