Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
*Artigo do Padre Antonio Jackson, sss
No centro e em toda a história da salvação
‘A Igreja
recebeu a Eucaristia de Cristo, seu Senhor, não como um dom, por precioso que
ele seja, entre muito outros, mas como o dom por excelência, porque Ele é o dom
de si mesmo, da sua Pessoa na sua santa humanidade e da sua obra de salvação.’
(João Paulo II)
São João
Paulo II concluiu e coroou seu longo pontificado durante o Ano da Eucaristia,
que ele instituiu na sequência da sua Carta Encíclica Ecclesia de
Eucharistia. O Pontífice queria reavivar no coração da Igreja a admiração
pelo dom por excelência, da sagrada Eucaristia, e suscitar uma renovação da
adoração desse Sacramento que contém a própria Pessoa do Senhor Jesus na sua
humanidade.
Esse dom por
excelência foi longamente preparado por Deus na história da salvação. A
Eucaristia recapitula e coroa, com efeito, uma multidão de dons de Deus feitos
à humanidade depois da criação do mundo. Ela leva à sua realização o desígnio
de Deus de estabelecer uma aliança definitiva com a humanidade; apesar de ser
uma história trágica de pecado e de rejeição que permanece desde as origens,
Deus instaura concretamente, por esse Sacramento, a nova aliança selada no
sangue de Cristo. Essa aliança sela definitivamente uma longa história da
aliança entre Deus e o povo nascido de Abraão, nosso pai na fé. Como a
celebração da Páscoa judaica no tempo da promessa, a sagrada Eucaristia
acompanha a peregrinação do povo de Deus na história da nova aliança. Ela é um
memorial vivo do dom que Jesus Cristo fez do seu corpo e do seu sangue para
resgatar a humanidade do pecado e da morte e comunicar-lhe a vida eterna.
Na sua
liturgia e oração milenares, o povo judeu aprendeu a celebrar a grandeza do seu
Deus santo, criador e libertador. A Páscoa esteve sempre no centro da liturgia,
que recorda de geração em geração o acontecimento do êxodo : ‘Esse dia vos
servirá de memorial’ (Ex 12,14).
Celebrada por
gerações de crentes, ela se relaciona com o acontecimento fundador da primeira
aliança : a saída do Egito do povo hebreu e a passagem do mar Vermelho graças à
intervenção do Senhor Deus : ‘Israel viu a mão poderosa com que o Senhor atuou
contra o Egito. O povo temeu o Senhor, e acreditou nele e em Moisés seu servo’
(Ex 14,31). Esse acontecimento fundacional iria ser selado no Sinai pelo dom
sagrado da lei e pelo compromisso do povo : ‘Eis o sangue da aliança que o
Senhor concluiu convosco, mediante todas estas palavras’ (Ex 24,8). E o povo
respondeu : ‘Tudo o que o Senhor disse, nós o poremos em prática’ (Ex 19,8).
Essa primeira
‘passagem’ duma parte da humanidade da escravidão para a liberdade anunciava e
preparava a intervenção decisiva do Deus vivo e Pai em favor da humanidade, o
envio da sua última Palavra, pessoal e definitiva, na encarnação do Verbo.
Então, num momento particular da história humana, ‘A graça de Deus
manifestou-se para a salvação de todos os homens’ (Tt 2,11). A memória reconhecida
da Igreja proclama-o : ‘De tal modo amastes o mundo, Pai santo, que, chegada a
plenitude dos tempos, enviastes a nós como Salvador o vosso Filho Unigênito’
(Oração Eucarística IV).
A vinda do
Verbo à nossa carne marca o cume do dom que Deus faz de si mesmo : ‘Muitas
vezes e de muitos modos falou Deus aos nossos pais nos tempos antigos, por meio
dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do
Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o
mundo’ (Hb 1,1-2). A Epístola aos Hebreus mostra que a encarnação do Filho de
Deus e a oferenda sacrificial da sua vida fundam e estabelecem o culto da nova
aliança no seu sangue. Esse culto, instaurado por Jesus Cristo, leva a seu
cumprimento os esboços do culto da primeira aliança, oferecendo um só
sacrifício, válido uma vez por todas, mas diferente dos sacrifícios de animais
da antiga lei, porque é o sacrifício do Cordeiro sem mancha, ‘(…) que se
oferece ao Pai no Espírito eterno (…) para que prestemos culto ao Deus vivo’
(Hb 9,14). Esse culto eterno Cristo torna-o presente em nosso tempo e em nosso
espaço pela sagrada Eucaristia, cume do dom de Deus, Verbo feito carne e
Espírito vivificante na origem do culto da nova aliança.’’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://revistaavemaria.com.br/a-eucaristia-no-centro-2.html
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