domingo, 15 de fevereiro de 2026

O ano litúgico de 2026

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo do Padre Antonio Ferreira, cmf


Ano A : Um caminho `a Luz do Evangelho de Mateus 

‘O ano litúrgico de 2026, correspondente ao Ano A, conduz toda a Igreja a uma imersão renovada no Evangelho segundo Mateus, texto que ocupa um lugar privilegiado na tradição cristã e que, de maneira profundamente catequética, apresenta Jesus como o Messias esperado e o Mestre definitivo. A cada domingo, a liturgia oferece à comunidade passagens que revelam a identidade de Cristo, a natureza do Reino de Deus e as exigências da vida discipular. Nesse contexto, Mateus se torna um guia seguro para quem deseja compreender mais plenamente a missão de Jesus e o sentido do seguimento cristão.

Estrutura catequética : Os cinco grandes discursos

 Um dos traços mais marcantes do Evangelho de Mateus é sua estrutura cuidadosamente organizada. Após o relato da infância, o evangelista dispõe sua obra em torno de cinco grandes discursos, que ecoam simbolicamente os cinco livros da lei (Pentateuco). Assim, Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés, o intérprete autorizado da vontade divina. Esses discursos são :

  • o Sermão da Montanha (Mt 5-7), verdadeiro manifesto do Reino, em que Jesus propõe um caminho de justiça superior, fundada na misericórdia, na pureza de coração e na vivência radical do amor;
  • O discurso missionário (Mt 10), que envia os discípulos a anunciar o Reino, confiando totalmente em Deus e enfrentando com coragem os desafios da missão;
  • O discurso das parábolas (Mt 13), no qual Jesus revela, por imagens e comparações, o dinamismo misterioso e fecundo do Reino de Deus;
  • O discurso eclesial (Mt 18), que traz orientações para a vida comunitária, destacando o perdão, o cuidado com os pequenos e a responsabilidade fraterna;
  • O discurso escatológico (Mt 24-25), que ilumina a esperança cristã e convida à vigilância, culminando com a parábola do juízo final, em que somos chamados a reconhecer Cristo nos irmãos mais pobres.

Jesus, o Emanuel : O cumprimento das promessas

Em todo o Evangelho, Mateus salienta que Jesus é o cumprimento das Escrituras. Frequentemente, cita o Antigo Testamento para mostrar que a vida e a missão de Cristo não são um improviso, mas a realização das promessas feitas por Deus ao seu povo. Desde o nascimento, quando o evangelista proclama que Jesus é o Emanuel, ‘Deus conosco’, até a ressurreição, com a promessa final de sua presença contínua, Mateus convida os discípulos a reconhecerem que, em Jesus, Deus habita no meio da humanidade.

A comunidade como sinal do Reino

Outro aspecto fundamental em Mateus é a centralidade da vida comunitária. Para ele, seguir Jesus implica viver reconciliado, praticar o perdão e assumir responsabilidades mútuas. O Evangelho evidencia a missão confiada à Igreja : ser espaço de acolhida, de correção fraterna e de anúncio. A figura de Pedro, destacada em alguns momentos, recorda a importância do serviço e da unidade, enquanto o cuidado com os pequenos e os vulneráveis revela o verdadeiro rosto do Reino.

A universalidade da salvação

Embora profundamente enraizado na tradição judaica, Mateus sublinha a abertura universal da mensagem de Jesus. Os magos vindos do Oriente, logo nos primeiros capítulos, antecipam o que será plenamente revelado no fim do Evangelho : ‘Fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28,19). Assim, o Ano A é também um convite a renovar o ardor missionário, compreendendo que a Boa-Nova é destinada a todos os povos.

Um caminho de conversão e maturidade espiritual

Ao longo de 2026, a liturgia proporá leituras que destacam a justiça, a misericórdia, a coerência e a opção pelos pobres. O Evangelho de Mateus é exigente, mas profundamente consolador : chama à conversão interior, mas revela também a paciência e a compaixão de Deus. Nesse itinerário, a comunidade é convidada a amadurecer a fé, fortalecer a esperança e testemunhar a caridade.

Assim, o ano litúrgico de 2026, guiado pelo Evangelho de Mateus, torna-se verdadeira escola de discipulado. Nele, a Igreja aprende a reconhecer a presença amorosa de Cristo, a meditar sua Palavra e a renovar o compromisso missionário, caminhando com confiança rumo ao Reino que já se faz presente entre nós.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://revistaavemaria.com.br/o-ano-litugico-de-2026.html

 

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