Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
‘Com o
declínio de Gana ocorreram diversas disputas entre estados menores que eram
submissos, ao século XII. Um desses estados era formado pelo povo conhecido por
sosso, de etnia Soninke. Através das armas se impuseram e
alcançaram a hegemonia regional no século XIII.
O Império era
composto por 12 reinos menores ligados entre si, tendo como capital a cidade
Kangaba. Os mandingas que eram o povo mais forte chamavam seu território de
Manden, que significa terra dos mandingas.
O Império de
Mali era formado por povos presentes na região situada entre o Rio Senegal e o
Rio Níger. Dentre eles, o mais importante eram os mandingas, que já eram
conhecedores do islã desde o século XI. Além deles, os soninquês, fulas, sossos
e bozos também fizeram parte desse império.
Após anos de
guerras entre os soninquês de Gana e os almorávidas (século XI), e depois das
guerras com os sossos (século XII), Mali conseguiu sua independência e adotou o
islamismo. Apesar de passar por um período de crise política e econômica,
conseguiu se restabelecer e, em 1235, os mandingas de Mali conquistaram o
território do antigo Império de Gana, sob a liderança de Maghan Sundiata, que
recebeu o título de Mansa, que na língua mandinga significa ‘imperador’.
No domínio de
Sundjata Keita, o maior representante do Império Mali, sua autoridade foi
estendida sobre outras unidades políticas próximas, formando um estado
unificado e hegemônico até o século XV.
Processo de
expansão
Ao contrário
do Império de Gana, que se preocupava mais em manter os povos dominados, a fim
de controlar o comércio regional, o Império de Mali se impôs de forma
centralista, estabelecendo fronteiras bem definidas e formulando leis por meio
de uma assembleia chamada Gbara, composta por diversos povos do império. A
aplicação da justiça era implacável, tanto que vários viajantes se referiam aos
povos negros como ‘os que mais odeiam as injustiças - e seu imperador não
perdoa ninguém que seja acusado de injusto’.
Acredita-se
que o Império de Mali chegou a ter a atual extensão da Europa Ocidental.
Sua hegemonia,
numa vasta região da África Ocidental ou África Negra, localizada abaixo do
Deserto do Saara ocorreu devido à formação de um exército poderoso, ao controle
da extração do ouro e a existência de uma administração eficiente. Esses
fatores fizeram do Mali um dos impérios mais bem-sucedidos do continente
africano.
Mali chegou a
controlar todo o comércio de ouro local, porque o ouro extraído por Mali
sustentava grande parte do comércio no Mediterrâneo. Conta-se que, entre 1324 e
1325, Mansa Mussa, em peregrinação a Meca, parou para uma visita ao Cairo e
teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor desse metal se
desvalorizou por mais de 10 anos.
Também sob o
reinado de Mussa, a cidade de Timbuktu (ou Tombuctu) se tornou uma das mais
ricas e importantes da região. Sua universidade era um dos maiores centros de
cultura muçulmana da época, e produziu várias traduções de textos gregos que
ainda circulavam nos séculos XIV e XV. A grandiosidade de Timbuktu atravessou
os tempos e, no século XIX, exploradores europeus se embrenharam pelos caminhos
africanos, seguindo o rio Níger, em busca da lendária cidade.
O Império de Mali entrou em decadência a partir do final do século XIV, em função das
disputas políticas internas e das incursões dos tuaregues, um povo berbere do
deserto, sendo conquistado, no século XV, pelos songais que até então eram
dominados por Mali. Foi nesse mesmo século que os portugueses, em pleno
processo de expansão marítima, conheceram o já decadente Mali.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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