sexta-feira, 17 de março de 2017

Quaresma : volta às fontes da fé

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Felipe Magalhães Francisco,
Doutorando em Ciências da Religião, pela PUC-MG e
Mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia


‘A Quaresma é um tempo litúrgico muito forte, seja na motivação de experiências religiosas, seja na motivação de experiências espirituais. É certo que a última é teologicamente preferível, pois esse importante tempo litúrgico precede a celebração daquilo que é o coração da fé cristã : a Páscoa de Jesus. É a Páscoa o sentido mais profundo da fé daquelas e daqueles que assumem o Cristo como Senhor : ‘Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento é também a nossa fé’ (1Cor 15,14).

A Quaresma, como tempo de preparação, inspira os fiéis ao comprometimento com a fé que professam. É nesse horizonte que se percebe a importância de se buscar e de se viver a conversão. Converter-se remete à volta, mudança de mentalidade. Abre-nos, ainda, à experiência com a profundidade da misericórdia divina que sempre se desdobra sobre nós.

A dinâmica do caminho quaresmal, nesse sentido, é dupla : reconhecimento da misericórdia divina, que quer a todos e todas salvos, bem como comprometimento com a volta àquilo que torna possível essa salvação, a saber, nossa fé no mistério da Páscoa de Jesus. Simbolicamente, significa, entre outras coisas, rememorar nossa experiência batismal, de mergulho na morte de Jesus e emersão em sua vida ressurreta.

Essa é a pedagogia da quaresma, em seu convite à conversão: num processo cotidiano de busca por viver e testemunhar a fé em Jesus, morto-ressuscitado, o ano litúrgico desperta nossa sensibilidade, nesse tempo todo especial, para um comprometimento que deve ser vivido em toda a vida cristã.

É por isso que a Quaresma nos remete à experiência do caminho e do deserto, elementos tão importantes na vida do povo eleito, bem como na vida de Jesus. Caminho e deserto nos remetem à dimensão do encontro : no esforço da caminhada e na dificuldade desértica, somos chamados a nos voltarmos para dentro de nós mesmos, para aí encontrar o dom salvífico do amor de Deus.

Tal como os discípulos de Emaús, caminhando em meio às sombras da história, somos convidados a fazer o caminho, meditando os acontecimentos da vida de Jesus, dando abertura para que ele se ponha caminheiro no meio de nós. Só assim, no itinerário espiritual do caminho, poderemos experimentar a força da ressurreição de Jesus, que faz arder nosso coração e nos dá a alegria da salvação. Quaresma é sempre volta, oportunidade de encontro com o sentido profundo de nossa fé : esse é um tempo que o Senhor fez para nós, caminhemos rumo a Ele, convertendo-nos ao seu amor!’


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