Mostrando postagens com marcador ciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ciência. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Fé e ciência no diálogo entre Bento XVI e o matemático Odifreddi

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
Papa Bento XVI encontra os representantes da ciência na Aula Magna da Universidade de Regensburg  (L'OSSERVATORE ROMANO)

*Artigo de Michele Raviart - Vatican News


‘Fico contente com a sua inquietação sobre Deus e Jesus’, escreve o Papa Emérito em uma passagem do livro ‘Caminhando em busca da Verdade. Cartas e diálogos com Bento XVI’ de Piergiorgio Odifreddi, matemático ateu, que reúne a correspondência e a narração dos cinco encontros entre os dois, que se realizaram desde a renúncia ao papado em 2013 até 2020.

Um sinal de atenção ao diálogo

O livro, das edições Rizzoli, foi apresentado na quinta-feira (06) na Universidade Lumsa, e é uma viagem pela fé, ciência, ética e antropologia, uma prova de como é possível dialogar entre diferentes posições até mesmo nas opostas, e o testemunho de alguns dos temas que ocuparam as reflexões do Papa Emérito desde 2013.

‘É extremamente significativo’, disse o Padre Federico Lombardi, presidente da Fundação Ratzinger, que organizou a apresentação do livro, ‘que Bento XVI, desde que deixou de ser Papa e, portanto, teve mais tempo para refletir, tenha levado muito a sério o pedido do cientista Odifreddi para dialogar com ele. Este é um sinal da sua atenção ao diálogo entre a fé, a razão e a ciência, e da atitude muito disponível e aberta com a qual sempre viveu’.

O nascimento de uma amizade

Em 2011, Piergiorgio Odifreddi escreveu uma carta aberta a Bento XVI comentando a ‘Introdução ao Cristianismo’, um livro histórico que Joseph Ratzinger escreveu como teólogo em 1968. Uma tentativa inicial de obter uma resposta que não teve sucesso até 2013 quando, após sua demissão e através do secretário do Papa emérito Georg Gänswein, que também estava presente na apresentação do livro, Bento XVI, por sua vez, enviou uma carta, iniciando uma amizade entre os dois.

‘Uma bela amizade’ que é ‘uma dimensão rara’ entre duas posições diferentes onde ‘há diálogo e não brigas’, onde ‘as ideias se encontram e o adversário não é demonizado’, explicou Dom Vincenzo Paglia, presidente da Pontifícia Academia para a Vida. ‘Creio que a lição pode ser esta’, explicou Piergiorgio Odifreddi, se até mesmo um Papa e um ateu podem ficar conversando amistosamente, com tranquilidade, isso significa que talvez na vida também se possa comportar assim’.

A proximidade no luto

O que é surpreendente na evolução da correspondência entre os dois é a evolução dos temas. No início, o confronto era entre ciência e fé, aponta Odifreddi, então com o passar do tempo ‘era inútil continuar as ‘escaramuças’ sobre estes temas’, então passaram a outros assuntos, tais como a lógica, a vida e a morte. Foi precisamente sobre o tema da morte que houve a maior convergência entre os dois. O Papa emérito tinha pedido a Odifreddi a opinião de um ateu sobre a morte e o matemático escreveu uma carta descrita por ele como ‘teórica’. Depois, em 2020, ano da pandemia, faleceram, Georg Ratzinger o amado irmão de Bento, e a mãe de Odifreddi. Esse foi o momento de maior proximidade’, explicou, quando duas pessoas conhecem a mesma dor de perder entes queridos.

 

Fonte : *Artigo na íntegra

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2022-10/livro-dialogo-matematico-e-o-papa-emerito-bento-xvi.html

terça-feira, 9 de março de 2021

Há lugar para o discurso teológico perante tanto discurso virológico?

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Miguel Oliveira Panão,

professor


‘Qual o contributo do discurso teológico para a compreensão do momento de pandemia que vivemos? Nem sempre é fácil ler um discurso teológico por conter traços filosóficos. E a beleza da liguagem da filosofia está em alguma da sua complexidade. Talvez por isso, sintamos que o discurso teológico elaborado filosoficamente pretende ajudar-nos a pensar estes difíceis tempos, mas não consegue. E daí a dúvida : haverá lugar para o discurso teológico num mundo profundamente afetado por um evento biológico?

Ao ler o excelente artigo de João Paulo Costa, presbítero da Arquidiocese de Braga, fiquei intrigado com uma passagem que faz do filósofo germano-coreano Byung-Chul Han no seu livro ‘A Sociedade Paliativa’, por espelhar o modo como vi alguns amigos cristãos a enfrentar esta pandemia. Isto é, com um olhar mais reducionista que se recusa a aceitar o fato de não vivermos mais no mundo antes da Covid-19, e de que, talvez, isso não seja mau de todo.

Byung-Chul Han começa por dizer na passagem que me intrigou que «Em face da pandemia, a sociedade da sobrevivência proíbe serviços religiosos mesmo na Páscoa. Os padres também praticam o ‘distanciamento social’ e usam máscaras. Sacrificam totalmente a crença à sobrevivência sanitária. Paradoxalmente, o amor do próximo manifesta-se como distanciamento. O próximo é um portador de vírus potencial. A virologia desautoriza a teologia. Todos estão atentos ao que dizem os virologistas, que alcançam uma supremacia de exegese absoluta. A narrativa da ressurreição cede por completo o passo à ideologia da saúde e da sobrevivência.»

A crença sacrificada, e a desautorização da teologia, causadas por um acontecimento virológico, são uma visão reduzida do interlaçar entre a física e a metafísica que fazem parte do viver humano. Reconhecendo os efeitos que a pandemia teve sobre os ritmos da nossa vida espiritual, poderia, antes, dizer, que a sobrevivência sanitária desafiou a superficialidade da nossa crença, e que a virologia desafia a complexidade frequente do discurso teológico. Não estou tão certo que o discurso dos virologistas seja acolhido por nós como uma verdade absoluta que nos impeça de viver a narrativa da ressurreição. Muito pelo contrário, nunca como antes essa narrativa foi tão importante para aproximar o infinito do finito, o incompreensível do vivível, ajudando a procurar sentido naquilo que parece não ter. A narrativa da ressurreição é uma narrativa de esperança, e não é a esperança uma fonte de vida?

Na verdade, o discurso teológico é semelhante ao discurso científico. Por exemplo, se o leitor começar a ler um artigo sobre os conjuntos de sondas primárias acessíveis para detectar potenciais variantes do coronavírus SARS-CoV-2 ficará tão desinteressado como se lesse um artigo teológico sobre a ontologia cristã da dimensão do humanum perante a visão teodiceica desta pandemia, certo? Porém, os divulgadores de ciência procuram explicar conceitos científicos complexos com metáforas, ou seja, imagens de proximidade à experiência de vida quotidiana que uma pessoa sem formação científica possa entender. Logo, os teólogos e filósofos poderiam/deveriam fazer o mesmo.

Byung-Chul Han diz ainda que «Perante o vírus, a fé degenera e transforma-se numa farsa. Ela é substituída por unidades de cuidados intensivos e por ventiladores. Contam-se os mortos diariamente. A morte domina por completo a vida e esvazia-se em nome da sobrevivência. A histeria da sobrevivência torna a vida radicalmente transitória. Ela é reduzida a um processo biológico, que precisa de ser otimizado. Perde toda a dimensão meta-física […]. A vida é despojada de qualquer narrativa com sentido. Ela deixa de ser narrável e passa a ser mensurável e contável.»

E, por este motivo, proliferam no mundo cristão as ideias de que não há pandemia, de reserva em relação à vacina, e que as máscaras não protegem, logo, por que razão as devemos usar ou prescindir das celebrações? A fé só degenera se estiver assente em solo infértil e equivocado. Não me parece que os cuidados intensivos, e os ventiladores, sejam imagem do domínio da morte, mas, pelo contrário, do domínio da vida por representarem o esforço de salvar as pessoas dos efeitos sérios e graves desta pandemia. A vida é, realmente, transitória, mas não se reduz a essa condição. A vida, em todas as suas fases, está orientada para a ressurreição. E a ligação entre a vida da materialidade e da eternidade faz-se na profundidade.

Medir e contar é, para um cientista, a base para a compreensão dos fenômenos físicos, mas não é o fim último da sua investigação. Por isso, a contagem dos infectados e dos que morrem pode, também, servir de base para a procura de uma vida mais profunda e enraizada num Ideal que não passa : Deus.

A única coisa que gostaria de ver presente num discurso teológico, vai para além da compreensão de Deus, mas, com um tom de divulgação teológica (à semelhança da científica), através de imagens e testemunhos, inspirar a vida quotidiana a fazer de cada momento, um momento de Deus.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://www.combonianos.pt/alem-mar/opiniao/4/479/ha-lugar-para-o-discurso-teologico-perante-tanto-discurso-virologico/

terça-feira, 29 de setembro de 2020

A história de Galileu, na relação ciência e Igreja, foi mal contada

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 

'Galileu diante do Santo Ofício',

quadro de Joseph-Nicolas Robert-Fleury

*Artigo de Guy Consolmagno, S.J., diretor do Observatório do Vaticano e

Christopher M. Graney, pesquisador adjunto do Observatório do Vaticano


‘Todos estão familiarizados com a lenda de Galileu : um dos grandes astrônomos da história que corajosamente enfrentou a Inquisição em defesa de seu argumento de que a Terra orbitava o sol, e não o contrário. Em variações recentes desse mito, a Igreja Católica foi colocada no papel de negadora da ciência, que usou as Escrituras como um porrete para desmentir as alegações de Galileu e ainda o considerou culpado de heresia.

Parte história, parte ficção científica, aquela lenda de Galileu é menos um conto do que um mito. Essa história afirma explicar o que aconteceu há 400 anos e aponta para um futuro em que tais erros nunca acontecerão novamente. Mas as histórias que contamos nunca são realmente sobre o passado ou sobre o futuro; são sobre os tempos em que foram escritas. O mito de Galileu reflete a forma como entendemos ciência e história, Igreja e mitologia em nossos tempos de conflito social e pandemia de Covid-19.

Consideremos um personagem-chave na história de Galileu : a grã-duquesa Christina de Lorena. Descendente da família real francesa, viúva do grão-duque Medici Fernando I da Toscana e mãe de Cosimo II, que governou essa região italiana na década de 1610. Galileu veio da Toscana e Ferdinand deu a ele seu primeiro emprego como professor, ensinando matemática a Cosimo, que fez dele seu filósofo e matemático oficial da corte.

Em dezembro de 1613, a grã-duquesa, uma mulher devotamente religiosa, perguntou ao amigo de Galileu, o monge beneditino Benedetto Castelli, sobre as coisas que Galileu havia descoberto com seu telescópio e seu apoio à ideia de Nicolau Copérnico de que a Terra, e não o sol, movia-se. Para Christina, isso parecia contrário a certos versículos bíblicos; Eclesiástes 1, 5, por exemplo, diz : ‘Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu’. Castelli, embora intimidado pela perspectiva de discutir com a realeza, educada e respeitosamente defendeu a nova ideia do movimento da Terra.

Sabemos de tudo isso porque Castelli descreveu o fato a Galileu em uma carta datada de 14 de dezembro de 1613. Galileu respondeu com uma carta a Castelli uma semana depois e, em seguida, com outra mais longa para a própria Christina. Essas cartas passaram a ser conhecidas como discussões magistrais de ciência e religião, cheias de afirmações como ‘A Sagrada Escritura e a natureza derivam igualmente da Palavra Divina, a primeira como ditado do Espírito Santo, a última como o mais obediente executor da ordem de Deus’.

Todavia, eram palavras sobre religião, um tópico em que Galileu não tinha treinamento formal nem licença da Igreja para ensinar. Em 1615, a carta a Castelli se tornou o assunto de uma queixa apresentada contra Galileu na Inquisição. A história de Galileu, cheia de política religiosa, personalidade e mesquinhez, era já pública e estava na boca das pessoas.

Christina era então uma negadora da ciência? A grã-duquesa e outros como ela rejeitaram a ciência pelas Escrituras? Na verdade não.

Razões científicas convincentes

Observemos que Galileu respondeu a Christina não por meio de argumentos científicos, mas concentrando-se na Bíblia. Isso porque Christina não discordou da ciência, mas garantiu a Castelli que tudo o que Galileu havia descoberto era verdade. Afinal, em abril de 1611, uma equipe de astrônomos jesuítas havia verificado as descobertas de Galileu, descobertas que mostravam que Júpiter tinha luas ao seu redor, que Vênus circulava o sol e assim por diante.

O problema era que as luas em volta de Júpiter ou Vênus em volta do Sol não mostravam que a Terra se movia. Essas descobertas eram totalmente compatíveis com as ideias de Tycho Brahe, o astrônomo mais capaz da geração anterior. Brahe imaginou o sol, a lua e as estrelas circundando uma Terra imóvel, enquanto os planetas circundavam o sol. Os sistemas de Brahe e Copérnico eram idênticos quando se tratava de observações envolvendo o sol, a lua e os planetas.

Mas há um problema mais sutil em ver a história de Galileu como uma narrativa da Igreja negando a ciência. Isso implica que a ciência é uma visão de mundo única e monolítica baseada em fatos imutáveis que podem ser provados objetivamente. Consideremos o sistema Brahe. Ele admirava Copérnico e seu trabalho, mas argumentou contra Copérnico. Ele fez isso com base não na Bíblia, mas no que podemos reconhecer hoje como fundamentos científicos convincentes.

Olhe para as estrelas

Por um lado, a física da época, a física geocêntrica de Aristóteles, explicava os movimentos dos corpos celestes assumindo que eram feitos de uma ‘quintessência’ leve e misteriosa, não encontrada na Terra, que naturalmente permaneceu no céu e se moveu em círculos. Em contraste, as coisas terrenas eram pesadas e naturalmente tendiam a descansar. Não havia nenhuma explicação física de como uma Terra pesada poderia se mover para sempre ao redor do sol. (As leis do movimento de Newton ainda estavam décadas longe no futuro).

Um segundo argumento convincente para o sistema de Brahe era o tamanho e a posição das estrelas. Se a Terra estivesse se movendo, seu movimento em relação às estrelas deveria ter sido detectado. O próprio Brahe observou estrelas com exatidão notável e precisa; mas o astrônomo não havia detectado nada. Portanto, ou a Terra não se moveu ou as estrelas estavam tão distantes que a órbita da Terra não era nada em comparação. Mas como alguém poderia saber?

Os astrônomos da época pensaram que o novo telescópio de Galileu poderia dar-lhes as respostas. Eles pensaram que poderiam medir os tamanhos aparentes das estrelas porque, como afirmou Galileu, o telescópio era capaz de ‘mostrar o disco da estrela nu e muitas vezes ampliado’. E então, supondo que essas estrelas tivessem o mesmo tamanho dos planetas ou do sol, eles poderiam calcular sua distância da Terra.

O astrônomo alemão Simon Marius, medindo os discos que viu em seu telescópio, fez o cálculo e acabou endossando o sistema de Brahe, não o de Copérnico. O mesmo fez o astrônomo jesuíta Christoph Scheiner, que observou que, se a órbita da Terra não pode ser detectada em um universo heliocêntrico, mas o tamanho de uma estrela sim, então a estrela deve ser maior do que essa órbita. Cada estrela observável teria que ser maior, tornando o Sol e todos os outros corpos celestes muito pequenos. Em contraste, no sistema geocêntrico de Brahe, os tamanhos das estrelas foram comparados com outros corpos celestes.

O problema era que ninguém na época entendia as sutilezas dos telescópios. Os telescópios focalizam os objetos de maneira imperfeita. O que deveria ser um ponto de luz em um telescópio acaba parecendo um ponto difuso. Esse local era o que os astrônomos, incluindo Galileu, estavam medindo. Uma compreensão total dos telescópios e do movimento relativo das estrelas não seria alcançada até o século 19.

Marés Altas (e Baixas)

Um terceiro argumento científico contra o movimento da Terra era que um objeto em queda não deveria cair diretamente, mas deveria parecer ligeiramente desviado se o solo ao qual ele cai fosse parte de uma Terra em rotação. Esse pequeno efeito foi sugerido pela primeira vez por cientistas jesuítas da época de Galileu. Hoje, é considerado um fator-chave nos padrões climáticos e é chamado de efeito Coriolis, em homenagem a um cientista do século 19. Os jesuítas, compreensivelmente incapazes de detectá-lo, argumentaram que sua ausência sugeria a imobilidade da Terra.

As cartas de Galileu para Castelli e Christina disseram pouco para aqueles que foram atraídos pelas ideias de Brahe por razões científicas como essas. Em vez disso, Galileu forneceria um argumento científico para o movimento da Terra no ensaio de 1616 Discurso sobre as marés e em seu famoso livro de 1632, Diálogo sobre os Sistemas de Dois Mundos, que acabou levando o cientista a seu julgamento.

Nesses dois escritos, Galileu afirmou que o duplo movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo, mais sua revolução em torno do sol, espalha os oceanos para frente e para trás diariamente em suas bacias, gerando as marés. Mas essa ação por si só não poderia explicar as marés do Mediterrâneo, que ocorrem duas vezes ao dia. Para isso, Galileu argumentou que os períodos das marés em diferentes lugares eram determinados por características locais que refletiam na oscilação da água para frente e para trás dentro da bacia local. Assim, as marés duas vezes ao dia eram características apenas do Mediterrâneo.

Em seu ensaio de 1616, Galileu afirmou que as marés do Oceano Atlântico observadas em Lisboa, Portugal, ocorriam uma vez ao dia, de acordo com sua teoria. Em 1619, entretanto, Galileu foi informado (por Richard White da Inglaterra) de que essa afirmação estava errada; as marés também acontecem duas vezes ao dia em Lisboa. Isso deveria ter provado que a teoria de Galileu era falsa. No entanto, em 1632, Galileu o apresentou novamente, com uma mudança fundamental em seu argumento de 1616 : ele omitiu todas as menções às marés do Atlântico.

O argumento científico de Galileu era falacioso. A ciência da época – a evidência observável, o raciocínio mais correto – estava contra ele e sua teoria. E seus oponentes sabiam disso. Francesco Ingoli, um sacerdote teatino que desempenhou um papel na censura da obra de Copérnico pela Igreja em 1616, citou o problema do tamanho das estrelas e o problema da queda dos corpos. Melchoir Inchofer, S.J., que desempenhou um papel na rejeição do Diálogo, observou o problema do tamanho das estrelas; o sacerdote Zaccaria Pasqualigo, também envolvido nessa rejeição, destacou a questão dos períodos das marés. Portanto, quando homens da Igreja ou uma mulher real argumentam contra Galileu, eles não estavam negando a ciência. Eles tinham a ciência a seu lado.

No entanto, como sabemos agora, estavam errados.

A natureza da Ciência

Isso não quer dizer que Galileu finalmente provou estar ‘certo’. O que dá ao mito de Galileu sua ambiguidade é que o argumento é supostamente sobre ‘ciência’ e ‘fatos’ versus pessoas poderosas que atacam a ‘verdade’. Mas ninguém hoje vê o universo como Galileu o via. A Terra pode não ser o centro do universo, mas também o sol não é; ele é apenas uma estrela em uma galáxia de estrelas, que, por sua vez, é uma entre um universo de galáxias. E a compreensão atual do universo mal tem 100 anos e vem com suas próprias ‘quintessências’ misteriosas, como ‘matéria escura’ e ‘energia escura’. Quem sabe como a ciência descreverá o universo daqui a 100 ou 400 anos? Qualquer história de Galileu que termine com uma finalidade triunfante não compreende a natureza da própria ciência.

Além disso, tal história deixa passar as coisas sobre Galileu que o tornaram grande : sua visão mais ampla; o talento artístico que lhe permitiu ver e intuir a verdade ainda que de forma incompleta; sua habilidade matemática para fazer as perguntas certas e sugerir maneiras de buscar respostas; seu gênio para comunicar suas ideias a um público amplo e influente.

Mas assim como devemos reconhecer que a ciência não é monolítica nem sempre certa, também devemos ser cautelosos ao tratar o outro lado dessa equação, a Igreja, como se ela também fosse uma única entidade falando a uma única voz. Mesmo na época de Galileu, muitos clérigos (como Castelli) defenderam seu lado. Na verdade, um dos enigmas fascinantes de toda a história é que por muitos anos parecia que o papa Urbano VIII, que seria a força por trás do julgamento de Galileu, era ele mesmo um homem adepto a Galileu.

A história de Galileu certamente não é uma história da Igreja versus a ciência. Mas o julgamento de Galileu foi de fato uma terrível injustiça. Os historiadores debatem a raiz dessa infâmia. Alguns culpam as personalidades envolvidas. Outros citam as pressões políticas e econômicas envolvendo a Santa Sé e a riqueza da família Médici, representada pela grã-duquesa Christina. Outros ainda citam a convulsão da Guerra dos Trinta Anos, que atingiu seu auge durante a época do julgamento de Galileu. Todas essas pressões eram reais. Nenhuma justifica um julgamento de heresia.

E vamos encarar uma verdade : na escala de coisas que a Igreja se engana, a história de Galileu está competindo com muitos outros pecados que sempre estão diante de nós. Para citar apenas um exemplo : uma geração após Galileu, os padres jesuítas em Maryland teriam escravos. Esse racismo infecta a sociedade até hoje.

Estudamos o que aconteceu na história para imaginar um futuro melhor. Essa é a relevância imediata da história de Galileu para nós hoje. Mas devemos ter cuidado para que as histórias que contamos a nós mesmos não se encaixem perfeitamente em estereótipos contemporâneos como uma ‘negação da ciência’.

Se não diagnosticarmos os problemas corretamente, não poderemos encontrar boas soluções. Você não trata a Covid-19 como se fosse uma gripe. Você não trata o racismo sistêmico como se fosse meramente uma questão econômica. Você não trata os erros que a Igreja cometeu com Galileu assumindo que foi devido à negação da ciência pela Igreja. E você não trata o problema da negação da ciência hoje por meio de uma ficção de que estava supostamente na raiz da história de Galileu.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1473773/2020/09/a-historia-de-galileu-na-relacao-ciencia-e-igreja-foi-mal-contada/

 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A criação suspensa entre ciência e fé

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

O estudo do infinitamente pequeno e o do infinitamente grande chegam à mesma conclusão: no princípio era o caos.
O estudo do infinitamente pequeno e o do infinitamente grande 
chegam à mesma conclusão : no princípio era o caos. 
‘A criação do firmamento’, mosaico da catedral de Monreale 
(século XII-XIII) (Ultreya)

*Artigo de Roberto Righetto,
publicado originalmente por Avvenire
Tradução : Luisa Rabolini

‘‘Aquele que vive eternamente, criou todas as coisas em conjunto. Só Deus será proclamado justo e permanece como rei invencível para sempre. Quem será capaz de contar as suas obras? E quem investigará suas maravilhas? Quem poderá explicar o poder da sua grandeza? Ou quem se porá a descrever a sua misericórdia? Não há o que diminuir nem acrescentar, nem é possível inventariar as maravilhas de Deus : ao terminar, apenas se começou, e ao parar, fica-se perplexo.’ Guido Tonelli terá que me perdoar se para falar sobre seu Genesi. Il racconto delle origini (Gênesis. A história das origens, em tradução livre) inspirei-me em uma citação do livro do Eclesiastes. O ensaio do estudioso, recentemente publicado pela Feltrinelli (p. 22, € 17), corretamente evita misturar os dois planos, o da fé e o da ciência, e embora faça uso de amplas referências às mitologias, às religiões e à literatura, é uma descrição do nascimento do nosso universo de acordo com as aquisições e os dados científicos mais atualizados.

Físico do Cern de Genebra, professor da Universidade de Pisa e um dos pais da descoberta do bóson de Higgs, Tonelli participou nos últimos meses do debate iniciado nas páginas de alguns meios de comunicação sobre a persistente separação na Itáliaentre cultura humanista e cultura científica, posicionando-se sem qualquer dúvida da lado daqueles que apoiam a indispensabilidade do estudo do grego e do latim, útil para uma formação integral dos estudantes. Agora adentra um tema fascinante e consegue envolver até mesmo o leitor sem nenhuma formação dos conhecimentos da física das partículas ou explorações de galáxias. É precisamente através destas ‘duas vias da sapiência’ que ele já deixa claro nas primeiras páginas o que sabemos sobre os ‘primeiros vagidos do universo criança’.

Graças ao grande acelerador do Cern, foi possível recriar partículas extintas, as mesmas que povoaram o universo nas altas temperaturas das origens : ‘É assim - ele explica - que descobrimos o bóson de Higgs. Trouxemos de volta à vida alguns punhados deles depois de um sono que durou de 13,8 bilhões de anos’. Essa exploração do infinitamente pequeno é acompanhada, no outro lado, por supertelescópios, instrumentos que estudam o infinitamente grande e são capazes de descobrir os segredos das estrelas e galáxias : ‘Olhando objetos muito grandes e muito distantes, podem ser observadas ao vivo todas as principais fases da formação do universo e coletar dados preciosos sobre nossa história’. O singular é que ambas as investigações levam à mesma conclusão : no começo era o caos. Melhor ainda : no começo era o vazio. Um vazio que não pode ser identificado com o nada, um conceito puramente filosófico que nada tem a ver com a física : para a ciência, o vazio ‘é algo vivo, substância dinâmica e incessantemente mutável, cheia de potencialidade, grávida de opostos. Não é nada, pelo contrário, é um sistema transbordante de quantidades ilimitadas de matéria e antimatéria’. Mesmo neste caso, embora mantendo os planos distintos, Tonelli não pode deixar de evocar a Teogonia de Hesíodo (‘No princípio e primeiro havia o caos’) para reiterar que o caos cósmico inicial, entendido como vazio, é tudo exceto desordem.

Sem dúvida a partir de sua descrição, para aqueles que são crentes é fácil encontrar analogias entre o Big Bang e o Gênesis bíblico, mas isso permanece uma sugestão que toca o íntimo de cada pessoa e que nunca será uma evidência científica. Claro, em seu percurso histórico como emuladores de Einstein, é surpreendente ver como vários dos cientistas que investigaram as origens do universo fossem pesquisadores crentes como Georges Lemaître, o padre católico que em 1927, aos meros 33 anos de idade, foi entre os primeiros a entender que as equações de Einstein poderiam descrever um universo dinâmico. Ele definiu o nascimento do universo como um processo que ocorreu entre dez e vinte bilhões de anos atrás e chamou o estado inicial de ‘átomo primordial’. O outro elemento surpreendente é a jovem idade de muitos desses cientistas, bem como o fato de que eles têm sido frequentemente mal interpretados e desdenhados pelo establishment científico da época, ancorados na ideia de um universo eterno e de um estado estacionário não criado e perene. Como Edwin Hubble, cujas medições no observatório de Mount Wilson, na Califórnia, confirmaram as intuições de Lemaître. Foi o astrônomo britânico Fred Hoyle, que se opôs a essas teorias inovadoras, que cunhou a expressão Big Bang justamente para zombar delas. Depois veio a descoberta de Arno Penzias e Robert Wilson em 1964 para confirmar a hipótese cosmológica : a existência de um fundo cósmico de radiação de micro-ondas. Os dois astrônomos estadunidenses registraram primeiro o eco do Big Bang. Outro pesquisador muito jovem que perturbaria a cosmologia moderna foi Alan Guth, que em 1979 demonstrou a inflação cósmica.

O ensaio de Tonelli aborda especificamente os muitos mistérios do universo, da antimatéria aos buracos negros, do nascimento da luz à das estrelas, da teoria da unificação à da simetria quebrada e, tanto para aqueles que estão nada sabem de noções científicas quanto para aqueles que já são iniciados, é realmente instigante. Vale a pena aqui recordar algumas conclusões a que a física chegou, à espera de outras descobertas : o universo que conhecemos tem zero energia, zero momento, zero carga elétrica : está em estado de vazio e para os cientistas parece com um pato e está em uma expansão destinada a terminar. É composto de 68% de energia escura, 27% de matéria escura e apenas 5% de matéria comum. É composto de centenas de bilhões de galáxias e é bastante monótono, isto é, homogêneo. Ele se comporta como um grande forno de micro-ondas : seu aquecimento cessou em um passado distante e, desde então, tem gradualmente esfriado. Nasceu quase quatorze bilhões de anos atrás e é um ambiente gélido : assim que se sai da camada protetora da atmosfera, a temperatura cai, tanto que nos imensos espaços vazios entre os planetas ou as estrelas ela mede os negativos 270 graus centígrados. Quanto ao seu fim, os dados nos dizem que a expansão do universo não está destinada a parar. Tonelli observa : ‘Tudo corre precipitosamente para esse nada, um coração de treva invisível que atrai, irremediavelmente, tudo. Um terrível redemoinho está nos engolindo. O nosso final está marcado’. Os tempos desta catástrofe cósmica são, na verdade, muito longos. No que nos diz respeito, sabemos que o Sol deveria durar mais cinco ou seis bilhões de anos, depois se transformará em um ‘anão negro’, um objeto inerte invisível.

Tendo estabelecido tudo isso e reconhecido quanto ainda permanece desconhecido do mistério das origens e segredos do universo (e provavelmente permanecerá, em boa parte, para sempre incognoscível, como diz o Eclesiastes), continua em aberto a questão da presença do homem. No saguão do Cern, os visitantes são recebidos por uma gigantesca esfera de madeira. Lá dentro há um museu científico nas paredes do qual estão gravadas três perguntas : de onde viemos? Para onde vamos? Quem somos? Estas são as perguntas clássicas do pensamento, diante das quais podemos concluir com Tonelli que ‘arte, beleza, filosofia, religião, ciência, numa palavra a cultura, são a nossa tenda mágica, e precisamos dela, desesperadamente, desde tempos imemoriais’.


Fonte :

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Como a fé e a ciência trabalham juntas


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 Nosso crescente conhecimento também deve inspirar-nos a encontrar maneiras novas e melhores de cuidar uns dos outros e do nosso meio ambiente.
*Artigo de Joe Kay,
ministro associado da Nexus United Church of Christ, 
condado de Butler, Ohio, USA


‘É uma experiência mágica ver os vaga-lumes levantarem-se do chão ao anoitecer e piscar alto no meio das árvores, realizando seu show de luzes frente o céu noturno.

Quando aprendi a ciência por trás de como esses insetos fazem a sua luz - um processo chamado bioluminescência - isso não os tornou menos mágicos para mim. Pelo contrário, minhas novas percepções me fizeram apreciá-los mais.

Entender a ciência por trás dos nossos milagres diários não os torna menos miraculosos. Muito pelo contrário, faz o oposto.

Isso vale não apenas para os insetos que piscam, mas para toda a criação, inclusive para nós mesmos. Aprender sobre como as coisas funcionam deve ampliar nossa apreciação e inspirar mais respeito pela profunda sacralidade de tudo.

Nosso crescente conhecimento também deve inspirar-nos a encontrar maneiras novas e melhores de cuidar uns dos outros e do nosso meio ambiente.

Infelizmente, muitas pessoas tentaram separar a ciência e o sagrado ao longo dos séculos. Construíram um muro imaginário entre crença religiosa e o método científico, quando na verdade os dois são destinados a trabalhar juntos e nos levar adiante.

Grande parte da responsabilidade por este problema recai sobre pessoas que se descrevem como religiosas. Ao longo dos séculos, elas consideraram a ciência uma ameaça e não uma ajuda.

Rejeitaram a verdade de que o universo tem bilhões de anos, a Terra é redonda e o Sol - não nosso planeta - é o centro do sistema solar. Elas insistiam que as pessoas adoeciam não por causa de germes e práticas insalubres, mas porque estavam sendo punidas por Deus.

As descobertas da ciência levaram essas ideias e abriram caminhos para outras novas. A religião tentou fechar a porta e se apegar a modos antigos e imprecisos de pensar. Ao fazê-lo, a religião perdeu o seu caminho.

A ciência também se perdeu. Em resposta ao antagonismo dos líderes religiosos, muitos cientistas afastaram totalmente a fé, declarando que ela não tem nada a dizer sobre sua busca de compreensão.

Ironicamente, a ciência caiu na mesma armadilha da religião, permitindo ser distorcida e mal utilizada pelos ricos, poderosos e egoístas. Muitas vezes, a ciência apostou muito naqueles que buscavam maiores lucros e dominação militar à custa de tudo.

Os cientistas assinaram com empresas de tabaco que enterrariam quaisquer descobertas revelando o perigo de seus produtos, impedindo que os pesquisadores falassem e salvassem vidas. As companhias de petróleo usaram cientistas para promover seus interesses, independentemente de como o planeta ficava afetado. Os cientistas inventaram armas que podem infligir tais horrores ao nosso mundo.

Precisamos que a fé e a ciência sejam desimpedidas daqueles que as pervertem e abusam delas.

A ciência vendeu sua alma para o maior lance, assim como a religião vendeu sua alma pelo poder. Precisamos reformar as duas.

A verdadeira fé desafiará os cientistas a trabalharem pelo bem de todas as pessoas e toda a criação. A verdadeira ciência guiará nossa fé para uma compreensão mais profunda do Criador e das maneiras pelas quais podemos servir uns aos outros.

Ciência e religião são complementares, duas faces da mesma moeda. A ciência procura entender como a criação funciona. A religião tenta fornecer uma experiência de como o Criador trabalha.

Ambas são limitadas pela compreensão humana : nunca compreenderemos totalmente o universo ou quem o fez. Em seus caminhos inexatos, a ciência e a religião devem liderar o caminho para nos trazer novas e úteis percepções.

Ciência sem religião? Religião sem ciência? De nenhuma maneira funciona. É como pensar que podemos ter criação sem um criador, Deus sem amor ou um vagalume sem luz bioluminescente.

Eles sempre andam juntos. Nós tentamos separá-los por nossa conta e risco.’


Fonte :

terça-feira, 21 de novembro de 2017

17 cientistas que eram também sacerdotes católicos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Albert Einstein e Padre Geoges Lemaître, Califórnia, 1933

*Artigo da Redação da Aleteia


‘A ciência e a  são parceiras que só andam separadas na cabeça de quem quer negar alguma parte da essência humana, aberta naturalmente ao conhecimento, à busca de significado e à exploração de hipóteses que possam ser confirmadas ou refutadas. Não há verdadeira ciência sem abertura ao mistério, nem fé autêntica sem abertura à investigação científica. Faz todo o sentido, por isso, que alguns dos grandes cientistas da história da humanidade tenham sido também sacerdotes.
Conheça 17 deles :

1 – São Silvestre II (945-1003)
O primeiro Papa francês da história da Igreja era matemático e foi um dos primeiros divulgadores dos numerais indo-arábicos na Europa cristã.

2 – Guido d’Arezzo (992 a 1050)
Este monge medieval é um dos responsáveis pelo sistema de notação musical moderna : foi ele quem criou o tetragrama e batizou as notas musicais (a partir das primeiras sílabas de um hino em latim a São João Batista).

3 – Santo Alberto Magno (1193-1280)
Sacerdote dominicano, bispo e Doutor da Igreja, foi também o químico a quem se credita a descoberta do arsênio.

4 – Roger Bacon (1214-1294)
Frade franciscano conhecido como ‘Doutor Admirável’, fez estudos e pesquisas em áreas importantes do conhecimento como a mecânica, a ótica e a geografia, além da filosofia.

5 – Jean Buridan (1300-1375)
Padre francês, foi um dos pioneiros da Teoria do Ímpeto, que abriu caminho para a dinâmica de Galileu e para o princípio da inércia de Isaac Newton.

6 – Nicolau Oresme (1323-1382)
Teólogo e bispo de Lisieux, fez estudos e pesquisas não apenas como filósofo, psicólogo e musicólogo, mas também como economista, matemático, físico e astrônomo, e, graças a esse conjunto de conhecimentos, descobriu a refração atmosférica da luz.

7 – Nicolau Copérnico (1475-1543)
Embora seja famosíssimo, ainda há muita gente que não sabe que este matemático e astrônomo polonês, pai da teoria heliocêntrica e da astronomia moderna, era sacerdote. E também era jurista, político, líder militar, diplomata e economista.

8 – Francesco Maria Grimaldi (1618-1663)
Padre jesuíta italiano, físico e matemático, ele construiu instrumentos para medir características geológicas da lua e foi pioneiro nos estudos sobre a difração da luz.

9 – Giovanni Battista Riccioli (1598-1671)
Também sacerdote jesuíta, foi o primeiro a medir a aceleração de um corpo em queda livre e é reconhecido como pioneiro da astronomia lunar.

10 – Athanasius Kircher (1602-1680)
Outro jesuíta cientista, inventor, poliglota e especialista em cultura oriental, contribuiu também com a medicina ao usar um microscópio rudimentar para examinar doentes de peste : um projetor de imagens conhecido como ‘lanterna mágica’, criado por ele próprio, possibilitou importantes avanços na compreensão da peste bubônica. Além disso, escreveu mais de quarenta livros, entre eles o famoso ‘Mundus Subterraneus’ (1665), para expor o conhecimento da época sobre o interior da Terra.

11 – Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724)
Este padre é um dos precursores da aviação, área em que a sua importância é relevante a ponto de que a Força Aérea Brasileira conceda todos os anos, a pessoas que prestaram serviços importantes para a aeronáutica, um prêmio que traz o nome dele : a Medalha Bartolomeu de Gusmão.

12 – Ruder Boskovic (1711-1787)
Mais um jesuíta que, além de sacerdote, era poeta, físico, astrônomo, filósofo e matemático. Influenciou na obra de nomes tão relevantes como Faraday, Kelvin e Einstein.

13 – Gregor Mendel (1822-1884)
Agostiniano austríaco e pai da genética, legou ao mundo as assim chamadas ‘leis de Mendel’ sobre a transmissão dos caracteres hereditários.

14 – James B. Macelwane (1833–1956)
Todos os anos, a União Geofísica Americana concede a medalha James B. Macelwane a um cientista de até 36 anos de idade que tenha prestado contribuições significativas à Geofísica. O nome da medalha é uma homenagem a este padre jesuíta que se dedicou com grande empenho à formação de jovens cientistas que contribuíssem com o progresso da humanidade.

15 – Jean-Baptiste Carnoy (1836-1899)
Fundador da citologia, é dele a criação da importante fórmula da medicina conhecida como ‘solução de Carnoy’. Nascido na Bélgica, foi ordenado sacerdote em 1861 e se doutorou em Ciências Naturais em 1865.

16 – Georges Lemaître (1894-1966)
Padre católico belga, era astrônomo, cosmólogo e físico. Propôs a ‘hipótese do átomo primordial’ para estudar a origem do universo, o que veio a se popularizar como a teoria do Big Bang. Na foto que ilustra este artigo, vemos o padre Lemaître com Albert Einstein na Califórnia em 1933.

17 – Bonaventura Thürlemann (1909–1997)
A este padre beneditino e professor de matemática e física na escola do mosteiro de Engelberg, na Suíça, é reconhecida a invenção dos medidores eletromagnéticos de fluxo. Ele publicou, em 1941, um trabalho intitulado ‘Methode Zur Elektrischen Geschwindigkeitsmessung Von Flüssigkeiten’ (Método Elétrico para a Medição da Velocidade em Líquidos).

E mais:

Para não alongar muito, sugerimos este artigo sobre a contribuição tanto histórica quanto atual da Igreja ao conhecimento científico do mundo : Harmonia entre a Ciência e a Igreja, de Alexandre Zabot, que é físico, doutor em Astrofísica, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e católico.

MAS…

Apesar de toda a contribuição da Igreja nos diversos campos científicos e culturais, do filosófico ao psicológico, do social ao literário, do artístico ao jurídico, do médico ao astronômico, do químico ao físico, do musical ao pedagógico (e poderíamos continuar  detalhando longamente…), ainda é grande (e surpreendente) o número de laicistas intelectualmente desonestos que teimam em pré-julgar uma Igreja que sequer conhecem – muito em desacordo com seu próprio mantra de se livrar de boatos infundados em vez de engoli-los cegamente…

Ao se fecharem arrogantemente ao que não conseguem entender, esses pseudo-cientistas incorrem no mesmo dogmatismo cego que, ironicamente, atribuem à Igreja; ou, prescindindo de toda ética, se comportam como deuses e causam catástrofes criminosas em nome de uma ciência que não passa de ideologia irresponsável; ou se alinham à prepotência eugenista do nazismo; ou deixam de enxergar a beleza que vai muito além da estreitez dos seus conceitos anticientíficos disfarçados de progresso humano – e propõem genuínas barbaridades.

Ah, mas e Galileu? Aqui. E a Inquisição? Aqui. E as Cruzadas? Aqui. E… e… e…

Não existem nem cem pessoas que odeiam a Igreja católica. Mas existem milhões de pessoas que odeiam o que eles pensam que é a Igreja católica’ (Fulton Sheen).’

Fonte :