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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

'A universalidade da salvação' – Terceira Pregação do Advento de 2025

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Tiziana Campisi


A luz que desmascara

‘O frade menor capuchinho propôs uma reflexão sobre a manifestação universal da salvação, sobre Cristo, a verdadeira luz, que é capaz de iluminar, esclarecer e orientar toda a complexidade da experiência humana, que não apaga as perguntas, os desejos e as buscas humanas, mas os coloca em relação, os purifica e os conduz a um significado mais pleno. Luz que o mundo não abraçou porque os homens amaram mais as trevas. O problema, explicou o padre Pasolini, é nossa disponibilidade em acolher a luz, que é necessária e bonita, mas também exigente : desmascara ficções, expõe contradições, obriga a reconhecer o que preferiríamos não ver, e por isso a evitamos.

No entanto, observou o religioso, Jesus não contrapõe quem pratica o mal a quem pratica o bem, mas quem pratica o mal a quem vive a verdade. Isso significa que, para acolher a luz da Encarnação, não é preciso já ser bom ou perfeito, mas começar a tornar a verdade uma realidade na própria vida, ou seja, parar de se esconder e aceitar ser visto por quem se é, porque Deus está mais interessado em nossa verdade do que na bondade de fachada.

Igreja, comunidade que vive a luz de Cristo

Para a Igreja, isso significa iniciar um caminho de maior verdade, o que significa não exibir uma pureza moral ou reivindicar uma coerência impecável, mas apresentar-se com sinceridade e reconhecer resistências e fragilidades. Porque o mundo não espera uma instituição sem fissuras, nem mais um discurso indicando o que deve ser feito, disse o padre Pasolini, mas precisa encontrar uma comunidade que, apesar de suas imperfeições e contradições, viva verdadeiramente à luz de Cristo e não tem medo de se mostrar como é. Os Reis Magos, por exemplo, demonstraram uma maneira singular de serem verdadeiros ao trilharem o caminho do Senhor, explicou o religioso. Eles partiram de longe, mostrando que para acolher a luz do Natal, é necessário um certo distanciamento, para enxergar melhor as coisas : com um olhar mais livre, mais profundo, mais capaz de surpreender. Em vez disso, o hábito de olhar a realidade de perto demais nos torna prisioneiros de julgamentos previsíveis e interpretações excessivamente consolidadas, e isso também acontece com aqueles que vivem permanentemente no centro da vida eclesial e comporta responsabilidades, observou o pregador da Casa Pontifícia, porque a familiaridade cotidiana com funções, estruturas, decisões e emergências pode, com o tempo, estreitar o olhar e, assim, corre-se o risco de não reconhecer os novos sinais pelos quais Deus se faz presente na vida do mundo.

Os caminhos inesperados de Deus

Se o Natal celebra a entrada da luz no mundo, a Epifania destaca que essa luz não se impõe, mas se deixa reconhecer, manifesta-se numa história ainda marcada pela escuridão e pela busca, e é uma presença que se oferece a quem está disposto a se mover. Nem todos a veem da mesma maneira e a reconhecem ao mesmo tempo, porque a luz de Cristo se deixa encontrar por quem aceita sair de si mesmo, quem se coloca a caminho, quem busca, enfatizou o frei capuchinho, acrescentando que isso também é verdade para o caminho da Igreja, já que nem tudo o que é verdadeiro se mostra imediatamente claro, nem o que é evangélico é imediatamente eficaz. E, às vezes, a verdade exige ser seguida mesmo antes de ser plenamente compreendida.

A este respeito, o Padre Pasolini citou a experiência dos Magos, que não avançaram apoiados por certezas consolidadas, mas por uma estrela frágil, porém suficiente para guiá-los em sua viagem. Os sábios que vieram do Oriente para Belém ensinam essencialmente que para encontrar o rosto de Deus feito homem, é preciso colocar-se a caminho, e isso, enfatizou o pregador da Casa Pontifícia, se aplica a todo fiel, e especialmente a quem têm a responsabilidade de proteger, guiar e discernir. Sem um desejo que permanece vivo, mesmo as mais elevadas formas de serviço correm o risco de se tornarem repetitivas, autorreferenciais, incapazes de surpreender. A estrela que guiou os Magos, para o padre Pasolini, é também o sinal das discretas lembranças com as quais Deus continua a se fazer presente na história, e assim, aqueles sábios que não conhecem as Escrituras de Israel, mas leem os céus, lembram que Deus também fala por meios inesperados, experiências periféricas, perguntas que surgem do contato com a realidade e aguardam para serem ouvidas.

Imobilidade

Mas outro aspecto importante que emerge da história dos Magos é a atitude de busca : não se importar, não se colocar em movimento, pode levar a acomodação em uma posição que parece reconfortante, baseada em certezas e hábitos consolidados, mas que com o tempo corre o risco de se tornar uma forma de imobilidade interior, que lentamente isola, muitas vezes sem que percebamos. É o que acontece com Herodes, ele parece atento : questiona, calcula, planeja, mas não parte para Belém, não aceita o risco e a surpresa do que poderia acontecer e delega a tarefa de ir aos Magos, reservando-se o direito de ser informado sobre os acontecimentos. É a atitude de quem quer saber tudo sem se expor, permanecendo protegido das consequências de um envolvimento real, afirmou o frade franciscano, alertando contra uma abundância de conhecimento que carece de envolvimento real. Sabemos muitas coisas, mas permanecemos distantes. Observamos a realidade sem nos deixarmos tocar, protegidos por uma posição que nos protege do imprevisto. Acontece, então, que na Igreja se pode conhecer bem a doutrina, preservar a tradição, celebrar a liturgia com zelo e, ainda assim, permanecer parados. Como os escribas de Jerusalém, também nós podemos saber onde o Senhor continua se fazendo presente — nas periferias, entre os pobres, nas feridas da história — sem encontrar a força ou a coragem para seguir nessa direção, advertiu o pregador da Casa Pontifícia.

A coragem de se levantar

Em síntese, para encontrar Deus, o primeiro passo é sempre se levantar : sair de nossos refúgios interiores, de nossas certezas, nossa visão consolidada das coisas, insistiu o padre Pasolini, especificando que levantar-se exige coragem. Significa abandonar o estilo de vida sedentário que nos protege, mas nos imobiliza, aceitar o cansaço do caminho, expor-se à incerteza do que ainda não está claro. Como fizeram os Reis Magos, deixando sua terra natal e cruzando distâncias sem garantias, guiados apenas por um sinal tênue e discreto, sem saber o que encontrariam, mas confiando na luz que os precedia. Isso é o que significa esperar.

O padre Pasolini também destacou o abaixamento humilde dos Reis Magos. Ao chegarem a Belém, adoraram o Menino, se colocaram a caminho, buscaram e se abriram ao mistério : Levantar-se e depois ajoelhar-se : este é o movimento da fé. Levantar-se para sair de si, não para colocar-se no centro. E depois se abaixar, porque se percebe que o que encontramos está além do nosso controle. Para o pregador da Casa Pontifícia, isso vale na relação com Deus, nas relações cotidianas — quando o outro nos surpreende, nos decepciona ou nos transforma — e é preciso parar de impor nosso próprio ponto de vista e aprender a verdadeiramente escutar. E, ampliando a perspectiva, vale também para a Igreja, que é chamada a se mover, a sair, a encontrar pessoas e situações que lhe são distantes, e também a saber parar, abaixar o olhar, a reconhecer que nem tudo lhe pertence nem pode ser controlado. Então, o dom da salvação pode se tornar universal se a Igreja aceitar em deixar de lado suas próprias certezas e olhar com respeito para a vida dos outros, reconhecendo que mesmo ali, muitas vezes de maneiras inesperadas, algo da luz de Cristo pode emergir.

A verdadeira luz do Natal

Um último aspecto sobre o qual o pregador da Casa Pontifícia convidou a refletir foi que se Deus escolheu habitar nossa carne, então cada vida humana carrega em si uma luz, uma vocação, um valor que não pode ser apagado. Isso nos leva a concluir que não viemos ao mundo apenas para sobreviver ou atravessar o tempo da melhor maneira possível, mas para ter acesso a uma vida maior : a de filhos de Deus. Assim, a tarefa da Igreja é oferecer a luz de Cristo ao mundo. Não como algo a impor ou defender, mas como uma presença a oferecer, deixando que todos se aproximem. Portanto, sob essa perspectiva, a missão não consiste em forçar o encontro, mas em torná-lo possível, concluiu o padre Pasolini. Uma Igreja que oferece a presença de Cristo a todos não se apropria de sua luz, mas a reflete. Não se coloca no centro para dominar, mas para atrair, tornando-se, portanto, um espaço de encontro, onde cada pessoa pode reconhecer Cristo e, diante dele, redescobrir o sentido de sua vida. A perspectiva sobre os hábitos missionários deve, portanto, mudar : muitas vezes se pensa que evangelizar significa levar algo que falta, preencher um vazio, corrigir um erro, mas a Epifania aponta para outro caminho, que é o de ajudar o outro a reconhecer a luz que já habita nele, a dignidade que já possui, os dons que já possui. Portanto, a catolicidade da Igreja consiste em guardar Cristo para oferecê-lo a todos, com a confiança de que a beleza, a bondade e a verdade já estão presentes em cada pessoa, chamada à plenitude e a encontrar nele o seu pleno significado. Em conclusão, para o pregador da Casa Pontifícia, a verdadeira luz do Natal 'ilumina cada homem' precisamente porque é capaz de revelar a cada um a própria verdade, a própria vocação, a própria semelhança com Deus.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2025-12/pasolini-pregacao-advento-luz-deus-magos-igreja.html 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

'Reconstruir a Casa do Senhor. Uma Igreja sem contraposições' – Segunda Pregação do Advento de 2025

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Isabella Piro



De que unidade devemos dar testemunho? E como oferecer ao mundo uma comunhão crível que não seja, genericamente, fraternidade? Estas foram as principais questões propostas na segunda de três meditações do Advento proferidas pelo Pe. Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia. O frade menor capuchinho propôs-as a Leão XIV e aos seus colaboradores da Cúria Romana na manhã desta sexta-feira, 12 de dezembro, na Sala Paulo VI. O tema escolhido para as três reflexões é: ""Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus".


A Torre de Babel e o medo da dispersão

 

Após a primeira meditação de 5 de dezembro, dedicada à "Parusia do Senhor", nesta sexta-feira o Pe. Pasolini articulou sua reflexão em torno de três imagens: a Torre de Babel, o Pentecostes e a reconstrução do Templo de Jerusalém. A primeira imagem — a de uma cidade fortificada e uma torre imponente — é o emblema de uma família humana que, após o dilúvio, busca exorcizar "o medo da dispersão". Mas tal projeto esconde "uma lógica mortal", já que a unidade é buscada "não pela reconciliação das diferenças, mas pela uniformidade".

 

O pensamento único do totalitarismo do Século XX

 

"É o sonho de um mundo onde ninguém é diferente, ninguém corre risco, tudo é previsível", observou o padre Pasolini, tanto que a torre é construída não com pedras irregulares, mas com tijolos idênticos entre eles. O resultado é, sim, a unanimidade, mas uma unanimidade aparente e ilusória, porque "é alcançada ao custo da eliminação das vozes individuais".

A partir daí, o pensamento do pregador volta-se para os tempos modernos e contemporâneos, nomeadamente, para os totalitarismos do século XX que impuseram o "pensamento único", silenciando e perseguindo a dissidência. Mas "cada vez que a unidade é construída suprimindo as diferenças - acrescentou - o resultado não é a comunhão, mas a morte".

 

O consenso rápido das redes sociais e da IA

 

Também hoje, "na era das redes sociais e da inteligência artificial", os riscos da padronização não faltam, antes pelo contrário; surgem em novas formas, em que os algoritmos criam "bolhas de informação" unívocas, esquemas previsíveis que reduzem a complexidade humana em um padrão, plataformas que visam o consenso rápido, penalizando a "dissidência reflexiva".

Trata-se de uma tentação que "não poupa sequer a Igreja", explicou o capuchinho, recordando as muitas vezes ao longo da história em que a unidade da fé foi confundida com uniformidade, em detrimento do "ritmo lento da comunhão que não teme o confronto e não apaga as nuances".


A diferença é a gramática da existência

 

Um mundo construído sobre a utopia de cópias idênticas, continuou o sacerdote, "é a antítese da criação", porque "Deus cria separando, distinguindo, diferenciando" a luz das trevas, as águas da terra, o dia da noite. Nesse sentido, "a diferença é a própria gramática da existência", e rejeitá-la significa inverter "o impulso criador" em busca de uma falsa segurança que é, na verdade, "uma rejeição da liberdade".

 

Deus restaura a dignidade às singularidades

 

A confusão de línguas com que Deus responde à Torre de Babel, portanto, não é uma punição, mas sim "uma cura", enfatizou o pregador da Casa Pontifícia: o Senhor "restitui a dignidade às singularidades", dando novamente à humanidade "o bem mais precioso", ou seja, "a possibilidade de não sermos todos iguais". Porque "não existe comunhão sem diferença".

 

Pentecostes, emblema da comunhão

 

A segunda imagem é a de Pentecostes, o emblema da comunhão apesar da ausência de uniformidade. Os apóstolos falam a sua própria língua, e os ouvintes a compreendem na sua, porque "a diversidade permanece, mas não divide"; as diferenças não são eliminadas para criar unidade, mas transformadas "no tecido de uma comunhão mais ampla".

 

A renovação da Igreja, uma necessidade perene

 

O padre Pasolini ilustrou então a terceira imagem: o Templo de Jerusalém, destruído e reconstruído muitas vezes. Cada reconstrução, explicou ele, "nunca pode ser um caminho linear", porque a compô-la serão "entusiasmos e lágrimas, novos impulsos e arrependimentos profundos". Tudo isso é "um precioso compêndio" para compreender "a perene necessidade" de renovação da Igreja, bem encarnada por São Francisco de Assis.

A Igreja, de fato, é chamada a permitir-se ser continuamente reconstruída para revelar "a beleza do Evangelho", permanecendo fiel a si mesma e, ao mesmo tempo, continuando a "colocar-se a serviço do mundo".

 

Acolher a variedade, não apagá-la

 

Longe de ser "uma necessidade extraordinária", enfatizou o padre Pasolini, a renovação eclesial é "a atitude ordinária" da Igreja fiel ao mandato apostólico e, sobretudo, não é uniformidade, nem "uma obra pacífica". A Igreja que se renova, de fato, é aquela capaz de "acolher a diversidade" e capaz  de "um combate espiritual autêntico", livre dos "atalhos de puro conservadorismo e de inovação acrítica". Porque a comunhão nunca é "um sentimento homogêneo", nem uma recíproca eliminação, mas antes um lugar de "escuta recíproca". Só assim, de fato, "a Igreja pode verdadeiramente voltar a ser o lar de todos".

 

O Concílio Vaticano II e a "Primavera do Espírito"

 

Uma última reflexão do padre Pasolini foi dedicada ao Concílio Vaticano II: sessenta anos após, a grande assembleia , frequentemente descrita como a "primavera do Espírito", emerge quer "um declínio das práticas, dos números e das estruturas históricas da vida cristã" quanto um novo fermento do Espírito, evidenciado pela "centralidade da Palavra de Deus", por um laicato "mais livre e mais missionário", por "um caminho sinodal" que se tornou uma "forma necessária" e por um cristianismo que "floresce em muitas regiões do mundo".

 

Retornar ao coração do Evangelho

 

O declínio, explicou o pregador, torna-se decadência se a Igreja perde a "consciência da própria natureza sacramental e se percebe como uma organização social", reduzindo a fé à ética, a liturgia à performance e a vida cristã a moralismo.

Em vez disso, para além de posições ideológicas, como o tradicionalismo e o progressivo, o declínio pode se tornar "um tempo de graça" no momento em que a Igreja retorna "ao coração do Evangelho", distanciando-se de "estratégias" humanas, de "contraposições que dividem e tornam estéril cada diálogo", bem como de "soluções imediatas e fáceis".

 

A Igreja, dom a ser protegido e serviço

 

Em última análise, concluiu o padre Pasolini, a Igreja não é algo a ser edificado segundo critérios humanos, mas é "um dom a ser recebido, protegido e servido" com gestos humildes, dia após dia, cada um com um fragmento de fidelidade e caridade. O pregador da Casa Pontifícia concluiu então sua reflexão com uma oração ao Senhor para que "o povo dos fiéis possa sempre progredir na construção da Jerusalém celeste".

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2025-12/segunda-pregacao-advento

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

‘A Parusia do Senhor’ – Primeira Pregação do Advento de 2025

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Benedetta Capelli


‘‘Não andarilhos sem rumo’, mas ‘sentinelas que, na noite do mundo, mantêm humildemente a sua fé’ para ver a luz ‘capaz de iluminar todo homem’. Padre Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia, acompanha-nos numa viagem em que o tempo do Advento se torna uma oportunidade para sermos ‘peregrinos rumo a uma pátria’, em um caminho marcado pela esperança e que tem como horizonte a salvação.

A primeira de três meditações previstas sobre o tema ‘Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus’, centra-se na Parusia do Senhor e introduz em um tempo singular : a conclusão do Jubileu da Esperança. ‘O Advento’, sublinha o capuchinho, ‘é o tempo em que a Igreja reacende a esperança, contemplando não só a primeira vinda do Senhor, mas sobretudo o seu regresso no fim dos tempos.’ É o momento em que somos chamados a ‘aguardar e, ao mesmo tempo, apressar a vinda do Senhor com vigilância serena e diligente’.

Perceber a graça de Deus

‘Parusia’ é um termo usado quatro vezes pelo evangelista Mateus no capítulo 24 com um duplo significado : ‘presença’ e ‘vinda’. Jesus compara a expectativa de sua vinda aos dias de Noé antes do dilúvio universal. Eram dias em que a vida seguia normalmente e em que Noé sozinho construiu a arca, o instrumento da salvação. Sua história levanta questões essenciais para a compreensão do que o homem moderno precisa reconhecer. Diante de novos e complexos desafios, ‘a Igreja é chamada a permanecer um sacramento de salvação em uma era de mudanças’.

‘A paz - enfatiza o Padre Pasolini - permanece uma miragem em muitas regiões até que antigas injustiças e memórias feridas sejam curadas, enquanto na cultura ocidental o senso de transcendência é enfraquecido, esmagado pelo ídolo da eficiência, da riqueza e da tecnologia. O advento da inteligência artificial amplifica a tentação de uma humanidade sem limites e sem transcendência.’

O mistério de um Deus que tem confiança na humanidade

Perceber não basta, é preciso reconhecer ‘a direção para a qual o Reino de Deus continua a se mover dentro da história’, retornando à capacidade profética do Batismo. Perceber a graça de Deus, ‘esse dom da salvação universal que a Igreja humildemente celebra e oferece, para que a vida humana seja libertada do fardo do pecado e do medo da morte’. Uma graça à qual os ministros da Igreja não podem se habituar, correndo o risco de se familiarizarem tanto com Deus a ponto de o tomarem como óbvio. Assim, tomamos consciência do mistério de um Deus que ‘continua diante de sua criação com confiança inabalável, aguardando dias melhores’.

Apagar o mal

O pregador da Casa Pontifícia recorda que, para redescobrir o rosto de Deus que acompanha ‘sua criação ferida’, devemos recorrer à história do dilúvio universal, quando o Senhor vê o mal no coração humano. Esse mal não pode ser vencido pela mudança, pela evolução, porque à humanidade não serve somente realizar-se, mas também de salvar-se. ‘O mal não deve ser simplesmente perdoado : deve ser apagado, para que a vida possa finalmente florescer em sua verdade e beleza.’ Apagar, na cultura do cancelamento em que a humanidade de hoje está imersa, não é apenas destruir tudo, eliminar o que parece pesado nos outros. ‘Todos os dias cancelamos muitas coisas, sem nos sentirmos culpados ou causar qualquer dano. Apagamos - recorda Pasolini - mensagens, arquivos inúteis, erros em documentos, manchas, vestígios, dívidas. De fato, muitos desses gestos são necessários para permitir que nossos relacionamentos amadureçam e tornem o mundo habitável.’ Apagar significa abrir-nos a Deus, partindo de nossa própria fragilidade, e permitir que Ele nos cure.

A vida floresce quando Deus volta a estar no centro

O Senhor nunca se cansa de encontrar ‘um homem sábio, alguém que busca a Deus’, assim como fez com Noé, que por sua vez sentiu a graça do Senhor. No homem na arca, Deus encontra a possibilidade de apagar e recomeçar. ‘Somente quando o homem retorna para viver diante da verdadeira face de Deus é que a história pode realmente mudar’, enfatiza o monge capuchinho. ‘A história do dilúvio nos lembra que a vida floresce somente quando reconstruímos os céus, na medida em que colocamos Deus de volta no centro.’ O dilúvio se torna ‘uma passagem de recriação através de um momento de descrição’. ‘É uma mudança temporária nas regras do jogo, para salvar o próprio jogo que Deus havia inaugurado com confiança.’

Decidir não ferir 

O dilúvio é, portanto, ‘uma renovação paradoxal da vida’. Deus não se esquece da humanidade e coloca seu arco nas nuvens como sinal de aliança. O Senhor depõe suas armas com uma solene declaração de não violência. ‘Pode parecer - acrescenta o padre Pasolini - uma metáfora ousada, quase inadequada para falar de Deus e da forma como a sua graça se manifesta. No entanto, a humanidade, após milênios de história e evolução, ainda está longe de saber como imitá-lo.’

A Terra, de fato, está dilacerada ‘por conflitos atrozes e intermináveis, que não dão trégua a tantas pessoas fracas e indefesas.’ A decisão daqueles que, apesar de terem a capacidade, escolhem voluntariamente não ferir é reconfortante, porque compreendem que só acolhendo os outros é que a aliança ‘pode ser duradoura, verdadeira e livre.’

O tempo do bem

‘Vigiai pois, porque não sabeis o dia em que o seu Senhor virá’ : esta é a recomendação final de Jesus. Não saber o dia e a hora deste evento criou muita expectativa no passado, sublinha o pregador, mas hoje as coisas parecem ter invertido. ‘A espera diminuiu ao ponto de, por vezes, dar lugar a uma subtil resignação quanto ao seu cumprimento.’ Hoje, prevalece ‘uma vigilância cansada, tentada pelo desânimo’.

O tempo de espera é o tempo de semear o bem e aguardar a vinda de Jesus Cristo. Cuidado com duas grandes tentações que afetam a humanidade e a Igreja : ‘esquecer a necessidade da salvação e pensar que podemos recuperar o consenso cuidando da aparência externa da nossa imagem e diminuindo a radicalidade do Evangelho’. Devemos — enfatiza o capuchinho — retornar ‘à alegria — e também ao esforço — de seguir, sem domesticar a palavra de Cristo’. Somente como ‘sentinelas nas fronteiras do mundo’, como escreveu o monge Thomas Merton, podemos aguardar o retorno de Cristo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2025-12/predicatore-casa-pontificia-avvento-pasolini-parusia-attesa.html

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Como anda sua relação com Deus?

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Rosa Maria Dilelli Cruvinel

 

‘Essa pergunta precisa estar sempre perto de nós, afinal de contas, precisamos sempre avaliar nossas prioridades e como gastamos nosso tempo. Sobretudo no tempo do Advento somos chamados a avaliar mais intensamente como anda nossa relação com Deus.

Muitas vezes passamos por tempos fortes, marcados por enfermidades, acidentes, perdas de familiares ou de amigos próximos, dificuldades financeiras e outras situações que nos fazem parar e automaticamente nos levam a refletir sobre nossa relação com Deus. Esses momentos de dor são oportunidades que a providência divina permite para voltarmos a Deus e conhecê-lo mais. 

Por que voltar? Jesus apresenta na maravilhosa parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32) a verdadeira motivação que deve reger nosso retorno para Deus : a bondade do Pai. Ao narrar a história do filho mais novo que abandona a casa paterna e sofre a dor do fracasso de uma busca de felicidade frustrada, Jesus aponta um caminho aberto para a volta para o Pai do Céu : foi na reflexão interior que o filho obteve o reconhecimento da ‘bondade do pai’. Com efeito é na reflexão, na atitude de ‘entrar em si’ que o filho faz memória da generosidade do pai e, ao mesmo tempo, lembra quem ele é : filho. O fruto dessa experiência de fé no amor do pai o faz renovar sua identidade, sua filiação; assim, movido pelo arrependimento e com confiança filial retorna a casa paterna, diz a Escritura : ‘Entrou então em si e refletiu : ‘Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome. Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi : Meu pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou (Lc 15,17-19)’.

Santo Inácio de Loyola, mestre em espiritualidade, é um grande exemplo do fruto que se alcança ao fazermos uma reflexão, especialmente no momento de dor, de como anda nossa relação com Deus. Inácio era militar antes de se converter ao Senhor; certa vez, estando em batalha na cidade de Pamplona, Espanha, foi atingido por um canhão que quase destruiu sua perna. No tempo de sua recuperação, interessou-se pela leitura da vida de santos e, pouco a pouco, foi contagiado pelos nobres testemunhos de santidade, a ponto de abrir-se à vontade de Deus a respeito de sua própria vida e a mudar o rumo que iria tomar a partir daquele momento. A partir dessa experiência, abandonou-se confiantemente nas mãos de Deus e ao processo de cumprir o fantástico sonho do Senhor para sua vida.

A graça e o perdão de Deus nunca se esgotam, mas, cabe a nós aproveitarmos as oportunidades e nos avaliarmos : buscamos o Senhor somente quando nossa situação ‘aperta’? Vamos à Igreja somente quando precisamos de algo? Buscamos a Deus por amor? Com o mesmo amor com que Ele nos ama? Podemos dizer como o salmista : ‘Com o que poderei retribuir todo o bem que o Senhor me fez?’ (Sl 116,12). Deus nos amou por primeiro (cf. 1Jo 4,19), o Pai nos deu seu próprio filho, Jesus, para nossa salvação. Jesus é o maior sinal do amor que o Pai deu à humanidade. Jesus, por sua vez, prova seu amor para conosco pelo fato de ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (cf. Rm 5,6-12). 

Aproveitemos, portanto, o tempo oportuno para retornar a Deus! Façamos memória da bondade do Altíssimo, isso nos eleva em dignidade, faz-nos experimentar o mesmo que o filho pródigo no retorno à casa paterna : tenho um pai generoso, sou filho muito amado!’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/como-anda-sua-relacao-com-deus.html

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O Rei está vindo: prepare o seu coração!

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Cintia Lopes

 

‘Celebração cristã das mais significativas, o Natal carrega uma infinidade de simbolismos. É o nascimento de Jesus, um verdadeiro sinônimo de renovação de esperança, salvação e amor. A data ainda marca a realização da promessa divina : o Messias Jesus, a Palavra de Deus, fez-se carne e habitou entre nós, como narra o Evangelho de João (cf. Jo 1,14). 

Ainda que não haja registros sobre a data exata de nascimento de Jesus na cidade de Belém, atual Cisjordânia, 25 de dezembro coincidia com a Festa do Sol Invicto, Dies Natalis Solis Invicti, um deus romano, como uma das celebrações pagãs da época. Assim como alguns mistérios que atravessam gerações, a escolha pelo dia 25 de dezembro como data oficial para o Natal foi estabelecida pela Igreja nos séculos III e IV, durante o papado de Júlio I, em um período em que o cristianismo começava a se expandir e ganhar adeptos em todo o Império Romano. Os historiadores indicam que estabelecer o Natal no dia 25 de dezembro foi uma maneira de esvaziar a festividade pagã e trazer os fiéis para o cristianismo. Dessa forma, iniciou-se a tradição de associar o nascimento de Jesus à vitória da luz sobre as trevas, com o Natal simbolizando a chegada da luz divina ao mundo. Para muitos, essa associação pode ser interpretada como o momento em que Deus se fez homem para redimir a humanidade, trazendo uma nova aliança entre Ele e o povo. 

‘Os cristãos se inspiraram numa festa pagã dedicada ao Deus Sol, em que se cultuava a luz do sol depois de uma longa noite que acontecia no calendário do mês de dezembro. Pensava-se que essa noite nunca teria fim. Ao amanhecer, quando o sol começava a dar seus primeiros sinais de brilho, todos saíam às ruas para comemorar a vitória do ‘sol invencível’. O título de ‘Sol’ foi atribuído a Jesus pelos primeiros cristãos, pois Ele representava o clarão invencível capaz de vencer todas as trevas. Trata-se, então, de uma imagem pascal, por isso podemos afirmar que o ciclo do Natal tem suas raízes e semelhanças com o ciclo da Páscoa’, explica Eurivaldo Silva Ferreira, mestre em Teologia e especialista em Liturgia.

Nos primeiros séculos do cristianismo, o Natal não era celebrado da forma como conhecemos hoje. Os primeiros cristãos focavam principalmente a Páscoa, que celebra a ressurreição de Cristo. Com o avanço da fé cristã, o nascimento de Jesus ganhou destaque com o mistério da encarnação, em que Deus se fez homem nascendo em uma humilde manjedoura em Belém. A preparação para a festa, com jejuns e orações, deu origem ao Advento, o período de quatro semanas que antecede o Natal. Durante esse tempo os cristãos são chamados a refletir sobre a vinda de Cristo, no seu nascimento e na segunda chegada no fim dos tempos. É um período importante para os católicos, de preparação e introspecção, reforçado pelas orações e a celebração do Sacramento da Reconciliação de forma a receber Jesus com o coração purificado. 

O dia 25 de dezembro marca o início da solenidade, mas a celebração do Natal se estende pela Oitava, uma semana de reflexões que finaliza com a Solenidade de Santa Maria, a Mãe de Deus, em 1º de janeiro. Em seguida é o momento do Tempo do Natal, que se estende até a festa do Batismo do Senhor, no segundo domingo de janeiro.

Para Eurivaldo Silva Ferreira, o tempo do Advento é uma importante parte do ciclo do Natal no ano litúrgico da Igreja. Ele possui a dimensão de conectar nossas celebrações com um tempo de preparação pela espera do Senhor que vem. O período possui duas dimensões celebrativas : o mistério do Senhor que veio e o que virá. Nós percebemos isso mais claramente nas leituras da liturgia, que são divididas em dois períodos : nos dois primeiros domingos, o Senhor virá; nos dois domingos seguintes, o Senhor veio. ‘O sinal sacramental do tempo, a espera, faz alusão à segunda vinda de Jesus’, exemplifica Eurivaldo. 

O Advento tem a ver com o mundo e com a Igreja : ‘Ela anseia pela vinda do Senhor, mas, enquanto sua vinda não se faz plenamente, celebra, louva e distribui os sacramentos, na esperança de sua plena concretização. É como se vivêssemos as propostas do Reino (já), mas não ainda em sua plenitude (ainda não). Por isso esse tempo em preparação ao Natal do Senhor suscita o desejo de que o Senhor venha’, conclui ele.

Outro momento importante é a Missa da Noite; à semelhança da Vigília Pascal, ela está impregnada de luzes. Evoca a luz do Verbo de Deus resplandecente, a luz verdadeira que veio para iluminar a humanidade. ‘O simbolismo da luz nos textos litúrgicos denomina Cristo, o sol da justiça, sol sem ocaso, aquele que regenera a humanidade, como que sendo um novo início de vida de Deus em nós’, diz Eurivaldo.

As leituras e a oração da Igreja desse tempo mostram a alegria do povo que se volta, que espera e que permanece fiel na expectativa da vinda do Rei. Muito mais que a espera de um rei, o tempo do Advento se coloca como uma espera por alguém que viria salvar o povo das garras dos poderes que oprimiam o povo. ‘Jesus é visto como um rei guerreiro e lutador, mas Ele vem de forma simples, como uma criança frágil e indefesa’, lembra Eurivaldo, que também é membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica, do Corpo Eclesial de Compositores e Letristas Litúrgicos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Universa Laus, grupo internacional de estudo e pesquisa sobre música litúrgica. 

Ao longo dos séculos, a celebração do Natal se expandiu para além dos círculos religiosos. No Brasil, as tradições natalinas também incorporam, ao longo dos anos, elementos culturais que fazem da ceia de Natal em família uma das mais populares.

A montagem de presépios é uma tradição cultivada há séculos. São Francisco de Assis é reconhecido como o criador do presépio, no ano 1223. A ideia teria surgido como uma forma de representar o nascimento de Jesus de maneira visual e acessível a todos. 

Já outras tradições natalinas, como a troca de presentes, a decoração de árvores e a figura do Papai Noel, têm raízes diversas – algumas delas inspiradas em costumes europeus e lendas como a de São Nicolau, um bispo generoso e caridoso que ajudava os mais necessitados. 

Eurivaldo, porém, chama a atenção para a ‘comercialização’ da data, algo completamente distante do verdadeiro propósito da data : ‘A tarefa do comércio é entregar-se ao capitalismo que permeia o consumo nas compras do Natal. Não podemos nos deixar permear por essa característica, fazendo com que isso invada nossas celebrações. É necessário que nossas liturgias sejam, de fato, lugares em que se visualizem com os gestos, sinais e símbolos próprios a linguagem da espera e da chegada’.

Ao se prepararem espiritualmente para essa data os fiéis são chamados a redescobrir o amor de Jesus, que veio ao mundo para redimir a humanidade. A verdadeira celebração natalina reflete ensinamentos de Cristo como a partilha, a solidariedade e o amor ao próximo; dessa forma, o Natal não se limita a um único dia. Para muitos cristãos, celebrar é recordar que Deus está presente mesmo nas situações mais difíceis, trazendo luz às trevas e esperança aos corações aflitos. Muitas famílias participam de novenas, rezando em conjunto nas semanas que antecedem o Natal e fortalecendo laços familiares e comunitários. 

O Advento é outro período importante de preparação, que inclui práticas de oração e meditação. A Igreja recomenda que os fiéis busquem o Sacramento da Reconciliação (Confissão) como uma forma de se preparar espiritualmente para o Natal. Um coração purificado é visto como essencial para receber Jesus de forma plena. A preparação espiritual para o Natal e sua Oitava são convites à reflexão, ao arrependimento e à prática da caridade. Essas orientações visam a ajudar os fiéis a acolherem Jesus em seus corações e a viverem a mensagem de amor e esperança que o Natal representa.

O Natal, no dia 25 de dezembro, é o primeiro de um ciclo de oito dias seguidos. Oitava de Natal é quando a própria liturgia auxilia o povo de Deus a se aprofundar na meditação do mistério celebrado. É a festa pelo nascimento de Jesus, um período de graça, fé, reflexão e solidariedade. Os festejos seguem com a homenagem a Santo Estêvão, o primeiro mártir a testemunhar a verdade da pessoa de Jesus, que ocorre no dia 26 de dezembro. Já no dia 27 de dezembro é o momento da celebração em homenagem a São João Apóstolo e Evangelista, que reflete sobre o mistério da encarnação. Em seguida, no dia 28 de dezembro, é a vez de homenagear os Santos Inocentes, em que a liturgia recorda o valor do testemunho de vida com o fortalecimento do sentido do Natal de Jesus e a fuga de Maria e José para o Egito. A festa da Sagrada Família, que neste ano será comemorada no domingo, 29 de dezembro, recorda que Jesus nasceu em uma família para salvar a nossa, mostrando a importância dessa instituição. A Oitava finaliza em grande estilo com a homenagem a Maria na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, em 1º de janeiro, com a consagração e o oferecimento do novo ano a Deus por meio das mãos de sua mãe, Maria.

A Oitava de Natal deve ser vivida de forma pessoal, com a oração do Terço, a participação nas missas e a contemplação do mistério da encarnação. Outro hábito importante é enfeitar as casas com velas e luzes, como um sinal de felicidade pelo nascimento do Menino Jesus. ‘Esperamos que neste Advento possamos ser como Igreja, povo de Deus, portadores da Boa-Nova do Reino de Jesus. Que nossas celebrações nos levem a um verdadeiro compromisso da edificação de seu Reino entre nós! A feliz expectativa do Reino seja o motivo para celebrarmos o Cristo que vem’, são os votos de Eurivaldo Silva Ferreira, mestre em Teologia.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-rei-esta-vindo-prepare-o-seu-coracao.html