Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre José Inácio de Medeiros, CSsR
'Durante o
período que chamamos de Idade Média até o início da Idade Moderna que
classificam a História Europeia (séculos V ao XV), poderosos Estados se
desenvolveram na África Ocidental. Por sua enorme riqueza, tornaram-se o
principal eixo de comércio entre o Mar Mediterrâneo e o interior da África.
Vários deles deram origem a algumas das modernas nações africanas e também
influenciaram a cultura e a religião de outras realidades como o Brasil.
Alguns dos
reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes
civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas
civilizações foi formada pelo Império de Axum.
Império de Axum
O Império de
Axum (ou Aksum) foi uma antiga e poderosa civilização africana localizada
na região também conhecida como ‘Chifre da África’, norte da atual Etiópia e
Eritreia, abrangendo o Djibuti e partes do Sudão, estendendo-se até o sul da
Arábia.
O Império
floresceu entre 100 e 940 d.C., transformando-se aos poucos num importante
centro comercial entre o Egito, o Mar Vermelho e a Índia, famoso por sua
riqueza.
O Império
desenvolveu sua própria escrita, cunhou as próprias moedas e sua capital, Axum,
se transformou num grande mercado e centro cultural. Em seu apogeu, Axum
foi o principal centro de comércio entre o vale do Rio Nilo e os portos do mar
Vermelho, sendo um importante ponto na rota comercial entre o Império Romano e
a Índia.
No século IV,
já haviam se transformado no Estado de maior expressão do reino da Núbia e, por
conta das relações com o mar Vermelho, local de articulação entre populações
africanas e árabes, adotaram o cristianismo, que se espalhou em boa parte do
território sob o domínio romano, inclusive no Egito.
A cidade de
Axum, localizava-se num planalto, acima do nível do mar e longe do litoral, o
que facilitava a sua defesa, conseguindo ainda um grande aproveitamento dos
recursos minerais, desenvolvendo o cultivo de cereais como a cevada e o sorgo e
o Tefé que até os dias atuais compõe a base da alimentação das populações
etíopes.
Como
controlava algumas das rotas comerciais cruciais do Mar Vermelho, trocando
marfim, ouro, incenso e escravos por luxos romanos como tecidos e vinho e asiáticos
como especiarias e seda usados, sobretudo, pela nobreza do império, isso
garantiu um grande esplendor de vida.
No império o
poder era centralizado, e isso facilitava a construção de palácios e outras
obras como estátuas e obras de devoção encontradas. Vestígios deste Império
mostram que era uma sociedade complexa, hierarquizada e diversa, que tinha como
representante máximo o título de negus.
Era comparado
a grandes impérios como Roma e Pérsia, sendo uma das quatro maiores potências
mundiais em seu auge.
O declínio do
império começou a partir do século VII, devido à ascensão do poder árabe
muçulmano no comércio do Mar Vermelho e conflitos internos.
Legado :
Segundo uma
tradição religiosa não confirmada, Axum é o suposto local onde estaria guardada
a Arca da Aliança com as tábuas dos Dez Mandamentos. A língua falada no império
se transformou na língua litúrgica da Igreja Etíope. Axum é também o suposto
lar da rainha de Sabá, mencionada na Bíblia, ainda que outras versões, apontem
o atual Iêmen como o local de origem da rainha.
Sua herança
influenciou o desenvolvimento posterior do Reino da Abissínia e sua cultura
cristã única na África Oriental, com a cidade de Axum, localizada no norte da
Etiópia, ainda sendo um importante centro espiritual.’
Fonte : *Artigo na íntegra
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