domingo, 30 de julho de 2017

Autoimagem e autoestima

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

A autoimagem é voraz e se alimenta principalmente da nossa autoestima.
*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor


‘Hoje fala-se muito em autoimagem e autoestima, contudo nem todas as pessoas tem uma noção mais aprofundada do significado dessas duas palavras, tampouco o quanto são importantes para a nossa qualidade de vida.

Imagem é a impressão que se tem de uma pessoa. Se for de si própria, é o que se chama de autoimagem, se for de outra, é a denominada heteroimagem. Quase sempre as duas são falsas ou incompletas, pois consequências que são das expectativas fantasiosas e dos pré-julgamentos que se costumam fazer e ou cobrar dos outros. Elas vão sendo implantadas e reforçadas ao longo da vida, pelos elogios ou pelas críticas que se ouve. Quando elogios, se moderados e sinceros, contribuem para o crescimento de quem os recebe; se hipócritas ou exagerados, estimulam-se neles a vaidade e a prepotência. Sendo críticas e excessivas, e direcionadas especialmente para crianças e adolescentes – quase sempre pelos pais e mestres – elas os tornam complexados, revoltados, inseguros e infelizes.

A autoimagem é voraz e se alimenta principalmente da nossa autoestima. Exemplo disso é o laboradicto, aquela pessoa que se diz ‘viciada’ em trabalho. Aquela que não gosta de férias, nem pretende se aposentar. Sacrifica sua família, sua saúde, seu bem-estar e sua paz interior, tudo para saciar uma autoimagem de eficiente, produtiva e trabalhadora, criada e ampliada sempre e mais, pela bajulação dos chefes e companheiros de trabalho, que se aproveitam disso para extrair dela mais resultados. Até que um esgotamento psíquico, um derrame, um infarto fulminante, a leve ou a inutilize para sempre.

 Já a autoestima é o legítimo gostar de si próprio. Nada tem a ver com egoísmo, pois o egoísta, o egocêntrico, é alguém que se detesta, e tanto, que está sempre querendo e tomando tudo para si. E faz isso na tentativa – quase sempre frustrada – de conquistar-se a si próprio. Contudo, quanto mais coisas e vantagens toma para si, mais prejudica aos outros, e interiormente se sente mais frustrado e infeliz, pois de alguma forma sabe que está causando danos a alguém. Pode-se dizer que ele vive num permanente círculo vicioso, tentando amar-se, mas aumentando, cada vez mais, sua auto rejeição, o abismo que o separa de si mesmo.

Gostar genuinamente de si próprio é respeitar-se, é aceitar seus próprios limites, é permitir-se ter momentos de lazer e de descanso.

Fazer do trabalho uma parte importante de sua vida, mas nunca a essencial. Ele o tem como meio e nunca como fim, pois seu objetivo maior é ser feliz. Como consequência do gostar de si próprio, gostar também dos outros. Não os inveja, mas os respeita e os aceita exatamente como são. Procura cumprir adequadamente as suas obrigações, mantendo sempre a sua palavra e seus compromissos, pois os assume conscientemente, sem prometer além de suas possibilidades. Está sempre pronto a ajudar a quem precisa, tanto quanto aceita a ajuda dos outros, quando dela necessita. Não se sente humilhado por isso, mas se identifica como parte de um todo, que é a humanidade : uns pelos outros e nunca ‘uns devorando os outros’. Quem tem autoestima é feliz e irradia felicidade em torno de si. Sua paz interior é evidente, gerando sempre a paz entre os que o cercam e contribuindo permanentemente para que todos se sintam bem em sua companhia.

Uma das vantagens da autoestima é possuir alto grau de resiliência, que é a capacidade para superar traumas e estresses. Na física, resiliência é definida como a propriedade de certos materiais para restabelecer a sua forma original, depois de submetidos a uma deformação. Bom exemplo disso é a mola de aço. Submetida a forte pressão, ela se achata e perde sua forma de origem. Cessando a pressão, ela imediatamente retoma ao que era. Na natureza também encontramos vários exemplos de resiliência. Um dos melhores exemplos é o pé de bambu, que açoitado pelo vento curva-se, mas não se quebra. Cessando a ventania, ele volta a sua posição original.

Outras árvores, imponentes e firmes, servem como bom exemplo da total falta de resiliência : quando sopra o vento forte elas se partem ao meio, pois em consequência de sua rigidez, não conseguem vergar. E morrem.

Da mesma maneira, uma pessoa com boa resiliência, ao sofrer uma perda significativa, se vê esmagada, mas não se abate. Com o tempo vai se recompondo até readquirir o equilíbrio anterior. Quanto maior a resiliência, mais rápida, melhor e completa será a sua recomposição. Já as pessoas rígidas, sem autoestima, presas em sua autoimagem de ‘durões’, de inflexíveis, diante de um revés se abatem e dificilmente se recuperam.

A resiliência é uma das principais consequências da autoestima. Consequentemente, trabalhar para se ter uma melhor autoestima é o caminho mais curto para a paz interior, a felicidade pessoal, uma melhor qualidade de vida.’


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