domingo, 22 de maio de 2016

Grupos políticos que usam a religião não têm soluções

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre Olmes Milani,
Missionário Scalabriniano

‘Amigas e amigos, agradeço por receber uma saudação de paz e esperança. Morando e trabalhando num país islâmico no qual a conversão dos cidadãos locais para o cristianismo ou outras religiões, significa ser passível de pena de morte, tenho acesso às publicações dos estudiosos dos países seguidores do Islã.  Lendo jornais, livros e revistas publicados a partir das Arábias, percebe-se que as conclusões e interpretações da conjuntura atual têm um colorido diferente daquele dos autores ocidentais. Estamos acostumados a ouvir especialistas cristãos ou ocidentais falarem sobre os grupos políticos que usam a religião. O que diria um estudioso islâmico sobre esse assunto?

O Dr. Abdul Hamid Al Ansari, numa palestra proferida recentemente a estudiosos e membros da mídia, afirmou que apesar das promessas de reformas e mudanças por parte de grupos políticos que usam a religião, uma vez no poder, são um fracasso. Confirma isso ilustrando o engodo da Fraternidade Islâmica, no levante da Primavera Árabe. Pergunta-se : Esses movimentos, incluindo a Fraternidade Islâmica, que possuem centenas de livros, têm teorias aplicáveis? Acrescenta que a Primavera Árabe revelou a verdade ao público sobre as mentiras de suas suposições. Na realidade, esse grupo só tem ideias e teorias, mas sem resultados.

Quando a Fraternidade Islâmica assumiu o poder, tinha alguma coisa chamada ‘Projeto Renascença’. Os cidadãos egípcios logo perceberam que não havia nada naquele projeto’, lembrou. Era baseado em teorias mais do que na praticidade.

Continuando sua explanação afirmou que ‘aqueles grupos políticos que usam a religião são oportunistas; tiram vantagens das sociedades descontentes. Seus programas e slogans são reacionários com a intenção de convencer o povo de que eles são a alternativa e a melhor solução. Portanto, eles aproveitam-se dos problemas sociais’, acrescentou.

Outra atitude desses grupos, afirmou o estudioso, é usar a religião como meio de monopolizar e formar suas bases de poder.

Afirma que ‘quando suas ideias e discursos são confrontados, presumem que seus opositores são contra o Islã e por isso querem impor sua hegemonia’.

Essas são as palavras severas de um estudioso seguidor do Islã, sobre os desmandos dos grupos que se aproveitam para chegar ao poder, usando a religião. Oxalá sejam uma inspiração para que teólogos e pregadores islâmicos, cristãos e de outras crenças não permitam que as religiões sejam trampolim, na conquista do poder.

Vale lembrar, aqui, as palavras do Mestre :

Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá’ (Jo 14,27).’


Fonte :
* Artigo na íntegra


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