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domingo, 1 de março de 2026

As grandes civilizações africanas - As Confederações de Aldeias Africanas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘Aqueles que puderam ler ou ouvir os últimos textos que postamos sobre a História da África puderam ver como o continente abrigou grandes civilizações e impérios antes da chegada dos europeus, sobretudo, a partir do século XVI. Essas civilizações e impérios em nada ficam a dever às grandes civilizações que existiram em outros tempos e em outros lugares de nosso planeta.

Falamos hoje de outro sistema de organização sócio-política que existiu no continente africano que pouco é conhecido : A confederação de aldeias africanas.

É sempre importante relembramos que a África é o maior continente do mundo em extensão e que somente nas últimas décadas é que sua história começou a ser estudada e compreendida fora do contexto da periodização usada para se estudar a história da Europa.

A organização das aldeias africanas

Falar de Confederação de Aldeias é entender um pouco mais da organização social e política de muitas tribos africanas, principalmente as que existiram na região subsaariana. Independentemente de estudarmos um grande e complexo reino ou um pequeno reino africano, a maioria das tribos se organizava em torno da fidelidade ao ‘chefe’ e das relações de parentesco existentes.

Este ‘chefe’ normalmente era o membro mais velho ou então um membro mais jovem, porém capaz de liderar a tribo, sendo responsável pela aplicação da justiça, pela sua condução em caso de luta contra outra tribo, decidindo sobre a divisão do trabalho e dos alimentos de forma justa, pela punição às pessoas que não cumprissem suas obrigações ou causavam algum mal a outra pessoa da mesma tribo, enfim, o ‘chefe’ era o responsável pelo bem-estar global da tribo.

Nestas tarefas geralmente era auxiliado por um conselho, dependendo do tamanho e importância da tribo, mas como fosse mais desafiador a condução das tribos maiores, se fazia necessário um maior apoio administrativo, com atribuições a um número maior de conselheiros que auxiliavam o ‘chefe’ no governo. Em algumas tribos este ‘chefe’ era também o líder religioso do povo. Em outras, o líder religioso era o conselheiro mais importante. Apesar de alguns elementos comuns, a organização sempre variava de uma tribo para outra.

Confederações de Aldeias - Definição

Uma confederação era a união de uma ou mais aldeias em torno de interesses comuns, sejam comerciais, familiares ou militares. A integração entre uma ou mais aldeias podia se dar pelo casamento entre membros de aldeias diferentes ou pela união de duas ou mais aldeias em vista da autodefesa em relação a um inimigo comum.

Essa parceria entre as aldeias poderia resultar na criação de um grande reino, mas não necessariamente porque podia ser uma união temporária ou permanente. Em geral as confederações eram lideradas por um conselho de ‘chefes’, que decidiam qual o melhor rumo a ser tomado numa determinada questão.

Mesmo quando as tribos se uniam não perdiam sua autonomia, pois somente as decisões mais importantes ou urgentes eram levadas ao conselho de ‘chefes’, que não tinha um líder principal, sendo que a opinião de todos os ‘chefes’ tinha o mesmo valor. Quando existia um líder entre várias aldeias, aí sim se podia considerar aquela união como um reino.

Quando a escravidão começou a trazer os negros escravizados para as Américas, no Brasil surgiram algumas organizações sociais semelhantes às confederações africanas, organizadas pelos próprios negros escravizados, adaptadas para a realidade encontrada no Brasil. Essa organização foi muito importante no processo de resistência do negro à escravidão. Alguns quilombos como o de Palmares pode ser considerado como a maior ‘Confederação’ que existiu no Brasil. Criado por volta de 1590 e liderado por Zumbi, Palmares sobreviveu por mais de 100 anos defendendo-se das investidas de expedições militares financiadas principalmente pelos senhores de engenho, que viam no quilombo não só uma defesa contra a escravidão como também uma afronta à autoridade colonial.

As confederações de aldeias foram importantes porque ajudaram na diminuição dos conflitos entre as aldeias e pela solução de questões pelo acordo, evitando guerras e conflitos.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-02/foco-historia-grandes-civilizacoes-africanas.html

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A África durante a Idade Média

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
Musa retratado segurando um Globo de Ouro Imperial no Atlas Catalão de 1375

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘De forma geral, o estudo da chamada Idade Média mostra que essa classificação que abrange o período do século V a XV se concentra em três eixos principais: a formação da cristandade na Europa Ocidental, o desenvolvimento do Império Bizantino na Europa Oriental e o nascimento e expansão da civilização islâmica, desde a Península Ibérica até a Pérsia, abrangendo também o norte da África e o sul da Europa.

Essa periodização histórica, abrangendo também os demais períodos serve para Europa, não se encaixando no estudo dos demais continentes.

Normalmente, quando se chega ao tema da expansão islâmica, a questão das civilizações que se desenvolveram na África nesse período é tratada, porém de forma muito suscinta e de forma pouco expressiva. A África na Idade Média constitui um tema que deve ser compreendido de forma sistemática, para que se possa compreender a formação do mundo moderno e nele as diversas potências europeias.

Formação histórica do continente africano

No continente africano diversas civilizações se destacaram desde a antiguidade. Foi o caso dos cartagineses estabelecidos no noroeste da África que são lembrados quando se fala da expansão do Império Romano do ocidente. Há o caso da civilização egípcia que floresceu no nordeste africano a partir do delta do rio Nilo e se tornou uma grande potência que não pode ser lembrada apenas pelas suas pirâmides. Recordamos também a civilização da Núbia, situada abaixo do Egito; o reino de Axum, que se desenvolveu na região da atual Etiópia, entre outras civilizações.

Essas civilizações, algumas em maior e outras em menor grau, mantiveram contato com as civilizações da Europa Ocidental, como a romana, e outras que se desenvolveram na Península Arábica, nas planícies iranianas e no Extremo Oriente.

O norte da África passou a sofrer, no período da Idade Média, uma intensa penetração da civilização árabe com a expansão islâmica. A partir do século VII, o islamismo passou a expandir-se por toda a Península Arábica e em direção ao norte africano e ao sul europeu, penetrando na Península Ibérica. Nesse período, houve um choque e um enriquecimento cultural da Europa pelo contato com as culturas africanas, e com as civilizações desse continente que já haviam sido cristianizadas.

Na região do Magrebe, a conversão ao islã ocorreu de forma sistemática, seja pelos reinos poderosos como o de Mali ou pelos povos nômades. Com a islamização, a prática da escravidão, que era bem comum no continente africano desde a Antiguidade, intensificou-se. Ao converter meia África, o Islamismo contribuiu para estimular ainda mais a escravidão, que era praticada antes mesmo de Maomé, já no século VI, quando os mercadores árabes frequentavam os portos da costa oriental da África, trocando cereais, carnes e peixes secos com tribos bantus por escravos.

As populações negras que não se tornaram muçulmanas também consideravam a escravidão um fato normal e alguns reis africanos tinham centenas de escravos como soldados e em suas guardas pessoais.

Além do reino de Mali, outros reinos também tiveram destaque no continente africano nesse período, principalmente aqueles que se desenvolveram abaixo do deserto do Saara, tais como o Reino de Gana, o de Kanem-Bornu, Iorubá e Benin. A principal forma de contato e de comércio entre esses reinos eram as caravanas de camelos, que permitiam o deslocamento para longas distâncias em meio ao deserto com uma quantidade grande de mantimentos, pedras preciosas, escravos, metais, porcelanas, tapetes e muitas outras mercadorias.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-12/foco-historia-conhecendo-melhor-continente-africano.html

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A importância da África na história mundial

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘A compreensão que se tem sobre a África e sua história ainda é bastante incompleta, sofrendo até mesmo de algumas formas de preconceito. Durante muito tempo, não somente a histórica desse continente, como também de outros continentes periféricos do mundo foi feita a partir de um ponto de vista europeu,

A periodização que se faz em relação à história da Europa em grande parte não serve para a história dos demais continentes. Certos conceitos históricos que se aplicam à Europa como feudalismo, renascimento ou modernismo não podem ser aplicados em seu todo à África.

Nas últimas décadas vários estudos feitos sobre a história africana alimentados pela descoberta de importantes registros arqueológicos provaram que a África tem uma história muito mais rica e grandiosa do que os antigos registros históricos demonstravam.

Registros do protagonismo da África na história

Origem da raça humana

Os mais antigos restos de esqueletos conhecidos de humanos anatomicamente modernos (ou homo sapiens) foram escavados em locais na África Oriental. Restos humanos foram descobertos em Omo, na Etiópia, datados de 195 mil anos, os mais antigos conhecidos no mundo.

Esqueletos de pré-humanos foram encontrados na África datando de 4 a 5 milhões de anos. Acredita-se que o tipo ancestral mais antigo de humanidade conhecido tenha sido o Australopithecus Ramidus, que viveu pelo menos 4,4 milhões de anos atrás.

Expedições de pesca

Os africanos foram os primeiros a organizar expedições de pesca há mais ou menos 90 mil anos. Em Katanda, uma região no nordeste do Zaire (atual Congo), foi recuperada uma série de pontas de arpão finamente trabalhadas, todas elaboradas, polidas e farpadas. Também foi descoberta uma ferramenta, igualmente bem trabalhada, que se acredita ser uma adaga. As descobertas sugeriram a existência de uma cultura primitiva aquática ou baseada na pesca.

A mineração surgiu na África

Os africanos foram os primeiros a se engajar na mineração há cerca de 43 mil anos. Em 1964, uma mina de hematita foi encontrada na Suazilândia, em Bomvu Ridge, na cordilheira de Ngwenya. Por fim, 300 mil artefatos já foram recuperados, incluindo milhares de ferramentas de mineração feitas de pedra. Adrian Boshier, um dos arqueólogos do local, datou a mina com impressionantes 43,2 mil anos de idade.

Pioneirismo na aritmética

Os africanos foram os pioneiros da aritmética básica a mais ou menos 25 mil anos. O osso Ishango, um cabo de ferramenta com entalhes esculpidos encontrado na região de Ishango do Zaire (Congo), perto do Lago Edward, demonstra esse pioneirismo. Originalmente, pensava-se que a ferramenta de osso tinha mais de 8 mil anos, mas uma datação recente mais sensível deu datas de 25 mil anos. Na ferramenta há 3 fileiras de entalhes. A linha 1 mostra três entalhes esculpidos ao lado de seis, quatro esculpidos ao lado de oito, dez esculpidos ao lado de dois cincos e, finalmente, um sete.

Organização política e social :

Reinos como Songhay, Kerma, Napata, Ashanti, Abomey, Oyo e Mossi tinham um Estado altamente organizado, com instituições complexas como um conselho de anciãos, que definia e controlava o poder exercido pelo governante da tribo, semelhante ao senado romano e um sistema administrativo e burocrático que era muito parecido com o sistema de outras partes do mundo.

Os impérios africanos

Assim como acontecia em outras partes do mundo, também na África foram formados alguns impérios com formações de Estado que abrangiam vários povos em uma só entidade. Esta formação se dava normalmente por meio de conquistas. Foram numerosos e importantes nas suas relações comerciais, políticas e culturais.

Movimentos de descolonização

O século XX foi marcado por movimentos, revoltas e acontecimentos. No continente africano foi o tempo das independências, que caminharam juntas à Guerra Fria, quando União Soviética e Estados Unidos polarizaram o mundo e, no contexto africano, foram decisivas com suas posições, por diferentes motivos, contrárias ao colonialismo.

O ano de 1960, sobretudo, ficou marcado como Ano Africano pois um número expressivo de países conquistou sua independência do colonialismo francês e inglês, especialmente por meio de oposições pacíficas. Esses movimentos levaram à redescoberta da história das diversas regiões da África e à valorização de várias personalidades oriundas do continente.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-11/foco-historia-conhecendo-melhor-continente-africano1.html

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A África antes da colonização europeia

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR

 

‘O continente africano era um lugar civilizado no tempo em que os primeiros viajantes europeus começaram a entrar em contato com continente. Quando chegaram ao Golfo da Guiné e desembarcaram em Vaida (na África Ocidental), por exemplo, os capitães e tripulantes dos barcos ficaram surpresos ao encontrar ruas bem traçadas, cercadas de ambos os lados por várias léguas por duas fileiras de árvores. Durante dias eles puderam viajar num país de campos cultivados, habitado por homens vestidos com roupas coloridas produzidas em suas próprias tecelagens.

No Reino do Congo, encontraram pessoas vestidas de seda ou veludo, como vestiam as pessoas mais graduadas da Europa.

Antes da colonização o continente africano abrigou Estados bem organizados e administrados minuciosamente. A situação dos países da costa oriental – Moçambique, por exemplo – era exatamente a mesma com tribos organizadas, funções sociais bem definidas e uma economia que garantia a sobrevivência de todos mesmo em períodos mais críticos como no tempo da seca ou de calamidades naturais.

As grandes civilizações africanas

Durante o período que chamamos de Idade Média (séculos V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental e por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o mar Mediterrâneo e o interior da África.

O reino de Gana. Gana já era um reino rico antes da chegada dos comerciantes do norte e os documentos deixados por esses comerciantes (árabes e berberes) informam o que foi Gana, e relatam um império extraordinário, também chamado de Terra do Ouro. O império tinha como capital Kumbi-Saleh. Dessa cidade, o rei e seus nobres controlavam povos vizinhos, obrigando-os a pagar impostos em troca de proteção. Além disso, Gana controlava o comércio tanto das mercadorias que eram trazidas do norte (como sal e tecidos), quanto das que saíam do interior da África (como ouro e escravos). Na capital, o comércio era intenso e os seus 20 mil habitantes recebiam diariamente as caravanas que vinham de diversas regiões. Entre os séculos 9 e 10, Gana viveu seu apogeu, sendo um dos mais ricos reinos do mundo, segundo Ibn Haukal, viajante árabe da época.

O reino de Mali. O Reino de Mali era, a princípio, uma região do Império de Gana habitada pelos mandingas. Era composto por 12 reinos menores ligados entre si, e tinha como capital Kangaba. O Império se tornou herdeiro do Império de Gana, passando a controlar todo o comércio local. O ouro extraído por Mali sustentava grande parte do comércio no Mediterrâneo. Conta-se que, entre 1324 e 1325, Mansa Mussa, em peregrinação a Meca, parou para uma visita ao Cairo e teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor desse metal se desvalorizou por mais de 10 anos.

Cidades iorubás. A partir do século IX formaram-se as cidades da civilização iorubá, na região da atual Nigéria, já habitada por esse povo desde o século IV.  Os iorubás nunca unificaram suas cidades, mas mantiveram a mesma cultura. A cidade iorubá mais importante era Ifé, considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença local. Outra cidade importante foi Oyo, um centro militar que, no final do século XVII, tinha se expandido até Daomé (atual Benin).

Império de Axum. O Império Axum data do ano 100 d.C., com a fundação da cidade de mesmo nome. No século IV já era o Estado de maior expressão do reino da Núbia e, por conta das relações no Mar Vermelho – local de articulação entre populações africanas e árabes – adotaram o cristianismo, que se espalhou em boa parte do território sob o domínio romano, inclusive no Egito.

Império Zimbábue. O Império Zimbábue existiu entre os anos de 1200 e 1400, no litoral da África Austral, onde hoje estão localizados Moçambique e Zimbábue. Este Império ficou conhecido por seu grande número de construções, que são testemunhos do poder alcançado por ele. Foi um poderoso Estado com hegemonia na região localizada entre os rios Zambeze e Limpopo.

Império Songai. O Império Songai está relacionado com a cidade de Gao, localizada na curva do Níger. Esta cidade foi um importante centro comercial, político e econômico, com poder militar de arqueiros que se lançavam ao Rio Niger.

Registro de avanços e conquistas

Quando os missionários portugueses chegaram ao Congo encontraram um sistema político bem organizado com cobrança de impostos e taxas. Havia, inclusive, um eficiente tribunal e um funcionalismo público estruturado. O estado construiu estradas, impôs portagens, apoiou um grande exército e tinha um sistema monetário baseado no uso de conchas, do qual o chefe supremo tinha o monopólio.

O Reino do Congo tinha também alguns estados satélites como o estado do Ngola (ie Ndongo) localizado na atual Angola. O reino original era aproximadamente do tamanho da França e da Alemanha juntas. Há registros da existência de uma arte metalúrgica especializada no antigo Congo.  Como os artífices Bakongo estavam cientes da toxicidade dos vapores de chumbo, criaram métodos preventivos e curativos, tanto farmacológicos usando doses maciças de mamão e óleo de palma e quanto mecânicos, para combater o envenenamento por chumbo.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-11/foco-historia-conhecendo-melhor-continente-africano2.html

 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A razão do nome do continente africano

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

Ilustração Mariana Massarani

*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Na maioria das vezes nós nos acostumamos com os nomes das pessoas, dos lugares, dos acontecimentos e datas históricos, não pensando no real significado de seu nome ou daquilo que está por trás desse nome. 

Começando essa nova série, é interessante a gente perguntar : Qual a motivação do nome ‘Continente africano’ e porque a África é assim chamada? Como e quando o continente africano recebeu esse nome?

Lar dos primeiros seres humanos

A África é o segundo maior continente do mundo, perdendo em extensão apenas para a Ásia, suplantando todos os demais. Ao todo 54 países se distribuem pelo continente africano. Desse total, 48 são países continentais e outros seis são insulares. Existem também alguns territórios que não são reconhecidos como países, alguns deles bem desconhecidos : Somalilândia, Mayotte, Azawad, Cabinda, Ogoniland, Barotseland e República Árabe Saharaui Democrática.

Mesmo que muitas pessoas não concordem com nisso, a África, pátria dos primeiros seres humanos, é um continente bonito, rico em suas belezas vegetais, animais, minerais e humanas, porém, muitas vezes esquecido, sobretudo, pelo mundo ocidental.

Em relação à denominação do continente, são várias explicações que tentam, segundo os historiadores e estudiosos, justificar o seu nome. A teoria mais aceita e difundida é a que afirma que foram os antigos romanos que deram esse nome ao continente, como homenagem aos AFRI, uma tribo berbere do norte do continente. Os Afri viviam em cavernas perto da cidade de Cartago onde localiza-se a atual Tunísia. 

A cidade de Cartago chegou a se constituir como uma forte potência comercial que se opôs à expansão romana. Por volta de 146 a.C, depois das Guerras Púnicas, Cartago e áreas adjacentes foram conquistadas pelo Império Romano, transformadas em província. Depois disso, os romanos dominaram o Mar Mediterrâneo, constituindo um império de enormes dimensões que dominou e incluiu todo o norte do continente.

Origem do nome do continente

Em vez de dar o nome de Cartago à nova província, ela recebeu o nome de África porque a tribo AFRI tinha sido leal à liderança de Roma. Depois veio a junção com a palavra latina ‘ca’ com o significado de ‘terra’. Como resultado o continente que começamos a estudar desde então passou a se chamar de ‘a Terra dos Afri’.

Existem, porém outras teorias menos difundidas que explicam a razão do nome do continente. Uma dessas teorias parte também da etimologia, afirmando que a palavra África tem origem na palavra latina aprica, que significa ensolarado. Fala-se também do antigo termo grego aphrike, que significa sem frio. Ambos os termos concordam com a mesma explicação, pelo fato de que no continente predomina o tempo ensolarado, com uma menor incidência do frio.

Alguns historiadores também sugerem a existência de uma conexão entre o nome do continente africano com a palavra egípcia ‘af-rui-ka’, que significa ‘voltar-se para a abertura do Ka’. Na mitologia egípcia, Ka era o poder da alma, como se fosse um duplo energético de cada pessoa. Isso significa que ‘af-rui-ka’ pode ser traduzido como ‘o local de nascimento’.

Outra teoria ainda, bem diferente das demais surgiu no início do século XVI, quando o famoso explorador Leo Africanus, que documentava tudo o que via ao visitar muitos lugares no norte da África, sugeriu que o nome África poderia ser derivado da palavra grega ‘a-phrike’, que significa sem frio, ou sem horror. Na verdade, isso é bastante lógico porque outros historiadores sugeriram que os romanos possam ter derivado o nome da palavra latina para ensolarado ou quente, a saber, ‘aprica’. Porém, de onde os romanos tiraram exatamente o nome de África ainda é objeto de questionamentos, pela não aceitação da explicação dada segundo o nome de uma tribo do norte do continente.

As pesquisas arqueológicas e antropomórficas comprovam que a África é o lar dos primeiros seres humanos. Com isso, a expressão ‘local de nascimento’ pode ser considerada mais apropriada, por ser a África o local ancestral, onde se deu o nascimento da humanidade.

De qualquer forma, passamos a tratar de um continente de imensas possibilidades. Inclusive, a própria cartografia que durante séculos colocava o continente europeu como se fosse o centro do mundo, começa a rever os seus conceitos e muitas cartas geográficas e mapas já mostram a centralidade do continente africano no planeta terra, nossa ‘Casa Comum’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-11/foco-historia-conhecendo-melhor-continente-africano.html

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A história da África

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR


‘Foi no continente africano, vasto e multifacetado, que os primeiros ancestrais do ser humano surgiram e se desenvolveram dando base às demais civilizações. Saindo das areias do Saara até as densas florestas do Congo, das terras férteis do vale do Rio Nilo até as savanas do sul, em seu passado a África abrigou impérios florescentes, reinos e sociedades complexas muito antes do advento das grandes nações europeias que posteriormente subjugariam e explorariam suas riquezas.

O brilho da África sempre esteve presente na história do mundo, porém, muitas vezes foi obscurecido pelos interesses daqueles que, pela arrogância e voracidade, tentaram apagar a grandeza de seus povos.

Povos e civilizações

Diversos povos africanos desenvolveram sofisticadas culturas e avançadas formas de organização política e social. O Antigo Egito, frequentemente citado por narrativas ocidentais como se fosse uma civilização isolada do restante do continente, na verdade, se constitui num dos muitos exemplos da riqueza histórica africana. O Reino de Kush, ao sul do Egito, localizado onde existe o Sudão, floresceu como potência militar e econômica, chegando a governar a terra dos faraós em um período conhecido como Dinastia Núbia. A grandiosidade de Timbuktu, no Império Mali, se rivalizava com as mais célebres cidades europeias da Idade Média, como um centro de saber, onde se reuniam estudiosos, filósofos e matemáticos que alimentavam a ciência muito antes do Renascimento europeu. No Império de Gana, riquezas incalculáveis em ouro circulavam por rotas comerciais que conectavam a África ao mundo islâmico e mais além.

Enquanto a Europa vivia no sistema feudal, os reinos africanos já haviam estabelecido dinâmicas comerciais bem sofisticadas. No Zimbábue foram erguidas edificações em pedra sem o uso de argamassa, um feito arquitetônico notável. O Reino do Congo já mantinha diplomacia com Portugal no século XV, mostrando que os povos africanos não eram meramente receptores passivos da presença estrangeira, mas agentes de suas próprias histórias. No entanto, à medida que as potências europeias foram conhecendo as imensas riquezas da África, iniciou-se a longa e brutal campanha de exploração que definiria séculos de sofrimento e resistência. O mercantilismo, muitas vezes explorando divergências entre reinos e tribos locais, gerou séculos de colonização.

Confronto com as civilizações ocidentais

A chegada dos europeus não significou um intercâmbio pacífico de culturas, mas o início de uma de uma triste página da história mundial graças à escravização transatlântica. Milhões de africanos sequestrados de suas terras, arrancados de suas famílias e acorrentados em navios negreiros cruzaram o oceano rumo às Américas.

A partir do final do século XV e início do século XVI, algumas florescentes sociedades foram destruídas, com a fragmentação de estruturas políticas que haviam levado séculos para serem construídas. Os impérios africanos, que haviam prosperado, foram minados por uma política de desestabilização que visava garantir um fluxo contínuo de seres humanos para alimentar a necessidade de mão de obra que sustentaria a produção em outros continentes.

Maia tarde, ao longo do século XIX, aconteceu a partilha da África em várias áreas de influência e dominação. Fronteiras artificiais foram traçadas, povos que antes coexistiam foram separados, e inimigos históricos foram forçados a compartilhar o mesmo espaço, criando conflitos que repercutem até hoje.

As marcas da colonização com a exploração de suas terras e de seus recursos agro-minerais persistiram por muito tempo e ainda hoje não foram de todo superadas. Várias regiões foram palco de exploração que geraram morte e perda de milhões de vidas humanas.

Mas a África nunca se curvou completamente. A resistência sempre esteve presente, desde as revoltas contra o domínio colonial até os modernos movimentos de libertação. Homens e mulheres lutaram pela liberdade com grande coragem e determinação. A Etiópia, sob Menelik II, impôs uma das maiores derrotas a uma potência europeia na Batalha de Adwa, mantendo sua soberania diante do imperialismo italiano. Samori Touré resistiu bravamente ao domínio francês, assim como os Ashanti contra os britânicos.

E, no século XX, líderes como Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba e Nelson Mandela desafiaram as forças coloniais e neocoloniais, mostrando ao mundo que a África pertencia aos africanos.

O continente ainda carrega as cicatrizes da exploração, mas sua resiliência nunca se apagou. A África continua sendo um berço de inovação, cultura e resistência, mesmo enfrentando os desafios herdados do colonialismo. A história africana é uma história de grandiosidade, e sua trajetória futura será escrita por aqueles que continuam a desafiar os resquícios de um passado que tentou, mas nunca conseguiu, apagar sua luz.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-11/foco-historia-conhecendo-melhor-continente-africano0.html

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

África: as consequências das guerras na escolarização das novas gerações

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo da Vatican News

 

‘A questão da fixação dos exames de fim de ano letivo de 2024 para os estudantes sudaneses e refugiados no Egito, tema do encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, mostra como a guerra no Sudão afeta a vida estudantil dos jovens. Segundo fontes governamentais, há cerca de 1,2 milhões de refugiados sudaneses no Egito, incluindo crianças em idade escolar que não podem integrar-se no ensino porque não são registadas logo que chegam ao Egito. O problema da escolarização por causa da guerra é semelhante em todo o continente, especialmente na África subsariana.

Vastas zonas do continente africano estão hoje dilaceradas por conflitos, pela violência praticada por grupos armados, pela luta pelo controlo dos recursos : África Ocidental e Sahel, Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia... Por todo o lado, a escola e a educação são as primeiras vítimas dos confrontos armados, porque a continuação das atividades educativas normais é vista como um obstáculo à ação das milícias. As Nações Unidas estimam este ano que quase 40% dos ataques a escolas em todo o mundo ocorrem em África, onde foram registados mais de dois mil e quinhentos nos últimos anos.

No Sahel, há atualmente cerca de 14 000 escolas que foram fechadas, com cerca de 2,8 milhões de crianças que não podem ir à escola. Na República Democrática do Congo, o problema é generalizado nas regiões orientais, onde operam tanto grupos armados extremistas como grupos apoiados por países vizinhos. Só no início deste ano, cerca de quinhentas escolas foram encerradas no Kivu do Norte, um número que não deverá melhorar até 2025, dada a persistência da violência. No total, de acordo com estimativas publicadas pela Unesco em setembro último, 30% de todos os menores do mundo que não vão à escola concentram-se apenas na África subsariana.

O problema agrava-se quando se tem em conta que a população do continente é a mais jovem do mundo. Um elevado número de crianças que não frequentam a escola devido a conflitos acrescenta incerteza e novos problemas relativamente às perspetivas de futuro. Curar a escolaridade pode garantir um desenvolvimento económico o mais alargado possível, mas hoje em dia há demasiadas crianças e jovens refugiados devido às guerras ou que ainda vivem nos bairros de lata das grandes cidades (segundo dados da Unicef atualizados para 2020, existem mais de 1,8 mil milhões no mundo, concentrados sobretudo em África e na Ásia) e correm o risco de ficar à margem da sociedade para o resto das suas vidas.

No caso das crianças que não vão à escola devido aos conflitos, o fenómeno assume também caraterísticas de gênero, porque as raparigas são frequentemente as primeiras a deixar de ir à escola e as últimas a retomar os estudos após o fim dos conflitos.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2025-01/africa-as-consequencias-das-guerras-na-escolarizacao-das-novas.html

terça-feira, 15 de março de 2022

Via Sacra escrita por bispo denuncia: “a vida na África vale pouco”

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Francisco Vêneto,

jornalista


‘A vida na África vale pouco, denunciou a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS ou ACN, pela sigla internacional em inglês), mediante o texto de uma Via Sacra composto em 2021 por dom Jesús Ruiz Molina, bispo auxiliar de Bangassou, na República Centro-Africana.

O bispo, que é de origem espanhola, escreveu na ocasião :

Em quase todos os países da África subsariana, a esperança média de vida da população não chega aos 60 anos. No país em que vivo, ela é de escassos 50 anos. Morre-se antes do tempo e vive-se tão precariamente que muitas vezes me pergunto : será que há vida antes da morte? Como vale pouco a vida na África!

A vida na África vale pouco

Segundo matéria da agência portuguesa Ecclesia, dom Molina propôs aos fiéis que meditassem sobre a Paixão de Cristo e, ao mesmo tempo, a vissem refletida no calvário de um continente ‘escravizado pela ganância, violentado pelo terrorismo, mergulhado tantas vezes numa pobreza quase obscena’.

Assim como este panorama se arrastava no continente havia décadas e décadas, nada mudou do ano passado para cá. A ‘Via Sacra África’ segue atual, denunciando desumanidades como a fome, as violências contra as mulheres e o escândalo brutal das crianças-soldado.

A fundação AIS observou, no lançamento do texto, que as reflexões ali propostas ‘perturbam as consciências’ de quem ‘olha para a África como um lugar subalterno’.

O texto da Via Sacra foi editado em formato de livro. Em diversos países, como foi o caso de Portugal, a fundação AIS destinou o dinheiro angariado com a venda dos exemplares a projetos em prol dos cristãos da África, vitimados pela perseguição e pela intolerância religiosa.’

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2022/03/14/via-sacra-escrita-por-bispo-denuncia-a-vida-na-africa-vale-pouco/

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Emigração religiosa da África para a Europa: perigo para as Igrejas locais


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Templo católico em São Tomé e Príncipe
Templo católico em São Tomé e Príncipe  (AFP or licensors)

Ir para a Europa, viver na Europa, abandonar a África tornou-se uma ideologia muito perigosa que destrói os espíritos, dos mais vulneráveis aos mais sólidos como o dos religiosos’, disse à agência missionária Fides o sacerdote da Sociedade Missões Africanas, Padre Donald Zagore.

Crescente número de sacerdotes e religiosos que trocam a África pela Europa

É triste, mas é importante reconhecer que o fenômeno da imigração na Europa diz respeito não somente a nossas sociedades africanas, mas também a numerosas dioceses e comunidades religiosas. Há muitos sacerdotes e religiosos que abandonam o continente africano para servir nos países europeus e americanos. A emigração da África para a Europa, na sua forma religiosa, é um fenômeno que está se tornando cada vez mais importante em nosso continente’, continua o missionário.

Fenômeno já denunciado por vários bispos

No início de 2017, o bispo da Diocese de Daloa, na Costa do Marfim, Dom Marcelin Yao Kouadio, durante uma de suas homilias citou os casos de duas dioceses africanas particularmente atingidas pelo fenômeno.’

Em maio de 2018, também o bispo de Katiola e presidente da Conferência episcopal marfinense, Dom Ignace Bessi Dogbo, durante a abertura da Assembleia plenária dos bispos ebúrneos, denunciou o fenômeno dos ‘padres vagantes’ : sacerdotes que se refutaram voltar para a África após os estudos ou depois de uma missão na Europa.’

Em entrevista concedida ao Lacroix, em 7 de agosto, o arcebispo de Rouen, na França, Dom Dominique Lebrun, ex-presidente do grupo de trabalho sobre ‘Sacerdotes de fora’ (Pretres venus d’ailleurs), reconheceu a existência de tal fenômeno.

Várias razões levam sacerdotes africanos a emigrar

As razões mais clássicas permanecem sendo a busca do bem material e do prestígio, prossegue Padre Zagore. ‘Muitos fogem da África por causa da situação deles de miséria e precariedade em vista de países ricos. Ademais, muitos africanos pensam ser superiores aos outros, especialmente nos âmbitos eclesiásticos, porque vivem, trabalham ou estudam na Europa. Por vezes uma nomeação ou ulteriores estudos na Europa assumem a forma de resgate. É dramático pensar que a essência africana alcance a plenitude de sua realização quando goza do prestígio europeu’, pondera o missionário.

Um grande perigo para a Igreja na África

Este conceito comporta um enorme perigo para a Igreja católica na África, que aos poucos vai se esvaziando devido a falta de sacerdotes além da proliferação de vocações que podem não ser sinceras. Hoje é preciso pensar que não é mais necessário tornar-se sacerdote para servir aos pobres em Cristo. Aquilo que tem valor é a corrida desenfreada pelos bens materiais e a glória, que causam conflitos e divisões em nossas Igrejas na África’, continua Padre Zagore.

Urgentes medidas para conter a emigração de sacerdotes e religiosos da África

Em nossas dioceses, em nossas comunidades religiosas, urgem ações concretas para conter a emigração dos eclesiásticos. Em primeiro lugar, é preciso uma consciência coletiva do perigo representado. Em segundo lugar, as autoridades eclesiásticas precisam avaliar atentamente as motivações que levam a escolher a vida sacerdotal ou religiosa, e examinar também as nomeações.’

Sacerdócio e vida religiosa não podem ser trampolim

Por fim, deve ser dito de modo claro e contundente, citando o bispo Marcelin Kouadio : ‘o sacerdócio e a vida religiosa não podem ser um trampolim para fugir da África porque é pobre’, conclui o religioso da Sociedade Missões Africanas, Padre Zagore.’


Fonte :

domingo, 29 de julho de 2018

Os desafios da África


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Vilarejo africano
*Artigo de Silvonei José,
jornalista
  
‘Concluíram-se no último dia 22 de julho os trabalhos da XIX Assembleia Plenária da Associação dos membros das Conferências Episcopais do Leste Africano (AMECEA). Na semana de encontros o olhar dos participantes se concentrou sobre os vários dramas que vive o grande continente africano, como os conflitos em andamento na África Oriental, com suas pesadas consequências humanitárias, os migrantes, as famílias e os jovens.

Os trabalhos se realizaram em Addis Abeba, capital etíoPadre O tema escolhido foi : ‘A vivaz diversidade, igual dignidade e pacífica unidade em Deus’. Os debates foram conduzidos a cada dia por um dos nove países reunidos na Associação : Eritreia, Etiópia, Quênia, Malaui, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Conflitos étnicos e religiosos

Como dissemos antes, o foco da atenção esteve nos persistentes conflitos étnicos e religiosos existente nesta região da África, que resultam em um grande número de civis que se veem obrigados a fugir das guerras internas do Sudão do sul,  na região dos Grandes Lagos, da antiga disputa entre a Eritreia e a Etiópia, onde nas últimas semanas novos vislumbres de paz se abriram. Problemas relacionados ao terrorismo e ao fundamentalismo emergente na área também foram tratados no encontro.

Nos objetivos dos trabalhos, decidir como as Igrejas locais podem trabalhar pela paz e a harmonia nos países da África Oriental e transmitir aos seus povos a mensagem de que a diversidade étnica é um presente maravilhoso de Deus que devemos acolher. Ser diferente - explica uma nota da organização - é uma coisa linda que oferece a oportunidade de aprender uns com os outros.

Foi a primeira vez que a Etiópia sediou uma Assembleia plenária da Amecea. Além dos delegados do Vaticano, participaram representantes de várias organizações leigas e organizações católicas internacionais.

Mensagem final

Na mensagem final dos trabalhos a palavra que ressoou foi ‘reevangelização’. É preciso uma ‘reevangelização’ nos países da África Oriental; há necessidade de uma evangelização mais profunda na África, um Continente onde há o paradoxo de uma crescente prática cristã e ao mesmo tempo aumento endêmico de conflitos étnicos. Os bispos africanos estão determinados a trabalhar pela busca de soluções dessas dramáticas questões

Os prelados exprimiram satisfação pelos novos passos realizados, justamente neste período pela paz e o diálogo entre a Etiópia e Eritrea, depois de vinte anos de conflito. Também manifestaram-se positivamente pelos progressos realizados nas negociações de paz no Sudão do Sul comunicando que continuam as orações pela resolução do conflito.

Foram detalhados pontos sobre os jovens e a necessidade de maior desenvolvimento de programas pastorais e também de enfrentar os desafios do desemprego. Sobre as questões ambientais a atenção é pela necessidade de defender a terra como ‘nossa casa comum’ evitando interesses privados.

Enfim, foi sublinhada a questão dos países marcados pela ‘corrupção generalizada’, convidando os agentes pastorais a se concentrarem na formação dos cristãos para prepará-los para que se tornem líderes íntegros na sociedade.

Alarme sobre o extremismo ideológico religioso

Ainda durante os trabalhos, foi lançado o alarme sobre o extremismo ideológico religioso que se preocupa em desenraizar as formas alternativas de existência e percepção na sociedade através do terrorismo. ‘O terrorismo - disse o Padre Patrick Devine, fundador e presidente do Centro Shalom de Nairobi - é o instrumento do extremismo violento usado para purgar a sociedade da tolerância, para impor a própria visão do mundo e da fé. Para contrastar este processo negativo, há, paradoxalmente, uma clara necessidade de intolerância à intolerância’.

O extremismo religioso tem um impacto direto no desenvolvimento econômico e sobre as perspectivas de vida de inteiras populações porque num país em que as pessoas são mortas, mutiladas ou obrigadas continuamente à fuga, as comunidades locais não podem gozar de um desenvolvimento sustentável devido à destruição de escolas, hospitais, habitações

Um breve olhar para a África, terreno fértil para a evangelização, lugar de homens e mulheres de boa vontade que têm esperança na resolução de seus dramas endêmicos. É necessário aumentar os esforços nacionais e internacionais a fim de resolver os conflitos na região e de construir uma sociedade pacífica, inclusiva e justa mediante o respeito, a proteção e a promoção dos direitos humanos. A Igreja Católica está ao lado desse povo e caminha com ele, certa do poder que brota da mensagem de Cristo.’


Fonte :