Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo
do MigraMundo Equipe
‘A cada 1º de junho não há como não lembrar da figura do
Bem-aventurado J. B. Scalabrini (1839-1905), aniversário de sua morte. Podemos
resumir seu legado histórico em quatro expressões que bem expressam o rico
dinamismo sociopastoral de sua vida : homem de Deus, homem do seu tempo, homem
da Igreja e homem dos pobres e emigrantes.
Homem de Deus. Sabemos todos quanto tempo Scalabrini ‘perdia’
no cultivo diário e contínuo da intimidade com Deus. Quantas horas diante do
sacrário, diante da cruz e aos pés de Maria! A cruz inebriava sua
espiritualidade, a um só tempo simples e profunda. Igualmente emblemática era
sua devoção à celebração eucarística. O sacrário, a cruz, Maria e a Eucaristia
são suas fontes de água viva. Com elas mata a sede e a fome do mistério humano
e divino; nelas se alimenta e se fortalece, delas extrai as energias para a
ação missionária. Nessa água fresca, transparente e cristalina nutre o corpo, o
coração e a alma.
Homem do seu tempo. Por ser homem de Deus,
Scalabrini torna-se também homem da história, capaz de interpretar os sinais
dos tempos. Os que com perseverança buscam a presença da luz divina, tornam-se
mensageiros de sua infinita sabedoria. Profetas não no sentido de adivinhar o
futuro, mas de ler de maneira tão profunda o presente, que podem intuir os
novos rumos da história. Scalabrini será testemunha de anos conturbados pelos
efeitos da Revolução Industrial. Vive no chamado ‘século do movimento’ :
movem-se as máquinas, os carros, os trens, os navios a vapor, os aviões e
sobretudo as pessoas. Aos milhões, essas últimas deixam o campo e migram para a
cidade. Boa parte consegue emprego na indústria incipiente, outros cruzam mares
e oceanos em vista de recomeçar a vida nas ‘terras novas’ das Américas,
da Austrália e da Nova Zelândia.
Homem da Igreja. Por ser homem de Deus e homem
do seu tempo, Scalabrini é ainda homem da Igreja. Suas cartas, homilias e
escritos em geral respiram uma preocupação permanente com a doutrina social. De
forma toda particular, imprime sua marca no ensino catequético. Ama os demais
pastores responsáveis de outras dioceses, ao mesmo tempo que busca manter
relações permanentes com o Pontífice e o Vaticano. Como já disse alguém, seu
coração era maior que a diocese. Seu amor, coragem e solicitude transbordam das
fronteiras diocesanas para seguir os passos dos trabalhadores, especialmente
dos que são forçados a deixar sua família e sua terra natal para conseguir o
pão em serviços temporários nas carvoarias, nas safras agrícolas!…
Homem dos pobres e migrantes. Por ser homem de Deus, homem
da história e homem da Igreja, Scalabrini será por fim um homem voltado para os
pobres e os emigrados. Doía-lhe o coração ver tantos fiéis deixarem as
paróquias da diocese para aventurar-se pelos mares bravios e terras ignotas.
Ícone e inspiração do carisma scalabriniano haverá de se tornar a sua comovida
descrição dos emigrantes na estação de Milão. Às centenas esperavam o trem para
Gênova, de cujo porto deveriam zarpar para outros continentes, longínquos e
desconhecidos. ‘Eram migrantes’ – diz o pastor que viria a ser
considerado o ‘pai e apóstolo dos migrantes’.
De acordo com ele, o fenômeno migratório era um dos grandes sinais
dos tempos. Marca de sua época cheia de cicatrizes, devido às profundas e
rápidas transformações que se espalhavam pelo mundo todo. De acordo com ele, as
migrações de massa podiam servir aos desígnios de Deus para o intercâmbio de
povos, culturas e valores. Foi dessa maneira que, no decorrer dos séculos,
numerosas civilizações se ergueram e se tornaram fortes. Nem sempre, contudo,
os emigrantes figuravam como sujeitos, profetas e protagonistas do amanhã.
Podiam também servir aos ‘mercadores de carne humana’, os quais,
aproveitando-se de sua fraqueza e vulnerabilidade momentâneas, lucravam sobre a
pobreza, a miséria e a fome – sobre o desespero.
Da sensibilidade e intuição de semelhante pastor, o Espirito Santo
fez estrada para enviar à Igreja novo carisma : a solicitude e o
serviço no campo da mobilidade humana. A partir desse carisma, iriam
nascer as Congregações dos Missionários (1887) e das Missionárias (1895) de São
Carlos – Scalabrinianos/as. Depois o Instituto das Missionárias Seculares
(1961), por fim e por toda parte, o Movimento Leigo Scalabriniano – formando a
Família Scalabriniana – a serviço dos migrantes.’
Fonte : *Artigo na íntegra https://migramundo.com/algumas-palavras-sobre-scalabrini-pai-e-apostolo-dos-migrantes/
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