Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

‘Durante o
período que chamamos de Idade Média que classifica a História Europeia (séculos
V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental e por sua
enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o mar
Mediterrâneo e o interior da África.
Enquanto a
Europa vivia no sistema conhecido como Feudalismo, os reinos existentes na
África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram
no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações é hoje conhecida
como Império de Gana.
Império de
Gana
O Império de
Gana foi o mais antigo Estado negro que se conhece, fundado no século IV, tendo
conquistado uma grande área onde exerceu dominação política e econômica, ao sul
do que hoje conhecemos por Mauritânia, Senegal e Mali.
Inicialmente
Gana era o título que se dava ao governante que atribuía sua soberania sobre os
povos dominados, depois passou a denominar o império que foi se formando.
Na região
localizada entre os rios Senegal e Níger, os soninquês que eram povos de origem
mandê, fundaram pequenas cidades, que desde o século IV foram se unificando
para resistir às guerras com povos nômades. No século VIII, a região já era
conhecida como Império de Gana.
Os soninquês
chamavam a região de Wagadu, mas os berberes, povos do Magreb, a chamaram de
Ghana, título dado até então ao rei da região. Ghana veio a significar rei
guerreiro.
O Deserto do
Saara sempre dificultou o acesso dos povos do norte da África ao interior do
continente. Uma viagem do Magreb, região africana banhada pelo mar
Mediterrâneo, exceto o Egito) até a bacia do rio Níger poderia durar até 4
meses em pleno deserto. Dessa forma, enquanto o norte da África estava inserido
no comércio entre diversos povos desde a Antiguidade, o reino de Gana,
localizado na África Subsaariana, também chamada de África Negra se desenvolveu
isoladamente.
Quando os
árabes conquistaram o Magreb e introduziram o camelo como animal de transporte,
foi possível a viagem através do deserto. A partir de então, os reinos e as
grandes riquezas da África Negra passaram a fazer parte do comércio
internacional do Mediterrâneo.
Terra do ouro
Quando os
comerciantes do norte começaram a chegar, Gana já era um reino rico. Os
documentos deixados pelos comerciantes árabes e berberes relatam a existência
de um império extraordinário, também chamado de Terra do Ouro. Segundo
Al-Bakri, um comerciante árabe de Córdoba do século XI, o rei de Gana usava
túnicas bordadas a ouro, colares e pulseiras de ouro e os arreios dos cavalos e
as coleiras dos cachorros do rei também eram de ouro.
A base
econômica do império era o recolhimento de impostos dos povos conquistados e o
comércio dos produtos que circulavam em seus domínios. Além disso atividades de
subsistência como a pesca, a pecuária e a agricultura formavam parte importante
de sua economia. Além de um poderoso exército, os soberanos tinham também ao
seu dispor uma gama variada de funcionários.
A capital do
reino era a cidade de Kumbi-Saleh e de lá o rei e seus nobres controlavam
diversos povos vizinhos, que eram obrigados a pagar impostos em troca de
proteção. Gana também controlava o comércio das mercadorias que eram trazidas
do norte como sal e tecidos e as que saíam do interior da África como ouro e
escravos. A capital que tinha por volta de 20 mil habitantes, todos os dias
recebia caravanas que vinham de diversas regiões.
Entre os
séculos IX e X, o império de Gana viveu o seu apogeu, mas com o processo de
islamização dos povos africanos, o Império de Gana foi perdendo força, até que
em 1076 os almorávidas, uma dinastia berbere, conquistaram e saquearam
Kumbi-Saleh, transformando a cidade em um reino tributário. A partir daí, o
império se fragmentou, o que possibilitou as incursões de outros povos vizinhos
que passaram a controlar várias regiões do antigo império. Gana não aceitou o
islamismo e se transformou por certo tempo na última barreira para a entrada do
Islã na região.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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