Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Um jejum de
palavras ofensivas : este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se
preparam para viver a Quaresma, ‘tempo em que a Igreja nos convida a
recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida’.
Para que a
nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as
distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o
caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a
acolhemos com docilidade de espírito.
Escutar
Este ano, o
Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através
da escuta, ‘pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal
com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro’.
Escutar a
Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais
verdadeira da realidade. ‘Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida
pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer
aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.’
Jejuar
Se a Quaresma
é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma
prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o
corpo, é útil para discernir e ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a
fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se
tornar oração e responsabilidade para com o próximo.
No entanto,
adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica
e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e
humildade e deve incluir também outras formas de privação.
Leão XIV
então convida os fiéis a uma forma de abstinência ‘muito concreta e
frequentemente pouco apreciada’, ou seja, a abstinência de palavras que atingem
e ferem o nosso próximo.
‘Comecemos
por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário,
ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.’
Em vez disso,
o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família,
entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos,
nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. ‘Assim, muitas
palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.’
Juntos
O Pontífice
conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da
Palavra e da prática do jejum.
‘As nossas
paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a
percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da
Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de
vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.’
O Papa
encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que
torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.
‘Peçamos a
força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras
ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer
das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a
escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes
no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos
vocês e o seu caminho quaresmal.’’
Fonte : *Artigo na íntegra
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