segunda-feira, 5 de junho de 2017

O tempo voa!

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor
 
‘A reclamação que mais ouvimos hoje, é de que o tempo está passando depressa demais, ou então ficou mais curto. Será que as 24 horas do dia encolheram? Em 1952, Winfried Otto Schumann, físico alemão descreveu um campo eletromagnético poderoso que se situa a cerca de 100km acima do nível terrestre. Esse campo possui uma ressonância (daí chamar-se Ressonância de Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo, que são saudáveis para a ecologia e o funcionamento do nosso organismo. Contudo, a partir dos anos 80 essas pulsações foram se acelerando, chegando a 13 herz por segundo. Com isso, muitas mudanças ocorreram na natureza, e uma delas é o possível ‘encurtamento’ dos dias, talvez por provocar alterações nos níveis de serotonina e melatonina em nosso organismo. Todavia a ciência convencional questiona a validade dessas afirmações, pairando dúvidas acerca da Ressonância de Schumann. Mas fica como uma hipótese a ser considerada.

Existem porém, outras explicações mais plausíveis, e sobretudo com causas que podem ser controladas por nós mesmos, talvez até ‘alongando’ os dias que reclamamos tão curtos.

Para começar, há que se assumir uma atitude essencial à consecução de bons resultados, nesse e em outros propósitos : ser honesto para consigo mesmo, o que geralmente não acontece. Quando erramos, somos capazes de olhar-nos nos próprios olhos e afirmar que fizemos ou não fizemos determinadas coisas. Nosso apego à autoimagem de ‘perfeitos’ é uma das forças mais dominadoras que nos comanda. Por ela, afirmamos que não erramos, mesmo diante das mais evidentes consequências e provas de nossos erros. Já os deprimidos, aqueles que possuem pouca, ou nenhuma autoestima, agem de maneira bem diferente. Mesmo não tendo feito nada de errado, assumem a responsabilidade de faltas que não cometeram, talvez em busca de punições que acreditam merecer. Por isso reafirmo : temos de ser honestos com nós mesmos, para corrigir a suposta escassez de tempo e, por que não, tantas outras situações de sofrimento provocadas pelas mentiras que vivemos repetindo para nós mesmos.

Em tempos passados, quando o ritmo das atividades não era tão frenético como hoje, quase ninguém reclamava por estar com falta de tempo. O telefone celular, que aparentemente veio para facilitar contatos, ao fazê-lo gerou mais compromissos para seus usuários. Além disso, frequentemente atropela atividades que deveriam fluir tranquilas, interrompendo o fluxo natural das coisas, e acrescentando mais ao que pretendíamos fazer no intervalo de tempo destinado a uma única tarefa. Com isso, o que poderia ser feito em uma hora, com os acréscimos ocorridos aumenta-se, e muito, o tempo gasto. Em decorrência disso, as pessoas vão habituando-se a comprimir mais atividades do que seria razoável num mesmo espaço de tempo, deixando-as sempre atrasadas para seus compromissos. Exemplo flagrante são os ambulatórios e consultórios médicos, sempre com um número muito maior de pacientes (hoje, impacientes...) do que o adequado para um tempo normal de atendimento. E o pior desse descontrole é o agravamento do estresse, concorrendo para o aumento de acidentes, especialmente de trânsito, pelo ritmo inconsequente imposto às pessoas.

Outra causa comum para o ‘encurtamento do tempo’, é a falta de controle e planejamento de muitas pessoas. Mesmo sabendo que têm um compromisso às X horas, nunca iniciam seus preparativos para ele, num tempo verdadeiramente suficiente para não ter que aprontar correrias – e fazer mal feito – seus arranjos. Aqui se inserem especialmente as mulheres – mas também alguns homens – que sabendo o tempo que gastam para se arrumar, reservam somente uma parte dele para isso, utilizando o restante para uma ‘rápida’ conferida no Iphone, o envio de duas ou três mensagens, bem ‘curtinhas’ e outras coisinhas mais, justificando : ‘É rapidinho... ainda tenho tempo...’ Quando essas pessoas se dão conta, já estão atrasadas e ‘arrancam os cabelos’, se irritam e brigam para conseguir completar seus preparativos no pouco tempo que lhes restou, não admitindo qualquer observação a respeito.

Voltando à questão da honestidade para consigo próprio : se alguém aponta esse comportamento para aquela pessoa, ela contesta, diz que não é verdade, e que com ela não é assim. Além da cascata de explicações e justificativas, quase sempre fica ressentida, magoada, ofendida mesmo, com quem lhe faz observações a respeito de sua impontualidade.

Hoje o tempo não está curto, apenas parece curto. Ou melhor : o fazemos curto. Tudo pela falta de planejamento adequado, pelo excesso de atividades que se opta assumir, pela inautenticidade para consigo mesmo, na modernidade líquida em que vivemos. Onde tudo escorre rapidamente, não deixando tempo suficiente para os excessos que queremos fazer, esquecidos do que realmente importa : genuína qualidade de vida; relacionamentos afetivos sólidos; e portanto, viver feliz.

O tempo? Este continua e continuará o mesmo, por milhões e milhões de anos...’

           
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