quinta-feira, 7 de maio de 2015

O apelo do extremismo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  *Artigo de Padre José Rebelo,
Missionário Comboniano


Muito mais terá que ser feito por parte do Estado e da sociedade em geral para evitar que os mais jovens abracem uma utopia mortífera. 

O êxito com que o Estado Islâmico da Síria e do Iraque (ISIS) atrai e recruta adolescentes e jovens ocidentais para as suas fileiras é verdadeiramente desconcertante. O que é que levará milhares de jovens a trocarem o seu relativo bem-estar por uma aventura em zonas de alto risco e mesmo a aceitarem fazer-se explodir por uma causa heróica ou romântica?

Um dos segredos terá que ver com os meios usados. Segundo Matthew Olsen, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo Americano, ‘o ISIS tem a máquina de propaganda mais sofisticada de todas as organizações terroristas’, e ‘dissemina oportunamente conteúdos de alta qualidade em várias plataformas, inclusivamente nas redes sociais’. Usa plataformas como o Twitter, o Facebook e o WhatsApp para atingir o seu público-alvo – a ‘geração da Net’, habituada à comunicação digital – numa linguagem que este entende. Os vídeos produzidos para celebrar a sua brutalidade são feitos com técnicas tão sofisticadas que mais parecem trailers de filmes de ação rodados em Hollywood.

Dinheiro não falta ao Estado Islâmico : é o grupo terrorista mais rico, com reservas estimadas em milhões de dólares. Segundo a CNN, faz entre um a dois milhões de dólares por dia com o contrabando de petróleo no Sul da Turquia. O resto é obtido através da extorsão de ‘taxas’ aos cerca de seis milhões que vivem nas áreas que domina, o pagamento de resgates pelos sequestros que realiza, o tráfico de antiguidades, as doações de simpatizantes e o assalto a bancos.


O que leva os jovens a cair no engodo do ISIS não depende apenas dos meios de que dispõe. Os especialistas dizem que o ISIS consegue apelar ao seu idealismo religioso e ao desejo de escapar às frustrações que enfrentam numa sociedade de tipo ocidental. De acordo com o antropólogo Scott Atran, citado pelo The Guardian, muitas vezes são ‘imigrantes, estudantes, entre empregos ou namoradas... à procura de novas famílias, de amigos e companheiros de viagem; na maior parte dos casos não têm nenhuma educação religiosa tradicional e ‘nascem’ para uma vocação religiosa radical através do apelo à jihad militante’. Entre os atrativos que encontram num grupo extremista podem contar-se o sentimento de pertença, uma nova identidade, aventura ou dinheiro : como recompensa pela sua lealdade, os jovens recebem presentes de Alá, incluindo uma casa fornecida pelo califado, com eletricidade e água grátis.

O ISIS tem uma rede de recrutamento difusa e tão eficiente que tem iludido os esforços dos serviços de segurança ocidentais. Acredita-se que seja operada a partir da Turquia, Síria e Iraque. Os recrutadores on line fornecem informações a quem se sente inclinado a viajar para se juntar ao grupo. O desafio é progredir no domínio das novas tecnologias e rebater adequadamente a sua propaganda. Certamente muito mais terá de ser feito por parte do Estado e da sociedade em geral para evitar que os mais jovens abracem uma utopia mortífera. A barbárie não conhece limites. Da decapitação de reféns, os extremistas passaram à destruição do patrimonio cultural e arqueológico da humanidade nas regiões que controlam, quiçá na tentativa de exacerbar a ira ocidental. Tal radicalismo tende a suscitar respostas não menos irracionais. Esperemos que as vozes sensatas e moderadas prevaleçam e os Estados Unidos e seus aliados não se deixem arrastar para mais uma guerra de consequências imprevisíveis.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EuFpZFZkpVBvyUDcQK

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