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sexta-feira, 27 de março de 2026

Uma luz no fim do feed

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
Mundo digital  (Julien Eichinger - Fotolia)

*Artigo de Marcus Tullius

Comunicação da Cáritas América Latina e Caribe


‘A decisão inédita de um júri de Los Angeles, no dia 25 de março, colocou Google e Meta no centro de um debate que extrapola o campo do Direito. Ao considerá-las responsáveis por contribuir para uma crise de saúde mental entre adolescentes e jovens, a partir do funcionamento de plataformas como YouTube e Instagram, o caso deve entrar, definitivamente, no debate público. O problema deixa de ser lido como fragilidade do usuário e passa a ser reconhecido como efeito de um sistema desenhado para capturar. Portanto, não é uma condenação do conteúdo que está circulando, mas da arquitetura da plataforma e a responsabilização de seus donos.

O caso em questão envolve uma jovem de 20 anos que afirmou ter se viciado nos aplicativos devido ao seu design atraente. Isso é resultado de uma lógica simples e profundamente eficaz. As plataformas existem para reter a atenção. E, uma vez retida, essa atenção precisa ser convertida em valor econômico. O tempo que se passa na tela não é apenas um indicador de uso — é a própria matéria-prima de um modelo de negócios.

Isso ajuda a compreender por que não se trata apenas de conteúdo produzido — que não é menos relevante —, mas de arquitetura. Rolagem infinita, notificações constantes, vídeos encadeados, recompensas intermitentes : tudo converge para prolongar a permanência nos aplicativos e dispositivos. Não porque o usuário decidiu livremente ficar, mas porque o ambiente foi desenhado para tornar a saída cada vez menos provável. Byung-Chul Han descreve em Não-coisas : reviravoltas do mundo da vida (2022) que ‘o constante digitar e deslizar no smartphone é um gesto quase litúrgico que influencia massivamente a relação com o mundo’ (p. 43) e que ‘o dedo que digita torna tudo consumível’ (p. 45). A captura permanente da atenção não se dá contra a vontade, mas é previamente orientada para gerar esse comportamento automatizado em vista do lucro.

Esta talvez seja apenas a ponta mais emergente de um iceberg daquilo que Shoshana Zuboff define em A era do capitalismo de vigilância (2021), como ‘uma nova ordem econômica que reivindica a experiência humana como matéria-prima gratuita para práticas comerciais dissimuladas de extração, previsão e vendas’. Este capitalismo de vigilância, extremamente predatório, nos deixa inertes diante desta arquitetura global de modificação de comportamento. A autora, professora emérita de Harvard, nem menciona à época a inteligência artificial, o que hoje acentua ainda mais a dimensão do problema de mudanças comportamentais e vícios. A atenção é capturada, convertida em dado e processada como valor. E o vício não é apenas um acidente do percurso, mas peça chave para o seu funcionamento.

Você já parou para perceber a enxurrada de notificações que recebe ao longo do dia? Até aqui, na leitura deste texto, você foi roubado quantas vezes por alguma notificação ou para checar alguma rede social? Não por acaso estamos muito mais dispersos e com a capacidade de atenção reduzida. O tempo de exposição às telas e os seus mecanismos de retenção da atenção afetam a todos, mas têm um efeito ainda mais danoso quando seus usuários são crianças e adolescentes. Especialistas de diversas áreas têm alertado sobre este impacto das centenas, ou até milhares de notificações, sobre um cérebro ainda em formação e que é constantemente interrompido. 

A decisão do tribunal nos Estados Unidos acontece poucos dias depois da entrada em vigor do chamado ECA Digital, no Brasil. Ao colocar crianças e adolescentes no centro desse debate, reconhece-se que ambientes digitais exploram vulnerabilidades cognitivas e emocionais. E isso não pode mais ser tratado como efeito colateral ou como responsabilidade do usuário.

Uma luz no fim do feed talvez não seja ainda a solução de todos os problemas, mas o resultado e a aceitação deste argumento por parte de um tribunal poderão influenciar milhares de casos semelhantes que estão tramitando contra as empresas de tecnologia, movidos por pais e outros atores.

A condenação de Google e Meta quebra uma lógica que parecia intocável e acelera um debate poliédrico que já não pode ser adiado. Poliédrico, porque não se trata apenas de regular as plataformas considerando o que circula nelas, mas sobretudo o modo como são desenhadas, seus mecanismos de retenção, seus algoritmos e a própria economia da atenção que as sustenta; de investir seriamente em educação midiática, capaz de formar sujeitos críticos que compreendam como funcionam esses ambientes e não apenas aprendam a usá-los; e de fortalecer o acompanhamento de crianças e adolescentes, como presença atenta, diálogo constante e construção de critérios no interior das famílias e comunidades.

Tais apelos encontram ressonância na mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026. Ainda que situados no campo da inteligência artificial, os três pilares propostos — responsabilidade, cooperação e educação — oferecem uma proposta muito clara para e que precisam ser assumidas de forma mais ampla no conjunto do ambiente digital em que estamos inseridos.

Esta decisão importa tanto não porque resolva o problema, mas porque introduz um ponto de inflexão : aquilo que antes operava sem responsabilização começa, enfim, a ser nomeado — e cobrado. E, quando isso acontece, o debate já não pode mais ser evitado.’

 

Fonte  *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-03/uma-luz-fim-feed.html

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O ano litúgico de 2026

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Antonio Ferreira, cmf


Ano A : Um caminho `a Luz do Evangelho de Mateus 

‘O ano litúrgico de 2026, correspondente ao Ano A, conduz toda a Igreja a uma imersão renovada no Evangelho segundo Mateus, texto que ocupa um lugar privilegiado na tradição cristã e que, de maneira profundamente catequética, apresenta Jesus como o Messias esperado e o Mestre definitivo. A cada domingo, a liturgia oferece à comunidade passagens que revelam a identidade de Cristo, a natureza do Reino de Deus e as exigências da vida discipular. Nesse contexto, Mateus se torna um guia seguro para quem deseja compreender mais plenamente a missão de Jesus e o sentido do seguimento cristão.

Estrutura catequética : Os cinco grandes discursos

 Um dos traços mais marcantes do Evangelho de Mateus é sua estrutura cuidadosamente organizada. Após o relato da infância, o evangelista dispõe sua obra em torno de cinco grandes discursos, que ecoam simbolicamente os cinco livros da lei (Pentateuco). Assim, Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés, o intérprete autorizado da vontade divina. Esses discursos são :

  • o Sermão da Montanha (Mt 5-7), verdadeiro manifesto do Reino, em que Jesus propõe um caminho de justiça superior, fundada na misericórdia, na pureza de coração e na vivência radical do amor;
  • O discurso missionário (Mt 10), que envia os discípulos a anunciar o Reino, confiando totalmente em Deus e enfrentando com coragem os desafios da missão;
  • O discurso das parábolas (Mt 13), no qual Jesus revela, por imagens e comparações, o dinamismo misterioso e fecundo do Reino de Deus;
  • O discurso eclesial (Mt 18), que traz orientações para a vida comunitária, destacando o perdão, o cuidado com os pequenos e a responsabilidade fraterna;
  • O discurso escatológico (Mt 24-25), que ilumina a esperança cristã e convida à vigilância, culminando com a parábola do juízo final, em que somos chamados a reconhecer Cristo nos irmãos mais pobres.

Jesus, o Emanuel : O cumprimento das promessas

Em todo o Evangelho, Mateus salienta que Jesus é o cumprimento das Escrituras. Frequentemente, cita o Antigo Testamento para mostrar que a vida e a missão de Cristo não são um improviso, mas a realização das promessas feitas por Deus ao seu povo. Desde o nascimento, quando o evangelista proclama que Jesus é o Emanuel, ‘Deus conosco’, até a ressurreição, com a promessa final de sua presença contínua, Mateus convida os discípulos a reconhecerem que, em Jesus, Deus habita no meio da humanidade.

A comunidade como sinal do Reino

Outro aspecto fundamental em Mateus é a centralidade da vida comunitária. Para ele, seguir Jesus implica viver reconciliado, praticar o perdão e assumir responsabilidades mútuas. O Evangelho evidencia a missão confiada à Igreja : ser espaço de acolhida, de correção fraterna e de anúncio. A figura de Pedro, destacada em alguns momentos, recorda a importância do serviço e da unidade, enquanto o cuidado com os pequenos e os vulneráveis revela o verdadeiro rosto do Reino.

A universalidade da salvação

Embora profundamente enraizado na tradição judaica, Mateus sublinha a abertura universal da mensagem de Jesus. Os magos vindos do Oriente, logo nos primeiros capítulos, antecipam o que será plenamente revelado no fim do Evangelho : ‘Fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28,19). Assim, o Ano A é também um convite a renovar o ardor missionário, compreendendo que a Boa-Nova é destinada a todos os povos.

Um caminho de conversão e maturidade espiritual

Ao longo de 2026, a liturgia proporá leituras que destacam a justiça, a misericórdia, a coerência e a opção pelos pobres. O Evangelho de Mateus é exigente, mas profundamente consolador : chama à conversão interior, mas revela também a paciência e a compaixão de Deus. Nesse itinerário, a comunidade é convidada a amadurecer a fé, fortalecer a esperança e testemunhar a caridade.

Assim, o ano litúrgico de 2026, guiado pelo Evangelho de Mateus, torna-se verdadeira escola de discipulado. Nele, a Igreja aprende a reconhecer a presença amorosa de Cristo, a meditar sua Palavra e a renovar o compromisso missionário, caminhando com confiança rumo ao Reino que já se faz presente entre nós.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-ano-litugico-de-2026.html

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Por que celebrar o Santíssimo Nome de Maria?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Rivelino Nogueira

 

‘A liturgia celebra, no dia 12 de setembro, o Santíssimo Nome da Virgem Maria (Miryam, em hebraico). O objetivo dessa festa é permitir que os fiéis apresentem a Deus, de modo especial pela intercessão de sua Santíssima Mãe, às necessidades da Igreja e as próprias necessidades, além de agradecer ao Senhor as graças recebidas por intermédio da Virgem Maria.

O nome de uma pessoa é muito importante na Bíblia, pois representa a própria pessoa. Certamente, São Joaquim e Santa Ana foram inspirados pelo céu ao escolherem esse nome para aquela que seria, um dia, a Mãe do Redentor e nossa Mãe.

O nome de Maria, que significa Senhora da luz, indica — conforme disse a própria Virgem à Santa Matilde —: ‘Deus me encheu de sabedoria e luz, como astros brilhantes, para iluminar os céus e a terra.’

A celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma tradição católica que reflete a devoção e o respeito à Mãe de Jesus Cristo. Eis alguns motivos pelos quais essa celebração é importante :

Reconhecimento da missão única : Maria desempenhou um papel fundamental na história da salvação, ao dar à luz Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Sua obediência e fidelidade a Deus são exemplos inspiradores para os fiéis.

Poder e intercessão : O nome de Maria é considerado poderoso e eficaz na intercessão em favor dos fiéis. Muitos acreditam que ela pode interceder junto a Deus, pedindo proteção, orientação e bênçãos.

Beleza e inspiração : A figura de Maria é modelo de virtudes como humildade, obediência e fé. Sua vida inspira os que buscam seguir os ensinamentos de Cristo.

Devoção e piedade : A celebração é expressão da devoção dos fiéis e oportunidade para refletir sobre a vida e missão de Maria, pedindo sua intercessão e proteção.

Essa festa teve início na Espanha, em 1513, e logo se espalhou por todo o país. Em 1683, o Papa Inocêncio XI a estendeu a toda a Igreja do Ocidente como ato de ação de graças pelo levantamento do cerco de Viena e a derrota dos turcos, alcançada por João Sobieski, rei da Polônia.

Naquele período, a data foi fixada para o domingo dentro da oitava da Natividade de Nossa Senhora.

Em suma, a celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma forma de honrar e reconhecer a importância da Virgem na história da salvação, e de pedir sua intercessão e proteção ao longo da caminhada de fé.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/por-que-celebrar-o-santissimo-nome-de-maria.html

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

A missão de Irmã Pia gera luz às crianças cegas de Ruanda

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Tomasz Zielenkiewicz

  

‘Com uma população de 14 milhões de habitantes, Ruanda é recordado por causa do aconteceu no início da década de 80. Naquele período, a Abençoada Virgem Maria apareceu às jovens de Kibeho. A Igreja Católica reconheceu oficialmente todas as aparições e peregrinos têm vindo de todo o mundo. Nas proximidades, encontra-se uma escola e um centro educativo para os cegos administrados pelas Irmãs Franciscanas Polonesas Servas da Cruz.

A fundação foi em 2008. Em 2009, foi inaugurada uma escola básica - a primeira para cegos em todo Ruanda. Há também duas escolas secundárias, uma delas especializada com diferentes módulos educativos. Atualmente, o centro é frequentado por 185 crianças. A equipe que trabalha no espaço é formada por duas religiosas da Polônia, uma do Quênia, três de Ruanda, além de vários funcionários leigos.

A Irmã Pia Gumińska explica que contemplava a ideia de servir como missionária há anos. «Disse a Jesus que, se houvesse a necessidade, eu iria. Houve uma oferta das superiores, por isso quis conhecer esta jovem Igreja e vim para cá, com total abertura», salienta. As religiosas em Kibeho querem incutir nas crianças a ideia de Madre Rosa Czacka, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Servas da Cruz, agora Beata : «queremos mostrar-lhes que conseguem ser independentes e que podem demonstrar aos outros que a deficiência não impede o desenvolvimento e o sucesso. Queremos dar-lhes esperança através da nossa atividade».

No entanto, muitas das crianças das quais as religiosas cuidam foram abandonadas pelas famílias. É por isso que muitas vezes chegam ao centro mais velhas, com 12 ou 13 anos. Os alunos da escola não são preguiçosos. Levantam-se cedo, começam o estudo individual às 6 da manhã, vão para a escola às 8 e ficam lá até às 17h. Depois da escola, têm atividades desportivas e, em seguida, novamente o tempo de estudo individual. O grupo inclui alguns alunos que se distinguem. Um deles é Jean de Dieu Niyonzima, que ficou em quinto lugar no país nos exames nacionais do final do ensino básico. Ele disse à imprensa local que gostaria de estudar jornalismo e línguas.

As religiosas estão muito orgulhosas de cada resultado dos seus protegidos. «As crianças são extremamente criativas. Conseguem compor uma canção para o Dia dos Professores, por exemplo. Cantam a várias vozes e em diferentes tonalidades, e também temos um coro da escola. Atuam em todas as celebrações do colégio e dirigem os cânticos na Missa de Domingo», diz a Irmã Pia. Dois professores dão aulas de dança, frequentadas por crianças mais novas e mais velhas com deficiência visual.

A escola é o lar de um grupo de crianças albinas também. Elas sentem-se seguras aqui, apesar do seu destino poder ser trágico na África. «Um dia, uma mulher trouxe duas crianças albinas para a escola, dizendo que só a terceira, deixada em casa, era ruandesa», conta a religiosa. «É por isso que é necessário dedicar-lhes um amor especial», sublinha.

As religiosas insistem que a Providência está olhando por elas. «Deus, cuida muito bem de nós, enviando-nos financiadores; a maior parte das nossas atividades é possível graças a donativos, principalmente da Polônia e de organizações de outros países», acrescenta a Irmã Pia :

“Por vezes, basta pensarmos numa nova ideia e, de repente, há pessoas que nos ajudam a materializá-la.”

A Madre Rosa Czacka é uma patrona especial nas tarefas quotidianas das religiosas. «Ela aceitou a cegueira como vontade de Deus, por isso damos o nosso melhor para oferecer fé às crianças. Isto é fácil, na medida em que a sociedade ruandesa é uma sociedade de crentes em Deus. A gratidão e a alegria são visíveis nos rostos das crianças». «Até as mais pequenas prendas que recebem as levam às lágrimas. Quando há uma festa de aniversário, a alegria é imensa e ficam gratas por alguém se lembrar de uma ocasião como esta», diz a Irmã Pia.

Palavras como alegria, gratidão e vontade de aprender são frequentemente ouvidas aqui em Kibeho. As crianças recuperam a convicção de que podem alcançar algo na vida. Ficam orgulhosas quando conseguem mostrar em casa que sabem ler. Criam chapéus e cachecóis durante os laboratórios de tricô, e tudo isto constitui uma excelente motivação para as religiosas. «O fato de estarmos aqui é obra de Deus, sentimo-lo. Somos poucas, e o centro é grande, por isso esperamos por novas vocações», frisa a Ir. Pia. «Aqui, as pessoas desfrutam do que têm e têm pouco», sublinha ela. Embora este seja apenas o primeiro ano do seu serviço no centro, a religiosa já adquiriu a marca distintiva do sorriso dos seus assistidos.

A chegada do embaixador da Polônia a Ruanda será um apoio significativo para as religiosas. Estão sendo feitos preparativos para abrir a embaixada. Em fevereiro de 2024, o centro recebeu o presidente da Polônia, Andrzej Duda, e a esposa, Agata Kornhauser-Duda.’


Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-11/projeto-sisters-africa-ruanda-pia-guminska-luz-criancas-cegas-24.html

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Das trevas à luz: uma história de redenção de Nápoles

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
O bairro Sanità, no coração de Nápoles, incorpora todos os contrastes da cidade

*Artigo de Cecilia Seppia


No número 109 da Via Santa Maria Antesaecula, no bairro ‘Rione Sanità’, nasceu o artista Totò e em frente à sua casa há sempre grande movimentação de fãs e turistas deixando flores e lembranças. Nas entranhas do bairro mais controverso de Nápoles, alguns metros abaixo do nível da rua, há uma enorme cidade subterrânea onde o sagrado encontra o profano e o Oriente encontra o Ocidente, com as Catacumbas de São Genaro e São Gaudioso e as Catacumbas menores de São Severo. Há também as basílicas de São Genaro Extra Moenia e a de Santa Maria da Saúde, que abriga a primeira representação mariana em Nápoles e obras preciosas, entre as quais pinturas de Luca Giordano, Andrea Vaccaro, Francesco Solimena, Pacecco De Rosa e Giovanni Balducci. Encontra-se também lá o ossuário Fontanelle, uma das pedreiras de onde antigamente se extraía o tufo para construir a cidade e, mais tarde, usado para abrigar os restos mortais das vítimas da peste (1656) e das epidemias de cólera (1836). Por fim, o Palácio dello Spagnuolo, com sua escadaria monumental, um dos principais exemplos do barroco napolitano, construído em 1738 com projeto do arquiteto Ferdinando Sanfelice. Apesar desse vasto patrimônio histórico e artístico, concentrado em apenas 2 quilômetros quadrados, quando as pessoas falam sobre o Rione Sanità, pensam imediatamente em degradação, na pobreza de seus 32.000 habitantes, na mão da Camorra (máfia local) por trás dos atos criminosos, no baixo nível de escolarização dos jovens, no desemprego. Isso acontece porque nenhum lugar incorpora as contradições e os contrastes de Nápoles como este Rione, uma periferia existencial em pleno centro da cidade, mas é exatamente nessas trevas que a Cooperativa La Paranza quis trazer luz, com o apoio da Igreja local, da Diocese e também de fundos europeus.

Da degradação à recuperação de um patrimônio imenso e desconhecido

Já no ano 2000, a chegada do novo pároco da Basílica de Santa Maria della Sanità, Padre Antonio Loffredo, marcou o início de um processo lento, mas frutífero, de desenvolvimento e aprimoramento do patrimônio histórico, artístico e humano do bairro. De fato, com a ajuda de fundações, profissionais e associações, foi possível criar oportunidades de recuperação para os jovens, partindo do princípio de Dostoiévski de que ‘a beleza salva o mundo’, e padre Antonio acrescenta : ‘cria empregos e tira os jovens da rua’. Com a criatividade de um moleque típico local e a determinação de um dirigente, com a linguagem teatral de grandes atores napolitanos e a Igreja do Concílio às suas costas, padre Antonio fez renascer um dos bairros mais problemáticos de Nápoles com a intenção evangélica de ‘transformar pedras descartadas em pedras fundamentais’. Nascido em 1959, em seu terceiro ‘mandato’ como pároco de Santa Maria da Saúde, ele conta que, quando chegou ao Rione, as outras dez igrejas, espalhadas pelo território da paróquia, estavam fechadas. Hoje, porém, as luzes estão acesas até tarde da noite. Uma abriga uma oficina de teatro, outra é a sede da orquestra juvenil Sanitansamble, as outras abrigam um ginásio de boxe, um estúdio musical, uma sede para crianças pós-escola, e a igreja menor exibe pinturas napolitanas do século XVII e O Filho Velado do escultor Jago, que tem sua oficina em outra igreja.

Bem-estar generativo que dá esperança

Em um fluxo contínuo entre o dialeto napolitano, citações eruditas e citações evangélicas, o pároco olha para além, mas tem os pés firmes no chão : ‘Para mim, como sacerdote, o problema não é colocar as igrejas em ordem, mas fazer com que essas coisas preciosas gerem, deem frutos’. E a capacidade de gerar são os mais de 60 jovens que trabalham com um contrato, que se autossustentam sem precisar pedir caridade a ninguém, são também as possibilidades de trabalho e a economia circular que chegou com a abertura do bairro. A base de todos os esforços foi a recuperação das catacumbas de São Genaro, a criação de um itinerário pelas entranhas da colina de Capodimonte até o bairro Sanità, na capela que já foi o depósito do hospital São Genaro e agora é um centro de arte e conferências. ‘Nós nos dedicamos muito à catacumba, porque nos apresentamos ao mundo de uma forma inédita coletando dinheiro limpo. Alguns dos jovens da orquestra se inscreveram no conservatório. Os do teatro saem em turnê, o bairro se tornou o cenário de várias produções cinematográficas, surgiram restaurantes e se estabeleceu um fluxo de turistas. Para nós, cristãos, isso deveria ser um dogma : ou o bem-estar é feito assim ou nada. Não precisamos mais daquele emaranhado assistencialismo do século XIX’, conclui Padre Antonio.

‘La Paranza’ entre cooperativa social e missão

Sua filosofia é clara. Não acredita no absoluto do Estado, que deve alimentar a todos, mas na tríplice colaboração : Estado, privado e sociedade civil, aquele terceiro setor que dá a liberdade de criar respostas, com uma economia real e com o homem no centro. E, nessa abertura de espírito, pode-se ouvir o eco da The Economy of Francesco, da Laudato si', encarnado perfeitamente pelos jovens da Cooperativa La Paranza, fundada em 2006 no ‘Rione Sanità’ que, com a ajuda do Padre Loffredo, decidiu redescobrir e valorizar o patrimônio cultural, artístico e arqueológico dessa parte esquecida de Nápoles. As primeiras atividades realizadas foram a gestão das Catacumbas de São Gaudioso na Basílica de Santa Maria da Saúde e a reforma do antigo convento franciscano anexo à basílica, cujo projeto de restauração da ‘Casa do Monacone’ é do designer napolitano Riccardo Dalisi. Ao mesmo tempo, a cooperativa tem sido ativa na obtenção de financiamentos por meio de fundos privados e licitações. Vencendo a licitação histórico-artística ‘Fondazione Con il Sud’ de 2008 num valor de 500 mil euros, foi desencadeado o processo de recuperação e abertura das Catacumbas de São Genaro ao público. Igualmente importante foi a atividade de arrecadação de fundos no valor de 600 mil euros em conjunto com a associação L'Altra Napoli onlus; financiamento que permitiu a limpeza e a acessibilidade do local, o sistema de iluminação, a restauração de afrescos, a reabertura de espaços inacessíveis, a eliminação de barreiras arquitetônicas e muito mais. Nas catacumbas, além da gestão normal das atividades de visitas guiadas dentro do sítio cultural, os jovens tiveram a intuição de organizar eventos e espetáculos específicos, a fim de dar um maior impulso em termos de comunicação e público-alvo, bem como economicamente. Além disso, eles estão ativamente envolvidos na promoção e na realização do itinerário ‘Il Miglio Sacro’, um percurso de uma milha para descobrir os tesouros do Rione Sanità.

Alguns números

Ano após ano, o número de visitantes tem aumentado cada vez mais : de 5.160 visitantes em 2006 para 160.000 em 2019 e até 200.000 visitantes em 2022, tanto nacionais quanto internacionais, assim como aumentou a conscientização de que é preciso cuidar da Casa Comum, que também é uma arca de tesouros que enriquece os olhos e o coração. O número crescente de visitantes, atividades e volume de negócios também permitiu o aumento de novos recursos humanos na Cooperativa, que passou de 5 jovens em 2006 para 50 funcionários em 2023. De ano para ano, os funcionários são efetivados com contratos por tempo determinado ou como permanentes. Além das atividades relacionadas ao patrimônio histórico e artístico, há projetos de apoio à cultura e suas diversas formas : artes criativas, musicais, teatrais, artesanais, enogastronômicas, etc. A Fundação concentra suas atividades e recursos principalmente para as faixas da população menos protegidas e desfavorecidas, com uma série de atividades que também apoiam projetos de formação e colocação em empregos, de modo a permitir um processo de autodesenvolvimento local.

O testemunho de Vincenzo

Vincenzo Porzio, membro fundador e chefe de comunicações da Cooperativa La Paranza, relatou ao Vatican News e o L'Osservatore Romano com entusiasmo sua experiência, a mudança que viu com seus próprios olhos e o exemplo de compromisso, fortaleza e dedicação que os jovens do Rione demonstraram ao longo dos anos. ‘Primeiro São Francisco de Assis e agora o Papa Francisco’, afirma, ‘nos ensinaram e nos exortam constantemente a cuidar do nosso Planeta e a cuidar das pessoas que o habitam, especialmente as últimas, as frágeis, aquelas que estão esperando por uma mão estendida, e na Laudato si' encontramos muitos aspectos do nosso trabalho que realizamos não apenas com palavras, mas com gestos e compromissos diários. Em particular, cuidamos do que o Papa chama de ‘ecologia da cultura e da vida em comum’, no sentido de comunidade, e assim nos comprometemos, na esteira das exortações contidas nesses textos, a cuidar das ‘pedras descartadas’ para que se tornem ‘pedras fundamentais’ em um sistema de bem-estar que não espera por uma ajuda vinda de cima, do Estado em particular, mas que age para conquistar sua própria dignidade e próprio bem-estar. Em tudo o que fazemos, somos movidos pelo coração, pela paixão, pelo desejo de fazer, de dar a nós mesmos, à nossa terra e às gerações futuras algo ‘limpo’, algo justo. É uma modalidade generativa, que está na base do nosso modo de ver as coisas, porque gera o bem, não visa à rentabilidade dos bens da Igreja, das catacumbas, dos cemitérios, das basílicas que a Igreja nos confiou, dando-nos as chaves desses lugares extraordinários e pouco conhecidos, mas visa à sua capacidade de gerar esperança, o desejo de cuidar, a beleza, e aqui no Rione Sanità de Nápoles precisávamos muito disso!’. Uma valorização que se torna evangelização e que testemunha com suas obras a revolução do Evangelho, que é, antes de tudo, revolução do amor, também para o ambiente em que vivemos. Por meio do extraordinário trabalho de valorização das Catacumbas de Nápoles, a cooperativa de jovens do Rione Sanità criou, ao longo dos anos, um modelo de ‘bem-estar generativo’ capaz de oferecer, a partir da redescoberta do patrimônio cultural local, respostas concretas em termos de desenvolvimento de empregos e inclusão social dirigidas à comunidade local e, especialmente, aos seus jovens que pareciam não ter ideia de um futuro e que, agora, fazem planos, sonham e vivem a normalidade de sua idade em um contexto que é tudo, menos normal. Um modelo que também pode ser definido como um exemplo de promoção da cultura ‘a partir de baixo’, cujos pilares podem ser encontrados na tutela do patrimônio cultural, na cooperação e no desenvolvimento do empreendedorismo social e de uma economia civil, as pedras fundamentais da Laudato si'.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-02/historia-laudato-si-catacumbas-napoles-ecologia-integral.html


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Um ao lado do outro

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo d0 Padre Manuel Augusto Lopes Ferreira,

missionário comboniano


Há quem, entre nós, fique confundido com algumas expressões com que o Papa Francisco fala da missão cristã hoje. Exemplifico um destes aparentes contrastes. Por um lado, Francisco fala de Igreja em saída, de abrirmos portas e tomarmos iniciativas para testemunharmos com alegria o Evangelho; fala de renovarmos o zelo apostólico, a paixão de evangelizar (a este tema dedicou toda uma série de reflexões, durante as audiências gerais de 2023). Mas, logo a seguir parece pôr água na fervura e põe-nos de sobreaviso : diz-nos que não devemos ter a preocupação de fazer discípulos (prosélitos), que a Igreja e a missão não crescem por proselitismo, mas por atração.

Naturalmente, o papa usa de algum contraste no seu vocabulário para nos ajudar a refletir e ver onde nos encontramos, a verificar o nosso vocabulário e sobretudo as nossas atitudes. Ele pretende ajudar-nos a perceber que estamos não só numa época de mudanças sérias, mas numa vertiginosa mudança de época. O mundo globalizado e as culturas a chocar entre si, estão secularizados e não podemos ter como seguro o interesse pelo Evangelho ou pretender configurá-los a partir da Verdade que testemunhamos. Por isso, ele insiste na alegria e na humildade desinteressadas, na presença e no diálogo, na fraternidade e na amizade social, nas atitudes de respeito para com as pessoas e as suas culturas, para com a Natureza e o cosmos, a casa que habitamos em comum.

Neste aspecto e por isso, estamos todos à procura do modelo de missão mais a condizer com o tempo que vivemos, na fidelidade, cada vez mais genuína, ao mistério e à natureza da Igreja e da missão, que nos superam. Num passado, ainda recente, falámos de uma missão ad gentes, ou seja, às gentes (por vezes com tons de conquista de povos e culturas); depois, passámos a falar de uma missão inter gentes, isto é, entre as gentes, os povos e as suas culturas, acentuando as atitudes de inculturação e de respeito para com os mesmos.

Os termos que o Papa Francisco tem vindo a usar extremam esta evolução de vocabulário e atitudes que definem a missão e levam alguns pensadores a falar de missão «um ao lado do outro». Jesus, efetivamente, deixou aos seus discípulos o mandato missionário de ir pelo mundo inteiro e anunciar o Evangelho fazendo discípulos; mas também lhes disse «vós sois o sal da terra ... vós sois a luz do mundo», como que a indicar uma missão de dar sabor à vida e iluminar de sentido a realidade humana, e não de configurar um reino humano pelo uso de um qualquer poder. Trata-se sempre de ser uma Igreja minoritária que vive o mistério transformante de ser sal e luz.

O despertar para esta situação leva-nos a pensar, a viver e a falar de uma missão exposta à debilidade e à força do Espírito de Cristo, em que os cristãos e os missionários saibam ser «fortes, sem ser poderosos, verdadeiros sem ser fanáticos»; saibam «cultivar o sentido de beleza sem ser esteticistas, afirmar a retidão sem ser moralistas»; em que todos saibamos «ser nós próprios mas não sem os outros ou contra os outros» (citações de uma entrevista do beneditino P.e Elmar Salmann ao L’ Osservatore Romano). Não podemos ser nós próprios sem os outros, pela simples e misteriosa razão que Deus (também) os ama em Cristo, como não se cansa de nos recordar o Papa Francisco.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/1134/um-ao-lado-do-outro/

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Advento: muitas perguntas e uma pequena luz

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 

*Artigo de Carlos Padilla Esteban


‘Quisera eu ter o dom de decifrar os sinais deste mundo, em que tudo passa tão depressa!

Hoje, ouvi : ‘Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra’. Hão muitos sinais em meu dia. Muitos sinais de esperança e desesperança.

Olho ao redor. E vejo mortes, guerras, perseguições. Fome, pobreza, injustiça. E tenho medo. Onde fica a esperança? Onde nasce o Reino de Deus? Quem espera que Jesus nasça?

Como entender as coisas difíceis que acontecem na minha vida? Como interpretar as vozes de Deus, que clamam diante de mim? Procuro respostas.

Costumo desejar que os outros me mostrem o sentido do que acontece. Que me expliquem tudo. Que me faça ver o que Deus quer de mim.

Gostaria de ser mais sábio. Ter mais luz no olhar e na alma. Gostaria ter mais respostas e menos perguntas.

Olho para o céu querendo ver Deus. Creio que, para saber ler os sinais de Deus na minha vida, tenho que estar próximo da fonte de que brota a água. Mais unido a Deus.

O Padre José Kentenich dizia : ‘Em tempos em que não se quer saber nada de Deus, que maravilhoso é ser uma pessoa cheia de Deus!’. [1]

Para saber discernir, preciso estar unido a Jesus, cheio do seu amor. Ele é a luz que dá início ao Advento. A primeira vela dá um pouco de luz para discernir.

Como dizia Bento XVI : ‘Ser cristão implica sair do âmbito do que todos pensam e querem, dos critérios dominantes, para entrar na luz da verdade sobre nosso ser’. [2]

Ser cristão exige mudanças de perspectiva. Sair do olhar que todo mundo tem para olhar a vida com os olhos de Deus. É uma mudança radical.

Comenta o Papa Francisco : ‘O que importa é que cada pessoa que acredita identifique seu próprio caminho e tire da luz o melhor de si, aquilo que Deus colocou nele’. [3]

Um olhar sobre a vida que nos ajude a interpretar corretamente os desígnios de Deus. A luz de uma vela não é o bastante. Mas já é algo. Uma luz na escuridão acaba com as trevas. Uma tênue luz basta para rasgar o véu da noite.

Às vezes, creio que não tenho tanta luz em minha alma. Mas penumbra e escuridão. Estou cego e não sei ver bem como sou.

Busco uma saída até a luz. Por onde vai meu caminho de Advento? O que Deus quer que eu busque e encontre nestes dias de espera?

Coloco-me no caminho sem muita luz. Mas com esperança. Quero que a luz de Deus brilhe com força em mim. A primeira vela. Ao meu redor quero luz. Gosto de iluminar. Criar espaços abertos de esperança. Gosto quando minha voz incentiva os outros. Umas gotas de água fresca na sede do deserto. Um pouco de alegria em meio a lágrimas.

Não sei se as minhas palavras funcionam sempre. Mas quero dar luz, não sombras. Quero dar alegria, não tristeza. Quero fazer do meu caminho um pedaço de esperança em meio a tantos sinais que me tiram a ilusão.

Gosto de ver a vida dessa maneira. Começo meu caminho do Advento até Belém. Quero ter em minhas mãos a estrela que marca o caminho. Uma estrela que ilumina a noite. Quero aspirar o máximo, como dizia Padre Kentenich : ‘Sempre foi a mesma ideia, apontar para as estrelas, o radicalismo. E quando, no passado, houve flores e frutos, sempre originaram desse espírito de heroísmo’. [4]

O Advento me dá forças para mostrar esperança para os outros. Primeiro eu a semeio em minha alma. E sua presença me ilumina.

Mostra-nos, Senhor, tua misericórdia e tua salvação. Assim começo o caminho.

Deixa-me ver, Senhor, com a tua luz, o sentido de minha vida. Assim eu peço neste advento. Quero mais luz e menos sombras. Mais alegrias e menos tristezas. Mais esperança e menos dor.’’


[1] Kentenich Reader Tomo 3: Seguir al profeta, Peter Locher, Jonathan Niehaus

[2] La infancia de Jesús, Benedicto XVI

[3] Papa Francisco, Exhortación Gaudete y Exultate

[4] Kentenich Reader Tomo 1: Encuentro con el Padre Fundador, Peter Locher, Jonathan Niehaus

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://pt.aleteia.org/2018/12/03/advento-muitas-perguntas-e-uma-pequena-luz/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Para as celebrações beneditinas deste ano, tocha da paz estará em Portugal

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Michele Raviart

‘Em um tempo em que a guerra voltou a assolar a nossa Europa’, ‘que os povos e os responsáveis ​​pela política mundial possam encontrar nos valores e no programa de vida de São Bento um vigoroso impulso para a construção de uma ordem moral internacional, baseada na justiça e paz’. Esta é o desejo das cidades de Núrsia, Subiaco e Cassino, expresso na mensagem de paz por ocasião das celebrações beneditinas de 2023, apresentada na sede da representação do Parlamento Europeu em Roma.

A chama da esperança dos jovens 

Desde 1964, quando Paulo VI proclamou São Bento Patrono da Europa, a tocha ‘pro pace et Europa Una’ foi acesa a cada ano em muitas capitais europeias, não parando nem mesmo em 2021 devido à pandemia de Covid-19, quando a luz de São Bento iluminou o hospital de Bérgamo. Depois do ano passado em Madrid, a tocha estará em 2 de março em Lisboa, onde se celebra neste verão a 38ª Jornada Mundial da Juventude. Os jovens de fato, continua a mensagem, ‘alimentem a chama da esperança de um novo humanismo, em um tempo em que todos nós fomos postos à prova e percebemos o quanto é importante viver de acordo com os valores do Evangelho e Regra de São Bento’.

O programa das celebrações 

Após ter sido abençoada pelo Papa Francisco no dia 9 de fevereiro, a tocha da paz será acesa no dia 25 de fevereiro na cripta da Basílica dedicada à Santa de Núrsia. Depois de chegar à capital portuguesa, a chama será levada também ao Santuário mariano de Fátima e à Abadia beneditina de Singeverga, antes de regressar a Subiaco e à Abadia de Montecassino, na Itália, quando em 21 de março se concluirão as celebrações em todas e três cidades beneditinas.

Uma escola de amor e comunhão 

O objetivo das celebrações, patrocinadas entre outros pelo Parlamento Europeu, pelo Ministério da Cultura italiano e pelas embaixadas da Itália em Portugal e de Portugal na Itália, é recordar - afirmou o abade Donato Agliari, administrador apostólico de Montecassino - que a inspiração de São Bento não é apenas um legado do passado, mas deve ser recuperado na Europa de hoje, porque é ‘uma escola de amor e comunhão por um mundo um pouco mais pacífico, belo, habitável e simplesmente mais humano’.

Da mesma forma, monsenhor Mauro Meacci, abade de Santa Escolástica em Subiaco, reiterou como a regra de São Bento nos ensina a acolher cada pessoa, acompanhando-a rumo à santidade e a Deus em um caminho comunitário. Um exemplo para a Europa, que deve ser acolhedora dentro de um processo claro e definido, dentro de um tecido comunitário ‘cujos valores fundadores devem ser aceites por todos’.

Sangiuliano : um farol que ilumina nosso caminho 

‘São Bento iluminou a Itália e toda a Europa com sua espiritualidade ativa e contemplativa, com sua disciplina de enraizamento e compromisso pessoal a serviço da comunidade e do território. E continua a fazê-lo hoje, para nós que sentimos cada vez mais a necessidade de um farol que ilumine o nosso caminho’, disse o ministro da Cultura, Gennaro Sangiuliano, que também lembrou como desde a Idade Média até a Idade Moderna a regra de São Bento e seus mosteiros contribuíram  para o nascimento da Itália e da civilização.

As palavras dos prefeitos das cidades beneditinas 

Neste sentido vai também a iniciativa de alguns eurodeputados de recordar adequadamente a figura do Santo nas sedes do Parlamento Europeu, com uma estátua ou imagem, como é o caso dos pais fundadores da Europa. ‘São Bento é o reconstrutor da Europa e o construtor da paz’, sublinhou o prefeito de Núrsia Nicola Alemanno, ‘um valor universalmente reconhecido e não dado como certo, que devemos no entando saber preservar’.

‘Um compromisso ainda mais necessário hoje diante das imagens dramáticas da guerra na Ucrânia que não dá sinais de diminuir’, reiterou por sua vez o prefeito de Cassino Enzo Salero, com a tocha que ‘quer chamar todos para trabalhar para parar as armas e iniciar uma negociação com o objetivo de acabar com o sofrimento de um povo, o ucraniano, mas também de todos os outros povos em guerra’. O de São Bento, lembrou o prefeito de Subiaco Domenico Petrini, ‘é um caminho das trevas da crise à luz do renascimento’.

A proximidade espiritual de Bento XVI 

As celebrações deste ano serão também as primeiras após a morte de Bento XVI, particularmente devoto de um dos fundadores do monaquismo ocidental. ‘Este ano quisemos homenagear a figura do Papa Bento XVI visitando o seu túmulo’, recordou Luigi Maria Di Bussolo, monge de Montecassino e presidente da Fundação São Bento. ‘Foi um Papa particularmente próximo de nós, não só pelo nome que escolheu para o seu pontificado, mas também pela proximidade que já comunicou às nossas abadias como cardeal, escolhendo-as como lugar de retiro e também para a elaboração de alguns de seus livros e entrevistas’.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2023-02/sao-bento-celebracoes-2023-lisboa.html

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Luz que faz a diferença

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Geovane Saraiva,

jornalista, colunista e pároco

de Santo Afonso de Fortaleza, CE

 

A oração é essencial, na sua preciosidade de valor, para o seguidor de Jesus de Nazaré, comparando-se ao respirar das pessoas e da própria vida. A oração deve ser em vista das atividades e do dia a dia, recordando-se de todos e levando em conta suas necessidades, no caso dos irmãos, dos amigos e até dos que não gostam de você. Uma oração radicalmente solidária deve sempre estar presente na nossa vida, sem jamais prescindir da realidade contraditória das coisas, da vida e do mundo.

Na busca do eterno Sol, é sempre muito importante ver a oração, mas que seja cristalinamente reveladora, pelo nosso direcionamento e evocação a Deus, evocação esta no sentido de se compreender o clamor da felicidade sem fim, não apegado e muito menos afeiçoado excessivamente aos bens materiais, que nas suas vantagens, segundo a lógica do mundo, não passam de ilusões. Favor perceber o filho mais novo da parábola do Evangelho (Lc 15, 11-32), que, longe do aconchego do pai, terno e afável, passou por uma angústia tenebrosa e desalentadora, numa vida quase sem nenhum sentido.

No retorno, o pai, saindo com pressa, acolhe o filho desgarrado, no mais magnífico grau de contentamento, revelando que, mesmo rompido e no empinado desespero das pessoas, encontra-se o amor, infinito e inesgotável, favorecendo-nos, mesmo na mais insignificante circunstância. Faltando-nos a esperança, na frívola lacuna das criaturas, o pai “corre” para inundar e preencher a existência humana.

Aqui um pouco do vivenciado por mim, no Cristo / Sol eterno, ao abrir portas e janelas da Casa Paroquial de Santo Afonso, na Parquelândia, Fortaleza/CE, vi que a claridade do Sol passou a entrar. Logo, pensei que, quanto mais tudo for aberto, mais a luz e o calor farão aquela benfazeja e salutar diferença. Assim também na oração : quanto mais se fizer a vontade de Deus, mais se permitirá que seu indizível amor chegue e transforme a vida das pessoas de boa vontade.

Lembre-se de que o amor insondável e incalculável de Deus, mesmo ele não precisando de nós, é fecundidade e gratuidade, dom e graça, no que nos assegura a liturgia da Igreja: “Ainda que nossos louvores não vos sejam necessários, vós nos concedeis o dom de louvar. Eles nada acrescentam ao que sois, mas nos aproximam de vós”, num alegre viver : pasmado, na sabedoria da sua eterna realeza / na qual luz se fez fascínio de beleza / luz a deslumbrar pela sua correnteza / premiado, mas no encanto de sua riqueza.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://domtotal.com/noticias/?id=1594374